Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ansiedade e Morte

por oficinadepsicologia, em 21.11.12

Autor: André Viegas

 

Psicólogo Clínico

 

www.oficinadepsicologia.com

 

Facebook

 

André Viegas

A morte faz parte da nossa vida, é universal e experienciada por todos, podendo acarretar consequências psicológicas, nomeadamente ansiedade face à morte, que poderão ter repercussões no bem-estar global do indivíduo.

 

Nos dias atuais, a morte não é encarada unicamente como um fenómeno instantâneo. Trata-se de um verdadeiro processo biológico e psicossocial, em que um grande número de atos vitais se extinguem numa sequência tão gradual e saliente que escapa geralmente à simples observação, suscitando na maioria das pessoas intensas emoções (Castedo & Santos, 2008).

 

Sabendo que o medo da morte coexiste com o ser humano desde muito cedo, também a ciência psicológica se tem interessado nas últimas décadas sobre o tema, na medida em que há um influenciar de todas as dimensões humanas. A título de exemplo, pode referir-se que fenómenos como o suicídio, o aborto, a eutanásia/distanásia, o luto, a solidão, determinadas doenças (e.g. HIV/SIDA, cancro, depressão, entre outras), encontram, não poucas vezes, alguma configuração que sublinha um posicionamento perante a morte e o morrer, uma vez que lhes subjaz, de alguma forma, uma experiência de perda.

 

Sendo a ansiedade um estado emocional que provém de um medo que é real ou imaginado, é conveniente o devolver da naturalidade do sentir medo e ansiedade face à morte, tendo em conta que o ser humano tem a capacidade cognitiva de se aperceber da inevitabilidade da mesma e de recear o que poderá vir após a morte.

 

Na maioria dos casos, essa capacidade cognitiva evoca imagens negativas e perturbadoras que evocam sentimentos de medo e ansiedade (Rebelo, 2004 cit in Campelos, 2006), ultrapassando por vezes a barreira do razoável para quem os sente. Defina-se ansiedade face à morte como uma reacção emocional resultante da percepção de sinais de perigos ou ameaça (reais ou imaginárias) à própria existência, que podem desencadear-se perante estímulos ambientais (e.g. doença grave ou ver um cadáver), estímulos situacionais que por associação com os anteriores ficam condicionados e são capazes de provocar uma resposta emocional condicionada; assim como pensamentos ou imagens relacionadas com a própria morte ou a morte alheia (Limonero, 1997).

 

Segundo Wong (1995; 1998; 2000), os motivos que podem despoletar este tipo de ansiedade são: a finalidade da própria morte; a incerteza de não saber o que acontece depois da morte; medo de deixar de existir; medo da dor envolvida no morrer; medo da solidão e medo da não finalização dos projectos de vida traçados. Assim, elevados níveis de ansiedade face à morte podem chegar a incapacitar a pessoa para o desenvolvimento de uma vida normal (Limonero, 1997), de forma semelhante ao que acontece quando uma pessoa sofre de níveis elevados de ansiedade geral (Miguel-Tobal & Casado, 1999).

 

Quando elevados níveis de ansiedade face à morte comprometem o quotidiano do indivíduo, o encontro psicoterapêutico é fundamental na medida em que facilita a compreensão destes fenómenos internos e mune o cliente de estratégias para lidar com os eventuais estímulos externos desencadeantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:59



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D