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Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de falar sobre o papel que as emoções desempenham no exercício de qualquer profissão de ajuda.

 

Muitas pessoas  têm profissões de ajuda como a enfermagem, a psicologia, a medicina, aulixiares de acção médica, técnico superior de saúde, assistente social, técnico de integração social, etc

 

Qualquer pessoa que escolha este percurso profissional, tem naturalmente a vontade de ajudar, de ser útil, de dar o devido apoio a quem precisa.

 

Ao inicio, é natural surgir alguma ansiedade própria da inexperiência, do amadorismo e da insegurança de dar os primeiros passos, mas, à medida que o tempo passa essa ansiedade  dá lugar à certeza e ao conforto, a uma sensação de mestria face à profissão que se desempenha.

 

Ou seja, normalmente, esta ansiedade é passageira, transitória, e apenas tem a função de nos relembrar da nossa inexperiência e da necessidade de estar muito atento a eventuais erros que se possam cometer.

 

As pessoas que os profissionais de saúde recebem e ajudam, à partida não conduzirão ao aparecimento de emoções que perturbem o desempenho equilibrado e regulado da profissão em questão.

 

Mas existem casos em que a situação não apresenta esta linearidade, equilíbrio e previsibilidade. Quando existem laços emocionais entre o profissional de ajuda e a pessoa  a quem vai ajudar, tudo poderá tornar-se muito mais complicado.

 

Vou procurar ser um pouco mais explícito, e, para tal, vou servir-me de um exemplo fictício. Sublinho o seu carácter de fictício.

Vamos imaginar um médico, um reputado cirugião, daqueles de topo, especialista entre os especialistas, mestre da sua arte de operar. Vamos agora imaginar que este médico recebe como paciente o seu pai que sempre amou e respeitou. O seu pai precisa urgentemente de ser submetido a uma operação de elevado nível de rigor, precisão e saber. Vamos então imaginar que o cirurgião se disponibiliza para ajudar este paciente que é nada mais nada menos que o seu próprio pai.

 

Esta é a grande oportunidade de este médico provar ao seu pai – pessoa que sempre duvidou do filho e da sua mestria – que está enganado. A operação começa e o cirurgião procura ser exemplar, mas passado cerca de uma hora uma estranha ansiedade apodera-se deste experiente homem e provoca um tremer contínuo das suas mãos que acaba por inviabilizar o tão aguardado sucesso da operação.

 

Como resultado o pai acaba por falecer. O cirurgião sente-se absolutamente culpado, passa a ter ataques de pânico, e acaba com um esgotamento nervoso que o conduz à  Psicoterapia.

 

Eu utlizei este exemplo extremo do médico, mas verdadeiramente podemos encontrar esta sobreposição de papeis entre o papel profissional e o papel relacional, seja o de filho, filha, pai, mãe, e.etc. em várias situações profissionais  da vida.

 

Eu quero alertar para a perigosidade e a delicadeza de tais situações.

 

A profissão de cuidador será desempenhada de uma forma equilibrada quando a única relação que estabelecemos com a pessoa a quem damos o nosso contributo é estritamente profissional.

 

Quando existem laços entre um cuidador e um paciente que não passam apenas e só pelo vínculo profissional, então as nossas emoções podem, realmente, pregar partidas, que poderão ter mais ou menos gravidade, e maior ou menor impacto. O exemplo que eu dei é um extremo, mas não é mera ficção, pode mesmo acontecer!

 

Em qualquer segundo da nossa vida além de respirarmos, estamos a sentir emoções, sejam  elas mais ou menos intensas.

Quando estamos com qualquer pessoa estamos sempre a sentir emoções. Se temos uma forte ligação emocional com esta pessoa, então a nossa intensidade emocional será mais vincada e presente.

 

Se existem emoções não resolvidas de zanga, tristeza, raiva, revolta, ódio, rancor, vergonha, culpa para com alguém e se esse alguém é o sujeito da nossa intervenção profissional então é natural e até algo previsível que estas emoções atrapalhem e condicionem todo o desempenho profissional.

 

É natural que este médico cirurgião sinta culpa pela morte do seu pai, mas mais importante ainda é perceber que a situação a que foi sujeito tinha um alto grau de condicionamento         emocional  e que existiam várias emoções que estavam claramente por resolver ( convém, por exemplo, não esquecer que este pai não acreditava no seu filho) o que, naturalmente impediu o desempenho exemplar que este médico havia previsto.

 

Nunca se esqueça que as emoções são algo que o vai acompanhar toda a sua vida e quando as emoções não são devidamente resolvidas, trabalhadas, processadas então elas terão um papel na relação que vai estabelecer com as pessoas com quem directa ou indirectamente experimentou estas emoções.

 

Vale a pena pensar nisto!

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publicado às 13:54



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