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A magia do riso

por oficinadepsicologia, em 16.03.10

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

 

O que sabemos sobre risos? Para que precisamos deles? Especialmente agora, quando todo o mundo humano está imerso numa onda de crises económicos, naturais, sociais, pessoais…

 

De todos os seres vivos do planeta terra, os humanos são únicos que podem desfrutar do prazer do riso! Compreendemos facilmente o riso do outro, também porque “aprendemos” a rir antes de aprender a falar. No início da vida a criança ri-se com um riso instintivo, transmitindo um verdadeiro bem-estar, e com o desenvolvimento do pensamento lógico, a sua “competência” de rir torna-se mais avaliativa e reflectiva. Sabia que uma criança, em média, ri 400 vezes por dia, e o adulto só 15?

 

O que nos faz rir? Como surge uma brincadeira? Para S.Freud, a construção da brincadeira é uma espécie de mergulho instantâneo dos pensamentos numa esfera do inconsciente, de onde eles reaparecem em forma de uma brincadeira. Durante a explosão do riso acontece uma libertação da energia acompanhada por uma sensação de prazer. Segundo Freud, o riso liberta a energia sexual ou agressiva. E é verdade, o riso é sexualmente atractivo. A pessoa que está a rir genuinamente fica aberta ao mundo, transmitindo aos outros: “eu sou sensível e espontânea”.    

O riso é uma defesa positiva em situações de conflitos internos ou externos, ajuda a descarregar a tensão, descomprimir um ambiente denso emocionalmente, despertar, nem que seja por instante, uma sensação da satisfação, abrindo caminhos de aproximação e de solução. Os investigadores do Colégio Universitário e do Colégio Imperial de Londres demonstraram que os sons positivos do riso desengatilham uma resposta no cérebro do ouvinte, estimulando as mesmas partes que são activadas quando estamos a sorrir, preparando desta maneira os músculos faciais para o riso.

O riso é, sem dúvida, um fenómeno social. A pessoa pouco sociável tem mais dificuldade em valorizar e compreender uma boa gargalhada.

Segundo o filósofo francês Henri Bergson, o riso é “quase uma conspiração” com os outros, reais ou imaginários, a rirem. A pessoa a rir nunca está só. A capacidade de expressar a sua alegria e rir é uma tômbola certa para ganhar um contacto com mundo à sua volta. O riso é contagioso, é uma salvação contra a solidão e um modo de aproximação. O riso é um bilhete de comboio em direcção à nossa infância. Cada vez que rimos, voltamos a experienciar a sensação da felicidade tão leve, inocente, espontânea, como a que sentimos naquela idade mágica.

 

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publicado às 11:28



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