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Relações de consumo imediato?

por oficinadepsicologia, em 31.07.12

Autora: Inês Alexandre

Psicóloga Clínica

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Inês Alexandre

O despertador toca. Aguardamos 10 minutos antes que o dia comece. Tenho de levantar-me e correr para o trabalho e correr para o almoço e correr de novo para o trabalho e correr para ir buscar os filhos ou ir para o ginásio ou ir arranjar o telemóvel que se estragou ou ir comprar umas calças e também tenho de trocar aquela televisão que é pequena demais e o computador que não é tão rápido quanto eu gostaria.

Vivemos assim, a mil à hora, à procura de algo que nem sabemos o que é. Consumimos produtos que nos entram em casa também a mil à hora e descartamo-los porque já não nos servem, por uma qualquer razão que inventamos também com facilidade. O consumo é imediato e centrado no prazer e na necessidade, tão presente neste tempo em que vivemos, de ter. Até as palavras que utilizamos são denunciadoras: não tenho dinheiro, não tenho tempo, não tenho saúde, não tenho amor, não tenho boas notas. Parecemos viver, de uma forma geral, centrados no consumo: temos de ter aquele carro, aquela casa, aquele boneco, aquela roupa, aquele electrodoméstico, aquela marca. O que temos define-nos, é um espelho do que somos.

 

E para termos, há que… produzir. Corremos para o trabalho para produzir e sermos eficazes (outra palavra cara), realizando um máximo de coisas num mínimo de tempo possível. Para que sejamos considerados e tenhamos dinheiro para poder ter, consumir rápido com o que ganhámos a produzir rápido.

 

Educamo-nos e aos nossos filhos assim, com os verbos ter e fazer, sem que exista grande espaço de reflexão. Lembro-me muitas vezes dos meus tempos de escola e das aulas serem orientadas quase exclusivamente para uma coisa: para podermos fazer testes e ter boas notas e entrar para a faculdade. Para aqui fazermos exames e termos boas notas para virmos a ter um bom trabalho. Para produzirmos muito e termos bastante para podermos dar aos nossos filhos uma boa educação. E o ciclo repete-se.

Os tempos de crise, dolorosos para quase todos, têm-nos trazido algo: a consciência da insustentabilidade deste modelo, não só em termos macros sociais, mas também aos níveis individual e familiar. Afinal, se nos centramos e definimos, enquanto pessoas e enquanto grupo, no capital que produzimos, o que resta de nós sem dinheiro? Quem sou eu sem as coisas que compro? O que faço com o meu tempo, no dia em que não ande a correr para produzir para a seguir consumir? O que faço comigo?

 

Estas são problemáticas cada vez mais presentes em consultório, nomeadamente nas consultas de terapia conjugal ou familiar. Os sistemas conjugal e familiar constituem espaços privilegiados de transformação e têm sofrido mudanças profundas. Numa sociedade virada, de uma forma geral, para o prazer e consumo imediato, a noção de esforço (e, por consequência, a de mudança) não é, muitas vezes, vista com bons olhos. Também na conjugalidade a correria é desenfreada para que possamos” ter”, “agora” e de um modo que nos satisfaça. As relações devem ser fáceis, fluidas, sem grandes dificuldades, devem preencher-nos e se possível não nos colocar em causa, pois isso envolveria o esforço de nos mudarmos.

 

As relações não têm de ser difíceis ou trazer sofrimento, assim como não tem de trazer sofrimento a frustração de não conseguir ter aquele automóvel que tanto desejamos. Uma relação pode ser fácil, se por fácil não entendamos sem conflito, sem dificuldades, sem ajustes, sem mudança, sem esforço. A capacidade de mudar mantendo o que nos é essencial é, no meu entendimento, uma das grandes chaves da felicidade a dois. Como nos diz Erich Fromm, “o amor é uma arte […] se queremos aprender a amar temos de fazer o que faríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, como a música, a pintura, a carpintaria”. Só com esforço poderemos construir-nos, individual e colectivamente.

 

Talvez as soluções passem por conceder-nos outros espaços: espaços para sermos. Aqui, a terapia surge apenas como uma das possibilidades. Temos as escolas, os grupos de amigos, o tempo em casal e em família, os espaços individuais. Espaços de reflexão que nos permitam irmos descobrindo quem somos, individual e colectivamente, para que não fiquemos dependentes do que temos mas de quem somos. Espaços de partilha – no casal, na família, com os amigos, na sociedade – que satisfaçam a nossa necessidade profunda de pertença a algo maior. Espaços de auto-conhecimento, porque são estes que nos permitem compreendermo-nos, amarmo-nos e construir uma relação sólida connosco, condição fundamental para que possamos dar e amar os outros, e com eles construir relações profundas e de verdadeira intimidade.

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publicado às 13:11

Lidar com a timidez

por oficinadepsicologia, em 30.07.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

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Cristiana Pereira

Consegue lembrar-se de como era fazer um discurso na escola em frente à turma inteira ou quando entra numa sala cheia de pessoas que lhe são desconhecidas e tem a sensação que todos estão a observá-lo? Provavelmente a sua boca ficou seca, sentiu-se agitado e com uma sensação de borboletas no estômago, enquanto o seu coração foi batendo cada vez mais rápido.

 

Quer sejamos introvertidos ou extrovertidos, todos nós podemos experienciar este sentimento de timidez em algum momento das nossas vidas. Socialmente ou culturalmente, construiu-se a ideia de que só os introvertidos vivem a experiência da timidez, mas não é verdade.

 

A timidez está relacionada com o à vontade consigo mesmo, especialmente quando se depara com situações sociais. Talvez hesite em fazer um telefonema ou abordar alguém para pedir uma orientação. Por vezes, estas hesitações podem prejudicar mais do que ajudá-lo. Começa-se a evitar algumas situações, evitam-se lugares, evitam-se constrangimentos, pode até evitar defender a sua opinião por receio do confronto e da exposição.

 

O que é a timidez?

A timidez está enraizada no medo, num medo irracional de falar e ser humilhado ou ignorado. Porque é que muitos de nós têm tanto medo de falar ou de se expor? Existem alguns factores que podem estar na base deste medo, como a hipersensibilidade, a insegurança, a ausência de habilidades sociais ou o perfeccionismo.

 

Todos nós sentimos timidez de formas diferentes e em graus variados. No entanto, existem algumas razões que podem estar na origem da timidez que nos prejudica:

 

Fraca auto-imagem: quando existiram certas experiências negativas de afronta ou diminuição de si mesmo no passado, pode levar à criação de uma crença negativa de que as qualidades pessoais não eram interessantes ou dignas de admiração. Provavelmente esforçou-se por ser como as outras pessoas (crianças/jovens), resultando num sentimento pejorativo acerca de si mesmo afectando-lhe a auto-estima e a auto-confiança.

 

Preocupação consigo mesmo: algumas pessoas quando se encontram rodeadas por outras tornam-se extremamente sensíveis ao que estão a fazer, como se estivessem no centro do palco. É uma situação que cria bastante ansiedade e surge um comportamento de vigilância a tudo o que fazem, ou seja, fica-se com a atenção auto-centrada: “o que estou a fazer de errado?”. Este comportamento pode causar uma espiral de negativismo.

 

Rotulagem: Quando nos rotulamos como uma pessoa tímida, psicologicamente sentimo-nos inclinados a viver de acordo com essas expectativas. Podemos dizer a nós mesmos: “eu sou uma pessoa tímida. É como eu sou, e este é o modo como as coisas são.” Quando rotulamos algo, existe a tendência a viver de acordo com as expectativas desta rotulagem.

 

E como lidar com a timidez?

Compreendê-la. Procure compreender como é que a sua timidez se manifesta na sua vida. Com que frequência? Compreender os acontecimentos e estímulos que provocam essa sensação. E em que grau lhe causa incómodo ou prejudica o seu dia-adia?

 

Transforme a autoconsciência em autoconhecimento. Reconheça e perceba que as outras pessoas não estão necessariamente a olhar para si. Ao invés de olhar para si pelos olhos dos outros, transporte essa consciência para dentro de si. Tome consciência daquilo que faz e alimenta a sua timidez. Procure dentro de si que tipo de pensamentos, atitudes e crenças tem que possam estar a funcionar como combustível para essa sensação de acanhamento social.

 

A psicoterapia é, sem dúvida, uma aliada nesta caminhada do autoconhecimento. Assim como o autoconhecimento, o desenvolvimento da autoconsciência é também um factor determinante para qualquer mudança ou melhoria na qualidade de vida.

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publicado às 16:53

Raiva na estrada

por oficinadepsicologia, em 29.07.12

Autora: Marta Gonçalves Porto

Psicóloga Clínica

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Marta Gonçalves Porto

 

Os fenómenos de condução agressiva e road rage (raiva na estrada) aumentam exponencialmente o risco de colisão e a pertinência da abordagem destes temas prende-se com a elevada quantidade de acidentes graves de viação que resultam em ferimentos graves e vítimas mortais.

 

Segundo Leon James, psicólogo norte-americano especializado nas componentes cognitiva e comportamental relacionadas com os fenómenos supracitados, as pessoas tornam-se automática e potencialmente mais agressivas pelo facto de se sentarem ao volante de um automóvel, devido à incapacidade de resistir à provocação e ao desejo de retaliação. Segundo o autor, as pessoas canalizam as suas frustrações para o trânsito, abordando os outros condutores como se fossem apenas automóveis e não como seres humanos, colocando-se em primeiro lugar. Neste sentido, o condutor percepciona a sua viagem tendo em consideração apenas os seus desejos e necessidades, não respeitando os interesses de cada um dos utentes que circulam e que se encontram igualmente a fazer a sua própria viagem.

 

Diane Nahl, colaboradora de James, acrescenta que a raiva e o descontrolo emocional estão relacionados com a ideia de morte, sendo que na condução existe um número muito elevado de estímulos que nos remetem inconscientemente para o perigo de vida. Este factor, aliado à procura de excitação, impaciência, aborrecimento, hostilidade e/ou pressa, contribui para o despoletar de um comportamento agressivo e uma abordagem baseada na raiva no que diz respeito à condução.

 

Em Portugal, deparamo-nos com uma intensa escassez de estudos neste âmbito. De acordo com Mário Horta, director do Departamento de Prevenção Rodoviária Portuguesa, a frustração pode contribuir para que o sujeito se veja a si próprio como parte do veículo, fazendo com que o indivíduo tenha uma falsa sensação de poder e até de omnipotência.

 

Nesta perspectiva, a falsa percepção de controlo por parte dos condutores agressivos dificulta o reconhecimento dos seus erros, diminuindo a probabilidade de adopção de uma condução mais defensiva, contribuindo para a perpetuação da agressividade ao volante.

Quando um condutor impede, por exemplo, a passagem a outro, despoleta na pessoa a quem foi negada a passagem, a evidência da sua impotência, sendo que a ilusão de controlo é desvanecida, dando lugar ao aparecimento da agressividade como resultado dessa frustração.

É importante referir que o anonimato e a atribuição a causas exteriores (trânsito congestionado, reacções de outros condutores) contribuem para que o condutor agressivo se sinta confortável para assumir determinados comportamentos em que relega o outro para segundo lugar, podendo colocar a sua vida e a do outro em causa.

 

A influência social contribui igualmente para a reprodução de comportamentos agressivos na estrada, uma vez que o efeito cumulativo de situações diárias caracterizadas pela hostilidade e a sensação de impunidade, promovem uma cultura de desrespeito nas estradas.

Após uma revisão teórica da condução agressiva, torna-se fulcral referir o que podemos fazer na prática para transformar os comportamentos agressivos na estrada em comportamentos que espelhem uma condução defensiva, promotores de um viagem segura e serena.

Assim, antes de iniciar a condução, é importante estar ciente de que vai praticar uma tarefa potencialmente perigosa e que exige a sua plena atenção. Nesta perspectiva, é fundamental ter em consideração os seguintes aspectos:

  • respeito pelas regras e sinais de trânsito;
  •  regulação da velocidade em função das circunstâncias;
  •  distância de segurança;
  •  não ingerir bebidas alcoólicas ou fármacos que afectem a condução;
  • ouvir música calma;
  • utilizar a buzina correctamente;
  • evitar conduzir se estiver perturbado emocionalmente;
  • conceder aos outros condutores tempo para procederem às suas manobras;
  • pedir desculpa perante um erro.

 

Para quê a agressividade?

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publicado às 11:41

O ninho vazio: quando os filhos saem de casa

por oficinadepsicologia, em 25.07.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

A síndrome do “ninho vazio” refere-se a sentimentos de depressão, tristeza e dor que os pais experienciam quando os filhos deixam as suas casas de família.

 

As mulheres são geralmente as mais afectadas, contudo isso não quer dizer que os homens sejam completamente imunes à síndrome do “ninho vazio”. De facto, os homens também podem vivenciar os mesmos sentimentos de perda com a partida dos filhos e também passam por um período de adaptação, mas as suas reacções podem ser diferentes e não têm forçosamente de espelhar as da mulher.

Mas independentemente das razões dos filhos para cortarem o “cordão umbilical” com os pais – a ida para a faculdade, talvez casar ou simplesmente mudar de cidade para começar a trabalhar, a situação provoca em nós um carrossel de emoções. E que conjunto de emoções!

Para além dos inevitáveis sentimentos de perda, todos nós enfrentamos esta transição com ansiedade, stress e alegria. Não sabemos se havemos de celebrar a nossa nova liberdade ou se chorar pela temida solidão. Podemos sentirmo-nos alegres e tristes, confiantes e medrosos, optimistas e cheios de preocupações e tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo e num só dia, o que é perfeitamente normal.

 

Mas a saída de casa dos filhos não tem de ser sinónimo de crise, na prática trata-se de um estádio natural do nosso ciclo de vida, de uma mudança que a maioria de nós desejou para si próprio e que espera que os filhos mais tarde ou mais cedo também alcancem.

 

Já pensou que quando um filho está pronto para sair de casa, isso geralmente significa que nós como pais, fomos bem sucedidos a educá-lo de modo a ele ser auto-suficiente e independente – uma das tarefas seguramente mais importantes que temos como educadores? Já pensou que com a partida dos filhos também você merece um voto de parabéns? Sim, parabéns por ter criado o seu filho/filha de modo a que ele/ela seja capaz de ser dono de si e da sua própria vida.

 

Apesar de tudo isso, não conseguimos deixar de ser invadidos pela ansiedade, pelo stress e por alguma tristeza. Sempre que isso sucede, talvez ajude pensar noutros momentos em que deixou o seu filho ir por si e no quanto essas situações ensinaram a ambos lições importantes. Talvez a primeira vez que deixou o seu filho sozinho foi quando ele ficou a dormir em casa dos avós, para poder ir fazer aquele programa que há muito não fazia, ou quando o convite da festa de aniversário de um amiguinho excluía os adultos ou simplesmente quando o deixou pela primeira vez no infantário. Depois disso, houve muitos outros momentos em que o deixou aventurar-se por si próprio, munido com as ferramentas e valores que lhe passou para ser bem sucedido. Provavelmente nem sempre foi fácil nem tranquilo, mas o facto de o ter deixado ir significou que confiava que nele, que acreditava que ele tinha aprendido com as experiências anteriores e/ou sabia lidar com as circunstâncias do presente e sair delas com uma sensação de conforto e satisfação.

 

Acresce que quando os filhos saem de casa também o nosso papel como pais muda. Deixamos de estar fisicamente presentes, para passarmos a ter uma presença mais remota e distante. Provavelmente deixamos de saber como foi o seu dia-a-dia, assim como deixamos de saber se hoje estava alegre ou triste. Mas isso não significa que o nosso papel de pais desapareça, de facto ele mantém-se, mas de um modo distinto, o que requer um ajustamento da nossa parte, um ajustamento que é absolutamente necessário e no interesse do jovem.

 

Como sobreviver a este tempo de mudança?

O stress e a ansiedade podem tornar-nos irritadas, deprimidas e auto-centradas, o que pode conduzir a zangas com o companheiro. É importante ter a noção que ambos estão a passar por uma fase de adaptação que é difícil. A melhor coisa que podem fazer um pelo outro é ouvir, dar o ombro para o outro se encostar e ser tolerante e apoiante. Para aqueles que são pais “solteiros”, é importante que possam contar com amigos e familiares para ajudar. Também encontrar outras pessoas que estejam a passar pela mesma fase de vida com quem falar, pode ser uma boa alternativa.

 

Não se esqueça de ouvir o seu filho e procure perceber em que é que ele precisa e em que é que ele não precisa de si. Tente compreender qual é a ideia dele acerca da nova relação convosco. É importante dar apoio e encorajá-lo. Faça-lhe saber que apesar de ser uma nova fase da vida dele, que acredita que vai ser bem sucedido. É importante que tentar relacionar-se com ele de um modo adulto.

 

E não se esqueça que agora chegou o momento para tomar conta de si, para se nutrir de todas as formas que lhe fazem sentir-se bem. Pode-lhe apetecer ir ao ginásio, aprender a pintar ou uma nova língua, relacionar-se com amigos antigos ou fazer novos amigos, voltar à escola, arranjar um trabalho ou ser voluntário. Há tantas coisas que pode fazer por si, basta sentar-se e pensar nisso. Pode igualmente envolver-se em projectos que teve de deixar de lado – projectos como ter a casa organizada, ir de viagem ou arrumar álbuns de fotografias.

 

A saída de casa de um filho marca o inicio de uma nova fase, não só para ele, mas também para si. Procure olhar a vida noutra perspectiva e explore coisas novas ou tão somente as antigas que ficaram em stand-by, mas acima de tudo dê a si mesma um intervalo, permita sentir-se triste, alegre, optimista, receosa ou qualquer que seja a emoção. E lembre-se que não está sozinha.

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publicado às 14:31

O calor da humanidade

por oficinadepsicologia, em 24.07.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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Antonio Norton

Como sair da depressão? Se ajudar o outro ajuda-se a si!

Quando falamos de depressão falamos de uma estado de lassidão, de falta de energia anímica, de motivação, falta de vontade de lutar e de enfrentar os desafios que a vida, continuamente, coloca.

Falamos de uma anulação do investimento que a pessoa faz sobre si mesma. De algum modo, deixamos de acreditar em nós mesmos.

Quando penso em depressão, surge-me a ideia de subnutrição de afecto e de encurralamento. Alguém deprimido, é alguém que sente que chegou ao "fim da linha" e que não existe nem nunca existirá uma saída.

Gostaria de reflectir sobre a ideia de subnutrição de afecto. Quando estamos deprimidos sentimos uma carência de afecto. É como se estivéssemos fechados sobre nós próprios. É como se nada tivéssemos para dar e como se as outras pessoas à nossa volta não existissem. Estamos, pois, afundados num poço escuro.

 

Como sair deste buraco? Como encontrar alguma luz?

As nossas emoções são o principal responsável pela forma como percepcionamos a realidade que nos rodeia. Quando nos sentimos tristes e desamparados, fechados sobre nós mesmos, é natural que vejamos a nossa vida como um lugar cinzento onde não apetece estar, viver, sentir, ser.

Estamos desvitalizados, murchos e sem vida...

O que é preciso? O que fazer?

 

Na minha opinião de Psicólogo Clínico algo de extrema importância para a resolução do quadro negro que apresento é o contacto humano, o toque humano, o sentir que o outro nos quer bem e nos valoriza. Se estivermos abertos ao outro poderemos reciclar-nos emocionalmente. A espontaneidade de alguém que vive e está noutro "comprimento de onda" poderá ser um tónico para abalar a nossa rigidez depressiva. O rir, o brincar, a espontaneidade, a partilha que outro ser humano nos pode proporcionar poderá abalar e contribuir enormemente para colorir o nosso mundo interno.

 

Com isto quero dizer que é muito importante conviver! Estar com outras pessoas. O isolamento na depressão agrava o quadro. A nossa ruminação depressiva apodera-se de nós, vivemos totalmente encerrados e cada vez o nosso mundo fica mais negro.

Mas mais importante que o convívio é a partilha de significativas experiências no contacto humano. Se estamos deprimidos muitas vezes saímos e procuramos conviver mas, como estamos “negros”, as nossas interacções e partilhas redundam em futilidade e superficialidade. Se nos encontramos simplesmente por encontrar e se não damos nada de nós, é natural que o outro se torne aversivo.

O que é importante é ter experiências de contacto humano, ricas! Muito ricas!

 

E com esta ideia gostaria de introduzir a importância de nos sentirmos úteis! De podermos ajudar o próximo! Poder e conseguir ajudar outra pessoa, é algo extremamente valioso. Se sentirmos que alguém estima e reconhece esta ajuda, a nossa auto-estima começará a modificar-se!

Se agradecerem a nossa ajuda com uma palavra, com um olhar ou com um gesto, a nossa auto-estima muda!

O importante é ajudar!

E por vezes, para ajudar nem é preciso falar muito. Quando estamos muito deprimidos não desejamos falar. Tudo nos cansa. Então, podemos simplesmente ajudar com gestos ou com acções.

 

E como podemos ajudar?

Eu proponho acções de voluntariado, de humanismo, de partilha, de dar e receber!

Existem inúmeras acções de voluntariado espalhadas pelo país.

Vou deixar aqui uma lista delas:

http://www.fundacaoeugeniodealmeida.pt/banco-voluntariado/areas.asp

Esta é apenas uma de inúmeras listas de voluntariado que existem.

 

Quando você ajuda outro ser humano, também se ajuda a si mesmo.

Quando você faz bem a outra pessoa, também faz bem a si mesmo.

O amor que dá ao outro, é o amor que dá a si.

E quando se sentir nutrido afectivamente começará a ver o mundo de outra forma. O negro e o cinzento deixarão de ser as cores dominantes do seu mundo interior. Vai sentir-se melhor! Acredite!

Vai conhecer pessoas sem segundas intenções que estão na onda de ajudar e que vão transmitir-lhe energia positiva.

 

Mudando o outro, muda-se a si mesmo.

Pense nisto.

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publicado às 16:06

Mastigação Nocturna

por oficinadepsicologia, em 22.07.12

E-mail recebido

 

Caros Srs.

De há algum tempo para cá tenho sido alertada pelo meu parceiro para o facto de, durante o sono, parecer mastigar pastilha elástica. Segundo ele passo todo o sono a "mastigar". E também a atirá-lo cama fora. Ao que parece reclamo a cama para mim. Mas de manhã não me recordo de nada.
Em média sempre durmi umas 5/6h por noite no máximo. Não consigo dormir mais.
Que eu me lembre nunca tive este tipo de comportamento durante o sono, pelo menos que alguém me tivesse alertado.

Com os melhores cumprimentos
C.

 


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publicado às 12:53

De pequenino se educa o paladar

por oficinadepsicologia, em 17.07.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

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Filipa Jardim Silva

A ingestão de água pode mudar a forma como comemos. Pelo menos, esta é a conclusão de uma investigação publicada no Jornal Científico Appetite e dirigida por Bettina Cornwell da Universidade de Oregon e por Anna McAlister da Universidade Michigan State. Estes resultados vêm reforçar outros trabalhos feitos anteriormente e indicações nutricionais persistentemente dadas nos últimos anos.

 

O artigo apresenta dois estudos distintos. Um envolveu uma amostra de 60 jovens adultos americanos, com idades entre os 19 e os 23 anos e debruçou-se acerca do papel das conjugações entre bebida e comida. O segundo estudo foi feito com 75 crianças americanas de idade pré-escolar (3 a 5 anos) e visou determinar o papel das bebidas no consumo de vegetais.

 

Os participantes mais velhos, podendo escolher, elegeram a combinação de refrigerantes acompanhados por comidas mais calóricas e salgadas em detrimento de legumes. Na experiência feita com as crianças, observou-se que estas comeram mais vegetais crus (cenouras e pimentos vermelhos) quando servidos com água do que quando acompanhados por uma bebida adocicada. Estes resultados evidenciam a influência da escolha da bebida servida à refeição na seleção e quantidade de alimentos ingeridos.

 

Segundo a professora Cornwell, as nossas preferências de paladar são fortemente influenciadas pela exposição repetida a determinadas comidas e bebidas. Desde uma idade precoce as crianças habituam-se a associar bebidas doces e calóricas a comida salgada e gordurosa. Por exemplo: quando se come batatas fritas com um hamburger o acompanhamento tende a ser um refrigerante, mas se pensarmos numa bebida a acompanhar sopa talvez surja água. Percebe-se como a escolha da bebida tende a influenciar a seleção da comida, o que exalta o impacto das decisões feitas pelas famílias à hora da refeição bem como a urgência em sensibilizar cantinas escolares e mesmo restaurantes.

 

Torna-se, assim, claro que existem inúmeros ganhos em fazer acompanhar as refeições apenas por água, com vista a permitir que o paladar se diversifique em pleno e não se habitue à intensidade de alimentos açucarados ou salgados, fixando-se nessas escolhas em detrimento de outras mais saudáveis. Esta simples mudança na alimentação diária pode ter um impacto significativo no combate ao problema crescente da obesidade, tanto em crianças como em adultos. Mudanças pequenas e consistentes como esta tornam-se fundamentais quando nos recordamos que a Organização Mundial de Saúde designa a obesidade de “epidemia do século XXI” e de que o custo indireto total da obesidade em Portugal, no ano de 2002, foi estimado em cerca de 200 milhões de euros (Pereira & Mateus, 2003). Quando hoje for preparar as suas refeições lembre-se: disponibilize apenas água para si e para as suas crianças. Reduzirá nas despesas ao final do mês e ganhará em saúde!

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publicado às 11:01

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

De modo quase surpreendente a dimensão da nossa pupila dá indicações preciosas e objectivas sobre a nossa letargia e o nosso grau de privação do sono.

 

A medida chamada de pupilometria é muito utilizada em investigação – de facto não só a dimensão da pupila, mas também a forma como esta muda pode ter significado.

 

A dimensão da pupila é afectada pela acção do sistema nervoso. Durante os períodos de repouso ou inversamente durante os períodos de actividade e activação esta influência muda. Se está activo o sistema nervoso simpático entrará em acção e as suas pupilas dilatam-se, permitindo que mais informação seja percepcionada e assimilada. Durante os períodos de descanso e relaxamento o sistema nervoso parassimpático complementarmente entrará em acção, fazendo com que as pupilas retomem o seu estado por defeito e se tornem assim mais pequenas.

A investigação demonstrou que existe uma forte relação entre a privação de sono, o tamanho da pupila e a sua estabilidade. Um indivíduo bem descansado consegue manter a pupila constante na escuridão durante 15 minutos. À medida que aumenta a nossa privação de sono, a dimensão da nossa pupila fica menos estável, isto é oscila entre ficar subitamente muito grande ou pequena, em vez de manter a dimensão.

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publicado às 17:24

Ser um bom ouvinte não chega!

por oficinadepsicologia, em 15.07.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Existem pessoas que são extraordinários ouvintes! Ouvem qualquer um, sem ansiedade, com calma, com disponibilidade emocional, com afecto, com interesse. E não são psicólogos! Existem pessoas que, verdadeiramente, transmitem a sensação de que estão atentas ao que falamos e transmitimos.

 

Mesmo assim, alguns destes excelentes ouvintes não chegam a criar relações fortes de amizade.

Mas porquê? O que é que lhes falta? Ouvem tanto! Estão lá sempre!

 

É que ouvir não basta. Uma relação de amizade saudável vive da reciprocidade, da partilha, da troca de experiências, testemunhos, vivências. Uma relação de amizade não vive de monólogos em que se criam relações de cuidador.

Eu gostaria de reflectir sobre esta dinâmica relacional entre uma pessoa que está continuamente no papel de ouvinte e não é psicólogo!

Sublinho esta ideia de se ser um bom ouvinte e não se ser psicólogo.

 

Um psicólogo é uma pessoa que está disponível para ouvir uma outra, é alguém que apresenta uma enorme disponibilidade para estar com outro ser humano. Não é suposto um psicólogo falar sobre si mas antes estar disponível para o outro. E neste sentido não estamos a falar de uma relação de amizade, mas sim de cuidador.

 

Voltemos às relações ditas de amizade em que existe uma rigidez no papel de ouvinte...

Se alguém faz da sua relação com o outro uma dinâmica em que apenas ouve, então essa relação é desequilibrada. Não há reciprocidade e existe uma polaridade disfuncional.

 

O que faz uma pessoa ser, continuamente, ouvinte? Quando alguém se coloca no papel de ouvinte está disponível para o outro e sente-se valorizado por estar a ajudar. Quanto mais é reforçado e elogiado pela sua qualidade de bom ouvinte, mais tenderá a procurar esse espaço relacional no contacto com outro. Passa a criar relações de intimidade valiosas. De certo modo, começa a conhecer muito bem as pessoas que vai ouvindo.

 

Mas aqui coloco uma questão: Quem se coloca no papel de ouvinte conhece o outro, mas até que ponto o outro, conhece o ouvinte? Até que ponto o ouvinte não esconde a sua intimidade, as suas idiossincrasias, as suas necessidades pessoais, o seu mundo interno, ao colocar-se neste papel?

Ouvir é bom, mas também é bom que alguém nos ouça! Muitas vezes as pessoas que nas dinâmicas de amizade assumem o papel rígido de ouvintes têm medo de se expor, de revelar a sua pessoa. Simplesmente, quanto menos se expuserem também menos se darão a conhecer e a relação ficará cada vez mais desequilibrada.

 

Existe tempo para ouvir e tempo para ser ouvido! As relações de amizade criam-se com a partilha dos mundos de cada um, com a troca, a reciprocidade. Eu dou de mim e tu dás de ti. Tu conheces-me e eu conheço-te.

Se houver esta partilha, então haverá um espaço relacional, de conhecimento  e poder

-se-à estabelecer uma relação de amizade.

Se notar que apenas ouve e tem alguma rigidez na defesa deste papel – o do ouvinte – então, pense sobre o que o faz ser assim e quais as vantagens e desvantagens da sua atitude.

 

É bom ouvir, mas também é bom sermos ouvidos!

Pense nisto!

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publicado às 12:38

Contos terapêuticos: Ep 2: A História do Afonso

por oficinadepsicologia, em 14.07.12

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Fabiana Andrade

Olá a todos!

Espero que tenham lido e gostado do primeiro episódio dos Contos Terapêuticos.

Para quem não leu o primeiro artigo, fica aqui a breve explicação desse projeto: os Contos Terapêuticos são um apanhado de várias temáticas que surgem diariamente nos consultórios da Oficina de Psicologia. Para falar dessas temáticas, criei personagens que representam muitas pessoas com quem trabalhei ao longo dos anos. Dessa forma, espero que o leitor se possa identificar com um ou mais personagens, e assim, beneficiar das estratégias utilizadas por eles.

Boa leitura!

 

Afonso tem 35 anos e chega ao consultório com queixas de ataques de pânico e fobias a lugares fechados.

É um homem inteligente, bem-sucedido profissionalmente, solteiro. Passa-me uma energia de tristeza, apesar de não existirem manifestações óbvias dessa emoção.

 

Ao longo das sessões começo a observar que Afonso tem crises de pânico em momentos específicos, mas vive também constantemente num estado de medo, tensão e antecipação.

Exemplos de situações descritas nas sessões:

- cada vez que tenho uma situação de maior pressão no trabalho, a minha cabeça começa a fazer a antecipação de vários cenários possíveis, fico muito ansioso e não consigo decidir qual a melhor solução

- sinto-me constantemente em piloto automático, já não sei o que me dá prazer; sinto-me preso, comprei uma casa e um carro mas não me sinto feliz, trabalho e ganho bem mas não gosto do que faço

 

Comecemos então com o primeiro exemplo. Afonso descreve que em situações onde se sente pressionado, o seu pensamento começa a divagar em direcção ao futuro, criando cenários possíveis.

 

Esse funcionamento é descrito muitas vezes por clientes que sofrem de ansiedade. Como antecipam vários cenários que não estão a acontecer, ficam muito indecisos e desligados da realidade, do que está de facto a acontecer.

 

Com o Afonso, trabalhamos com Meditação Mindfulness, que é exatamente a observação do que está a acontecer na realidade, quer ao nível do seu pensamento, como na sua emoção e no seu corpo.

 

Assim, sempre que se sentia numa situação de pressão fazia o seguinte exercício: parar, respirar algumas vezes profundamente e em vez de criar cenários possíveis, perguntar a si mesmo, “o que está a acontecer agora?”. Observava o corpo, o pensamento e a emoção e desses três canais, retirava a informação suficiente para tomar uma decisão.

 

Fazendo muitas vezes esse exercício, Afonso percebeu que a antecipação de cenários tinha na base uma grande insegurança nas suas próprias capacidades. Queria prever todas as possíveis situações para se sentir mais seguro. Quando ao ouvir as suas próprias pistas, no presente, se deu conta de que tinha nele a capacidade de decidir, as antecipações ficaram cada vez menos presentes.

 

Quanto ao segundo exemplo, o que eu sentia nas sessões com ele, era um desligamento, como se Afonso não tivesse acesso às suas emoções e por isso, elas não estavam a ser ferramentas necessárias para que ele pudesse fazer mudanças em sua vida.

Depois de perceber que era isso que estava a acontecer consigo, começamos a trabalhar numa lógica de transformar esse modo de ser.

Ao fazermos exercícios de visualização, relaxamento e meditação, fomos capazes de aceder às emoções de Afonso.

A primeira que apareceu foi a zanga. Começamos a falar com a parte de si que estava zangada, Afonso fechou os olhos, respirou e começou a imaginar um diálogo entre ele e a sua parte zangada:

Eu – Afonso, se essa zanga que surgiu pudesse falar, o que diria?

Afonso – diria que quer sair desse sítio, que está farta, que não gosta dessa vida!

De seguida, ao ter consciência da mensagem que estava a passar a si mesmo, Afonso sentiu tristeza.

Eu – e essa tristeza, o que diria?

Afonso – diria que não aguenta mais, parece que eu estou a servir à minha vida e não a minha vida a servir à mim. Não sei como sair disso, sinto-me preso.

Eu – Afonso, se pudesse dizer algo à essa parte de si que está triste, o que diria?

Afonso – vais conseguir, calma, estou aqui e vou te ajudar. Tu és forte..

Eu – além de força, que outros recursos tem?

Afonso – inteligência, sensibilidade, motivação..

 

Depois desse diálogo, Afonso não só sentiu uma série de emoções que estavam bloqueadas e que são uma mais-valia na orientação que pode dar à sua vida, mas também compreendeu que estava completamente “surdo” para si mesmo.

 

Que não “ouvia” quais são as capacidades que tem para gerir a sua vida e isso, o deixava constantemente inseguro. Como estava sempre inseguro, tentava ir buscar fora de si mesmo garantias de que tudo iria correr bem. Como recursos externos nunca nos dão garantias de nada, ele vivia num constante estado de insegurança e ansiedade, passando a estar preso num comportamento de “servir à vida”.

Ao conectar-se consigo mesmo, com as suas emoções e ferramentas, ele passou a gerir a sua vida de acordo com a sua felicidade, vivendo no presente e deixando que suas capacidades surgissem à cada novo desafio ou obstáculo.

 

Deixou de se sentir preso ao mundo que ele mesmo criava e que era apenas ilusoriamente seguro. Abdicou desse controle irreal e passou a ter o único controlo real, aquele que é possível a cada momento, que é controlo que temos sobre nós mesmos, sobre o que queremos ser e como queremos viver. O incontrolável já está resolvido à partida!

 

Com o trabalho de transformar um funcionamento ansioso, num outro que vive no presente, e com a conexão com as próprias emoções, Afonso conseguiu criar os recursos necessários para gerir a sua vida. Decidiu mudar e sair do trabalho que não lhe preenchia, para abrir seu próprio negócio. Protegeu-se de medos e pensamentos negativos que boicotavam seus sonhos e focou-se nas suas capacidades e recursos. Hoje é um homem mais feliz!

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