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Sobre a felicidade

por oficinadepsicologia, em 04.09.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Joana Fojo Ferreira

Para ser absolutamente honesta tenho que partilhar que não sei se sei escrever sobre isto, é tão subjectivo, tão abstracto, e com potencial para seguir tantos caminhos, que me assusto sempre face à perspectiva de ser demasiado reducionista. Decidi contudo arriscar e partilhar uma das várias possibilidades de olhar para isto da felicidade.

 

A primeira questão que me surgiu foi O que é que significa ser feliz?


A primeira resposta foi Não faça a mais pequena ideia. Depois, talvez fruto da frustração, questionei-me Será que é relevante? Será que existe tal coisa? Mas como qualquer uma destas respostas deixava o meu intento de escrever sobre a felicidade cair por terra, a brincar com as palavras da própria questão pensei E se o significado de ser feliz for precisamente viver com significado, com sentido?


Não sei como é que isto vos soa, para mim confesso integrou muito bem tudo o que me apela para felicidade.

Ser feliz é viver com sentido, de forma coerente com o que a cada momento se sente, se precisa. É dar significado às coisas e viver de acordo com o significado que têm para nós.

 

Sorrir quando apetece chorar não faz sentido e não traz felicidade. Só dar quando se precisa também receber pesa, não faz sentido, não traz felicidade. Estar próximo dos outros quando se precisa mesmo é estar só não faz sentido, não traz felicidade…

 

Ser feliz é sorrir, ou mesmo gargalhar, quando dá vontade. Mas é também chorar quando as lágrimas pedem para sair. Ser feliz é dar quando se pode e se deseja. Mas é também receber quando se precisa. Ser feliz é estar próximo quando se precisa de proximidade. E é afastar-se quando se precisa de isolamento. Ser feliz é abrirmo-nos ao mundo quando tanto nós como o mundo estão disponíveis. E é recolhermo-nos em nós próprios quando precisamos de um tempo para nós, de introspecção.

 

Para ser feliz não há uma receita porque a felicidade não é um produto final. Ser feliz é um processo, de simplesmente ser como se é, estar onde se está, como se precisa ser e estar a cada momento, sem nos cobrarmos por isso.

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publicado às 12:05


5 comentários

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De Maria Perpétuo a 04.09.2012 às 12:51

Muito bom o artigo. Parabéns. Também penso, sobre a felicidade, que esta é um estado de disponibilidade permanente para aceitar a vida, com auto-estima e auto-respeito. A alegria e a tristeza, estas sim, são estados transitórios que podem oscilar, mesmo numa pessoa que se considera feliz. Beijinhos e continuação do excelente trabalho, Mari (do blog I Love Mondays).
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De oficinadepsicologia a 09.09.2012 às 15:45

Obrigada Mari pelo seu comentário e pela partilha da sua forma positiva de viver a vida. Estou certa de que já terá contagiado algumas pessoas a adoptarem essa filosofia de vida.

Um abraço,
Filipa Jardim da Silva
Oficina de Psicologia
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De Fátima Beja a 04.09.2012 às 22:13

Gostei muito do texto. Pensar sobre a felicidade é um desafio. Na verdade, ser feliz é algo tão normal, que nem se dá por sê-lo. Só quando a tristeza, a desolação, o sofrimento se instalam na nossa vida é que sabemos mesmo o que é a felicidade. Aquele pássaro cantante, que todos os dias beberica na água do meu cão, dá-me felicidade. A rosa vermelha ,que abriu e encheu de cor a parede do quintal, dá-me felicidade. Aquele cheirinho a frango assado quando entro esfomeada vinda da praia, dá-me felicidade. Aquele olhar ternurento da minha velha mãe, dá-me felicidade... Tanta é a felicidade que agradeço todos os dias o facto de ter casa e família e comida e roupa e amigos e o meu cão Quixote de 15 anos e os meus alunos tempestuosos e a minha sala de aula e o meu livro "Amor e Dedinhos dos Pés" e ainda o céu, a lua, o mar, o verão que se esvai... Tudo isto e muito mais faz parte da felicidade. Também, os meus dias de preguiça, de mau-humor, de falhanços e incapacidades, de medos e de perdas, de dor e de revolta. Assim se completa a vida e assim se nos desvenda a felicidade.
Obrigada por me ter feito pensar...
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De oficinadepsicologia a 09.09.2012 às 16:35

Cara Fátima,
muito obrigada pelo seu comentário e palavras deveras inspiradoras.

Um abraço feliz,
Filipa Jardim da Silva
Oficina de Psicologia
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De Filipe khian a 30.09.2012 às 00:57

Interessante o seu ponto de vista sobre a felicidade. Eu sou suspeito em falar da felicidade, durante anos sempre analisei e observei os outros em busca de traços nos rostos, gestos e comportamentos indicativos de alegria ou tristeza. Se falar de felicidade neste momento difícil, que as pessoas atravessam notamos que a felicidade é algo sujeito ao ambiente que nos rodeia, somos impulsionados a adotar um comportamento de infelicidade porque esta está em toda a parte.
Só queria deixar uma questão em que sou muito contestado. Dizem que o dinheiro não traz felicidade? Eu acredito que traz e muito. Acho que os ricos e poderosos é que usaram esta forma de denegrir a imagem de riqueza e felicidade, assim mantém os pobres sobe controlo. Peço desculpa pela minha péssima descrição, mas tentarei abordar este assunto com mais clareza no blog que tenho em mente.

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