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Palavras que direi

por oficinadepsicologia, em 04.08.12

Autora: Ana Beirão

Psicóloga Clínica

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Ana Beirão

 

Vários são os livros/filmes que retratam a enorme ansiedade de não saber expressar as nossas ideias e sentimentos, principalmente a quem nos é mais próximo. “As palavras que nunca te direi” para quem leu o livro ou viu o filme, fala do vazio que se sente quando uma pessoa significativa sai da nossa vida. Fica connosco a dor e a impossibilidade de expressarmos tudo o que ficou por dizer. Neste livro, o autor  Nicholas Sparks, cria uma personagem que perdeu, de repente, a sua companheira. A experiência foi tão avassaladora que a solução encontrada acaba por passar pela redacção de uma carta, que por sua vez é jogada ao mar, lugar onde a companheira perdeu a vida. É nessa mensagem que são expressas as palavras que precisavam de ser ditas e a tentativa da despedida é praticada.

 

Freud dizia “As palavras, originalmente, eram mágicas e até os dias de hoje conservaram muito do seu antigo poder mágico.” O uso da palavra reflecte o nosso interior, como os pensamentos, emoções esperanças, alegrias, tristezas. As palavras são poderosas porque ajudam-nos a comunicar as nossas experiências. O não conseguir expor os pensamentos e sentimentos faz com que muitas vezes não consigamos transmitir aos outros aquilo que nos incomoda e preocupa. A partilha facilita a comunicação com o outro e a maneira como estamos com os nossos familiares, companheiros, amigos e colegas. Mas muitas pessoas manifestam esta dificuldade, de não saber partilhar o que nelas habita. Por que nos prestamos a este aperto? Porque é que é tão difícil e por vezes até doloroso dizer o que sentimos? Esperamos a censura?

 

Existem diversas razões para não saber explicar aquilo que sentimos. Todos temos uma consciência interna, mas essa consciência varia de pessoa para pessoa, assim como a maneira como comunicamos com os outros. A maneira de nos expressarmos verbalmente reflecte o nosso íntimo e devido ao nosso desenvolvimento pessoal nem sempre o conseguimos fazer.  Mas senão conseguimos falar porque não escrever?

 

O escrever é uma maneira de conseguir contar a nossa história com um princípio, um meio e um fim. Temos a possibilidade de melhor estruturar e reflectir as nossas percepções. Estamos mais atentos à nossa experiência interna (como é que eu me sinto?) e ao que nos rodeia (como é que a relação com os outros me afecta?). Escrever é exteriorizar, é explorar ideias, é dar uma casa aos pensamentos. Porque não manter um pequeno diário ou um bloco de notas que anda na carteira ou na mochila, que permite com que um dado momento não se escape? A intenção é escrever o que nos abalroa caso seja difícil ou impossível exteriorizar de outra maneira. O diário/bloco pode ser um amigo. Não nos julga e guarda nele os momentos mais tristes mas também os nossos pensamentos, esperanças e perguntas, que podem mais tarde facilitar a reestruturação de ideias. O nosso “diário” possibilita uma reflexão pessoal do nosso eu assim como das nossas actividades. É um confidente muito especial, sirva-se dele!

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publicado às 09:48



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