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Carrossel da vida – agarre-se!

por oficinadepsicologia, em 19.10.12

Autora: Filipa Jardim da Silva

 

Psicóloga Clínica

 

www.oficinadepsicologia.com

 

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Filipa Jardim da Silva

Se pudesse ter a oportunidade de escrever o guião da sua vida, escrevê-lo-ia? Podia escolher o início, meio e fim da sua aventura, definir tudo de forma inspirada e planeada, selecionar as pessoas que se iriam cruzar consigo, as palavras ditas, os gestos trocados, as resoluções aos obstáculos que decidisse semear. Poderia criar um final feliz, daqueles que tardam por vezes em chegar na vida real e imprevista, poderia fazer com que as pessoas lhe dissessem o que realmente sentem sem filtros que tendem a perturbar a comunicação, poderia ouvir todas as palavras de amor e carinho que por vezes nunca chegam apesar de tanto esforço, poderia dar um sentido claro a todas as lágrimas derramadas e a todas as desilusões experienciadas. E quando colocasse um ponto final tudo estaria fechado, sem possibilidade a alterações posteriores.

 

Parece-lhe tentadora esta possibilidade de ter uma vida perfeitamente previsível e controlada? Em alguns momentos talvez o seja. Já o terá sido a todos nós.

 

Muitas vezes prendo-me em relatos vários que têm um denominador comum: a dificuldade de aceitar e lidar com a ausência de controlo absoluto e a imprevisibilidade inerente à vida. Podem até surgir um conjunto de sintomas físicos de crescente intensidade, diretamente proporcional ao sentimento de insegurança e da multiplicação de perguntas em detrimento de uma subtração de respostas.

 

Mas será possível sentir-se vivo, verdadeiramente vivo no seu sentido absoluto e pleno, sem momentos de surpresa e descontrolo, em que se sente a derivar em alto mar, recuperando mais tarde o fôlego ao reencontrar terra firme? Ao saber todos os cheiros que iria experienciar, todos os paladares degustados, os toques sentidos, as palavras mencionadas, as paisagens visitadas... o que sobraria então? A previsibilidade excessiva não adormeceria os sentidos, que, por ausência de necessidade, se tornariam em pilotos automáticos de reconhecimento grosseiro de ingredientes listados num guião pré-definido? Ouvir palavras de amor pré-anunciadas não lhes retiraria a intenção com que são ditas e o poder inerente a um sopro imprevisto e quente no coração? A ausência de obstáculos confusos, de lágrimas algo injustas, de palavras incompreendidas, de meias palavras, de desencontros não anularia o sumo do que é viver e do que é agarrar a vida com as duas mãos?

 

Podemos querer teimar em caminhar apenas em solo firme ou abraçar o desafio de nos equilibrarmos numa corda bamba com uma vara que se vai desequilibrando para manter o desejado equilíbrio. E talvez nesse desequilíbrio equilibrado existam momentos em que esperamos que um génio de uma qualquer lamparina mágica surja com a possibilidade de pedirmos um guião de vida escrito; e existirão outros momentos em que respiramos fundo, mantemo-nos suficientemente firmes mas flexíveis no carrossel da vida e sentimos na pele a brisa da imprevisibilidade, a magia da surpresa e a energia da vitória, de quem a reconhece como tal porque também já perdeu.

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publicado às 15:47


2 comentários

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De Carolina Riveros Figueiredo a 19.10.2012 às 17:43

Adorei seu texto, Madalena!
Conseguiu expressar de forma clara o que tanto acontece, mas velado!
Parabéns!
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De Carolina Riveros Figueiredo a 19.10.2012 às 17:45

Desculpe-me, coloquei Madalena. Quando na verdade, era Filipa.
Parabéns, Filipa

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