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Autora: Fabiana Andrade

 

Psicóloga Clínica

 

www.oficinadepsicologia.com

 

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Fabiana Andrade

Olá a todos!

Espero que tenham lido e gostado dos primeiros episódios dos Contos Terapêuticos.

Para quem não sabe o que são os Contos Terapêuticos, fica aqui a breve explicação deste projeto: são um apanhado de várias temáticas que surgem diariamente nos consultórios da Oficina de Psicologia. Para falar dessas temáticas, criei personagens que representam muitas pessoas com quem trabalhei ao longo dos anos. Dessa forma, espero que o leitor se possa identificar com um ou mais personagens, e assim, beneficiar das estratégias utilizadas por eles.

Boa leitura!

 

Anita estava casada com António há 5 anos. Há cerca de três anos, sofreu um aborto espontâneo, e essa experiência foi bastante perturbadora para ela.

 

Não estava ativamente a tentar engravidar na altura, e a notícia da gravidez apanhou-a de surpresa. Nunca tinha olhado para si mesma como uma mulher fértil, pois já tinha relações desprotegidas com o marido desde sempre, sem nunca ter engravidado.

 

Sentiu-se feliz e surpresa com a notícia, para de seguida, na primeira ecografia, perceber que a gravidez não era viável. Ficaram ambos devastados, mas concordaram que não se deixariam abater e que passariam a tentar ter um bebé de uma forma mais consciente e ativa.

Anita, feliz por saber que poderia engravidar, deu início a uma serie de exames, e os resultados, tanto dela, como os de António, estavam dentro do esperado. Fisicamente, não havia nenhum impedimento para engravidarem.

 

Apesar de ter 36 anos, o seu médico foi bastante encorajador e incentivou-os a começarem a tentar, divertindo-se ao longo do processo.

Começaram a contabilizar os dias férteis e iniciaram o processo a que ela, hoje, chama de calvário. Refere que, nessa altura estavam felizes, como no início de uma viagem que tem tudo para ser fabulosa.

 

Passaram meses, e um após outro, o período insistia em aparecer normalmente, não dando sinal nenhum de que suas preces seriam atendidas.

 

Foram ao médico, e foi-lhes dito que teriam aqui de tomar uma decisão. Visto não haver problema nenhum, poderiam continuar a tentar, ou dar início a um tratamento de fertilização. Nessa altura, acharam que ainda seria cedo para tomar essa “estrada”, que sabiam ser violenta, quer física, quer financeira, quer emocionalmente.

 

Tiraram umas férias e decidiram não pensar mais no assunto, na esperança de relaxarem e deixarem que as coisas acontecessem tranquila e naturalmente.

 

Um ano se passou e Anita teve um primeiro longo atraso do período. Ficou muito agitada e feliz com a possibilidade da tão desejada gravidez. No dia de fazer o seu teste, 5º dia de atraso, teve uma hemorragia e aí Anita cedeu.

 

Começou um processo de depressão onde a conheço, e cujas queixas já ouvi de muitas mulheres na mesma situação:

. Culpa – “o que está de errado comigo? O que fiz de errado? É o que bebo, o que como? É porque fumo? É porque trabalho demais? Sou velha demais?”

. Porque não eu? – “a cada mulher grávida que vejo, sinto-me mal, sinto-me inferior, pequena, menos mulher, todas as minhas amigas conseguem e eu não”

. Dizem-me que se eu parar de pensar nisso, talvez aconteça - “como faço para deixar de querer ou de pensar em algo que é o que mais quero?”

 

Anita entrou numa espiral de confusão, culpabilização, que a deixou imensamente triste, sentindo-se uma mulher diferente, incompleta. Por consequência, este estado afastou-a do marido,  deixou-a fisicamente doente, o que a fez culpar-se ainda mais, entrando num ciclo negativo.

Quando chegou ao consultório já punha em causa o desejo de ser mãe, o casamento e a si mesma enquanto mulher.

 

Fizemos um longo trabalho que incluiu:

EMDR (http://oficinadepsicologia.com/emdr) – abordámos a situação anterior do aborto espontâneo e percebemos o quanto ela tinha sido traumática, deixando medos e tensões que não são produtivos no processo.

Também utilizámos o EMDR para aceder a situações muito precoces na sua vida, onde ela tinha interiorizado crenças negativas erradas sobre si mesma, como por exemplo, “há algo de errado comigo”.

 

Durante as sessões percebemos o significado que “ser mãe” tinha para ela, e qual seria a forma de se ver como “não mãe”.

Reforçámos a sua auto estima, flexibilizámos a sua relação consigo mesma, trazendo assim, a estrutura e estabilidade que estavam a faltar para gerir uma situação tão intensa como a tentativa de engravidar.

 

António também pôde aproximar-se e puderam em conjunto partilhar como estava a ser a experiência de um e de outro nessa situação.

Anita pôde, a partir daqui, encontrar ferramentas para dar início ao processo de tratamento especializado de fertilidade.

Está nesse processo, e anda na rua de cabeça erguida, mesmo que passe por uma mulher grávida. Já não se sente inferior e pode ficar feliz pela experiência de outra pessoa. Foca positivamente no seu próprio processo, tomando todos os dias decisões construtivas para si mesma.

 

A questão da fertilidade afeta milhares de mulheres por todo o mundo, criando nelas um enorme sofrimento, sensação de desconexão e solidão. Afeta física e emocionalmente essas mulheres, piorando a sua qualidade de vida e a das suas relações, o que por sua vez, dificulta ainda mais o processo de engravidar.

 

Se está nessa situação, peça ajuda e saiba que tudo tem solução!

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publicado às 13:41



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