Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O Fenómeno das "Trocas"

por oficinadepsicologia, em 16.12.12

Autora: Irina António

 

Psicóloga Clínica

 

www.oficinadepsicologia.com

 

Facebook

 

 

Irina António

As relações humanas, tal como a nossa existência, têm uma natureza cíclica. Ao contrário daquilo que podemos pensar que tudo na vida tem uma lógica “linear” (do pior para o melhor, do mais simples para o mais complexo), as experiências reais confirmam que tudo se movimenta ciclicamente,  que os estados se alternam e que todas as histórias terminam num ponto final.

 

As relações humanas percorrem o mesmo caminho cíclico e o mais importante é que o contacto humano seja construído de uma forma equilibrada e adequada a cada momento do seu desenvolvimento. É importante que no início deste caminho esteja estabelecido um balanço entre segurança e interesse.

 

No início da relação temos muita curiosidade e também sentimos medo perante a pessoa que ainda é uma incógnita, apesar de todo o interesse que ela pode suscitar em nós. O mais importante não é tanto ultrapassar o medo, mas estabelecer o equilíbrio e abrir caminho para uma nova etapa – etapa de construção de relações.

 

Podemos observar o desenvolvimento das relações através do fenómeno de “troca”. Pois, quando estamos com alguém temos espectativas, queremos receber algo valioso e desejável, para poder equilibrar as nossa faltas reais ou imaginárias. Queremos trocar emoções, sentimentos, valores e atitudes pelas relações estáveis e duradouras, pela conquista do lugar especial na vida dos outros.

 

A nossa entrada no mundo de relações adultas não é inocente. Levamos connosco todo o historial de trocas que tínhamos estabelecido com os nossos progenitores. Com eles aprendemos fazer certas manipulações e na sequência delas esperamos um retorno semelhante ao que tivemos no nosso “ninho familiar”. Por exemplo, falo abertamente com o meu namorado sobre todos os assuntos da minha vida e espero que ele me responda da mesma maneira e conte todas as verdades da vida dele.

 

Abrindo um novo ciclo de relações, faria sentido dar atenção às regras que vão regular esta nova relação de “trocas”. O que estou disposto a oferecer e em troca de quê: uma cara feliz ou infeliz, um anel com brilhantes ou um prato de sopa, partilha de todo o tempo livre ou só de uma parte dele, abertura total ou vontade de manter certas coisas em segredo, proximidade ou distância física e/ou emocional. Sabemos que muitas vezes as regras de “troca” estão camufladas e nenhuma das partes sabe com clareza o que cada um dos envolvidos na troca está disposto trocar e por que preço.

 

Levamos para a relação de troca os nossos recursos, no entanto o sucesso de troca não se baseia só na qualidade e quantidade destes recursos, mas também na capacidade de ambos darmos uso adequado aos mesmos, para que a relação possa evoluir para um nível mais autêntico e favorável ao crescimento de cada uma das partes.

 

O processo de troca tem alguns segredos. Saber exactamente o que nós oferecemos para a troca, em que momento e o que esperamos receber como retorno do nosso investimento, é uma reflexão que todos podemos fazer em várias alturas das nossas vidas, abrindo e fechando os ciclos relacionais, tendo em conta que damos com alguma facilidade as respostas automáticas e baseadas no historial das relações passadas e pouco ajustadas à realidade do presente.

 

Por exemplo, se levo para a “troca” relacional uma atitude submissa, cedendo às vontades dos outros (como fazia na relação com os meus pais, ou com irmão mais velho, ou com ex-namorado) e espero receber em retorno interesse e respeito pela minha opinião, muito provavelmente este câmbio não terá o resultado mais feliz. O mesmo poderá acontecer se levo para a troca, na espectativa de iniciar uma relação séria, pouca disponibilidade de entrega emocional, total incapacidade de depender saudavelmente do outro.

 

No processo de troca o importante seria não só a capacidade de estabelecer e acordar as regras de trocas, mas também permitir experimenta-las e manter alguma continuidade, para poder perceber o que funciona e o que necessita de ser ajustado.

 

Umas trocas felizes e emocionalmente nutritivas!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:23



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D