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Ritmos e paradoxos

por oficinadepsicologia, em 17.08.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Fabiana Andrade

Joseph Zinker escreveu “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito abaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar a planta. Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de gemer e tempo de bailar. Tempo de atirar pedras e tempo de recolher pedras. Tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder. Tempo de guardar e tempo de deitar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar. Tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar. Tempo de guerra e tempo de paz.”

 

Ele refere-se à variedade de ritmos que existem na vida e cuja falta de consciência e/ou aceitação nos dificultam a tarefa de sermos felizes.

 

Não são raras as situações em que meus clientes referem sensações de estagnação, de estarem presos, bloqueados, da sua vida não andar para frente. Quando exploro com eles o assunto, muitas vezes deparo-me com uma não-aceitação dos diferentes ritmos da vida e dos paradoxos inerentes a estes mesmos ritmos:

- não entendo como ele pode magoar-me se me ama

- tenho medo de morrer

- quero estar próxima mas sinto que me anulo na relação

- sinto um vazio quando não estou com ninguém

 

 

Estes são exemplos de problemas colocados por clientes e que mostram uma não integração da noção de ritmo/ciclo ou de paradoxo, por exemplo, só uma pessoa com quem temos uma relação afectiva significativa, tem o poder de nos magoar. Não ficamos magoados com alguém por quem não temos nenhum tipo de afecto, assim, a mágoa, a zanga, a desilusão, são temas presentes nas relações com as pessoas de quem mais gostamos, a gestão destas emoções é o que torna a relação mais ou menos saudável.

 

Quando os clientes referem que sentem medo de morrer, normalmente não estão de facto a viver! Passam tanto tempo na sua própria cabeça cheia de medos de algo que não está a acontecer, que ficam desligados daquilo que realmente está acontecer no “aqui e agora”. Viver plenamente é um constante ensaio para abrir mão da nossa vida. Só quando abdicamos da tentativa de controlar a nossa própria morte, é que passamos a estar vivos no presente, ou seja, só quando a ideia de que vamos morrer sim, mas não podemos controlar o quando ou o como, fica interiorizada, ficamos libertos para viver o hoje.

 

Muitas vezes as pessoas referem problemas nas relações de intimidade, por se sentirem embrulhadas na relação, por não saberem o que é responsabilidade de um e o que é do outro, por sentirem que se anulam constantemente perante o outro. Só quando temos a consciência de nós bem definida, com as nossas fronteiras delimitadas, o nosso amor-próprio no lugar certo, é que podemos estar suficientemente próximos de alguém sem que isso seja uma ameaça para a nossa própria identidade. Assim, tenho que ser EU, que estar separada do outro para poder ser verdadeiramente próxima. Proximidade é = separação pois é algo que acontece entre duas pessoas individuais.

 

Queixas sobre sensações de vazio são uma constante diária no consultório, e quando exploradas vão dar normalmente a outras sensações que não são exactamente “vazio”. Falamos de medo de ficar só, da sensação de não preenchimento e satisfação com a própria vida entre outras questões. Este “vazio” é antes de mais nada um espaço fértil de abertura a todas as possibilidades e só quando ele existe é que existe também a possibilidade de preenchimento real e saudável. Só quando estamos connosco, em contacto com as nossas emoções e pensamentos, em contacto com a nossa vontade de nos encontrarmos, nos realizarmos, é que depois criamos a possibilidade de um preenchimento verdadeiro, com pessoas que não surgem para “tapar buracos” e sim para acrescentar algo de positivo à nossa vida.

 

Estes são alguns exemplos de contrários, de paradoxos ou ritmos, que aparecem mais frequentemente nas sessões, e que mostram que só quando interiorizamos os dois lados da mesma moeda, só quando aceitamos todas as variações das nossas emoções, só quando entendemos que tudo na nossa vida é feito de pólos, de ciclos que variam entre si constantemente e também equilibram-se mutuamente, gerando movimento, evolução e amadurecimento, é que temos possibilidade de viver tudo de forma plena e satisfatória.

 

Um dos grandes objectivos do trabalho psicoterapêutico é a integração das polaridades do cliente e da vida, neste processo o cliente aprende a não identificar-se apenas com uma dimensão de si e do mundo, mas a olhar e aceitar toda a realidade, retirando desta, toda a sua potencialidade.

Que tal começar hoje mesmo esta viagem?

 

 

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publicado às 13:36



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