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A crise externa e interna- O Sol continua a nascer?

por oficinadepsicologia, em 13.12.12

Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

www.oficinadepsicologia.com

 

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Inês Mota

Vivemos tempos conturbados, de realidades que se transformam e impõem de forma célere, drástica e dramática.

 

Para além das indefinições dos caminhos acerca do futuro, a verdade é que a realidade provoca impactos e redefinições profundas em diferentes gerações, no momento presente, que fazem disparar reflexões angustiadas acerca do passado.

 

De facto, a então denominada “geração rasca” pelo passar dos anos passou a “geração à rasca”, com as implicações que esta caracterização implica nesta geração, naquela que a gerou e naquela que esta geraria.

 

De forma muito célere, a crise e a necessidade de reajustes externos pressionam reajustes internos, provocando verdadeiras crises pessoais.

 

Face às condicionantes vividas, muitas pessoas sofreram quedas reais traduzidas por aquela sensação súbita de retirada inesperada do tapete e de imediata fragmentação.

 

São sonhos alimentados ao longo dos anos que se esfumam, são também caminhos solidamente construídos que de rompante se tornaram interditos.

 

Esta realidade pressiona movimentos internos muito difíceis de serem realizados num tempo tão curto, e por isso é muito natural que muitas pessoas se sintam imobilizadas, outras confusas e outras mesmo perdidas.

 

Umas estão em estado enevoado de incredulidade, perplexas face a esta opaca e translúcida realidade.

Outras sentem-se violentamente traídas, como se a vida lhes tivesse sido roubada num sopro e por isso vivem num estado de revolta incandescente.

 

Outras sentem-se anémicas, sem energia e força para continuar, antevendo um cenário profundamente trágico.

Outras ainda, tomando-se como responsáveis, foram engolidas pela culpa, encontrando-se num estado densamente escuro de decepção e desvalorização.

 

A forma como todas estas pessoas estão a viver contém um intenso sofrimento e são formas de estar a reagir a uma realidade que é de facto duríssima e que para muitos surgiu como um “tsunami”, e que para outros é o momento do desabar da tempestade que de alguma forma iam prevendo.

 

São e serão certamente caminhos muito difíceis, inegavelmente também nas crises pessoais e compreendendo e respeitando sempre os tempos e momentos de mudança de cada um, fazemos lutos mas encontramos forças que nos permitem sarar feridas e descobrimos movimentos que nos impulsionam a re-escrever histórias a re-descobrir novos personagens interessados em viver de formas diferentes sob um sol que não tem de ser menos dourado e luminoso.

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publicado às 11:06



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