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Abrace os pontos de interrogação da sua vida!

por oficinadepsicologia, em 24.06.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Filipa Jardim Silva

Já lhe apeteceu substituir todos os pontos de interrogação que habituam a sua mente por pontos finais? Suponho que sim, mas não será necessário fazer isso. Termos a capacidade de colocar questões face ao que nos acontece, ao que somos e ao que fazemos é um dos motores essenciais do nosso desenvolvimento e consequente mudança. Existirá uma diferença entre o autoquestionamento saudável e construtivo e a insegurança persistente que leva a colocar-se em causa.

 

Aprender a ser introspetivo traz diversos benefícios. Introspeção significa a capacidade para olharmos para dentro de nós de uma forma não avaliativa ou de julgamento. Muitos de nós quando param para se observar internamente tendem a ser muito críticos e a avaliar-se de uma forma punitiva. Esta estratégia não é útil ou produtiva nem conduz a uma mudança positiva. Quando as nossas expectativas não são cumpridas ou estamos emocionalmente feridos por um evento ou circunstância particular, ao invés de sermos introspetivos muitas vezes de imediato caímos em atos de autocomiseração ou ficamos zangados, com nós mesmos ou com os outros; nenhum destes métodos produz resultados positivos.

 

Podemos procurar alguns exemplos que clarifiquem a diferença entre olharmos para nós de um ponto de vista de julgamento ou sermos introspetivos e constatar os efeitos diferenciados que estes métodos provocam.

Imaginemos que teve uma entrevista de emprego e que no final sente que foi excluído.

Julgamento: “Como é que eu não soube a resposta aquela pergunta? Sou mesmo falhado. Porque é que não me preparei suficientemente bem? Nunca vou conseguir nada da vida!” – O resultado desta autoanálise punitiva e que generaliza um episódio específico é sentir-se com menos valor e menor confiança o que poderá prejudicar o desempenho numa entrevista futura e originará uma desmotivação crescente que se pode traduzir numa desistência de procurar emprego.

Introspeção: “Eu realmente não sabia as respostas para aquelas perguntas. Deduzi que sabia o que a entrevistadora ia perguntar e não me preparei devidamente. Na próxima entrevista a que for para este tipo de emprego, vou saber que material tenho de estudar melhor o que me fará sentir mais preparado.” – Com uma autoanálise construtiva consegue identificar a sua falha, compreender como surgiu e retirar uma aprendizagem do erro o que diminui as probabilidades de repeti-lo; sobretudo não existe aqui a extrapolação de um erro para uma característica de personalidade (“errei numa entrevista logo sou um falhado”). Mais do que se autoinfligir com julgamentos, na introspeção existe um olhar e uma visão para os nossos comportamentos diferenciados do nosso valor enquanto pessoas.

 

O autoquestionamento leva-nos a tornar introspetivos. Por exemplo, imagine colocar a si próprio uma questão enquanto está a sofrer emocionalmente: “Porque é tão difícil para mim confiar nos outros?”. Uma das respostas introspetivas que poderá surgir será algo como “talvez seja difícil para mim confiar nos outros porque cresci sempre inseguro. Em miúdo, os adultos importantes para mim entravam e desapareciam da minha vida sem aviso prévio. Se calhar por isso nunca aprendi a sentir-se seguro. É isso que preciso agora, sentir-me mais seguro para conseguir começar a confiar mais nas pessoas do meu presente.” Percebe-se que o autoquestionamento ajuda a desbloquear-nos a nível emocional. Quando nos sentimos emocionalmente presos é como se estivéssemos entorpecidos, como se o nosso coração estivesse algo anestesiado e daí surge a sensação de que nos perdemos algures no caminho. Esta é uma experiência que todos nós experimentamos de vez em quando. Será nestes momentos em que a estratégia adotada fará diferença entre um bloqueio emocional temporário reativo e ajustado às circunstâncias de vida e uma perda crescente de recursos psicológicos em que não conseguimos fazer mais do que nos autoflagelar.

 

Não deite fora os pontos de interrogação da sua vida, faça deles caminho para explorar novos percursos e perceba que são as questões que coloca a si mesmo de uma forma construtiva que o levam a conseguir arranjar respostas diferentes e progressivamente mais eficazes!

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publicado às 19:12



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