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É Natal mas sinto-me estranho...

por oficinadepsicologia, em 24.12.11

Autora: Filipa Cristóvão

Psicóloga Clínica

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Filipa Cristóvão

Por estes dias, muitos são os amigos e conhecidos que revelam uma estranha sensação. É Natal, mas sente-se um desconforto “devia estar feliz, mas não estou e não consigo perceber porquê”; “à medida que se aproxima o Natal, sinto-me mais esquisito, mais ansioso”, “é tanta coisa que não consigo aproveitar” e assim se passa uma quadra com uma sensação mal definida de desconforto embora sem razão aparente.

 

Já lhe aconteceu?

 

Da próxima vez, páre por uns instantes. Sinta o seu corpo, que parte fica ativada quando se lembra do Natal? Surgem tensões? Em que zonas? Que emoções as acompanham? Que memórias? Que imagens lhe preenchem o espírito?

 

Podemos antever algumas hipóteses:

 

- Demasidos estímulos – “Compras, prendas, consoada, festa na escola das crianças, festa no lar dos avós, uff” Natal é sinónimo de correrias. Se para muitas pessoas, este acréscimo de actividade é sinónimo de entusiasmo e funciona como motor, para tantas outras, este ritmo não se coaduna com a sua natureza por isso um desequilíbrio de energia. Por outro lado, ficam muitas vezes evidentes dificuldades de gestão de tempo e de necessidades, que até podem acontecer ao longo do ano, mas dado o desafio da data tornam-se mais claras.

 

 

- Perfeccionismo. “Quero ter a casa e iguarias perfeitas para receber pais, tios e primos”. Muitas vezes as expectativas e a tentação de agradar tudo e todos resultam num aumento de  tensão e stress. No meio desse investimento, sobra muito pouco tempo para perceber quais são as reais necessidades e o que é esperado socialmente para esta fase.

 

- O dar e receber-  Para algumas pessoas, receber prendas é um momento muito difícil. Muitas vezes porque não se está habituado, não se acha merecedor, ou não se sabe como agir, gerando constrangimento.

 

- Onde fica a sogra? - As festas natalícias, dado o enfoque na família, obrigam a gestão de relações interpessoais. As preocupações em torno do  “quem não se dá com quem”, e como se vai encaixar e gerir desconfortos acabam muitas vezes por invadir não só a festa mas os dias que se lhe antecedem.

 

 - O jantar da empresa - Nestas alturas aparecem os convites para as festas das empresas com um código  de conduta próprio. Para muitos este é um momento de encurralamento no “é  suposto” apesar de nem sempre as relações organizacionais com colegas e chefias serem favoráveis.

 

-Existencial - O Natal é também uma data, um marcador. Logo, lembra-nos o que tínhamos programado/sonhado fazer o ano anterior, e qual a realidade do aqui e agora. Não poucas vezes essa diferença sentida o que “ eu queria” ou “isto devia ser” e o “isto é/está” traz frustração e tristeza.

 

- Luto- É inevitável no Natal não recordar aqueles que partiram, ou que por outra qualquer razão de ruptura já não pertencem à nossa rede de relacionamentos. Existem as memórias, as fotos, “o ano passado foi assim”, e muitas vezes, dores que se julgavam adormecidas, voltam a acordar.

 

Talvez encontre muitas outras razões. As suas. Talvez estas não lhe sirvam para fazer desaparecer esse mau-estar interno, mas sirvam sim de guião para o descodificar. Pelo caminho, dá-lhe um nome, atribui-lhe significado, convida-o a sentar-se consigo, olha para ele ternamente e não como crítica “que raio de pessoa sou eu, para não gostar do Natal?”.


Neste Natal Respeite-se. Use este momento voltar para dentro e estar um pouco consigo próprio e deixe que as sensações que o acompanham (ainda que lhe pareçam negativas!) possam apenas fluir. E quem sabe, usar essa preciosa informação para delinear planos futuros para tantos cenários que se avizinham neste novo ano.

 

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publicado às 10:54



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