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Quando partiste...

por oficinadepsicologia, em 31.08.12

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

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Ana Crespim

Não pude deixar de ganhar raiva ao sol… Por que é que ele continua a erguer-se todos os dias se já não estás? Odeio os rios… porque continuam a correr quando já não podes andar? Não quero ouvir o canto dos pássaros… porque é que o fazem quando tu já não podes falar? Mas sobretudo, odeio-me a mim mesma! Odeio-me porque estou viva e tu não, porque não te disse aquilo que sentia, partindo do princípio que teria ainda muito tempo para o fazer… mas estava errada… por vezes até, odeio-te a ti, porque partiste sem avisar, sem olhar para trás e deixaste-me aqui sozinha, obrigada a continuar, quando não o quero, não o desejo… O mundo ficou mais pobre no dia em que partiste… e eu… fiquei incompleta, pois enterrei contigo um bocado de mim”.

                                                                                                                                                                         Anónimo

 

 

Quando perdemos alguém, ficamos de luto para o mundo, tudo perde o sentido, a piada. Não é só a pessoa que faleceu que parte, toda a nossa alegria, força e vontade de viver, muitas vezes, parecem ter partindo com ela.

Familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos, chegam-se a nós, sobretudo durante aqueles dias que medeiam entre o falecimento e o dia que se segue ao funeral. Parece que nem temos espaço para respirar… Não nos deixam… As frases que proferem, repletas de boa vontade, são todas retiradas do mesmo manual e vão todas bater ao mesmo ponto: “Tens que ser forte”; “Tens que continuar… ele(a) não iria gostar de te ver assim”. E quase que sentimos não dever chorar, como se nos retirassem esse direito ao associá-lo à fraqueza, afinal “tens que ser forte”. Numa situação de luto, patológico não é chorar e deprimir. Patológico é agir como se nada fosse e adiar o sofrimento: “agora não, penso nisto depois”. Já viu o que acontece quando chove? As ruas ficam mais limpas, as árvores parecem brilhar, as flores ganham vitalidade. Quando choramos, acontece algo parecido, só que dentro de nós. As lágrimas, tal como a chuva, têm o poder de “limpar”, não o que nos rodeia, mas a nossa alma. São uma forma de descarregar, não as nuvens, mas a nossa dor, a nossa tristeza.  

 

É esperado, e até saudável, deprimir perante uma perda. Mas seguem-se os dias mais difíceis. Contrariamente ao que por vezes pensamos, os piores momentos, nem sempre são os da notícia da morte, do velório e do funeral. São os tempos que se seguem, em que somos forçados a constatar na realidade de cada dia, que aquela pessoa que tanto amamos já não está ali connosco, que já não podemos partilhar com ela as nossas vitórias, alegrias, tristezas e até as pequenas banalidades do quotidiano. É também aquela altura em que já não nos encontramos rodeados de tanta gente… e agora? O que faz com que algumas pessoas superem estes momentos com mais facilidade do que outras? Porque é que algumas parecem ficar “agarradas” a quem partiu sem conseguir seguir em frente?

 

Na próxima publicação, vou procurar abordar estas questões, explorando variáveis como as caraterísticas individuas e o contexto.

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publicado às 09:58

A deficiência e a família

por oficinadepsicologia, em 30.08.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

A chegada de uma criança com deficiência geralmente torna-se num momento bastante traumático e de mudanças, dúvidas e confusão. A maneira como cada família lida com esse evento influenciará decisivamente na construção da identidade do grupo familiar e, consequentemente, na identidade individual dos seus membros. O próprio grupo familiar é obrigado a desconstruir os seus modelos de pensamento e a recriar uma nova gama de conceitos que absorva a realidade.

 

A família tem o papel social de criar e desenvolver a individualidade, num sistema onde se busca a autorrealização dos seus membros. Com o nascimento de um filho com deficiência (física ou mental), a sua estrutura razoavelmente estável, a definição de papéis e o estabelecimento de regras, de acordo com os seus próprios valores, exige aos seus membros uma redefinição desses mesmos papéis, de acordo com os novos valores e padrões de comportamento, para se ajustarem ao novo estilo de vida. Na criação de novas regras, papeis e capacidades, a família, geralmente confusa, necessita de algum aconselhamento psicológico. No entanto, a maioria das famílias aprende através da tentativa e erro. A cada mudança, impacto ou crise, a família deverá ser restruturada.

O nascimento de uma “criança especial” traz muitas mudanças especiais. Na reação a esta criança podem surgir diversos tipos de reação:

- Encarar o problema de um modo realista;

- Negar a realidade da deficiência;

- Lamentações e compaixões dos pais, para com a sua pouca sorte;

- Ambivalência em relação à criança, ou seja, rejeição e projeção da dificuldade como causa da deficiência;

- Sentimentos de culpa, vergonha e depressão e padrões de mútua dependência.

 

Geralmente são vivenciadas fases distintas, de negação, adaptação e aceitação.

 

A primeira fase é de Negação. Os pais não querem acreditar no diagnóstico, não se encontrando a família preparada para conviver com algo dessa natureza. Até porque, a família esperava o nascimento de um bebé saudável, sem problemas. Os sentimentos de culpa, rejeição ou desespero, alteram as relações sociais da família e a sua própria estrutura. Os sentimentos de culpa e vergonha pela criança deficiente levam a que os pais se sintam culpados e envergonhados por os sentirem. Todas estas reações são comuns a todas as pessoas, perante situações de frustração e o conflito. Assim, muitos dos sentimentos destes pais são compartilhados por outros pais em diversas fases da sua vida. O receio da reação da família alargada, e da sociedade em geral, ligadas às dificuldades em conviver com as diferenças, leva a família a isolar-se. Algumas famílias lançam uma interminável busca por outros diagnósticos que possam negar a deficiência. Esta fase pode prolongar-se por dias, meses ou anos.

 

Depois desta fase, os pais começam a perceber que o seu filho apresenta necessidades que necessitam de ser atendidas prontamente.

Inicia-se então a segunda fase, de Adaptação, quando a família elaborou a perda (fez o luto) da “criança saudável” previamente concebida no imaginário familiar, começando a adequar-se ao diagnóstico, procuram informar-se e entender o mesmo. A família começa a perceber o deficiente como um ser humano genuíno, integral e pleno de significado.

 

Na fase da Aceitação acontece um maior e mais realista contacto com a criança e a sua deficiência. Os pais tronam-se mais participativos, procurando mais apoio, sugestões e esclarecimento. Alguns reconhecem que a tristeza e a frustração são sentimentos que devem ser encarados com naturalidade. Em geral ainda apresentam uma postura superprotectora, mas que com o tempo tende a diminuir.

Quando a criança com algum deficit deixa de ser vista pela sua deficiência e passar a ser entendida como uma pessoa integral, decorre um novo olhar, atitudes e posturas.  

 

Os pais podem entrar em contacto com a deficiência do seu filho de várias maneiras. Poderá ser muito antes de o bebé nascer, quando são feitos exames na fase pré-natal. Mas grande parte das deficiências é apenas diagnosticada após o parto.

Independentemente do momento em que os pais entram em contacto com a deficiência do seu filho, e de quão fortes e maduros possam ser, essa é sempre uma situação envolta em muita dor, medo e incerteza. Além da família, também os técnicos de saúde têm dificuldades em lidar emocionalmente com o diagnóstico e a sua transmissão aos familiares. As atitudes destes técnicos são tão diversas como:

- Omissão e transferência para terceiros (outros técnicos de saúde);

- Transmissão da notícia de forma destrutiva, como se os pais não devessem esperar nada da criança;

- Minimização dos problemas, prometendo um futuro fantasioso;

- Transmissão da notícia de forma impessoal e distante, sem explicações do problema e sem empatia.

 

O ideal é que o profissional tenha conhecimento técnico da sua área e que possa ter uma atitude de empatia com a família. A família necessita de ser informada e encaminhada para a resposta às necessidades da situação.

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publicado às 09:50

Gerir o tempo

por oficinadepsicologia, em 29.08.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

Muitas vezes parece que temos de nos desdobrar para arranjar tempo para tudo. É possível que sinta que o dia nunca tem horas suficientes, ou será que tem? Sabia que racionalizar aquilo que faz pode conceder-lhe tempo livre?

Ser-se “atento” ajuda-nos a reconquistar parte desse tempo. Aqui ficam algumas sugestões:

  • Convido-o a experimentar a tirar cinco minutos no início de cada dia para planificar e também dar uma vista de olhos ao impacto que o seu dia de hoje causará no resto da semana.
  • Se se sentir sobrecarregado de trabalho, examine com atenção o seu calendário diário e decida se está ou não a exigir de mais de si mesmo.
  • Estamos sujeito a diferentes biorritmos (ciclos de energia quando estamos mais ou menos produtivos). Na grande maioria das pessoas, a maior atividade cerebral atinge o auge antes do meio-dia, por isso resolva as tarefas difíceis entre as 8 da manhã e o meio-dia. Evite trabalhos difíceis à noite. A exceção a esta regra parece aplicar-se a algumas pessoas criativas que gostam de utilizar as sossegadas horas do período noturno para pensar. 
  • Delegue tarefas sempre que se justificar. Se tiver tendência para fazer tudo sozinho, reflita por que razão o faz.
  • Se verificar que está constantemente a interromper o trabalho para ir verificar os e-mails, o mais certo é distrair-se também na execução de outras tarefas. Experimente verificar apenas os seus e-mailsnum máximo de três vezes por dia a horas previamente definidas por si (de manhã, depois do almoço e antes de sair do emprego).
    • Não desperdice o seu tempo a pensar em desculpas para não ter ainda terminado uma coisa. Esconder-se por detrás de desculpas nunca resulta a longo prazo. Isso só lhe vai criar stress, incerteza a quem está do outro lado e consome uma quantidade valiosa de energia. 

 

Partilhe connosco outras alternativas que têm funcionado consigo.

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publicado às 09:41

Fluoxetina na ansiedade

por oficinadepsicologia, em 28.08.12

 

E-mail recebido

 

Bom dia equipa!

Ao realizar uma busca sobre sites fidedignos que me pudessem ajudar com algumas questões, encontrei o vosso.
Tenho 31 anos e aos 16 sofri de Distúrbio de Pânico associado a Depressão. Desde essa altura que tenho regularmente crises de ansiedade agudas e que entro e saio de quadros depressivos. Na altura não fui acompanhada por um psicólogo tendo apenas tomado um ampla gama de fármacos que pararam os sintomas mais graves mas não preveniram a sua reaparição. Desde alguns anos a esta parte, também influenciada pela minha própria formação em psicologia, tenho tido acompanhamento e tentado de todas as formas que conheço "ficar boa". Digo assim, "ficar boa" porque para mim é como se tivesse uma espécie de entidade maligna dentro do meu peito. Que me engana, me impede de ver, de sentir, de viver "normalmente". Enfim, todos aqueles sintomas típicos mas que experimentados são tão mais aterradores e assassinos do que quando os lemos num livro da especialidade.
A minha questao prende-se essencialmente com o uso da Fluoxetina. Comecei a usar este farmaco há uma semana por primeira vez.  Não sei se todas as pessoas que sofrem ansiedade ou depressão passam pela rejeição aos fármacos mas eu passei. Preconceito, medo etc. Agora "rendo-me" e estou a iniciar a conselho da minha psiquiatra a fluoxetina. Gostaria de saber a vossa opinião sobre o seu uso em quadros de ansiedade e depressão com uma duração de muitos anos, Também referir que desde que comecei a tomar aumentou bastante a minha ansiedade, tenho rigidez muscular principalmente nos ombros e braço direito e tenho insónias. Vejo pelo folheto que é normal mas como poderei baixar a ansiedade até que comece a fazer efeito? Coloco estas questões porque as consultas de psiquiatria e psicologia  aso espaçadas no tempo e apenas voltarei no fim do mês, vivo fora de Portugal. Não sei se este tipo de questões são as que se colocam no vosso site, de qualquer forma muito obrigada!
R.M.


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publicado às 21:14

Amores de Verão

por oficinadepsicologia, em 28.08.12

Autora: Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

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Catarina Mexia

O período estival é sinónimo de liberdade do corpo e do espírito. Sinónimo de despreocupação, as férias são, para muitos, ricas em aventuras e encontros amorosos. Mas serão estes amores feitos para durar?

 

Mais do que a Primavera, o Verão é, por excelência, a época dos amores. E a razão por que isso acontece não deriva do acaso. Existem diversas teorias e condicionantes que parecem contribuir.

 

Redescobrir o corpo. Durante o ano os relacionamentos amorosos têm falta de sensualidade. As inquietações, o stress e a fadiga são os piores inimigos do desejo e a chegada do Verão revela-se o momento ideal para acordar uma libido adormecida pelos dias mais frios. O corpo, finalmente descoberto das roupas de Inverno, revela-se nas suas formas, cores e odores que despertam sensações e atracções. Geralmente apresentam-se peles bronzeadas, sem rugas de preocupações, distendidas pelo conforto da liberdade de movimentos.

Associada a esta exposição corporal parece estar a teoria que diz sermos ainda influenciados pelas feromonas, hormonas associadas à atração e disponibilidade sexuais, especialmente importantes nos animais não racionais. Para nós terão passado para segundo plano, mas muitos cientistas creem que ainda têm um papel muito importante nos mecanismos de atração entre humanos.

Verdade ou não, o que parece é que o calor favorece a libertação de odores corporais que incluem estas hormonas a que inconscientemente continuamos sensíveis.

 

Tempo livre. Suspender a monotonia do quotidiano, interromper rotinas, autorizar-se a fazer nada, tirar partido das horas extra de luz, sair e passear, tudo nesta altura parece contribuir para reencontrar o gosto e a disponibilidade para estar com outras pessoas. A época de Verão é eleita pela maioria de nós para gozar as merecidas férias grandes. Sem imposição de horários, esquecemos os pequenos males do quotidiano que nos deixam de mau humor e subitamente descobrimos ter tempo para cuidar de nós, o que nos deixa agradavelmente felizes e bem dispostos. Interessa-nos pouco mais do que o dia-a-dia e mesmo as situações sociais daqueles que conhecemos são irrelevantes. Provavelmente travamos conhecimento com pessoas que nos agradam, mas que em circunstâncias normais nunca teríamos conhecido. A rotura do momento propicia a união de duas pessoas que fora deste tempo certamente nunca se encontrariam. O que conta é o prazer de estar junto.

 

Uma questão de luz. O sol influencia todos os nossos comportamentos. Dependemos totalmente da sua luz para o nosso metabolismo e biorritmos. Em países em que predominam as horas de luz e a presença do sol a expressão emocional é mais expansiva, como nos países latinos, enquanto que nos países do Norte da Europa, por exemplo, com menos horas de sol, essa característica é mais contida.

Estas são algumas das condições que o Verão e as férias reúnem para que o amor "ande no ar", especialmente o amor romântico, efémero por natureza. Mas raramente estes amores perduram até à estação fria. Ainda que o amor de Verão seja intenso e muitas vezes recíproco, raramente resiste à prova do tempo, da distância e da realidade. Quando estas contingências regressam, muitas vezes assistimos a verdadeiras transmutações do outro. Aquele que tinha agradado pela sua espontaneidade, alegria de viver e capacidade de aventura modifica-se radicalmente. O seu penteado torna-se mais formal, as suas roupas transformam-se em verdadeiras carapaças, máscaras que tem de envergar para enfrentar a sua profissão.

Apenas alguns encontros extraordinários parecem resistir ao fim do Verão. Mas serão eles capazes de resistir à distância?

 

Longe da vista. Além do Verão ter acabado, a distância geográfica também é uma realidade em muitos amores de Verão e pode ser uma vantagem que ajuda a manter uma relação que tanto prazer deu, não só porque mantém o drama, como evita o desgaste. Permanece a incerteza, a impaciência da espera de um sinal do outro. A alegria dos reencontros predomina e muda o humor, pois são tão raros que há que aproveitá-los bem.

A distância tem ainda a virtude de não favorecer a rotina. Estar fora de contacto impede que os hábitos de casal se instalem, tornando cada encontro uma oportunidade para novas descobertas. Os assuntos de conversa nunca se esgotam. Mais: esta distância permite continuar uma vida de celibatário, sem a necessidade de estar comprometido ou de fazer cedências imediatas.

Suspender a monotonia do quotidiano, interromper rotinas e autorizar-se a fazer nada, tudo no Verão parece contribuir para reencontrar o gosto e a disponibilidade para estar com outras pessoas.

E evita discussões, porque raramente os elementos do casal estão em "dia não". Vêem-se tão pouco que não faz sentido estragarem tudo com críticas ou desentendimentos.

Mas o reverso da medalha existe e revela-se quando impede a criação de hábitos de partilha característicos e necessários numa vida de casal, como, por exemplo, conhecer verdadeiramente a pessoa por quem nos apaixonámos no Verão. Mesmo que a maioria dos romances de Verão não dure, a verdade é que não nos devemos privar deles, até porque nos permitem aprender a conhecer e experimentar outras características que desconhecíamos em nós.

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publicado às 11:08

Resolver problemas e tomar decisões

por oficinadepsicologia, em 25.08.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

 

Pergunto-me como seria a vida sem ter necessidade de resolver problemas ou tomar decisões. São realidades que não podemos camuflar, ou será que podemos? Deparamo-nos todos os dias com escolhas que temos de fazer. As pessoas que não têm escolhas, ou que acham que não têm, são as mais propensas aos efeitos do stress. Deixo-vos algumas sugestões que podem facilitar o processo de tomada de decisões e suavizar o problema.

  • Mude a utilização da palavra “problema” para “desafio” e da expressão “resolver problemas” para “tomar decisões”.
  • A vida está cheia de “ses”, “es” e “mas”, que complicam a tomada de decisões. A parte mais difícil é muitas vezes o processo efetivo de chegar a uma decisão. Assim que chegar a esse ponto, normalmente ele vai parecer-lhe bastante fácil. Quando tomar uma determinada decisão, não desperdice energia preocupando-se com o que poderia ter acontecido se tivesse escolhido seguir por outro caminho.
  • Habitue-se a detetar e mudar as ideias que podem ser limitadoras. Pensamentos como “Não sou bom nisto” ou “Não entendo isto” podem ser prejudiciais. Eles vão limitar o seu potencial e o seu prazer.
  • Uma das principais razões por que as decisões podem ser difíceis de tomar é por causa daquela vizinha tagarela dentro da cabeça que diz: “E se alguma coisa corre mal?” ou “E se eu fizer a escolha errada?”. Em vez disso pode questionar-se: “Qual é a pior coisa que pode acontecer se alguma coisa correr mal?” – 99% das vezes irá verificar que não vai acontecer nada de tão mau assim.
  • Experimente escrever os prós e os contras de uma determinada situação. Se os mantiver apenas na memória, tenderão a rodopiar dentro da sua cabeça de forma desfocada, porém se os passar para o papel, muitas vezes surgirá uma solução clara.
  • Se a sua decisão vier a revelar-se algo imperfeita, não se sinta frustrado mas aprenda com a experiência.
  • Mantenha a concentração e a calma ao longo de todo o processo. O nervosismo ou a ansiedade não ajudam em nada a resolver essa disputa, servirá apenas para criar mais pressão.

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publicado às 09:34

Subtexto, dimensão que nos revela

por oficinadepsicologia, em 24.08.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

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Pedro Diniz Rodrigues

O subtexto ou entre-linhas como também conhecemos na linguagem de senso comum, assume-se na comunicação humana como um padrão de pensamento subjacente da mensagem a que está associado. Toda a nossa expressão (ou não expressão) contém subtexto. É portanto um aspecto importante da nossa comunicação, sobre o qual gostaria de reflectir consigo.

 

Quando interagimos, este subtexto aparece como que camuflado, pois normalmente não o vemos de forma totalmente clara. A sua mensagem é ofuscada pela mensagem principal, que o nosso interlocutor nos quer transmitir.

 

Por exemplo, se está num restaurante com um grupo de amigos e uma das pessoas com quem está a conversar lhe diz que está bem-disposta por alguma razão, o normal será interpretar o que lhe foi dito como verdade.

 

No entanto, se notar que essa pessoa está com um ar triste ou com uma postura abatida, é provável que já fique com algumas dúvidas sobre a veracidade dessa mensagem.

 

O que se pretende mostrar com este exemplo, é que o subtexto é algo que se estivermos atentos, poderemos observar, está lá na interação, e revela-nos informação adicional que enriquece a forma como interpretamos as situações.

 

De uma maneira mais ou menos evidente e por vezes repetitiva, revela-nos detalhes dessas situações, permitindo-nos ajustar melhor a essa realidade, e adequar (ou não) o nosso comportamento a um dado contexto social.

 

Se pensarmos novamente no exemplo do jantar, mas supondo agora que não conhecíamos ninguém, certamente nos será útil ter a noção de aspectos, como os melhores momentos para iniciar uma conversa ou dar uma opinião, e a receptividade ou interesse da outra pessoa em relação ao que estamos a dizer, para saber se continuamos ou não com a conversa. Esta informação é normalmente revelada pelo subtexto.

 

O valor desta linguagem implícita na nossa comunicação reside no seu elevado nível de verdade, na autenticidade da sua mensagem, na qualidade da informação que nos fornece sobre a nossa pessoa, através daqueles e sobre aqueles que interagem connosco. A importância do subtexto reside também na sua relação próxima com a auto-estima. Ao interagirmos, reflecte o que queremos e não queremos, caminhando lado a lado com as nossas emoções. A auto-estima por sua vez, está intimamente ligada às qualidades que apreciamos em nós e nos outros, bem como ao que nos faz sentir bem e ao que nos faz sentir mal.

 

O que implicitamente dizemos de nós, o modo como o dizemos, o destaque que damos a determinados aspectos da nossa personalidade em detrimento de outros, evidencia a existência de recursos internos que estão a ser mobilizados num dado sentido.

 

Simplificando, se estiver atento ao que é importante para si e para o outro, independente do tema da conversa, a interação torna-se mais satisfatória e gratificante.

 

Acha que nos apercebemos do subtexto que transmitimos aos outros?

 

Em parte sim, mas a grande maioria da informação que transmitimos não é diretamente perceptível, ou seja, só nos apercebemos quando estamos a conversar com alguém e essa pessoa nos diz por exemplo: O que se passa contigo hoje? Pareces um pouco irritado(a). Aconteceu alguma coisa? – Nessa altura reparamos por exemplo no quanto a conversa que tivemos nessa manhã com um vizinho, nos está ainda a aborrecer e a influenciar o nosso comportamento com as outras pessoas.

 

Haverão muitas formas de nos apercebermos da informação que transmitimos, mas se estivermos atentos a aspectos simples como este, passaremos a estar mais conscientes das entre-linhas da nossa comunicação e da riqueza do subtexto enquanto meio privilegiado de olharmos para nós e para o mundo.

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publicado às 12:26

Equilibradamente em desequilíbrio

por oficinadepsicologia, em 23.08.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Sometimes to lose balance is part of living a balanced life

 

Joana Fojo Ferreira

Quando pensamos no que é que queremos para a nossa vida, do que é que precisamos para a nossa saúde mental, cada vez mais reconhecemos que precisamos é de equilíbrio, em contraponto a uma busca utópica de um estado permanente de felicidade e bem-estar.

Apesar deste reconhecimento, velhos hábitos são difíceis de deixar, e o risco é desejarmos sim equilíbrio, mas deturparmos o conceito e rigidificarmo-nos numa postura de não nos permitirmos nem grandes desânimos nem grandes entusiasmos, contentarmo-nos com o mediano, como se equilíbrio fosse sinónimo de meio-termo, nem muito nem pouco, assim-assim.

 

Clarifiquemos então a ideia de equilíbrio:

Equilíbrio é um “estado” dinâmico de compensação de forças em que, quando puxo para um lado, activo em consequência uma força contrária que puxa para o outro, no sentido de não permitir a queda ou a destruição. Equilíbrio não é portanto um estado estático mas implica um movimento oscilatório entre polos opostos, sempre com duas forças contrárias e compensatórias a puxar. Equilíbrio não é uma coisa que se adquire mas um processo que se vive.

 

Paradoxal que possa parecer, estar em equilíbrio implica portanto estar disponível para o perder aqui e ali.

Neste sentido, talvez a pergunta-chave não seja como é que me equilibro mas como é que me disponibilizo para me desequilibrar.

E disponibilizo-me para me desequilibrar quando me permito sentir o que estou a sentir, seja agradável ou doloroso, quando arrisco experimentar coisas novas, diferentes, quando me permito depender momentaneamente dos outros quando preciso de colo e afastar-me momentaneamente quando preciso de dar os meus passos sozinho… Quando confio que posso dar qualquer passo porque sei que tenho a capacidade de analisar os erros, de analisar o risco, e confio que quando necessário consigo mobilizar recursos num sentido compensatório e recuperar o equilíbrio ou transformá-lo num equilíbrio diferente, mais adequado às novas necessidades ou exigências.

 

Preciso confiar que consigo estar próximo da queda sem cair. Preciso disponibilizar-me para o desequilíbrio para viver equilibradamente.

Não esqueça: não se atinge o equilíbrio, vive-se equilibradamente em desequilíbrio.

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publicado às 09:31

Morrer e deixar morrer; viver e deixar viver

por oficinadepsicologia, em 21.08.12

Autora: Cristiana Santos

Psicóloga Clínica

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Cristiana Santos

Morrer é algo assustador para a maioria de nós seres humanos. A ideia de que é o fim, de que a perda é irreversível, e a sensação de ausência de controlo sobre seja o que for que concerne à morte, angustia-nos… a todos!

Então como podemos viver em paz com a ideia da morte?

 

Proponho que comecemos por simplesmente viver. Se eu for ao cinema e passar o filme todo a pensar como vai acabar, perderei toda a emoção da trama. O mesmo se passa na nossa vida. Se ficarmos centrados na sua parte final, então não a saboreamos. Como podemos sentir falta de algo que não experienciamos? Temos de trazer a nossa mente consciente para o momento presente, aquele em que estamos e sobre o qual temos a responsabilidade de fazer o melhor possível. Experienciar a vida é preparar a morte em paz.

Mas como podemos lidar com a perda daqueles que nos são mais queridos?

A resposta a esta questão não é a fórmula mágica que me vai permitir passar pela experiência sem dor, mas uma simples verdade: aceitando e sentindo.

 

A experiência de perda só traz dor quando as emoções que nos ligam são positivas. Nunca sentirei a falta de alguém que me fez infeliz. Apenas sentirei a dor da perda daqueles que foram significativos para mim. Então, quando não mais vir essa pessoa, claro que irei sofrer. Claro que ficarei angustiada. Mas ainda bem que assim é! Significa que esse alguém foi importante para mim e a sua ausência é sentida. Tentarei, o melhor que puder, sentir essa dor e aceitá-la. Tal como aceitarei quando a dor começar a diminuir e lentamente me deixar. Sim, porque por mais intensa que seja essa dor, ela irá sempre diminuir. Porque é assim mesmo com tudo na vida: um início, um meio e um fim.

 

E quando deixar de doer significa que esqueci a pessoa?

A diminuição da dor não é sinónimo de esquecimento ou de menos amor pela pessoa ausente. Significa que a ferida está a cicatrizar e que estaremos em condições de celebrar e manter na nossa mente as memórias positivas daquele/a com quem partilhamos uma parte de nós. Pois para me lembrar de alguém importante, não preciso do sofrimento.

 

Assim, uma chave para lidar com a morte é através de um trabalho no sentido da aceitação da sua inevitabilidade, e do constante foco no momento presente.

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publicado às 14:50

É possível a amizade entre homens e mulheres?

por oficinadepsicologia, em 20.08.12

Autora: Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

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Catarina Mexia

A crença antiga e ainda muito vulgar de que a amizade entre homens e mulheres não é possível provém do tempo em que os nossos antepassados tinham tarefas perfeitamente divididas: a mulher em casa e o homem no trabalho. A única maneira de poderem estar juntos era quando queriam iniciar um romance.

 

Atualmente, no entanto, homem e mulher trabalham e praticam desporto juntos e estão envolvidos desde cedo num processo de socialização que deixa espaço para desenvolver com sucesso uma amizade próxima e com cada vez mais boas razões para o fazer.

 

O que é a amizade? Comecemos por definir o que é amizade. Trata-se de um sentimento complexo que aparece sem aviso ou premeditação. Não conhece critérios de idade, de condição social ou de origem e é um misto de confiança, abandono, sensibilidade e amor desinteressado. A questão está em saber se esta genuinidade resiste numa relação entre um homem e uma mulher. Se um conjunto de pessoas responderia sem hesitar que não, outro diria ser perfeitamente possível. A maioria, porém, iria hesitar antes de responder num ou noutro sentido.

A verdade é que a sexualidade prejudica a amizade entre homens e mulheres. Quantas vezes um homem se contenta em manter-se apenas amigo quando o que deseja é ser amante?

De facto, é muito difícil lidar com uma proposta para mantermos apenas a amizade, até porque isso desencadeia sentimentos opostos. Tantos os homens como as mulheres podem sentir rejeição num primeiro momento, mas logo a seguir felicidade, justamente por compreenderem as vantagens de uma relação que não passa necessariamente pela cama. Quando tal acontece, já nada é como dantes. Curiosamente o inverso pode acontecer, ou seja, uma relação de amantes pode tornar-se numa relação de amigos.

 

Lidar com o desejo. O tema desejo é quase inevitável nas relações de amizade entre homens e mulheres. A questão é saber se queremos estragar ou modificar uma relação que até aí funcionou bem. Nesses momentos de particular tensão em que o desejo ganha força, a proximidade e o toque físico devem ser evitados, para que a distância permita tomar uma decisão sem comprometer a posição do outro. Como bons amigos, tal será compreendido como uma necessidade íntima a respeitar e não como um afastamento precipitado.

O contexto que uma amizade cria, e a forma pode ser partilhada no que respeita aos nossos amigos, filhos, pais e trabalho, não afasta nem permite negar a existência desta tensão sexual, mas ajuda a delimitar a intimidade de cada um. Acontece que estas amizades, tal como as que se desenvolvem entre pessoas do mesmo sexo, baseia-se na possibilidade de falar, ouvir, servir de suporte ao outro, de ser companheiro, de partilhar algo mais profundo do que uma relação sexual que provavelmente não teria futuro.

 

Que vantagens? Quando um homem e uma mulher mantêm urna relação de amizade, com frequência nos perguntamos que benefícios existem nessa relação. Será a sua função constituir um pilar afectivo baseado numa relação democrática e igualitária numa sociedade sem respostas nem certezas?

Na vida amorosa os sentimentos explodem como fogo de artifício, enquanto que na amizade são canalizados com paciência, limites e compreensão. Mas esta amizade exige renúncia e, por isso, precisa de acontecer entre dois seres emocionalmente maduros. Ao invés das amizades entre pessoas do mesmo sexo, esta beneficia de uma dualidade muito enriquecedora que se traduz em perspectivas diferentes, por vezes novas mas sempre complementares, que o outro tem sobre determinados assuntos.

Cumplicidade, estímulo intelectual e serenidade são razões que convidam a estabelecer uma relação de amizade com uma pessoa do sexo oposto. Mas por vezes essas razões podem dissimular perturbações de identidade ou revelar dificuldades de identificação em relação aos outros, uma vez que se trata de uma relação menos exigente do que o amor e que responde, na nossa época, ao medo de envolvimento.

 

Quase casais. "Ficar apenas amigos" significa menos compromissos. E estes "quase casais" são cada vez mais numerosos. Algumas ideias feministas sobre a independência das mulheres e certas tendências masculinas que privilegiam uma via individualista encorajam o seu aparecimento. Uma vez encontrado o amor desinteressado, não o devemos deixar partir. A amizade entre homens e mulheres segue o mesmo caminho da amizade entre pessoas do mesmo sexo, mas deve resistir aos caminhos da sedução e deslocar-se no sentido da conivência, confiança e suporte para poder sobreviver. Não pode ser um modelo universal a seguir, pois alimenta- se da particularidade de cada relação e responde a necessidades mais ou menos confessáveis.

Nasça antes ou depois de uma relação marcada pela sexualidade, antes ou depois de uma relação de casal, a amizade entre homens e mulheres é importante e preciosa num mundo pouco amigável e pobre em laços humanos.

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