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Quando o "eu" se perde por entre as máscaras

por oficinadepsicologia, em 18.08.11

Autora: Filipa Jardim da Silva

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Filipa Jardim da Silva

Todos nós vivemos em sociedade, desempenhando diferentes papéis em contextos diversos. É nessa diversidade de cenários que surge a necessidade de adoptarmos diferentes atitudes sociais, guiões adaptados a cada público-alvo; a esta estratégia de adaptação social dá-se o nome de máscara social. É por isso que nos vestimos de forma diferente consoante estamos em casa, no trabalho, na praia ou numa festa, usamos um tipo de linguagem mais ou menos formal dependendo se estamos a falar numa reunião de trabalho ou num jantar entre amigos, adoptamos uma postura mais ou menos contida variando em função do grau de familiaridade que temos com as pessoas à nossa volta.

Já em 1926 Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão do séxulo XX, utilizou a palavra “gestus” para se referir às atitudes sociais nas inter-relações dos personagens, defendendo que o “gesto social” que abarca o tom de voz, a gestualidade, as atitudes e a vestimenta , é o que permite construir em pleno um personagem pelo actor que o representa.

 

Mas aquilo que é um recurso útil e que nos possibilita adequar a cada ambiente e integrarmo-nos socialmente, muitas vezes se multiplica em excesso cedendo à pressão das expectativas dos que nos rodeiam e das exigências dos meios onde circulamos. Por outro lado, cedo se percebe que uma máscara social pode constituir uma muralha entre o nosso Eu e os outros, uma muralha que absorve os golpes e as tentativas de ataque, para que no fim do dia o Eu esteja intacto. Mas sendo no contacto com o outro e na vivência de cada experiência de vida que nos construimos, o adormecimento constante do Eu pode levar-nos a questionar: quem somos afinal?

 

Vivemos assim num jogo de máscaras, entre o que somos, o que achamos que devíamos ser, o que queríamos ser e o que os outros esperam que sejamos. A determinada altura pode tornar-se uma tarefa difícil sentir a nossa pele por entre as várias camadas de verniz de polimento numa tentativa de aperfeiçoamento ou defesa do “Eu” verdadeiro.

É esta necessidade de auto-conhecimento e reencontro com o Eu profundo e real que leva muitas pessoas a iniciar um processo psicoterapêutico, no qual o papel de cada máscara é pensado e compreendido, cada camada de polimento é desmontada deixando cair rótulos e juízos de valor, e é trabalhado o Eu-ideal a par do Eu-real, que pode ser reforçado com as competências necessárias sem com isso perder autenticidade e valor.

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publicado às 17:46



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