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Gostar de si...

por oficinadepsicologia, em 03.03.10

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

 

A  auto-estima é o conjunto de atitudes que cada pessoa tem sobre si própria. Trata-se no fundo da opinião global que cada indivíduo tem de si mesmo, do modo como se julga ou avalia, bem como do valor que atribui a si próprio.

A auto-estima reflete o julgamento que fazemos da nossa capacidade para  lidar com os desafios e os problemas da vida,  bem como com o direito de sermos felizes.

A auto-estima é o reconhecimento que fazemos de nós mesmos, da nossa competência e consequentemente dos nossos direitos. A auto-estima prende-se com aquilo que realmente somos e sabemos ser capazes de fazer, com a forma como sentimos as nossas potencialidades e fragilidades e com o quanto gostamos de nós mesmos.

 

É no contexto das interacções familiares e sociais que aprendemos a interpretar o mundo que nos rodeia  e que  procuramos responder de forma adequada às exigências que são  feitas e/ou  que vamos impondo  a nós mesmos -  e é desta forma  que progressivamente  vamos  construindo e desenvolvendo a nossa auto-estima,  através da interiorização das experiências de valorização realizadas pelos outros sobre nós mesmos . A linguagem verbal e não verbal  afiguram-se como os  elementos  de comunicação por excelência  entre nós  e os outros, bem como o veículo pelo qual recebemos as mensagens acerca de nós mesmos.

 

Todos os seres humanos têm necessidade de ser valorizados positivamente. A pessoa que é valorizada e reconhecida , sente-se competente e aquela que é punida e criticada sente-se incompetente.

 

Sempre que os pais acarinham os seus  filhos,  os protegem, os alimentam  e corrigem os seus comportamentos menos adequados, estão a promover que os seus  filhos se sintam aceites e percebam que tem importância para os outros. Sempre que  os pais agem de modo distinto, as crianças podem sentir-se  inadequadas, desprotegidas e carentes.

 

Um ambiente hostil  conduz  não somente ao desenvolvimento de culpa e responsabilização do próprio pelo seu fracasso, como promove igualmente a  inibição de comportamentos, gerando  um ciclo de comportamentos desadequados.

 

Efectivamente, se uma pessoa é frequentemente criticada, censurada ou rejeitada,  passa a acreditar e a  ver-se de forma inadequada e ao sentir-se  desajustada  aprende a  inibir-se  e  começa a ter difculdade em afirmar-se  e em afirmar os seus desejos e necessidades. 

 

Passa acreditar mais no que as outras pessoas dizem, do que naquilo que diz a si própria e sente-se  insignificante,  sem valor e  culpada e envergonhada  por ser incapaz de desencadear o amor e o afecto dos outros.

 

Consequentemente, passa a vivenciar com tensão e intranquilidade o relacionamento com os outros e sempre que antecipa sofrimento ou fracasso  nas suas interacções, desenvolve respostas emocionais negativas, como forma de se defender de eventuais humilhações e /ou um repertório de comportamentos de fuga e evitamento. Isto é, passa a  relacionar-se com os outros de forma  defensiva e agressiva,  porque parte do princípio que os estão contra ela e que não a aceitam. Sem se aperceber cria um ciclo em que acaba com as suas próprias acções por afastar os outros, mesmo aqueles que poderiam estabelecer com ela uma relação positiva.

 

 

Enquanto crianças, a nossa autoconfiança e auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos – conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos.

 

Mas ao longo da nossa vida, as nossas escolhas e decisões são igualmente relevantes para o desenvolvimento futuro de nossa auto-estima. Estamos longe de ser meros receptáculos daquilo que os outros pensam sobre nós, de facto  à medida que  crescemos temos capacidade para identificar quem verdadeiramente somos e assumir a responsabilidade pela nossa própria existência.

 

A auto-estima é uma experiência íntima, que reside no interior de cada um de nós . É o que EU penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim. De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão importante quanto o que fazemos sobre nós mesmos.

 

 A auto-estima positiva é um requisito fundamental  para uma vida plena e satisfatória. Ter uma auto-estima elevada é sinónimo de sentir-se confiante e  adequado à vida, isto é, competente e merecedor. Inversamente, ter uma auto-estima baixa significa sentir-se inadequado e errado face à vida, não sobre este ou aquele assunto, mas ERRADO COMO PESSOA.

 

Desenvolver a auto-estima é expandir a nossa capacidade de ser feliz.  Quanto maior a nossa auto-estima, mais bem preparados estamos para lidar com as adversidades e para resistir à pressão e ao desespero. Quanto maior a nossa auto-estima, maior a probabilidade de sermos criativos  e  bem sucedidos. Quanto maior a nossa auto-estima, maior é a facilidade de manter relações saudáveis, pois temos  tendência para gostar e a ser afectuosos com os outros e para tratá-los com respeito e tolerância.

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publicado às 09:19



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