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Amar sem vergonha

por oficinadepsicologia, em 24.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Quando escrevi o texto “Gostar de Si”, foi com o objectivo de fornecer algum conhecimento sobre a doença oncológica da mama e as vivências da mulher com diagnostico desta doença, referentes à imagem corporal.

 

Hoje trago-vos o “Amar sem Vergonha”, que não é mais do que a relação entre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da mama e a sua Sexualidade.

 

Vários estudos sobre o tema, concluem que não existem diferenças significativas entre as variáveis imagem corporal e vivências sexuais, logo, não se pode concluir que exista, de facto, uma mudança nas vivências sexuais devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora.

 

O que nos levam ao encontro da teoria defendida por Ducharme et al. (1988), em que a sexualidade de um sujeito não é determinada por características e/ou capacidades físicas, o que faz com que não se deva julgar o deficiente físico como impossibilitado da pratica sexual.

Barni e Mondin (1997) sublinham, a pertinência da manutenção da vida sexual das mulheres mastectomizadas no combate à imagem de doença e debilidade. Os referidos autores, constataram no seu estudo que é indispensável que as mulheres submetidas a amputação da mama, e que têm parceiro sexual, discutam com este os seus problemas desta índole. Do mesmo modo, partilhamos do ponto de vista de Payne et al. (1996), Barni e Mondin (1997), Baptista (1999) e Oliveira (2000), que consideram ser extremamente importante o facto de que as mulheres com cancro da mama, assim como outros doentes do foro oncológico, mantenham a actividade sexual sempre que possível, pois esta contribui para a conservação da saúde residual da doente, melhorando a adaptação à doença.

 

Posto isto, a explicação para uma não mudança no relacionamento conjugal devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora, certamente estará relacionada com a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal antes da doença. Estes resultados corroboram a teoria de Pádua (2006), que defende que a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal será responsável não só pelo alcance e a manutenção da estabilidade emocional da mulher, mas também pelo retorno do interesse sexual numa fase mais calma da doença. Assim, após a cirurgia e com a estabilidade da doença, o casal volta a interessar-se pela vida sexual e começa a preocupar-se com o relacionamento sexual de ambos. Procuram maior intimidade, trocas de carícias, prazer e novas formas de adaptação às condições actuais da mulher a fim de tornar o relacionamento sexual mais agradável, confortável e prazeroso.

 

Sabemos que tem aumentado o número de investigações na área da oncologia, todavia a prioridade tem sido dada a estudos genéticos e biológicos sobre o aparecimento, controlo e tratamento da doença. Contudo, o orgânico não se deve separar do psíquico. A par do sofrimento físico surge o sofrimento psicológico.

 

Sobretudo em mulheres que realizam uma mastectomia, a intervenção psicológica parece tornar-se indispensável. Ajudar a mulher a lidar com as alterações corporais, a desenvolver estratégias de coping que lhe permitam encarar as mudanças na sua aparência, informando-a que a sua feminilidade continua a existir são algumas das formas como um psicólogo pode intervir.

 

O tratamento físico é fundamental, porém o psíquico igualmente o é. A saúde é uma relação de equilíbrio entre o corpo e a mente, com um certo nível de comunicação e conhecimento entre o externo e o interno. Saber o que se passa com o físico e com os motivos psíquicos relacionados a esse físico doente e a forma de conduzirmos a cura (Conte, 2003).

 

Com relação também, às Vivências Sexuais, o acompanhamento psicológico da doente e do seu companheiro torna-se fundamental ao bem-estar e à qualidade de vida de mulheres com cancro de mama. O parceiro da doente é, em grande parte dos casos, a pessoa com maior contacto directo com a doente. Ouvir, compreender e ajudar o casal a enfrentar esta nova e indesejável situação ajudará ambos os cônjuges a se reajustarem a uma série de novos papéis e funções e proporcionará uma melhor comunicação entre ambos.

 

A adaptação na vivência do cancro da mama é vista como um processo de ajustamento que envolve uma interacção entre as características do cancro e o seu tratamento, bem como avaliações cognitivas, experiências vivenciadas, esforços de coping (Osowiecki & Compas, 1999) e o respectivo suporte social.

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publicado às 10:04



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