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Excessos e lágrimas

por oficinadepsicologia, em 29.11.11
 
 
Chorar não é depressão. Estar triste também não. E uma fase negra, em que tudo corre mal, pode ser deprimente, mas também não determina depressão. É uma óptima ideia termos estes temas em mente, para não corrermos para comprimidos sem qualquer necessidade disso, em vez de nos focarmos em mobilizar as nossas estratégias e recursos pessoais para lidar de uma forma saudável e adaptativa com as situações que nos estão a perturbar um funcionamento optimizado.

As emoções negativas fazem parte da vida – são um acessório de base, quer as queiramos, quer não. E têm uma função de saúde, na medida em que são reacção saudável, protegendo-nos de ameaças externas ou internas, alertando-nos para situações que urgem ser resolvidas, obrigando-nos a defender as nossas necessidades ou permitindo-nos o tempo e condições de quietude para uma reorganização interna. Tentar terminá-las, a golpes de químicos, é tão pouco funcional como tentar silenciar um alarme sofisticado, por estarmos incomodados com o som, sem termos o cuidado de investigar porque disparou e fazermos o que houver a fazer para resolver esse motivo. De cada vez que interrompemos de uma forma artificial o fluxo das emoções, sem análise, sem alterações à nossa abordagem à vida e leitura do que se passa connosco, estamos a correr o risco de silenciar um mecanismo de vida precioso e que faz parte integrante de nós.

Naturalmente, que existem muitas situações que exigem intervenção psico-farmacológica – apenas não tantas quantas as que estão a ocorrer, com sério prejuízo da própria saúde mental que visam proteger. Nunca tome medicamentos psiquiátricos que não foram prescritos por um psiquiatra ou neurologista e, sempre que lhe forem recomendados, avalie se a psicoterapia não poderá ser uma alternativa ou um complemento eficaz.

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publicado às 10:09

A caixinha do "ser"

por oficinadepsicologia, em 28.11.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

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Madalena Lobo

Eu vou dizer isto baixinho, porque pode ser segredo, de tão ignorado que é. E melhor que ninguém repita, está bem? Não é por nada, apenas porque a maior parte das pessoas parece gostar de acreditar no oposto e fica irritado com esta ideia peregrina… Pronto, vou dizer, que me parece que ninguém está à escuta: o ser humano não cabe numa caixinha! Por mais que se retorça e contorça, não cabe, pronto. É grande demais, mesmo se pensarmos na maior caixinha que a nossa imaginação consiga desenhar; vai sempre sobrar qualquer coisa, uma perna, um braço, nem que seja o dedo mindinho, que vai sobressair, transvazar paredes, mostrar a sua imensidão.

 

Mas nós não parecemos saber disso – dia após dia, segundo após segundo, inventamos caixinhas feitas do verbo ser onde nos tentamos simplisticamente conter. “Eu sou…”, digo, e com isto, reduzo-me à simplicidade e ao menosprezo de todas as vezes e todas as situações em que, precisamente “não sou…”. À força de o repetir, vou perdendo maleabilidade – “Eu sou fraco”, logo basta-me arrancar com o programa da fraqueza a cada situação nova que se me depare, sem me deter um segundo a mobilizar as forças que decidi não estarem lá. À força de o acreditar, vou-me conformando a um desenho de mim mesmo que entendi, por portas travessas, que me reflectia. “Eu sou pessimista”. Enterrando-me na previsibilidade, ignorando a maravilhosa incongruência que faz parte do capital genético do ser humano, de algo e o seu contrário, numa simultaneidade paradoxal, desperdiçando oportunidades de agir, pensar e sentir diferente. “Eu sou ansioso”. Em caixinhas me vou enroscando, preguiçando sob o calor enganador de etiquetas aleatórias. E, na caixa, carimbo “Frágil”. Com um pouco de sorte, alguém escreve, também, “Este lado para cima”.

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publicado às 15:07

A natureza dos ataques de ciúme

por oficinadepsicologia, em 26.11.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Muitas vezes o ciúme é o causador da destruição de muitos casamentos, de muitos namoros, de muitas relações amorosas que tinham tudo para dar certo, que tinham tudo para proporcionar a ambos os parceiros realização e satisfação.

Mas o ciúme irrompe num impulso descontrolado e destrói tudo. É difícil separar a ideia de ciúme da ideia de impulsividade ou impulso. Na verdade, muitas vezes, o ciúme surge num impulso descontrolado e avassalador.

Como em qualquer perturbação do espectro da Psicologia, também o ciúme possui um gradiente de nível ou intensidade de perturbação. Assim temos desde o ciúme normal e totalmente controlado até ao ciúme patológico, absolutamente disfuncional e altamente perturbado.

Ter ciúme é algo saudável, desde que seja dentro de determinados limites.

 

Gostaria de distinguir dois tipos de ciúme:

Existe o ciúme imaginado e o ciúme percepcionado.

Quando falamos de ciúme imaginado estamos a falar de uma situação em que o ciúme é causado por uma visualização mental, ou seja nada está necessariamente a acontecer, mas a nossa imaginação constrói um determinado filme em que vemos claramente a pessoa de quem gostamos a ter atitudes que geram, em nós, desconfiança, insegurança e ciúme. Por exemplo, podemos imaginar que a pessoa de quem gostamos está, neste momento, a conhecer alguém e a eventualmente a se sentir interessada por essa pessoa e essa visualização mental, conduzir a uma sensação de insegurança que redunda em ciúme.

 

 

 

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publicado às 15:14

Intervenção psicológica e tratamentos dentários

por oficinadepsicologia, em 23.11.11
Catarina de Castro

Catarina de Castro

Psicóloga Clínica

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Pode parecer estranho a associação destas duas disciplinas. Na realidade em Portugal não costuma existir esta articulação, o que pode ser explicado pela falta de conhecimento tanto por parte dos médicos e profissionais de saúde oral como por parte da população geral. O estudo de McGoldrick et al (2001) demonstra que existe desconhecimento de como a psicologia pode ajudar pessoas que têm medo de ir ao dentista.

Numa amostra de 115 pessoas que apresentavam medo e ansiedade relativamente a tratamentos dentários, a 113 foram prescritas pelos médicos dentistas susbtancias farmacologicas e a 2 deles foi aconselhado terapia psicológica (com resultados positivos). Verificou-se que numa segunda fase do tratamento dentário e após conhecimento do sucesso na terapia destas duas pessoas, 29% dos 113 optaram por intervenção psicológica.

 

Dentistas desconhecem terapias psicológicas

Este estudo demonstra ainda que a maioria dos dentistas não estão informados que esta fobia ou ansiedade pode ser eliminada em poucas sessões com recurso à psicologia, e que desta forma as pessoas poderão evitar todos os efeitos secundários dos medicamentos, sedação e anestesia geral. Os médicos dentistas recorrem a maioria das vezes a fármacos porque desconhecem que a psicologia tem várias terapias disponiveis.

 

 

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publicado às 11:24

Algumas notas desta semana

por oficinadepsicologia, em 13.11.11

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Deixamos-lhe algumas (apenas algumas...) das diversas notas que vamos postando na nossa página do Facebook e sugerimos que nos acompanhe também aí, para não perder a totalidade da informação sobre saúde mental e, sobretudo, para não perder a animação e comparticipação dos milhares de fãs que interagem connosco, acrescentam, discutem e - porque não? - brincam e se divertem na Página do Facebook da Oficina de Psicologia.

 

 

 

 

Sabia que segundo a Associação Nacional das Perturbações Alimentares – “National Eating Disorders Association”, entre 1% a 5% dos americanos adultos sofre actualmente de Ingestão Compulsiva, sendo que cerca de 40% destes, são homens?

Pois é, contrariando a ideia generalizada de que as perturbações alimentares dizem exclusivamente respeito ao universo feminino, e de acordo com um estudo recentemente divulgado no “International Journal of Eating Disorders”, os homens parecem apresentar uma tendência para desenvolver Ingestão Compulsiva semelhante à das mulheres, sentido também, os seus efeitos debilitantes. Ambos os sexos parecem apresentar semelhante tendência para desenvolver obesidade, displasia, hipertensão, diabetes, stress ou depressão. Mas no que respeita à procura de ajuda, contrariamente às mulheres, os homens tendem a inibir-se, evidenciando grande relutância em avançar nesse sentido. Segundo os autores, tal relutância pode dever-se à vergonha, por se tratar de uma problemática com evidente expressão no sexo feminino, ao medo de se ser rotulado como louco pela sociedade, ou à ideia de que ter uma perturbação alimentar é socialmente menos aceite do que ter um comportamento de dependência, como o beber ou o fumar.

Precisamos urgentemente, de mudar mentalidades. Por ser um problema que acarreta graves consequências de saúde, todos os esforços devem ser dirigidos no sentido de uma consciencialização global, fazendo-se evidenciar as suas implicações clínicas e esclarecendo que uma resposta rápida e precoce é tendencialmente mais eficaz.

Não deixe que o preconceito o impeça de procurar ajuda.

Poderá obter informações sobre as Perturbações do Comportamento Alimentar, no seguinte link: http://oficinadepsicologia.com/corpo/peso/comportamento-alimentar

 

Joana Florindo

 

 

 

 

 

O humor é benéfico e produtivo – algumas conclusões recentes:

• Se acharmos que o nosso chefe tem sentido de humor, também temos tendência a achá-lo mais eficiente
• O humor ajuda a lidar com o stress profissional
• As pessoas de idade que usam o humor como uma estratégia para lidar com as situações desafiantes da sua vida reportam maiores níveis de satisfação pessoal
• A aprendizagem é facilitada com professores que usam o humor para ensinar


 

 

Um nutriente popular em pesquisas é o ácido fólico (vitamina B9). “Anormalidades no metabolismo dessa substância estão ligadas a depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia”, afirma a neurocientista brasileira Patrícia de Souza Brocardo, pesquisadora da Universidade de Victoria, no Canadá.

Um cardápio rico em alimentos com ácido fólico, ômega 3 e demais nutrientes melhora o humor e eleva a disposição, diz Roseli Rossi, especialista em nutrição clínica funcional. “Em um mês o paciente já melhora muito.

 

Fabiana Andrade

 

 


 

O inverno parece ter chegado. Um pouco fora de época, é verdade, mas é inegável esta alteração brutal de tempo. Pior, nem sequer tivemos o nosso amigo outono que sempre nos propiciou um certo “desmame” das tardes quentes de verão. Que repercussões é que isto tem em nós? A verdade é que parece que estamos a ficar sem meias estações… e bem falta nos fazem. O outono, apesar de ser conhecido pelo cair da folha, do cabelo, do bom humor, etc., mesmo com tudo a cair, mesmo sabendo que é nesta fase que muitas vezes começamos a deprimir, o que dizer se passamos logo para o escuro e molhado inverno? Será que passamos por cima disto ou será que ainda nos sentimos piores? Os relatos que tenho tido, sobretudo de pessoas que costumam ter a chamada depressão sazonal – que se manifesta principalmente nesta altura do ano, em que o sol escasseia e nós, qual plantas, deixamos de ter um livre acesso à nossa energia vital: a luz solar – é que os sintomas surgiram mais tarde, mas com mais força, como que uma tempestade que veio de repente, sem avisar, da mesma maneira que o tempo mudou tão bruscamente.

 

E você, o que sente? Como está a sua energia, os seus ritmos de sono, o seu apetite? E o seu humor? Estável? Sujeito a alterações constantes? Importa percebermos o nosso corpo, ouvir as reações do nosso organismo, com os seus dias melhores, mas também com as suas queixas. Afinal, ele tem as suas necessidades e não pediu para que o tempo se alterasse.

 

O que fazer perante isto? Compreendo que o termo depressão se tem vulgarizado, como se agora todos estivéssemos deprimidos ou algo do tipo. É assustador, não é? E ainda por cima, não corresponde à verdade. Apesar de o número de casos ter disparado nos últimos tempos, fruto das pressões da sociedade atual, da instabilidade trazida por esta crise mundial que parece insistir em se manter de pedra e cal, nem toda a tristeza se traduz em depressão. Existe também aquela tristeza que se pode chamar de adaptativa, no sentido em que tem uma razão de ser, uma causa, não aparecendo sem mais nem menos, sem avisar. Por exemplo, quando ficamos tristes porque recebemos uma má notícia no emprego, porque aconteceu algo a alguém que nos é querido, seria estranho se não ficássemos tristes, correto? Daí ser adaptativa, porque faz parte, porque é saudável sentirmos tristeza quando temos motivo para tal. O que não é saudável é quando a tristeza insiste em não nos largar, quando ela fica por mais tempo do que aquilo que seria espectável. Como medir isto? Tema delicado… quem sou eu ou outro alguém para lhe dizer que já é tempo de se sentir melhor? Afinal, cada caso é um caso, e cada um de nós gere estas questões de formas diferentes e com tempos também distintos. O que importa aqui e o que eu lhe pretendo de facto transmitir, é que existem vários tipos de tristeza, como vários tipos de depressão. A melhor forma de lidar com isto é mesmo estar atento a si próprio, levando em conta alguns comentários de pessoas que lhe são significativas, que podem ajudá-lo a perceber quando alguma coisa não está bem.

 

Caso perceba ou chegue à conclusão que algo de errado se passa, que já não está a ser tão fácil como outrora dar a volta sozinho à situação, não hesite em pedir ajuda. Nada como percebermos o que se passa connosco. E é tão importante percebermos o que estamos a sentir. É que tudo se torna mais simples, menos assustador quando percebemos o que é aquilo, de onde vem, para onde nos pode levar e como podemos alterar o curso no sentido que nos é mais favorável.

 

Pense nisto… 

 

Ana Crespim

 

 

 

 

 

Um estudo da Brigham Young University, publicado no Journal of Couple & Relationship Therapymostra que casais que dão mais importância ao dinheiro e bens materiais são geralmente menos felizes que casais que acreditam que estes não são prioridades.

Os efeitos do materialismo ocorrem independentemente dos níveis de rendimento (i.e tem um efeito negativo nas pessoas com e sem dinheiro).

Foi ainda descoberto comparativamente a casais não materialistas, estes casais tinham uma comunicação menos eficaz, tendiam a debater-se com conflitos na sua relação e eram menos responsivos entre si.

Nesta época de crise, em que o poder de compra está cada vez mais comprometido,  use este estudo a seu favor, abandone por momentos o materialismo e concentre-se mais na relação, nas emoções, no crescimento e nas vivências a dois, fruindo assim de tudo o que esta tem para lhe oferecer.

 

Filipa Cristovão



 
 

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publicado às 10:23

O que é isto do amor?

por oficinadepsicologia, em 06.11.11

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

No programa da RTP2 Onda-Curta passaram uma curta-metragem intitulada “Tout le monde dit je t’aime” (Toda a gente diz amo-te) que reflecte de uma forma muito interessante sobre o significado do amor aos 16 anos.

E fui ficando a questionar-me: O que é isto do amor? Como é que se lida com o “amo-te”?

 

O giro da curta é que mostra duas adolescentes com perspectivas muito diferentes do “amo-te”: uma que acredita que a expressão tem significado e é forte, a apaixonada, que vive ela própria este sentimento; e a descrente, a quem nunca o disseram, e que defende que “amo-te” é como uma palavra mágica – não significa nada, toda a gente o diz, e ainda por cima tem a particularidade de encurralar, afinal de contas o que é que se responde a um “amo-te” que não seja “eu também”? E depois quando é que se pára? Temos que dizer “amo-te” para sempre?

 

Como é que se sabe que se ama? Quando é que faz sentido dizê-lo? Há um tempo mínimo antes do qual é parvoíce? E se se espera demais?

Não tenho resposta a estas questões. O que tenho é a imagem destas duas adolescentes a seguirem direcções opostas e a gritarem “Eu amo-te” uma à outra, à medida que se afastavam, com um sorriso, um prazer que transbordava por todo o corpo.

E a realidade é que parece que, mais do que um pensamento, e estejamos nós a dizê-lo ou a recebê-lo, “amo-te” é um sentimento que percorre todo o nosso corpo com um misto de aperto e de euforia. “Amo-te” lê-se no corpo mais do que na mente. E é de facto mágico, como dizia a descrente, mas um mágico diferente, tão mágico que alguns o tememos, muitos o desacreditamos, mas todos nos deliciamos quando o recebemos daqueles que também nós amamos.

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publicado às 10:26

Vencer ou gerir a crise?

por oficinadepsicologia, em 04.11.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Fabiana Andrade

Todos os dias ouço a palavra Crise e sempre com uma conotação negativa. Surge constantemente na comunicação social, ou no contexto das sessões com os clientes, ou através de e-mails, em conversas com os amigos, na rua, no café, no supermercado, enfim, em todo lado!

 

Reparei também, que apesar de todas as pessoas comentarem que não aguentam mais falar e ouvir sobre crise, continuam a repetir o que sentem em relação a ela: “estou com medo do futuro”, “as coisas vão mudar para pior e não sei como vou fazer”, “agora é que vai ser, vou ter que cortar em várias coisas”, “estou muito inseguro”, “não sei como vou manter a casa”, “não sei como vou pagar o carro” etc, etc etc.

 

Há algo recorrente em todas as conversas que ouço: o sentimento de insegurança perante situações futuras que ainda não estão a acontecer, a associação entre bem- estar e bens materiais e, naturalmente, a resistência à mudança. E todas essas visões ou atitudes impedem essas mesmas pessoas de gerir a crise e saírem dela mais fortes.

 

Porque faço a distinção entre vencer e gerir a crise? Lemos ou ouvimos diariamente o termo “vencer” a crise, e neste termo está implícita uma noção de conflito, de guerra contra um inimigo que devemos vencer, gerando desde já uma atitude negativa de tensão. A questão é que olhar para a crise dessa forma redutora, no limite, não nos ajuda a entendê-la, a geri-la e a transformá-la em algo que pode nos ser favorável.

 

 

 

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publicado às 09:03

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

“Para ser grande, sê inteiro; nada teu exagera ou exclui; sê todo em cada coisa; põe quanto és no mínimo que fazes; assim em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive.”  - Fernando Pessoa

 

Muitas pessoas acordam de manhã mais ou menos sempre à mesma hora, tomam o mesmo pequeno-almoço rotineiro, vão de carro e fazem o mesmo trajecto, ouvem o mesmo posto de rádio, chegam ao trabalho e recebem uma série de ordens que acatam sem pestanejar, executam o seu trabalho de forma maquinal e desinteressada, fazem inúmeras pausas, onde fumam cigarros e falam sobre os mesmos assuntos de sempre, almoçam no mesmo restaurante, voltam ao trabalho, fazem as mesmas pausas, saem do trabalho, fazem o mesmo percurso, vão para casa, não variam substancialmente na ementa do jantar, vêem um pouco de televisão desinteressadamente, fazem a sua rotina de higiene, fazem amor da mesma forma de sempre, e dormem pensando que já falta menos para a tão aguardada reforma, onde se esquecem que, à partida, terão muito menos energia física e mental.

 

Pode parecer um retrato extremado e demasiado pessimista, mas confesso que tenho algumas dúvidas que realmente o seja. Infelizmente, acredito que muitas pessoas vivem assim a sua vida.

 

O perigo desta forma de agir, de estar, de viver é a consequente dramática e altamente preocupante falta de criatividade, que fica estampada na passividade, apatia, desinteresse e perda de sentido existencial.

 

Haverá solução para esta situação?

Posso ser um optimista irrealista, mas acredito que sim. Acredito que podemos ser diferentes.

Para mim, a resposta está neste poema de Fernando Pessoa. A chave está na perpetuação da nossa identidade através da ferramenta extraordinária da criatividade.

A minha reflexão será justamente em torno desta duas ideias basilares: Identidade e criatividade.

Vou colocar a tónica do meu discurso sobretudo na questão da criatividade, que me parece ser uma questão chave para entender o marasmo, no qual, muitas pessoas escolhem estar.

 

 

 

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publicado às 18:50


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