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Motivação intrínseca

por oficinadepsicologia, em 31.10.11

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

 

Motivação Intrínseca: o que nos motiva a fazer algo quando não temos de fazer nada!

 

Luís Gonçalves

Prazer. Essa palavra ligada a tudo aquilo que nos faz sentir tão bem. Quando está presente, perdemos a noção do tempo e até do espaço. O nosso organismo agradece imenso, vicia-se até nele. Liberta-se dopamina, um neurotransmissor dos mais importantes, e que vai afetar o hipotálamo, uma glândula endócrina das mais importantes. Como consequência, o centro da emoção, a preciosa amígdala, causa bem-estar e sentimentos de alegria, vitalidade e plenitude. E realmente, todo este processo é imensamente simples. Qualquer atividade que nos leva a fazê-la apenas pela satisfação que a sua realização nos dá mostra o quanto a motivação “interior” pode ser poderosa.

 

Quando passamos a vida centrados nas recompensas exteriores (como encontrar o ordenado, a família, o parceiro ou até o país “certos”), dependemos imenso deles para atingir prazer com a vida e criamos uma falsa ilusão que nos afasta da solução e contribui para o problema. É como se as necessidades que temos dentro de nós ficassem presas com uma corrente das fortes à possibilidade de encontrarem resposta no mundo que nos rodeia... Este funcionamento leva a doses imensas de frustração. É que o exterior é muito difícil de mudar (em alguns casos, impossível) e de ter controlo sobre. O nível de insatisfação aumenta de dia para dia e que nos faz esperar e cobrar mais do mundo exterior. As expectativas tornam-se gigantescas, sem hipótese de satisfação pelo mundo. Este é um processo que acontece muito na minha prática clínica: o início do processo estar ligado a eventos exteriores que tiveram e têm impacto negativo nos clientes. Penso que este é um erro em que caiem muitos profissionais de saúde mental, incluindo eu próprio: ceder à sedução de focar a terapia nos eventos destrutivos da vida lá fora. De facto, há momentos na vida em que tudo nos acontece. Mas o que faz a diferença é trabalhar o impacto que eles têm nas nossas emoções! E é precisamente por isso que o primeiro objetivo da psicoterapia é encontrar e fomentar pontos que o cliente pretende trabalhar, melhorar e mudar em SI PRÓPRIO.

 

Este trabalho é o foco nas necessidades do cliente (reparando-as ou encontrando-as) e a definição de caminhos e estratégias para as preencher. Pense no quanto precisa, por exemplo, de pessoas importantes em termos sociais e afetivos; de sentir que tem um perfil profissional e académico que faz de si alguém único e competente; de sentir novidade e desafio na sua vida e equilibrar os momentos de maior estagnação e monotonia; de ajudar, contribuir e partilhar a vida de pessoas e projetos significativos ou de sentir que a sua vida está a evoluir, que tem um rumo suportado por objetivos ambiciosos e realistas. O segredo está todo aqui, no que precisamos. É o contacto íntimo com este mundo interno que nos vai ver a vida com outros olhos e, curiosamente, aumentar a probabilidade de termos os tais motivadores extrínsecos que tanto queríamos no início. É que a motivação intrínseca contribui para a subida da nossa auto-estima, para a melhoria do nosso desempenho profissional e relacional. O prazer leva-nos a persistir e aperfeiçoar o que sabemos, como fazemos e quem somos. Os eventos negativos lá fora poderão ser os mesmos mas o seu significado muda para nós: encontramos neles recursos que estavam escondidos ou simplesmente, deixamos de lhes dar importância. As responsabilidades dão estrutura à nossa vida mas é a satisfação que nos ilumina o caminho. E de cada vez que conseguimos atingir um objetivo, é proibido o esquecimento do auto-reforço: dê momentos valiosos a si próprio sempre que isso acontece, faça-se sentir bem e com valor. É que o tem mesmo!

 

Espero que tenha tido prazer com estas palavras, ponha-as então em prática e verá como o mundo exterior o trata bem. Depois diga-me como correu! que nos motiva a fazer algo quando não temos de fazer nada!

 

 

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publicado às 09:38

Agora não... estou STRESSADO!!!!

por oficinadepsicologia, em 25.10.11

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

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Ana Crespim

 

“Agora não… Estou STRESSADO!!!”

Por vezes, bem que nos apetecia dizer isto… Sobretudo quando sentimos que já temos o “mundo às costas” e o patrão vem pedir mais qualquer coisa, que seria para entregar, nada mais, nada menos, do que ontem!!! O problema é que, muitas vezes, ficamos a lamentar-nos para dentro ou numa ladainha que esperamos que ninguém perceba, porque sabemos bem o que podemos ou não dizer a quem nos paga ao final do mês.

Já que muitas vezes não podemos “fazer o gosto ao dente” e “dizer o que nos vai na alma”, há que pensar em formas alternativas de fazer face ao que parece ser um verdadeiro consumidor da energia diária: o STRESS.

 

Muito tem sido dito acerca deste conceito, mas, na realidade, o que é o stress? É algo que é normal, que tem que existir, ou será que nos coloca num risco sério? Aqui as respostas não são, de todo, “chapa 5”. Eu diria que “diga-me o seu nível de stress e dir-lhe-ei que risco corre”. Sendo o stress um estado emocional desagradável, que nos pode levar a adoecer, física e mentalmente, e considerando que o stress tem fundamento se estamos perante um risco iminente para o nosso organismo, o que dizer se estamos sempre stressados? Será que estamos sempre em risco ou algo de errado se passa? Muitas vezes, por vivermos situações repetidas de stress, sem sabermos quais os mecanismos que podemos acionar para lhe fazer frente, os sintomas vão-se instalando, ganhando contornos de cronicidade.

 

A questão é que cada caso é um caso e deve ser contextualizado na realidade do quotidiano.

 

Assim, apesar de existirem algumas manifestações que podem ser apontadas como sintomas de stress – irritação, cansaço extremo, dores musculares, perturbações do sono e apetite, entre outras – é importante que o seu caso seja contemplado num todo, de modo a perceber as variações pessoais que podem estar presentes.

 

Pois é, o primeiro passo é mesmo o de ouvir o seu corpo, dar espaço para sentir o que evita habitualmente sentir, procurando apurar qual o seu nível de stress para puder passar para a fase seguinte: o combate ao stress!

 

Se pretende saber mais sobre o seu nível de stress, participe no nosso webinar (uma conversa pela internet, num ambiente informal de troca de experiências). Para tal, basta seguir o link: http://oficinadepsicologia.com/loja/shop/nivel-stress/

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publicado às 10:02

Magoar ou entristecer?

por oficinadepsicologia, em 24.10.11

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

“Não consigo lidar com o facto de se lhe expressar o que sinto vou magoá-lo/a”

 

A ideia de que expressar emoções desagradáveis ao outro, sobre o outro, implica magoá-lo é algo que os meus clientes me trazem com frequência para as sessões.

 

A possibilidade de magoar o outro é tão aversiva que parece haver uma preferência por anular a expressão das próprias emoções, mesmo que isso acarrete incoerência e sofrimento para o próprio.

 

Esta dificuldade dos meus clientes em serem coerentes com as suas emoções no relacionamento com os outros mexia particularmente comigo e debrucei-me a reflectir sobre o que é que me desconcertava nesta dificuldade tão comum.

 

Comecei então a pensar, o que é isto de magoar o outro? Quando é que magoamos o outro? Magoar parece-me implicar uma certa desconsideração, uma forma descuidada de tratar o outro, seja no adoptar de uma postura agressiva, ou no adoptar de uma postura negligente. Diria que magoar implica não considerar o outro na equação. E a realidade é que não era isto que eu via tendencialmente nos meus clientes, pelo contrário, parecia-me que equacionavam tanto o outro que se esqueciam de si próprios.

 

E comecei a pensar… será de facto que magoamos os outros quando partilhamos, de uma forma cuidada, as nossas opiniões divergentes ou as nossas emoções menos agradáveis perante eles? E surgiu-me esta diferença: magoar ou entristecer?

Se me apontam características menos positivas minhas, eu fico triste; se me dizem “já não sinto por ti o que sentia”, eu fico triste; se não partilham a mesma opinião que eu sobre um tema que me é querido, eu posso ficar triste também; mas magoada?

Quando, por tanto engolirem o que pensam a meu respeito, explodem um dia e me mostram os meus defeitos de forma agressiva, eu fico magoada; quando me dizem “gosto de ti da mesma forma” mas toda a expressão não verbal, nomeadamente o afastamento ou a irritação, mostra o contrário, eu fico magoada; quando, por terem uma opinião diferente da minha num tema importante para mim, criticam a minha opinião de forma desrespeitosa, eu fico magoada.

 

A diferença não está em expressar ou ocultar o que sentimos, a diferença está no cuidado que temos perante o outro quando o expressamos.

E talvez alguns me possam dizer: “mas eu também não quero entristecê-lo/a”. Eu aí diria que podermos dar atenção às nossas tristezas e ficar a dar-lhes algum colo quando surgem é essencial para arrumarmos as nossas dores e podermos então abrir-nos a novas possibilidades. Por outro lado, ao ocultar verbalmente o que a nossa expressão corporal não consegue esconder, podemos estar já a magoar.

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publicado às 09:30

Era uma vez o frasco da Vida

por oficinadepsicologia, em 23.10.11

Autora: Cristina Sousa Ferreira

Psicóloga Clínica

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Cristina Sousa Ferreira

"Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. ...Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".

 

O professor então pegou numa caixa de fósforos e vazou dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "sim". ...

 

Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um "sim" retumbante.

 

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:

 

Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades...e o resto é só areia." Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - Então e o que representa o café? O professor sorriu e disse: - Ainda bem que perguntas! Isso e só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo."

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publicado às 15:16

Regresso às aulas sem stress

por oficinadepsicologia, em 22.10.11

Autora: Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

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Inês Afonso Marques

A “escola dos crescidos” (leia-se 1º ciclo), em contraste com a “escolinha” (leia-se jardim de infância) é um local repleto de desafios para as crianças. É ali que as crianças estabelecem relações com os pares, de forma mais autónoma, “experimentam” a sua identidade e são expostas a uma variedade de novas pessoas, tradições e rotinas. É aqui que se começa a definir a relação da criança com a escola, contexto ao qual dedicará várias horas e energia ao longo dos próximos anos. Este novo contexto, paralelamente com a pressão para obterem bons resultados escolares, pode ser bastante stressante para as crianças. A pressão desmesurada em relação à escola pode levar a sentimentos negativos intensos que podem conduzir à depressão, à ansiedade e a problemas comportamentais. Ajudar a criança a compreender e a lidar com os sentimentos stressantes é fundamental para a promoção do seu bem-estar e para o desenvolvimento da sua capacidade de obter sucesso na escola e na sociedade.

 

Todos nós, do mundo dos crescidos, sabemos como reagimos mal ao stress constante. Porque achamos que as crianças conseguem reagir de forma distinta da nossa? Toda a pressão imposta às crianças não resulta em melhores desempenhos ou melhores notas nos testes. Pelo contrário, em muitos casos, conduz a sintomas de ansiedade e depressão e a uma ampla sensação de tristeza.

Boas notícias… O cenário não tem de, necessariamente, ser tão cinzento! Há algumas estratégias que pode adoptar para ajudar os seus filhos a gerir a pressão e aliviar as respostas de stress.


 

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publicado às 09:30

Menopausa - diz-me onde moras, dir-te-ei quem és

por oficinadepsicologia, em 21.10.11

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

A menopausa,  enquanto última fase do ciclo reprodutivo da mulher, marca a transição para uma fase com mudanças físicas e psicológicas que como já tivemos oportunidade de verificar é  influenciada pelo contexto social e histórico-cultural em que a mulher se insere.

É nas culturas ocidentais, orientadas para o culto da beleza e da juventude, que a menopausa se encontra mais penalizada, não só pelas fortes conotoções negativas a que está associada, mas também por ser a cultura onde paralelamente as perturbações e as mudanças que acompanham a menopausa parecem adquirir maior impacto.

 

Mas será que todas as mulheres do ocidente sentem e vivenciam a menopausa da mesma forma? Em que medida que o papel que as diferentes mulheres ocupam na sociedade  interfere com a  forma de olhar e vivenciar esta fase de mudança?

 

Diversos estudos têm demonstrado que as mulheres que desempenham papéis nos quais a actividade intelectual, a criatividade ou a força espiritual são valorizadas – como artistas, políticas, escritoras ou terapeutas, lidam melhor com a transição da menopausa. Enquanto que as mulheres cujo valor sempre dependeu mais da sua aparência física ou do seu papel na família – como actrizes e/ou mulheres só mães e donas de casa, se sentem mais diminuídas no seu estatuto e parecem mais predispostas à depressão nesta fase da vida.

Também as mulheres de classe média e média-alta tendem a diferenciar-se das mulheres de classes mais desfavorecidas, por considerarem que a menopausa representa uma libertação que lhes abre novas oportunidades.  Isto é, finalizada a tarefa de cuidar e apoiar os filhos, estas mulheres não sentem vazio, nem que a sua vida perdeu o sentido.

 

 

 

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publicado às 10:00

Raiva e fobia social

por oficinadepsicologia, em 18.10.11

E-mail recebido

 

 

 

 

 

 

 

 

"Bom dia,

 Eu tenho problemas de controlo de raiva e fobia social. Ando a ser acompanhado por um psiquiatra há vários anos.Ele tem uma equipa de psicólogos. Ando a tomar Abilify e Sedoxil e tenho a raiva controlada mas tenho dificuldades de memória e concentração. Quando experimentei parar com o Sedoxil tive muita sede e vontade de urinar e voltei a tomar o Sedoxil. Ando a tomar estes dois remédios há vários anos. Pergunto-me se este tratamento é o melhor para mim, já que a minha fobia social continua na mesma.

 

 Obrigado,

D"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:19

Quando a palavra de um amigo não basta

por oficinadepsicologia, em 18.10.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de falar consigo sobre a diferença entre consultar um psicólogo e socorrer-se do ombro e dos conselhos de um amigo.

 

Quando temos problemas psicológicos, sejam de carácter depressivo, ansioso ou de outra natureza sabe bem e é totalmente gratuito procurar o consolo de um amigo. E qual é o problema de o fazer? Esta pessoa conhece-me tão bem que certamente me poderá ajudar! Ficamos convencidos que a cumplicidade que criámos com a outra pessoa é uma garantia de ela nos poder ajudar. Simplesmente, esta ajuda nem sempre é a mais eficaz. E o que leva a que não seja? Porque razão um amigo não é o suficiente?

 

O primeiro aspecto que eu gostaria de reflectir diz respeito à genuinidade da relação. Quando me refiro à genuinidade refiro-me até que ponto, numa relação entre amigos, é possível expor a plenitude da nossa identidade, sem medo de ferir ou de desiludir as expectativas que queremos que o nosso amigo tenha de nós?  Vou procurar explicar-me um pouco melhor. Em qualquer relação de amizade existe uma construção da relação baseada na ideia que queremos que o outro tenha de nós. Existe assim um condicionamento enraizado na ideia de não desiludir o outro. Quando estamos a construir uma relação de amizade queremos ser aceites pelo outro e para tal procuramos não o desiludir. Assim vamos transmitir ao outro uma ideia que vá de encontro às expectativas que pensamos que essa pessoa tem de nós. Deste modo, uma relação de amizade tem um condicionamento que, de algum modo, a sustenta.

 

 

 

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publicado às 10:17

Loucura, para que te quero

por oficinadepsicologia, em 17.10.11

Autor: Nuno Mendes Duarte

Psicólogo Clínico

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Nuno Mendes Duarte

Agora que já passámos pelo Dia Mundial da Saúde Mental, agora que já mudámos mentalidades, agora que já derrubámos estigmas, agora que já percebemos o que é a loucura e a normalidade (ou não!), agora que já todos ponderámos, reflectimos e avaliámos na absoluta necessidade de saúde mental… agora…

Falemos de flexibilidade! Sim, flexibilidade mental… ou acha que só os corpos são flexíveis?

 

Dizia Erasmo de Roterdão no seu brilhante Elogio da Loucura:

“Fala a loucura

XII – Mas de pouco valeria apresentar-me como seminário e fonte de vida se não vos demonstrasse também que me deveis todos os prazeres da existência. Que seria a vida, que poderia dizer-se da vida, se lhe faltasse a voluptuosidade? Aplaudis, meus amigos? Já sabia que nenhum de vós é bastante sábio, ou bastante louco, digamos bastante douto, para ter outra opinião. Nem mesmo os estóicos desprezam a volúpia; e se em público a escarnecem, dissimulam para assim afastarem os outros e gozarem sossegadamente. Mas dizei-me por Jove: Não é verdade que a vida seria triste, aborrecida, insípida, molesta, se não tivesse o condimento do prazer, da folia e da loucura? Posso invocar o testemunho idóneo de Sófocles, nunca por demais louvado, que me fez o mais belo elogio:

Quanto maior a sabedoria, menos feliz a vida.”

 

 

 

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publicado às 10:15

Dependências... as mais novas que se vão vivendo por aí

por oficinadepsicologia, em 14.10.11

Autora: Iolanda Maria

Psicóloga Clínica

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Iolanda

 

No mundo ocidental desde a mais tenra idade, se  "propaga"  que o ideal é não ser necessário depender de ninguém. Nesse sentido, ser dependente e depender dos outros não é bom, e o ideal é não se deixar influenciar, pensar por si próprio, agir sozinho e tentar nunca pedir apoio ou ajuda; Em termos práticos, diz-se, não é de adulto expressar as próprias necessidades, e promove-se sobretudo a mais valia, de mostrar as capacidades e valências, fechando com desconfiança a porta, ao que surja de diferente e problemáticos nos outros. O credo do dia a dia, é pensar primeiro em si e só depois nos outros, promovendo-se o ser-se e sentir-se único.

 

Porque esta unicidade a seu tempo, se torna numa máxima fantasmagórica envolvida pelas trevas do isolamento (e porque é necessário “promover a natalidade”…), também se fala em “comedidos” envolvimentos com o(s) outro(s); Mas…, para que não se caia na tão “odiada dependência”, todos os conselhos vão no sentido, de que…, para defesa da complexidade e das desilusões da vida, a ligação a experiências fortes como o enamoramento, deverão ocorrer com a máxima moderação e a menor paixão possível.

 

No entanto, como referem alguns autores, esta situação resulta num paradoxo, uma vez que pela homologação do todo e ao todo - resultante da imitação e copia publicitada pela dinâmica consumista -, se promove a a dependência a cada minuto que passa. No mundo atual, para se ter direito a um olhar, é necessária assemelhar-se a algo ou alguém, impondo-se que os símbolos da linguagem de homologação à tribo, sejam visíveis à distância; Esta circunstância leva a que se criem novas linhas de quase toxicodependência a ícones, hábitos e modas, mantendo-se como pano de fundo conflituante, as ideia do poder da individualidade e da não dependência.

 

Por seu turno, a dependência, é algo extremamente complexo, e integra vários aspetos da esfera individual do sujeito, influenciando-o de modo determinante em vários contextos, uma vez que em termos comportamentais, tanto se poderá refletir na procura de uma substância, como na repetição de um comportamento. Estas atitudes acabam por se repercutir psicologicamente, numa “perigosa” e inevitável absorção do sujeito pelo objeto da sua dependência, descurando com consequências nefastas outros elementos do seu funcionamento diário e originando um sofrimento geral, no que se reporta nomeadamente, ao seu contexto da pertença.

 

Recordemos a propósito que não é o tipo de substância ou de atividade que origina a dependência, mas sobretudo a interação entre o sujeito, o objeto e contexto em que se inserem; não são as causas que originam o comportamento, mas é o êxito do comportamento que criando um significado especial para o praticante, impulsionará a sua repetição. Em termos práticos, a raiz da atuação corresponde à experiência subjetiva, à forma como o objeto da dependência – seja  esta substância  ou  comportamento -  altera a condição do indivíduo, nomeadamente quando em contacto com o mesmo, este se sente diferente e entende positiva e mais operante essa re-estruturação do eu. É como se apenas naquele espaço, se tivesse encontrado a resposta basilar para as suas necessidades e desejos essenciais, inalcançável de outro modo. Neste sentido, a dependência resulta de uma circularidade de necessidades e significados, que limitam as escolhas, à opção vivida pelo indivíduo.

 

 

De uma forma genérica, as dependências comportamentais podem ser dividias em: Dependências Sociais ou Legais (drogas legais: - tabaco, fármacos, álcool etc. - , e atividades socialmente aceites: comprar, jogar, usar internet, comer, ver televisão, uso telemóvel, etc.) e Dependências Anti-Sociais ou Ilegais (drogas ilegais: opiáceos, cocaína e atividades ilegais: roubar, incendiar, etc.)

 

Apesar de genericamente se pensar que são similares, dependência e adição consideram situações distintas; Dependência corresponde à dependência física e química, ao estado em que o organismo “exige” uma determinada substância para funcionar. Adição, diz respeito à condição geral a que a dependência psicológica conduz na busca do objeto, repercutindo-se a sua falta numa existência sem significado. Estes estados podem não coexistir, ocorrendo situações de adição, em que a necessidade imprescindível de realizar um determinado comportamento significativo, se pode dar na ausência de uma dependência propriamente dita. Podem também existir dependências físicas sem adição, não sendo desenvolvidas “fenomenologias patológicas” que levem à autodestruição e isolamento do sujeito; no caso da nicotina por exemplo, apesar do organismo exigir a substância e de se criar uma dependência psicológica, dificilmente se chegará a um comportamento anti-social ou a ações ilegais para se fumar.

 

São 4, as características essenciais da adição, que correspondem à existência de uma necessidade incontrolada e reiterada de realizar uma conduta com efeitos nocivos:

            - O sentimento compulsivo para levar a efeito um determinado ato;

            - A Incapacidade para controlar o ato;

            - O Incomodo e angústia emocional perante a impossibilidade de realizar o ato;

            - A persistência na realização do ato, mesmo perante a certeza dos problemas

              causados por este;

 

Ao longo do século XX, assistiu-se a algumas alterações no universo das condutas aditivas, ocorrendo um desenvolvimento significativo de novas adições, que não implicam substâncias químicas e apresentam como objeto da dependência, atividades e comportamentos tão habituais como falar ao telemóvel, ir às compras ou fazer exercício. Estas novas dependências são facilitadas pela civilização e inovação tecnológica atuais, que perante estados de stress, vazio e aborrecimento,  fornecem “instrumentos” estimulando a predisposição para a gratificação imediata.    

 

 

Devido ao impacto profundamente nefasto de algumas destas práticas quotidianas, quando de regulares passam a patológicas, tornou-se necessário identificar onde se situa a linha separadora entre os dois universos, indicando os especialistas que parâmetros como a intensidade, frequência, quantidade de dinheiro/tempo investido nas mesmas, assim como o grau de interferência nas relações familiares/sociais e laborais, são elementos balizadores, para tal avaliação.

 

São muitas as pessoas com atividades, que se podem converter em dependências sociaisem adições psicológicas, mas são poucas a manifestar que foram compelidos a organizar ou reorganizar a vida devido à tolerância e perda de controle (necessidade de realizar a atividade com maior frequência) , à abstinência (mau estar quando não ocorre) e à forte dependência vivida, quando procuram reduzir ou anular algum destes comportamentos. Nestas como noutras adições, há uma pratica reiterada e persistente e um centrar da vida em torno da atividade, de que se acaba por depender. Assiste-se também à perda gradual de interesse por atividades, outrora gratificantes.

 

Os estudos realizados consideram que têm maiores probabilidades de se tornarem adictos, os indivíduos que apresentem uma personalidade vulnerável e uma coesão familiar débil, que estejam habituados a recompensas imediatas, que se sintam pressionados pelo seu grupo e expostos a elementos stressores (fracasso escolar, frustrações profissionais a afetivas) e que vivam grandes vazios existenciais (falta de objetivos, isolamento social, inatividade, solidão, etc.).

 

O início da conduta aditiva, deve-se à presença de elementos positivos de reforço, que proporcionam prazer ao próprio comportamento. À medida que se estabelece a dependência e se inicia o síndrome de abstinência, o controle do comportamento ocorre através do alivio do mal estar, proporcionado pela repetição da prática. Nesta ocasião em que já existe dependência psicológica, o sujeito manifesta ânsia e reduz o seu interesse por outras atividades agradáveis praticadas, revelando-se incapaz de controlar o impacto da nova atividade na sua dinâmica diária, apesar dos danos por esta causada. Sequencialmente os comportamentos aditivos tornam-se automáticos, sendo ativados emocionalmente, objetivando-se sobretudo a gratificação imediata. Neste estádio o indivíduo não toma em consideração eventuais consequências futuras penosas (como no caso das adições aos jogos de azar, à comida ou às compras, por exe);

 

Mas sobre estas adições em particular, nos dedicaremos em textos futuros.

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