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Perdão ou compaixão: eis a questão

por oficinadepsicologia, em 08.08.12

Autora: Susanne Marie França

Psicóloga Clínica e Hipnoterapeuta

www.oficinadepsicologia.com

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Susanne Marie França

Se queres que os outros sejam felizes, pratica a compaixão. Se queres ser feliz, pratica a compaixão."(Dalai Lama)


Sem me aventurar pelo terreno movediço e polémico da religião, gostaria de sugerir uma pequena reflexão sobre os conceitos de perdão e compaixão.

 

Há uns largos meses atrás deparei-me com um programa na televisão acerca do efeito terapêutico do acto de perdoar. Confesso que fiquei admirada ao perceber que as pessoas conseguiam nobremente perdoar as piores situações possíveis, e posteriormente emanar uma aura de calma e paz invejável.

 

Veio-me à memória uma paciente que tinha sido vítima de abuso sexual durante o período da infância e adolescência, e tinha conseguido com uma resiliência incrível, “colocar de lado” o trauma e construir uma carreira profissional solida, um casamento harmonioso e tido 3 filhos. Ninguém sabia do que se tinha passado na infância, uma vez que ela tinha conseguido sair da aldeia onde tinha sido criada, cortar relações com a família de origem e recomeçado a vida noutro local. No entanto, quando a sua filha mais velha, chegou à idade em que na sua infância os actos de abuso sexual tinham tido inicio, todo o seu passado, até agora um mundo invisível, como uma avalanche - “desabou” literalmente…  

Procurou terapia de modo a tentar encontrar uma solução pratica para este problema. Este “segredo” tinha que se manter privado, e ninguém, nem o marido, poderiam saber do que se tinha passado na infância. Sentou-se no consultório com a convicção de que tinha que perdoar os perpetuadores dos abusos infantis, e assim a situação ficaria resolvida, e ela poderia continuar com a sua vida.

 

Quando começámos a analisar o verdadeiro significado do acto de perdoar, apercebemos-mos da imensidão desta tarefa e da pressão que ela estava a impor a si própria. A crença assentava no pressuposto de que o acto de contrição resolvesse o trauma de longos anos de sofrimento, dor e culpa, quase que, esquecendo e desculpando o facto de que uma “criança” tinha sido repetidamente e inocentemente vitimizada, e consequentemente, privada de uma infância saudável.

 

De modo algum se está a afirmar que o acto de perdoar não é justo e nobre. O que se está a questionar é se será uma solução para crimes medonhos como este; e como se executa o acto de absolvição de culpa, a quem nos magoou, traumatizou e moldou uma infância e adolescência?

Na verdade, cada caso é um caso, e neste em particular, foi efectuada uma longa e dolorosa viagem ao passado, no sentido de reconstruir a confiança na vida, nos outros e em nós. Decidimos em terapia “colocar de lado” o acto de perdoar e dedicarmos-mos ao acto de compaixão.

O dicionário “Webster” define a compaixão como: consciência profunda do sofrimento do outro aliado ao desejo de aliviá-lo (…).  Esta definição por si parece implicar um processo dinâmico de empatia, ganho de consciência e cura. Foi iniciado o processo de reconhecimento do sofrimento desta “criança”, e trilhado um caminho longo, doloroso mas reparador, na direcção da cura e transformação.

 

A paciente criou passo a passo um mundo interior repleto de carinho, segurança e brincadeira. Construímos um local onde ela pudesse se sentir totalmente segura, estar acompanhada pela natureza e animais, e transportámos para lá igualmente o eu “adulto”, para que pudesse partilhar e relembrar como a infância, pode e deve, ser cor-de-rosa, risonha e feliz.

 

Posso estar errada, mas sinto que a compaixão, neste caso, foi um acto mais terapêutico e estruturador.

E quem sabe, se a compaixão pode ser um caminho seguro e firme, que por último, nos leve ao perdão?

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publicado às 09:08


1 comentário

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De Maria morrice a 09.02.2013 às 17:27

Adorei tudo o Que aqui foi escrito Que Deus lhe de muitas felicidades na vida . Tenho uma pergunta a fazer como ter o amore compaixao dos meus filhos pela sircunstacias de uma vida sozinha no mundo abandonada pela familia com apenas 13 anos de idade fiz me Mae ainda sem ter a comchiencia do Que era ser mulhere uma suciadade Que nada fazia os recursos era tirarem os bebes para adoption afim de asegurarem de Que essas criancas teriam uma vida segura fora de miseries e perigos de vida esquecendo-se de mim pobre sem onde durmire ou se tinha alma coisa Que comer etc muito Que dizer about mas nao o vou dizer por aqui apenas procuro no meus coraccao ja fraco as ultimas respostas possiveis como fazer os meus filhos me aceitarem e perdoar me pelo passado ?

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