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Reflexões em torno da auto-estima

por oficinadepsicologia, em 02.10.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

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António Norton

Hoje em dia cada vez mais se fala em auto-estima e em problemas de auto-estima.

Numa sociedade cada vez mais competitiva, mais arrogante, mais fria e distante nunca se sentiu, como agora, a importância vital da auto-estima.

 

Na minha prática clínica recebo, diariamente, pacientes que dizem ter baixa auto-estima.

 

Mas afinal o que é a auto-estima?

Dito por palavras é algo muito simples. É simplesmente gostar de si, ter afecto e amor pela sua pessoa.

As palavras são simples, mas, efectivamente, muitas vezes não é nada fácil gostarmos de nós mesmos.

 

Gostaria de acrescentar outra ideia fundamental à questão da auto-estima: Ter auto-estima é, simplesmente, gostar de si porque sim, porque existe e porque é! Não é por ter um bom carro, um bom emprego, um corpo bonito ou um rosto bonito ou o que for. Para ter auto-estima, simplesmente basta sentir amor e aceitação por si. Apenas.  Nem mais nem menos do que isto.

 

Essencialmente, não precisa de Ter, mas sim de Ser. E, para Ser, não precisa de nada, uma vez que simplesmente já o é.

 

Quando um bebé é desejado e nasce, é apenas um ser minúsculo cujo cabelo muitas vezes muda de cor, cujos olhos podem mudar de cor, cujo tom de pele, por vezes, também muda. Este bebé não tem um corpo pelo qual se destaca, ou um emprego, ou um carro, ou conhecimentos e não precisa de nenhum destes requisitos para ser amado. Ele simplesmente é amado porque existe  e assim recebe o amor dos seus pais. E essa é talvez a maior riqueza sem preço que os pais podem dar aos seus filhos – o seu amor - simplesmente pelo facto de serem seus filhos.

 

Quando um bebé nasce e sente-se amado e aceite começa a amar-se a si mesmo. É nessa base de aceitação e amor que irá construir a sua identidade.

 

E quando este amor, normalmente dado pelos pais, não existe?

 

Entramos, pois, em dinâmicas condicionais de aceitação. Quando os pais apenas valorizam os êxitos, os sucessos, os objectivos cumpridos, a beleza, a inteligência então a criança vai esforçar-se sempre por agradar os pais, de modo a receber a sua atenção, reforço, afecto e amor. Aprende que, para merecer ser amado, tem de ter boas notas, ou um bom comportamento, ou ser bonito e entra numa espiral de condicionamento.

 

Passa a querer Ter, para sentir que pode Ser. Passa a viver a equação existencial de  - para eu Ser tenho de Ter - e é um forte candidato a desenvolver problemas de auto-estima. Convém não esquecer que nem sempre é possível Ter.

Então, quando não Tem, abre feridas no seu Eu vulnerável e surgem problemas de auto-estima. Aparece um sentimento de culpa, como que uma voz interior muito crítica que diz: “Tu não mereces Ser porque não Tens.

 

Outro candidato a ter problemas de auto-estima é a criança que vai crescendo com pais que por mais que ela se esforce nunca é valorizada, reconhecida, aceite e amada e aí também entramos em espirais condicionais de Ter para poder Ser.

 

O problema da auto-estima é o problema do Ser. Para se amar a si mesmo não precisa de Ter um rosto bonito, um corpo fantástico, ser inteligente, ter um carro, uma boa casa ou o que for. Precisa simplesmente de Ser.

 

Pense nisto e goste de si porque, essencialmente, é!

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publicado às 10:30


3 comentários

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De jonas a 04.10.2012 às 00:57

oi, tudo bem?, gostaria de deixar um link de apostilas

http://portalsaudepositiva.blogspot.com.br/2012/10/apostilas-de-psicologia-super-pack.html

agradeço....
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De Ilma Soares Vieira a 15.05.2015 às 14:49

É.. Gostei do texto. Um livro ótimo para se ler é de Eric From "Ter ou Ser".
Na prática , no Rio de Janeiro o preconceito social é fortíssimo. É preconceito de moradia.
Quem mora na Baixada Fluminense por mais leitura , preparo e saber que tenha, é discriminado por morar "mal". As oportunidades de emprego são restritas.
Quando se pergunta onde mora, as pessoas ficam com vergonha de dizer que mora na Baixada fluminense. Muitos não se aceitam e ficam com vergonha porque sabe que vai ser discriminado socialmente chegando até mentir.
A mentira é falta de autoaceitação.


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De Anderson a 08.04.2017 às 19:55

Texto maravilhoso, simples, claro, objetivo, atual e necessário.

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