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Auto-afirmar-se para comunicar eficazmente

por oficinadepsicologia, em 30.05.12

Autora: Marta Porto

Psicóloga Clínica

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Marta Porto

A auto-afirmação espelha um conjunto de comportamentos emitidos por uma pessoa, num contexto interpessoal, no qual exprime os seus sentimentos, desejos e opiniões, ou ainda os seus direitos, de forma directa, firme e honesta, respeitando os sentimentos, atitudes e direitos dos outros. Assim, não tem como objectivo controlar, manipular ou punir os receptores, invocando simultaneamente uma atitude de respeito.

Existem três passos ou princípios para aplicar a assertividade, sendo que a sua prática segue sempre uma determinada ordem. No início, pode parecer muita coisa a aprender, mas a sua aquisição é semelhante à aprendizagem da Condução de Automóveis. Inicialmente, poderá ser complicado e difícil, contudo à medida que vamos praticando acaba por se tornar natural.

 

Passo1 Força-o a focalizar toda a sua atenção no seu interlocutor e não a usar o tempo que este usa para lhe falar em favor da sua defesa ou ataque. Ao escutar activamente, demonstra compreensão e empatia para com o outro e o seu ponto de vista, mesmo que não esteja de acordo com ele.

Passo 2 Leva-o a expressar de uma forma directa os seus pensamentos e sentimentos sem insistência e sem pedir desculpa.

Passo 3 É essencial, a fim de que possa indicar de modo claro, consistente com o objectivo, qual a acção e/ou resultado que deseja sem hesitações ou insistência.

Assim, a atitude de auto-afirmação, permite-lhe estar à vontade na relação face-a-face, controlar a situação, negociar na base de objectivos preciosos e claramente fixados, procurando compromissos realistas. Lembre-se sempre do seguinte: em caso de desacordo, é fundamental negociar mais na base do interesse mútuo do que na ameaça.

 

 

A Passividade: um comportamento ineficaz  

 

Uma atitude passiva implica medo de se envolver, o que pressupõe submissão e uma tendência a evitar o conflito, o que espelha uma atitude de fuga na presença de contrariedades. Assim, a passividade caminha lado a lado com a permissão de que as outras pessoas o tratem, aos seus pensamentos e sentimentos, como eles quiserem, sem que você se defenda. Significa fazer o que os outros querem que faça, independentemente dos seus desejos.

Os comportamentos característicos da passividade são os seguintes:

1-      Mostrar acordo em relação a assuntos que não lhe interessam

2-      Não conseguir pedir um favor

3-      Evitar contacto visual

4-      Apresentar um padrão de discurso hesitante

5-      Apresentar postura corporal tensa e movimentos corporais desajustados ou ansiosos

6-      Falta de confiança

O comportamento passivo produz irritação, aborrecimento e pena por parte dos outros receptores, estabelecendo-se um padrão em que os outros abusam constantemente. O problema é evitado, os seus legítimos direitos são postos de lado, deixando que a zanga e ressentimento cresçam dentro de si.

Neste sentido, perante uma situação em que se depara com a necessidade de fazer face às reacções dos outros, quando deles necessita, ou quer emitir o seu desacordo (situações diárias, com os amigos, familiares ou no trabalho), a passividade não traz resultados satisfatórios, nem assegura relações agradáveis com os outros, ao passo que afirmar-se tranquilamente traz-lhe mais possibilidades de resultados positivos nos seus relacionamentos.

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publicado às 18:37

Vamos dormir!

por oficinadepsicologia, em 29.05.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

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Cristiana Pereira

Tantas vezes nos passa pela cabeça “Hoje vou deitar-me cedo… Tenho de dormir mais… Hoje talvez tenha de tomar aquele comprimido para me ajudar a descansar…”

De facto, o sono é um elemento imprescindível na nossa saúde física e mental, pois precisamos dele também para regular as hormonas, controlar o apetite e aprender.

Mas afinal que impacto tem o sono na nossa vida? Além de o sono ser essencial para regular a produção de hormonas, também contribui para regeneração das nossas células e até para o funcionamento do sistema imunológico. Quando passamos muito tempo sem descansar, temos dificuldades em consolidar a memória a curto prazo e o nosso estado de alerta diminui, o que faz com que tenhamos mais possibilidades de ter um acidente, por exemplo. E, com isto, facilmente percebemos a importância de um bom descanso no processo de qualquer aprendizagem. Como se não bastasse, quando nos privamos do descanso nocturno também temos mais fome, logo, mais hipóteses de engordar.

 

Existe um estudo europeu no qual 28% dos portugueses dizem dormir mal pelo menos três vezes por semana. A insónia é o sintoma que leva mais pessoas a procurarem ajuda especializada, em particular, as mulheres. Os homens queixam-se mais de sonolência excessiva, própria da apneia do sono.

Sabemos que é muito comum a prescrição de medicação para dormir. No entanto, a maioria causa habituação e tolerância, ou seja, passamos a ter necessidade de aumentar a dose para termos o mesmo efeito.

O que é, então, um bom sono? Conseguimos dizer “dormi bem” quando conseguimos a qualidade e quantidade de horas necessárias para ter um bom nível de vigília durante o dia, sem sonolência ou cansaço, e acordamos como novos! Para os adultos, sete ou oito horas são suficientes. No entanto, há pessoas que ficam bem com cinco e outras que precisam de dez. Por isso, não se pode dizer que exista um padrão fixo. O despertar a meio da noite também tem a sua importância na qualidade do nosso sono, ou seja, o despertar uma vez por noite, para ir à casa de banho, é normal para um adulto. Contudo, se isso acontecer várias vezes por noite poderá ser um sintoma de apneia, apesar de, muitas vezes, se diagnosticarem erradamente como problemas urinários.

 

 

 

Muitos sonhos = noite mal dormida?

Não. Se sonhamos é porque estávamos a dormir, certo? O nosso sono é constituído por cinco fases que passam pelos níveis 1, 2, 3, 4 e R.E.M. (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido Ocular). Esta última é a fase mais profunda do sono, aquela onde temos os sonhos mais intensos. Cada um destes ciclos tem cerca de 90 minutos, o que quer dizer que de hora e meia em hora e meia sonhamos.

Como, normalmente, sonhamos mais de madrugada ou de manhã lembramo-nos mais do que sonhamos. Se acordarmos a meio de um sonho intenso e não o contarmos a alguém ou não o escrevermos, é natural que nos esqueçamos dele ao longo do dia. O nosso cérebro apaga naturalmente os sonhos. Todos nós sonhamos. Quando temos a sensação que não sonhamos pode querer dizer que tivemos um sono bem profundo com poucos despertares. Por isso, sonhar é bom, é normal e saudável!

 

10 dicas para dormir bem

Se tem dificuldade em adormecer, partilhamos consigo algumas dicas que o podem ajudar:

  • Deite-se apenas quando tiver sono. Deitar-se sem ter sono para o 'forçar' a vir só gera ansiedade e atrasa o adormecimento.
  • Crie o ambiente certo. O quarto deve ser escuro, silencioso e estar a uma temperatura amena. Se tiver calor e dificuldade em dormir, experimente tirar um cobertor da cama.
  • Leia um livro, ouça música... Levante-se e faça algo relaxante se não conseguir adormecer passados 30 minutos de ir para a cama.
  • Há rituais que nos ajudam a adormecer, como fazer uma refeição ligeira, rotinas de beleza ou ler umas páginas antes de dormir.
  • Tente levantar-se à mesma hora todos os dias, independentemente do tempo que dormiu de noite.
  • Evite fazer sestas. Se sentir necessidade, nunca as faça depois das 15 horas e não durma mais do que 30 minutos.
  • Não veja televisão no quarto.
  • Deixe também de fora o telefone, o telemóvel e esqueça o computador portátil ou quaisquer outros objectos relacionados com trabalho.
  • Não tenha relógio ou telemóvel à cabeceira. Ver as horas durante a noite pode ser um factor que gera ansiedade e pode perturbar o sono.
  • Evite bebidas com cafeína, chá preto, bebidas de cola e chocolate. Evite beber café depois das 16h.
  • Não faça exercício físico nas quatro a seis horas anteriores a ir para a cama. O sono depende de uma ligeira descida da temperatura corporal e da subida da melatonina. O exercício aumenta a temperatura do corpo.

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publicado às 16:58

Mentiras privadas

por oficinadepsicologia, em 27.05.12

Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

Coordenadora de equipa

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Catarina Mexia

Na infância fomos educados para dizer a verdade e foi-nos ensinado que ser honesto compensa. Contudo, à medida que crescemos, damo-nos conta de que a verdade pode ser muito cruel e poucos relacionamentos poderiam sobreviver à realidade de uma honestidade brutal. Para evitar magoar outros, aprendemos a utilidade das "mentiras piedosas". Por outro lado, as mentiras que construímos apenas em nosso benefício podem magoar e são frequentemente utilizadas apenas para evitar o castigo.

 

A generalidade das pessoas considera-se honesta, nomeadamente de acordo com os ditames da sociedade. Mas o que a sociedade considera honestidade e o que é a verdade são duas coisas completamente diferentes. Temos sido sistematicamente ensinados na nossa cultura a tornar a mentira uma parte das nossas vidas. Fazemo-lo com tanta frequência que nem nos damos conta disso.

 

Se honestidade é "dizer a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade", a versão politicamente aceite é "Dizer a verdade, e somente parte da verdade, na medida em que nos serve e ninguém se sente magoado". E este é o raciocínio presente nas consistentes e persistentes mentiras piedosas, que dizemos aos outros todos os dias.

 

Parece-nos perfeitamente plausível esconder a verdade ou parte dela se julgamos que esta vai magoar os sentimentos de alguém, iniciar um conflito, deixar mal o outro ou fazer-nos parecer mal.

 

Porque mentimos?

Mentimos porque nem sempre podemos dizer toda a verdade. Porque precisamos que as pessoas gostem de nós, nos amem e nos aceitem. Quando não se trata de uma situação patológica ou de um distúrbio de personalidade, as razões mais frequentes por detrás de uma mentira podem ter como objectivos combater o medo de ser rejeitado, considerado ridículo ou indesejável; não perder o controlo da situação, o que na realidade não passa de uma ilusão já que ninguém tem o controlo de nada a não ser dos seus comportamentos com que responde ás situações; esconder aspectos da nossa maneira de ser que consideramos intoleráveis e, finalmente, combater a insegurança e a vulnerabilidade através de uma falsa imagem. Ironicamente se não dissermos a verdade e construirmos estes "falsos eus" as pessoas não conseguem gostar de nós! Logo, a única forma de sermos realmente amados, realmente aceites, é mostrando quem somos com verdade. Só dando-nos realmente a conhecer, é possível aos outros aceitar quem realmente somos. Se usamos uma máscara, uma realidade construída de quem nós somos, o outro só poderá amar, aceitar e relacionar- se com a máscara. E então sentimo-nos mais sozinhos do que nunca e, até mesmo, ressentidos com os outros por uma armadilha criada a nós mesmos.

 

Efeitos perversos.

As mentiras interferem nas nossas relações, sejam elas amorosas, de amizade ou profissionais.

Uma relação saudável baseia- se principalmente na confiança. Sem ela, não existe a tranquilidade necessária para que a relação se aprofunde e desenvolva. É muito difícil manter um relacionamento amoroso quando um dos parceiros perde a confiança no outro, conseguir uma promoção quando o patrão percebe que utilizamos sis­tematicamente as "desculpas de mau pagador" para justificarmos os nossos atos menos meritórios ou, ainda, ajudar os nossos filhos a crescer saudavelmente quando são sistematicamente confrontados com a "invenção da realidade" mostrando-lhes que é normal não assumirmos a responsabilidade plena dos nossos atos e pensamentos. E uma vez mais não estamos a falar de outras que não as mentiras piedosas.

 

A mentira tem efeitos perversos numa relação, que muitas vezes fica irremediavelmente afectada ou necessita de ajuda profissional para ser reciclada. Aqui fica um breve enunciado destes efeitos perversos:

Decepção — "afinal ele não é quem eu pensava!", "preciso de saber se posso confiar", "Será todo o nosso relacionamento uma mentira?"

 

Desconfiança — Este é um dos efeitos mais devastadores e mais difíceis de reconquistar numa relação, qualquer que seja a sua natureza, e mesmo quando estamos dispostos a lutar pelo relacionamento torna- se um dos objectivos mais desgastantes e difíceis de alcançar.

 

Desrespeito — Ao mentirmos tiramos ao outro a oportunidade de escolha, desrespeitamo-lo como ser inteligente autónomo, que necessita de agir de acordo com a sua interpretação do mundo.

 

Desinteresse — é uma das marcas que vai afectar mais o estilo de envolvimento na relação. O medo de voltar a ser enganado leva-nos investir cada vez menos e a afastar- nos dentro da relação.

 

Ruptura — Ironicamente,  muitas vezes foi o medo da ruptura que nos levou a utilizar as mentiras piedosas em primeiro lugar.

 

Mentir ou não mentir?

Em última análise a decisão será sempre individual, pesando os prós e os contras da situação que está em jogo.

Seja qual for a opção há que atender às necessidades mais básicas por detrás de uma pergunta ou afirmação.

Imaginemos que você está ao telefone com a sua melhor amiga que detesta o seu atual marido. Este por sua vez está desejoso de saber com quem você está ao telefone mas não ousa perguntar. Se você disser "A Ana manda cumprimentos" estaremos a usar uma mentira piedosa. Assim, respondemos a uma necessidade que reconhecemos, damos a informação desejada e evitamos uma situação em que a mentira é melhor que a ver­dade de saber que a Ana o detesta ou ignora.

 

Se estão na iminência de sair e a sua companheira lhe pergunta como lhe fica o vestido, a resposta poderá ser "muito bem, estás linda". A oportunidade do momento e a necessidade de se sentir confiante, segura e apreciada justifica uma resposta como esta, mesmo se isso não corresponder exatamente à nossa apreciação pessoal ou gostássemos que o vestido fosse outro. Respeitar as necessidades básicas de segurança e aceitação foi mais importante do que ser brutalmente honesto, quem sabe egoísta, dizendo "o vermelho ficaria muito melhor".

Por sua vez há que atender à seriedade do problema que está a ser abordado na situação em relação à qual não expressamos a nossa verdadeira opinião utilizando a mentira piedosa.

 

Mentir acerca da satisfação sexual não é uma boa ideia pois estará a comprometer a resolução daquilo que, com o tempo, pode tornar- se num grande problema. Mais vale escolher o momento e falar com o seu parceiro sobre formas de explorar outras alternativas mais satisfatórias para ambos.

 

Afirmar com toda a facilidade "tudo bem" quando somos questionados por alguém que gosta de nós e que percebe claramente que não está nada bem, também pode ser uma armadilha perigosa. Você sente-se péssimo(a) e embora não seja nada com o seu companheiro(a) ele já percebeu. Você não tem vontade de falar sobre o assunto enquanto não refletir melhor sobre o que se passou, mas também não é capaz de lho dizer desta maneira. O que pode acontecer é que este tipo de mentira sem importância poderá converter-se num drama de grandes dimensões. O seu companheiro(a) pensará que se trata de algo que tem a ver com ele ou com a vossa relação, que você tem segredos que não quer partilhar e não confia o suficiente para o ter como seu confidente. Será melhor dizer claramente qualquer coisa como "estou preocupada, mas não é nada contigo, e agora gostaria de refletir melhor sobre o assunto. Até lá não me apetece falar sobre isso. Mais logo, talvez".

 

Finalmente, o povo diz que "se apanha mais depressa um mentiroso que um coxo", e a sabedoria popular dá que pensar como queremos construir a nossa rela­ção com os outros.

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publicado às 12:10

Nascimento de um filho - mudanças conjugais

por oficinadepsicologia, em 26.05.12

Autora: Joana Florindo

Psicóloga Clínica

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Joana Florindo

O nascimento de um filho é um marco relevante na vida de um casal, que envolve profundas transformações conjugais e individuais. A centralidade que a vida conjugal conservava até esse momento, passa a ter de ser partilhada com a vida parental, e os papéis de “marido” e de “mulher”, especialmente numa primeira fase, poderão facilmente ser absorvidos pelos papéis de “pai” e de “mãe”. Nesta condição, grande parte da atenção e recursos parentais encontram-se direccionados para as necessidades do bebé, limitando a disponibilidade do casal para um investimento na sua relação conjugal. 

 

A fadiga física e a privação de sono, especialmente experienciadas pela mãe numa fase inicial, sendo ela quem está mais implicada nos cuidados do bebé, poderão também contribuir para a diminuição da disponibilidade do casal no investimento da sua vivência a dois.

 

Outra condição que tende a ocorrer com alguma frequência e que pode contribuir para um distanciamento da intimidade conjugal após o nascimento de um filho, é a diminuição do desejo sexual por parte da mulher. Esta diminuição do desejo sexual encontra-se estreitamente relacionada com as alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez e período de pós-parto, constituindo-se na maioria dos casos, como uma fase natural e passageira. Mas poderá também estar relacionada com o cansaço e fadiga física que referenciei anteriormente, pela absorção de toda a  energia da mãe para as necessidades do bebé, ou com questões de imagem corporal, devido às transformações físicas que o seu corpo sofreu durante a gravidez e que a inibem de se expor ao marido. Outra situação que poderá estar ainda relacionada com a diminuição do desejo na mulher, é o medo de poder sentir alguma dor no envolvimento sexual, potenciado a sua ansiedade e o evitamento de qualquer contacto mais íntimo.

 

Alguns homens poderão também experienciar uma diminuição do desejo sexual, na fase inicial deste período de vida, quer devido ao medo de poderem provocar alguma dor à sua parceira, cujo corpo passou por transformações internas recentes, quer devido à mudança de papel que ela experienciou, de “sua mulher” para “mãe dos seus filhos”.

 

                A diminuição da satisfação conjugal, comum nesta fase do pós-parto, parece estar mais relacionada com a  diminuição do investimento na relação conjugal do que relacionada com as tarefas parentais. Assim, é fundamental que o comprometimento com o papel de “pai” e de “mãe” não substitua o comprometimento anterior com o papel de “marido” e de “mulher”, devendo ambos ser coabitados e ajustados à vivência diária do sistema familiar.

 

A título sugestivo, aqui ficam algumas ideias que poderão orientar estes casais na promoção da sua intimidade conjugal: 

 

- Saiam da rotina e encontrem algo para fazer a dois. Por exemplo, determinem um dia por semana para poderem sair sozinhos, durante duas ou três horas, e ir ao cinema ou jantar fora;

-  Partilhem emoções e expressem afectos um pelo outro. Utilizando não só a linguagem verbal como a não verbal, e neste caso específico podem fazê-lo através da troca de carícias ou de beijos. Um abraço sentido pode ser uma óptima fonte de conforto, intimidade e bem-estar;

- Comuniquem um com o outro. Uma comunicação verbal clara e aberta é fundamental para uma boa vivência relacional. Partilhem livremente e de forma tranquila aquilo que pensam e sentem, expressem os vossos medos e expectativas face a esta fase de vida, reencontrando um equilíbrio na relação e aumentando a confiança mútua e a intimidade; 

- Surpreendam-se mutuamente. Apoiem-se na vossa imaginação, no que sabem que o outro gosta, e preparem surpresas um ao outro. Um banho de espuma relaxante ao final do dia pode ser uma boa saída escolha;

-  Brinquem e riam em conjunto. Para além do sentido de humor, que deve ser cuidado na relação, chamo aqui à atenção para o vosso lado mais infantil e activo e sejam criativos;

- Mantenham viva a sensualidade que há em vós. Através de carícias ou de uma troca de massagens, por exemplo. E comuniquem as vossas necessidades e receios no que respeita à intimidade sexual, ajustando as expectativas e reduzindo frustrações futuras;

- Celebrem sempre a vossa relação. Não o façam exclusivamente nos dias de aniversário. Sejam criativos, utilizem a imaginação e o mistério e divirtam-se a explorar e experienciar satisfatoriamente a vossa vivência conjugal.

 

Embora possa não ser fácil despertar romance entre fraldas e biberões, é importante que o casal não abandone o seu papel de “marido” e “mulher” e dedique tempo a sua vivência intima, contribuindo não só para uma maior satisfação conjugal, como consequentemente, para uma maior satisfação familiar.

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publicado às 19:20

Amar sem vergonha

por oficinadepsicologia, em 24.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Quando escrevi o texto “Gostar de Si”, foi com o objectivo de fornecer algum conhecimento sobre a doença oncológica da mama e as vivências da mulher com diagnostico desta doença, referentes à imagem corporal.

 

Hoje trago-vos o “Amar sem Vergonha”, que não é mais do que a relação entre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da mama e a sua Sexualidade.

 

Vários estudos sobre o tema, concluem que não existem diferenças significativas entre as variáveis imagem corporal e vivências sexuais, logo, não se pode concluir que exista, de facto, uma mudança nas vivências sexuais devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora.

 

O que nos levam ao encontro da teoria defendida por Ducharme et al. (1988), em que a sexualidade de um sujeito não é determinada por características e/ou capacidades físicas, o que faz com que não se deva julgar o deficiente físico como impossibilitado da pratica sexual.

Barni e Mondin (1997) sublinham, a pertinência da manutenção da vida sexual das mulheres mastectomizadas no combate à imagem de doença e debilidade. Os referidos autores, constataram no seu estudo que é indispensável que as mulheres submetidas a amputação da mama, e que têm parceiro sexual, discutam com este os seus problemas desta índole. Do mesmo modo, partilhamos do ponto de vista de Payne et al. (1996), Barni e Mondin (1997), Baptista (1999) e Oliveira (2000), que consideram ser extremamente importante o facto de que as mulheres com cancro da mama, assim como outros doentes do foro oncológico, mantenham a actividade sexual sempre que possível, pois esta contribui para a conservação da saúde residual da doente, melhorando a adaptação à doença.

 

Posto isto, a explicação para uma não mudança no relacionamento conjugal devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora, certamente estará relacionada com a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal antes da doença. Estes resultados corroboram a teoria de Pádua (2006), que defende que a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal será responsável não só pelo alcance e a manutenção da estabilidade emocional da mulher, mas também pelo retorno do interesse sexual numa fase mais calma da doença. Assim, após a cirurgia e com a estabilidade da doença, o casal volta a interessar-se pela vida sexual e começa a preocupar-se com o relacionamento sexual de ambos. Procuram maior intimidade, trocas de carícias, prazer e novas formas de adaptação às condições actuais da mulher a fim de tornar o relacionamento sexual mais agradável, confortável e prazeroso.

 

Sabemos que tem aumentado o número de investigações na área da oncologia, todavia a prioridade tem sido dada a estudos genéticos e biológicos sobre o aparecimento, controlo e tratamento da doença. Contudo, o orgânico não se deve separar do psíquico. A par do sofrimento físico surge o sofrimento psicológico.

 

Sobretudo em mulheres que realizam uma mastectomia, a intervenção psicológica parece tornar-se indispensável. Ajudar a mulher a lidar com as alterações corporais, a desenvolver estratégias de coping que lhe permitam encarar as mudanças na sua aparência, informando-a que a sua feminilidade continua a existir são algumas das formas como um psicólogo pode intervir.

 

O tratamento físico é fundamental, porém o psíquico igualmente o é. A saúde é uma relação de equilíbrio entre o corpo e a mente, com um certo nível de comunicação e conhecimento entre o externo e o interno. Saber o que se passa com o físico e com os motivos psíquicos relacionados a esse físico doente e a forma de conduzirmos a cura (Conte, 2003).

 

Com relação também, às Vivências Sexuais, o acompanhamento psicológico da doente e do seu companheiro torna-se fundamental ao bem-estar e à qualidade de vida de mulheres com cancro de mama. O parceiro da doente é, em grande parte dos casos, a pessoa com maior contacto directo com a doente. Ouvir, compreender e ajudar o casal a enfrentar esta nova e indesejável situação ajudará ambos os cônjuges a se reajustarem a uma série de novos papéis e funções e proporcionará uma melhor comunicação entre ambos.

 

A adaptação na vivência do cancro da mama é vista como um processo de ajustamento que envolve uma interacção entre as características do cancro e o seu tratamento, bem como avaliações cognitivas, experiências vivenciadas, esforços de coping (Osowiecki & Compas, 1999) e o respectivo suporte social.

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publicado às 10:04

Gostar de si

por oficinadepsicologia, em 23.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Com base em estudos sobre a Doença do Cancro da mama, percebemos que o número de novos diagnósticos por ano tem aumentado significativamente, o que me levou, sendo também mulher, a trazer-lhe algo sobre esse tema. Vou falar-lhe sobre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da Mama.

 

O cancro da mama é uma das patologias que abala a estrutura física e psico-social da mulher, ao mesmo tempo que, desencadeia emoções, sentimentos e comportamentos que as deixam fragilizadas, após a confirmação de doença grave, quase sempre associada a morte. A mulher vive inicialmente em permanente ansiedade, medo e desespero, necessitando frequentemente de um espaço/tempo para poder reflectir sobre o fato de estar doente, mesmo sabendo que terá um futuro incerto e repleto de sentimentos de medo, angústia, dor e sofrimento.

A mama é considerada um símbolo da sexualidade, o que nos leva a pensar que qualquer patologia que ameace este órgão leva a uma perda de auto-estima, conduzindo a sentimentos de inferioridade e rejeição.

 

Foram inúmeras as autoras e autores que escreveram acerca da natureza simbólica dos seios. Efectivamente, os significados atribuídos aos seios estão interligados com os valores sociais e culturais. Yalon (1997) sublinha que, independentemente da óptica sócio-cultutal, a importância atribuída aos seios, ao longo dos tempos, tem sido predominantemente masculina. Os seios são considerados, sobretudo pelos homens, como sinal erótico vital numa manifestação amorosa. Representam também a beleza feminina. É inegável, portanto, que as qualidades estéticas e eróticas do seio assumem uma importância relevante na sociedade actual.

De acordo com vários autores o conceito de imagem corporal é impossível de definir claramente. Metodologicamente, e de acordo com Hopwood et al. (2001), não existe, hoje em dia, qualquer consenso face à definição de perturbação da mesma. Não há ainda uma teoria unitária que congregue todas as abordagens existentes. Cash e Pruzinsky (1990) são da opinião que é um conceito extremamente ambíguo.

Ao falarmos de Imagem Corporal, existe uma relação que devemos considerar, que é a que se estabelece entre a sociedade de consumo e o corpo. A construção social da beleza (um primeiro passo para o sofrimento).

Com base na literatura depreende-se que o conceito de imagem corporal envolve preocupações, pensamentos e sentimentos que cada pessoa possui acerca do seu corpo e da sua experiência corporal. Numa síntese acerca das concepções de vários teóricos relativamente à imagem corporal infere-se que esta não se restringe a questões de ordem estética e/ou de aparência física. Sublinham que é influenciada também pela idade, etnicidade, função e aptidões corporais, força, sensações corporais, personalidade, sexualidade, estado saúde/doença. Outros factores que se articulam com todos os referidos anteriormente são o conjunto de experiências vividas e a realidade sócio-cultural (Cash e Pruzinsky, 1990; Fallon, 1990; Brendin, 1999).

Gostaria que ficassem com a ideia de que a imagem corporal é um constructo decorrente de diferentes dimensões da experiência corporal.

 

É de igual forma importante, fazer uma abordagem mais aproximada da componente conceito de imagem corporal que se preocupa particularmente com a visão mental do self físico, ou seja, com as percepções relacionadas com a própria aparência física e estado de saúde.

Segundo Price (1999) citado por Romanek et al. (2005), a imagem corporal é conceptualizada como uma imagem mental do corpo e pode envolver diversas dimensões, tais como: a percepção que pessoa tem do seu próprio corpo; a forma como pensa sobre o seu próprio corpo; a forma como pessoa apresenta o seu próprio corpo aos outros; a satisfação face à sua aparência.

Hopwood (1993) refere que nos trabalhos em que o método de entrevista era utilizado verificou a abordagem de aspectos como a satisfação em relação à cicatriz, o impacto do linfedema, o grau em que a mulher oculta a cicatriz em relação ao parceiro, o grau em que esta recusa despir-se na frente do mesmo, a atitude e consciência relativamente à aparência física, o sentimento de deformidade, a vergonha, a atractividade sexual e a mudança da importância do seio para a mulher.

Descreve ainda que as principais ideias mais comummente abordados pelas mulheres são: a insatisfação com a aparência (vestida), a perda de feminilidade, a recusa em ver-se despida, o sentimento de menor atractividade sexual, a consciência em relação à aparência e a insatisfação com a cicatriz e com a prótese.

 

Estes factos poderão explicar, em parte, que a procura do aperfeiçoamento da própria imagem, assim como a conservação da sua integridade, são importantes elementos de motivação. Tal como Pitanguy (1992) afirma, a imagem corporal é um importante elemento dentro do complicado funcionamento de formação da identidade pessoal.

 

É importante promover o “Gostar de Si”.

Mas como é que isso se faz quando tudo parece tão difícil?

Brevemente, abordarei esse tema. Espere por mim, aqui…

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publicado às 10:00

Desejo OU segurança? Desejo E segurança!

por oficinadepsicologia, em 19.05.12

Autora: Inês Franco Alexandre

Psicóloga Clínica

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Inês Franco Alexandre

Muitos dos pedidos em terapia de casal, mesmo que não sejam revelados desta forma no início da terapia, estão relacionados com dificuldades na intimidade, sendo a perda ou diminuição do desejo de um dos parceiros uma das queixas mais frequentes.

 

Existe a crença social que a paixão inicial não se prolonga ao longo do tempo: “antes fazíamos amor todos os dias e o desejo era recíproco. Mas claro, tudo isso diminui quando acordamos a falar sobre o que fazer para o jantar.”

E será, de facto, necessariamente assim? A estabilidade na relação inibe o desejo?

 

Muitos terapeutas, perante este tipo de queixas, incita os casais a passarem mais tempo juntos, a ter tempo de qualidade só do casal. Se é verdade que a vida quotidiana retira, muitas vezes, disponibilidade para passar tempo a sós com o outro, também é verdade que essa dificuldade também existia, na maior parte das vezes, no início do relacionamento. Então o que mudou? Será esta estratégia terapêutica realmente adequada?

 

A especialista Esther Perel fala-nos de duas necessidades básicas no ser humano, e do aparente confronto entre elas: a necessidade de segurança, estabilidade, confiança no outro e a necessidade de novidade, mudança, mistério.

 

 A estabilidade decorre do facto de eu conhecer o outro: como reage perante as situações, quais os seus valores fundamentais, do que gosta, quais os seus limites, que projectos tem. Isto permite-me inferir sobre a forma como vai reagir no futuro, e permite-me confiar e sentir-me seguro. O desejo de novidade tem que ver com uma necessidade intrínseca (e não apenas humana) de exploração, de curiosidade perante o mundo. No entanto, este desejo do desconhecido causa-nos ansiedade. Quem já observou um gato a explorar um objecto novo pode notar como os seus olhos brilham e como simultaneamente os seus movimentos denunciam o seu medo. Nas relações humanas, esta necessidade de exploração estará também relacionada com o desejo: apaixono-me pelo mistério que é o outro. Em resumo: precisamos de ter confiança e de diminuir a nossa ansiedade, mas também de mistério, que nos dá vida mas que aumenta a nossa ansiedade.

 

Nos tempos actuais, este confronto parece estar mais presente. Vivemos um clima de ansiedade geral: não sabemos se temos trabalho, se este se manterá, até quando nos manteremos no mesmo lugar, se temos de emigrar, se teremos dinheiro suficiente para pagar as contas. O mundo muda a mil à hora e perguntamo-nos se o conseguiremos acompanhar. E quem melhor do que o nosso companheiro para exercermos a nossa necessidade de controlo sobre o mundo? Esse que nós conhecemos tão bem, a quem reconhecemos o que quer só pelo olhar, que reage de forma tão previsível?

 

Existirá solução? Como manter o desejo numa relação segura?

Talvez a(s) solução(ões) passe por entendermos, em primeiro lugar, que as duas necessidades não são opostas, se expressas de uma forma flexível e essencialmente realista. É verdade que a confiança no outro é imprescindível para estabelecermos vínculos seguros e saudáveis, inclusivamente para podermos explorar a nossa sexualidade com confiança. Mas será realista assumir que conhecemos, de facto, o outro? Que sabemos o que pensa, o que sente, como sente, como irá reagir, anulando-lhe dessa forma a sua complexidade que tanto nos apaixona? Será realista assumirmos que já não há nada a descobrir, e por isso nada a conquistar? Desejar é querer para nós, ainda que saibamos que isso nunca irá acontecer na totalidade. Porque no fundo, bem lá no fundo, existe a certeza de que o outro nos escapa na sua liberdade, na sua individualidade. A certeza pela segurança não só é ilusória como pode matar a admiração, uma das grandes componentes da paixão e do desejo.

Não existirá uma solução, mas várias soluções diferentes para cada casal. Como terapeuta, tento fazer o contrário do que acontece com a maioria destes casais: mantenho-me curiosa e atenta a quem está à minha frente, tentando nunca perder a capacidade de me surpreender com as pessoas. Emociono-me (de verdade!) com cada nova descoberta, com cada mudança adquirida. E isso não me impede (antes pelo contrário) de estabelecer uma relação de grande confiança com quem comigo se cruza no consultório. Isso fá-los acreditar na verdade: que vale a pena descobri-los.

 

E como terapeuta, desafio cada elemento dos casais a quem a rotina parece ter feito perder o desejo: a flexibilizar um pouco os seus limites de segurança e a arriscar-se a olhar para o outro como único e fascinante.

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publicado às 09:25

Bussola da decisão, precisa-se!

por oficinadepsicologia, em 17.05.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

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Filipa Jardim Silva

Uma das temáticas recorrentes em consulta de psicoterapia é a tomada de decisão. Um processo sentido por muitos como complexo e por vezes angustiante que nos coloca de frente com o que somos, o que temos sido e o que gostaríamos de ser; do outro lado, temos diversos fatores como: os outros (aqueles que serão afetados pela nossa decisão, os que tentam manifestar a sua perspetiva, os que influenciam pelo papel que têm na nossa vida), o tempo de que dispomos para decidir e os riscos inerentes.

 

A tomada de decisão pode ser analisada à semelhança dos processos mentais e resulta numa seleção de um curso de ação entre os vários cenários alternativos. Todo o processo decisório produz uma escolha final. Existem inúmeros modelos para o processo de tomada de decisão. O Professor Universitário Francisco Araújo Santos, partindo do pensamento de Max Weber, propôs um modelo segundo o qual explica que as nossas evidências externas são percebidas através de um “filtro” de crenças; a par dessas crenças os desejos individuais alteram as próprias evidências de acordo com as expectativas de cada um. As evidências filtradas e modificadas por estes dois sub-sistemas desencadeiam então uma seleção de alternativas, que servirão de base para a tomada de decisão e consequente ação.

 

Frequentemente damos por nós a tender para a impulsividade de tomar uma decisão sem uma reflexão antecipada; planear, de algum modo, uma decisão permite decidir de uma forma mais inteligente e confortável, sobretudo porque criamos a oportunidade de nos sintonizar connosco mesmos, utilizando os nossos estados emocionais e corporais como auxiliadores de decisão a par das análises mais cognitivas e racionais. Mas os tempos de contemplação e análise têm validade, e a partir de um determinado ponto ótimo de reflexão/ introspeção perdemos balanço no emaranhado de prós e contras, de “se’s” e “mas”, de opiniões A’s e B’s e simplesmente caímos na inação, na incapacidade de nos mobilizarmos rumo ao movimento e à mudança. Será importante nos recordar de que não existem decisões perfeitas nem será possível termos a certeza absoluta das nossas resoluções; as certezas serão sempre relativas face à informação disponível no momento presente. Cabe-nos, por isso, a nós tornar as nossas decisões o mais acertadas possíveis mantendo-nos firmes no caminho escolhido e investindo nele sem desperdiçar recursos a olhar para trás ou demasiado para a frente, a pensar no que poderia ter sido mas não é ou no que ainda pode ser. A vida acontece no momento presente e é essencial que seja nele que se concentrem os nossos principais recursos.

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publicado às 17:04

As entrevistas de emprego e os 1ºs encontros

por oficinadepsicologia, em 15.05.12

Autora: Cristina Sousa Ferreira

Psicóloga Clínica

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Cristina Sousa Ferreira

Quando li este artigo achei interessante e entusiasmante esta comparação e não quis deixar de partilhar convosco.

As entrevistas de emprego são muitas vezes geradoras de grande ansiedade, de dúvidas, incertezas, de falta de confiança, às vezes de bloqueios e até ataques de pânico.

 

Muitos de  nós gostamos de namorar mas detestamos ir a uma entrevista. Um primeiro encontro e uma entrevista são em muitos aspectos essencialmente a mesma coisa. Em ambas as situações queremos “vender” a nossa imagem e causar a melhor impressão.

 

Para além disso queremos  perceber:

-  será que eu e esta empresa estamos alinhados? Será que me vou desenvolver profissionalmente? será que o ambiente é agradável?

ou:

 - será que nos vamos divertir juntos, partilhar gargalhadas, explorar  coisas em conjunto e aprender um com o outro?

Ou, numa ou noutra situação:

-  acabarei com o coração partido, a assoar-me num lenço, a enxugar as lágrimas e  a pensar porque é que tudo correu mal...

Boas técnicas de entrevista, como bons conselhos de namoro podem aumentar as hipóteses de evitar um rompimento doloroso. Deixo-lhe algumas  dicas para o sucesso da sua vida profissional e pessoal.

 

Porque é que uma entrevista de emprego é como um primeiro encontro?

1.  Vista-se para o sucesso

Pois, é um mundo cruel. Poucas empresas vão ficar impressionadas se aparecer  na  entrevista  de calções  e chinelos ou  a mastigar pastilha elástica. Sim, eu sei que é lindo(a)  por dentro, mas as organizações e os entrevistadores querem que demonstre que se poderá integrar também em ocasiões importantes. Também num primeiro encontro eu sei que se preocupa com o que leva vestido.

 

2. Discrição – o seu melhor amigo

Num primeiro encontro não é o momento certo  para falar sobre todas as vezes que estragou tudo, que ficou com o coração partido ou em que foi injustamento abandonado(a). Da mesma forma, não é uma boa ideia numa entrevista queixar-se sobre as empresas  onde trabalhou anteriormente. Guarde a “bagagem emociona”l para mais tarde ... ou, de preferência para nunca. Discrição é fundamental. Não interessa se estabeleceu uma boa relação com o entrevistador ou se o encontro está muito romântico, lembre-se está a ser avaliado(a). Ser desorganizado(a) não é adorável. Ser incompetente não é encantador. E falar  mal de um ex-empregador ou ex-namorado(a), não é boa ideia. Não diga nada que não gostasse de ver na primeira página de um jornal.

 

3. Ponha uma cara alegre

Bastante simples,  seja positivo. Todos nós  cometemos erros. Mas na sua primeira entrevista /encontro tem uma pequena janela de oportunidade para expressar as suas muitas qualidades e capacidades, e não suas desvantagens. Fale da impressão positiva que deixou em alguém, em que tomou a iniciativa, ou que a sua performance profissional foi  além do solicitado. Incline-se para a frente, sorria, envolva-se e relaxe. Pratique as suas competências de conversação. É  uma pessoa feliz, positiva e a  Empresa terá muita sorte em tê-lo(a) na Equipa.

 

4. Honestidade – o seu nome do meio

Seja honesto. Se a Empresa X adora  o futebol, cerveja barata, e  asas de frango , e você gosta mais  da Madame Butterfly e de champagne  não tente desenvolver os temas.  Em vez disso, descubra  algum terreno comum. Preparou a entrevista por isso concentre-se no que o atraiu a esta empresa em primeiro lugar. No pós-entrevista, seja  tão honesto(a)  consigo mesmo como depois de um primeiro encontro. Talvez a Empresa X seja capaz de fazer de um amante do desporto um trabalhador muito feliz mas isso não quer dizer que seja para si um ajuste perfeito. Preste atenção à cultura da empresa e como se encaixa nas suas próprias preferências e estilo de trabalho.

 

5. P & R – perguntas e respostas

Toda a gente faz ''perguntas'' num encontro, e deve-se fazer o mesmo numa entrevista. Use esse tempo para descobrir mais sobre a empresa, o seu papel e as expectativas. Quais os planos da empresa para o futuro? A empresa tem rotação de pessoal? O que é que esperam de si? Como será a vossa relação enquanto “casal”? Qual será o nome dos vossos filhos? Ok, ok, esta última não.

 

6. Afirmações

Alguns últimos conselhos, que embora possam parecer estranhos,  que não quero deixar de referir.  Enquanto estiver sentado no hall de entrada à espera de ser chamado(a) para a entrevista repita para si mesmo : ''Eu sou incrível. Eu sou maravilhoso. Eu vou dominar esta entrevista!''

Parece-lhe estranho? Vai ver que quando estiver na entrevista momento vais sentir-se a navegar num oceano  de auto-confiança.

 

Deixámos-lhe aqui 6 dicas.  Vá confiante.

E para si quais são as dicas mais importantes? Tem outras para acrescentar? Partilhe connosco.

 

 

http://www.businessinsider.com/author/pretty-young-professional. The author, Liz Elfman, is a contributing writer to Pretty Young Professional, and a post-graduate student studying international relations. Previously, she worked for IBM and as a researcher at The Atlantic.

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publicado às 11:13

Auto-estima realista procura-se!

por oficinadepsicologia, em 14.05.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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(Parte 1)

 

“Tenho uma baixa autoestima"

“O meu problema principal é a baixa autoestima”

“ A minha autoestima não me permite mudar de vida”

“A baixa autoestima faz com que não consiga enfrentar o meu chefe”

“O meu marido critica-me por eu ter uma autoestima baixa”

“Tenho uma boa autoestima, mas sinto-me inseguro ”.

               

Irina António

Da polifonia dos temas que ocupam o espaço do consultório, hoje quero partilhar consigo a minha reflexão sobre um deles, a autoestima. Histórias de vida que tentam ser compreendidas e trabalhadas no processo terapêutico através de um olhar cuidadoso para vivência individual de autoestima, destacam muitas vezes experiências de sofrimento expressas por uma opinião negativa de si, uma autoimagem denegrida, um pensamento sobre si próprio como alguém insignificativo e /ou incapaz, uma dificuldade em estabelecer contactos saudáveis com outras pessoas, um sentimento de tristeza, de abandono, de desespero, de ansiedade.

 

Vista pelo prisma da sabedoria popular, a melodia de autoestima habitualmente não toca mais além da sua expressão dual: ou alta ou baixa, à semelhança da visão sobre muitas outras vivências humanas arrumadas entre o bom e o mau. No entanto, se virmos na autoestima apenas uma ideia fixa, avançaremos muito pouco tanto na sua compreensão, como no processo da sua mudança.

 

Porque a autoestima é algo que está experienciado em cada momento da nossa vida e ligado ao nível da nossa flexibilidade psicológica e à nossa capacidade de adaptação a cada contacto externo/interno. Por exemplo, podemos sentir a autoestima a descer quando nos confrontamos com os nossos limites numa ou noutra área da vida. Não existem pessoas totalmente competentes e bons em tudo, daí fazer uma autoavaliação que traz menos satisfação é natural.

 

Para não se perder nesse processo avaliativo sugiro colocar a si mesmo duas questões: o QUE é que estou a considerar como positivo ou negativo e QUE IMPACTO isso tem na relação comigo mesmo e com o nível dessatisfação que tenho com a vida. Explico melhor, por exemplo, você se autoconsidera como inapto (a) para tocar piano e nesta área a sua autoestima irá sofrer uma descida significativa. Mas que grau de importância você atribui a esta capacidade na sua vida? Ter uma atitude adequada e realista é um grande segredo nesse processo. No entanto, se apesar de reconhecer a falta de uma capacidade concreta numa esfera de pouca importância na sua vida, sentir destroçado (a) e sem perspetiva do género “não preciso de tocar como um profissional, vou experimentar e vejo que sairá disso”, podemos desconfiar que estamos perante uma avaliação negativa de si mesmo como pessoa. E o trabalho de ajustamento que a sua autoestima requer é bastante mais profundo.  

 

Falaremos sobre vários etapas deste trabalho no próximo artigo.

Até breve….

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publicado às 12:12

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