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Penso, logo existo?

por oficinadepsicologia, em 30.09.12

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Fabiana Andrade

Alguma vez viu documentários sobre animais? Será que já viu nestes documentários situações como as seguintes?

- um animal chega perto de uma planta, sente que a planta é uma ameaça, “algo lhe diz” para não comer a planta. No entanto ele hesita e come a planta mesmo assim.

- um animal mesmo sem ver ou ouvir nada, “pressente” a presença de um predador. No entanto, ele hesita, e como não vê nada decide ficar ali mesmo assim.

- um animal “pressente” perigo, mas para confiar no seu instinto precisa confirmar que o perigo está mesmo lá, e enquanto não tem essa confirmação, não dá ouvidos ao seu instinto

- “algo diz” ao animal que ele deve migrar para Sul em determinada altura do ano. No entanto, como ele nunca lá foi e não sabe o que o espera, decide não ir.

 

Já viu? Não!

 

O que vemos nestes documentários, ou mesmo no dia a dia, para quem contacta diariamente com animais, não é nada disso!

Vemos que o animal, INSTINTIVAMENTE percebeu que a planta era venenosa e não a comeu. Não precisou testar, não duvidou, não hesitou.

Vemos o animal que pressente o predador e foge, sem hesitar, sem duvidar.

Vemos o animal, que nunca migrou para Sul, pois este é o seu 1º ano de vida, que sem hesitar viaja em busca de terras mais quentes.

Essas expressões, “pressente”, “algo me diz”, referem-se ao nosso instinto, à nossa intuição.

No mundo animal temos milhares de exemplos de que o instinto leva à VIDA! O instinto guia, protege.

 

E o nosso mundo é animal? Sim!

 

E não só. É animal, instintivo, e também é racional. Ou seja, não só temos uma ferramenta vital, como temos duas!

E o que fazemos com elas? Usamos uma (a razão, ou racionalidade, ou pensamento), para matar a outra! Achamos que uma é melhor do que a outra, valorizamos uma em detrimento da outra em vez de as usar como ferramentas complementares.

 

Recebo diariamente pessoas no consultório, cujos problemas vêm de uma origem: a redução da vida ao plano racional e consequente perda de uma bússola/guia fundamental: o instinto/corpo – emoção.

Assim, surgem pessoas com problemas de indecisão, estagnação, insegurança, ansiedade, falta de auto estima e auto confiança.

Pessoas que se desligaram da dimensão do corpo, dos instintos e emoções, e que tentam viver apenas com a dimensão racional. Fazem planos, criam expectativas, tentam dar ordem à tudo em prol de uma pseudo segurança.

Quando é mencionado que a segurança não está aí, e si m nelas mesmas e na utilização mais abrangente de todas as suas ferramentas, a primeira reação é de medo e desconfiança.

 

Aquelas que decidem arriscar e explorar a sua dimensão afetiva e instintiva, são aquelas que encontram uma mudança valiosa: a passagem de um modo de estar reduzido a outro modo pleno e completo. E é neste modo de estar que a vida acontece, que tudo se desbloqueia.

Ver estes saltos de fé acontecerem à minha frente me emociona.

Ver a cor a aparecer, a voz a mudar, os olhos a brilharem, os sorrisos nos rostos e uma energia renovada, é o melhor presente da minha profissão.

 

Assim, fica aqui uma recomendação para a vida: voltem a falar com os vossos animais interiores, eles são uma parte valiosa da vossa existência. Desçam das  cabeças e habitem todo o vosso corpo.

E se sentirem que precisam de ajuda neste processo, estamos cá para isso!

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publicado às 08:36

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de falar sobre o papel que as emoções desempenham no exercício de qualquer profissão de ajuda.

 

Muitas pessoas  têm profissões de ajuda como a enfermagem, a psicologia, a medicina, aulixiares de acção médica, técnico superior de saúde, assistente social, técnico de integração social, etc

 

Qualquer pessoa que escolha este percurso profissional, tem naturalmente a vontade de ajudar, de ser útil, de dar o devido apoio a quem precisa.

 

Ao inicio, é natural surgir alguma ansiedade própria da inexperiência, do amadorismo e da insegurança de dar os primeiros passos, mas, à medida que o tempo passa essa ansiedade  dá lugar à certeza e ao conforto, a uma sensação de mestria face à profissão que se desempenha.

 

Ou seja, normalmente, esta ansiedade é passageira, transitória, e apenas tem a função de nos relembrar da nossa inexperiência e da necessidade de estar muito atento a eventuais erros que se possam cometer.

 

As pessoas que os profissionais de saúde recebem e ajudam, à partida não conduzirão ao aparecimento de emoções que perturbem o desempenho equilibrado e regulado da profissão em questão.

 

Mas existem casos em que a situação não apresenta esta linearidade, equilíbrio e previsibilidade. Quando existem laços emocionais entre o profissional de ajuda e a pessoa  a quem vai ajudar, tudo poderá tornar-se muito mais complicado.

 

Vou procurar ser um pouco mais explícito, e, para tal, vou servir-me de um exemplo fictício. Sublinho o seu carácter de fictício.

Vamos imaginar um médico, um reputado cirugião, daqueles de topo, especialista entre os especialistas, mestre da sua arte de operar. Vamos agora imaginar que este médico recebe como paciente o seu pai que sempre amou e respeitou. O seu pai precisa urgentemente de ser submetido a uma operação de elevado nível de rigor, precisão e saber. Vamos então imaginar que o cirurgião se disponibiliza para ajudar este paciente que é nada mais nada menos que o seu próprio pai.

 

Esta é a grande oportunidade de este médico provar ao seu pai – pessoa que sempre duvidou do filho e da sua mestria – que está enganado. A operação começa e o cirurgião procura ser exemplar, mas passado cerca de uma hora uma estranha ansiedade apodera-se deste experiente homem e provoca um tremer contínuo das suas mãos que acaba por inviabilizar o tão aguardado sucesso da operação.

 

Como resultado o pai acaba por falecer. O cirurgião sente-se absolutamente culpado, passa a ter ataques de pânico, e acaba com um esgotamento nervoso que o conduz à  Psicoterapia.

 

Eu utlizei este exemplo extremo do médico, mas verdadeiramente podemos encontrar esta sobreposição de papeis entre o papel profissional e o papel relacional, seja o de filho, filha, pai, mãe, e.etc. em várias situações profissionais  da vida.

 

Eu quero alertar para a perigosidade e a delicadeza de tais situações.

 

A profissão de cuidador será desempenhada de uma forma equilibrada quando a única relação que estabelecemos com a pessoa a quem damos o nosso contributo é estritamente profissional.

 

Quando existem laços entre um cuidador e um paciente que não passam apenas e só pelo vínculo profissional, então as nossas emoções podem, realmente, pregar partidas, que poderão ter mais ou menos gravidade, e maior ou menor impacto. O exemplo que eu dei é um extremo, mas não é mera ficção, pode mesmo acontecer!

 

Em qualquer segundo da nossa vida além de respirarmos, estamos a sentir emoções, sejam  elas mais ou menos intensas.

Quando estamos com qualquer pessoa estamos sempre a sentir emoções. Se temos uma forte ligação emocional com esta pessoa, então a nossa intensidade emocional será mais vincada e presente.

 

Se existem emoções não resolvidas de zanga, tristeza, raiva, revolta, ódio, rancor, vergonha, culpa para com alguém e se esse alguém é o sujeito da nossa intervenção profissional então é natural e até algo previsível que estas emoções atrapalhem e condicionem todo o desempenho profissional.

 

É natural que este médico cirurgião sinta culpa pela morte do seu pai, mas mais importante ainda é perceber que a situação a que foi sujeito tinha um alto grau de condicionamento         emocional  e que existiam várias emoções que estavam claramente por resolver ( convém, por exemplo, não esquecer que este pai não acreditava no seu filho) o que, naturalmente impediu o desempenho exemplar que este médico havia previsto.

 

Nunca se esqueça que as emoções são algo que o vai acompanhar toda a sua vida e quando as emoções não são devidamente resolvidas, trabalhadas, processadas então elas terão um papel na relação que vai estabelecer com as pessoas com quem directa ou indirectamente experimentou estas emoções.

 

Vale a pena pensar nisto!

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publicado às 13:54

Auto-estima realista procura-se! (parte 4)

por oficinadepsicologia, em 26.09.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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Irina António

Para última etapa de trabalho proponho experiências que ajudam a dar suporte à sua autoestima mais realista e ajustável a cada momento.

 

Experimentamos por começar a mudar frases expressas pela voz crítica. Por exemplo: “eu digo sempre disparates” em “eu digo coisas que me fazem sentido neste momento”.

 

É importante que esta nova frase esteja sintonizada com uma sensação interna “eu falo de acordo com algo que me faz sentido, e não só com o que os outros querem ouvir ou esperam de mim”.

 

Experimente procurar a modificar a cada frase “critica” de várias maneiras até encontrar uma que expresse melhor como quer ser, sentir e agir. Sensações de leveza, descontracção e satisfação podem servir como critérios seguros no caminho de construção da linguagem da sua autoestima adequada.


A Autoestima desajustada leva alguns anos para ser formada e ela é dificilmente resultado de uma situação singular. Se disser a alguém 100 vezes “não és capaz”, a 101 vez torna-se desnecessário porque a pessoa já terá essa frase como resposta automática em situações ligadas, por exemplo, ao processo de tomada de decisão. O caminho inverso da construção de autoestima adequada também necessita de tempo e de algum “treino” com certa persistência, porque habitualmente as vozes antigas não são de ceder facilmente o seu domínio. Experimente a seguinte táctica: em vez de ir contra vozes críticas, tente reforçar as vozes amigáveis. O segredo está na procura de fazer desequilibrar o esquema antigo, composto por “automatismos críticos”. Crie uma nova base que o(a) possa apoiar, inspirar em situações que o(a) vão deitar abaixo ou chamar para desistir.

 

Escreva no papel: suas capacidades, qualidades, pontos fortes, conquistas pessoais mesmo que sejam pequenas e até antigas. Pense também em recursos externos: pessoas mais próximas ou nem tanto que existiram ou ainda existem na sua vida, nos quem gosta e acredita em si. Como elas falam de si?

 

Agora experimente imaginar o seu futuro, alguns anos à frente. Como gostaria de ser? Tente construir pormenorizadamente esta imagem futurista: a sua aparência, onde está a trabalhar, com quem convive, pessoas à sua volta, o que está a fazer, como passa o seu tempo livre? Esta imagem também é um recurso importante que pode ajudar na reconstrução da sua autoestima.

 

Escreva uma lista dos seus pontos fracos, excluindo ofensas e humilhações do género “sou estúpido(a), e tente transformá-los em pontos fortes ou indicações para seu desenvolvimento pessoal. Por exemplo, “sou muito lento a pensar antes de responder” em “eu reflicto muito bem antes de responder seja a que for”. Não esqueça de recorrer a essa lista quando sentir a sua autoestima mais fragilizada e desequilibrada, ou quando voltar a criticar a si mesmo(a).

 

E claro, não esqueça do humor, um dos nossos recursos mais poderosos e inteligentes que tem um potencial inesgotável também em momentos quando estamos a perder esperança. Quando sente a sua pessoa a mergulhar nas águas amargas da autocrítica, não se iniba de cortar firmemente as frases críticas com uma canção, uma expressão humorística, um pequeno conto que gostava quando era criança. 

 

A nossa autoestima está muito ligada à necessidade de aceitação e valorização pelos outros. Queremos ser bons para eles, queremos ter relações satisfatórias com eles, porque disso também depende a nossa saúde emocional e psicológica e até a nossa felicidade. No entanto é importante definir o grau de dependência da opinião dos outros, para não perder contacto com os nossos próprios interesses e necessidade. Nós não nascemos com o dever de sermos sempre bons uns para os outros, mas podemos ser bons dentro de certos limiteis que podemos ir reajustando ao longo da vida de acordo com circunstâncias e necessidades em cada momento.

 

Autosugestões do género “sou bonito(a), inteligente, fantástico(a), comunicável, etc” têm um efeito efémero até porque não são tão importantes para construção da autoestima verdadeiramente satisfatória. Sentimos autoestima como não satisfatória não porque não somos suficientemente bonitos(as), inteligentes ou não termos feito uma melhor carreira, mas porque não nos sentimos suficientemente amados e aceites pelos outros. E para que autoestima se desenvolva como realista e satisfatória necessitamos de saber e repetir, caso necessitar vezes sem conta, que temos direito de existir e ser aceite pelo mundo tal como nós já somos, temos direito de satisfazer nossas necessidades, direito de expressar a nossa personalidade, direito de escolher, de agir e de pertencer aos grupos significativos, direito de ser independentes e ao mesmo tempo receber apoio dos outros, retribuindo reciprocamente.

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publicado às 09:13

Auto-estima realista procura-se! (parte 3)

por oficinadepsicologia, em 23.09.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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Irina António

Esta parte da reflexão sobre a autoestima ajudar-lhe-á a conhecer melhor as características da sua voz autocrítica. O exercício proposto tem uma vertente diagnóstica, um passo importante tendo em conta que o processo de mudança depende do grau de conhecimento do seu funcionamento interno. Tente ser mais verdadeiro com as respostas. Não se esqueça, a mudança acontece mais facilmente quando permitimos conectar com o nosso verdadeiro Eu.


Começamos pela seguinte pergunta (Passo 1): “Como habitualmente se autorecrimina?” Que palavras, frases criam maior impacto em e/ou afectam a sua autoestima, puxando-a para baixo, criando a sensação de desconforto interno? Escreva-as.

 

Passo 2. Estude bem cada frase. Que tipo de comportamento fica sobre a mira da recriminação? Que tipo de comportamento é reconhecido como favorável, desejável?

 

Passo 3. Vamos experimentar trabalhar com comportamento censurado pela voz crítica. Feche os olhos e imagine-se a praticar este comportamento, o que está a fazer e como está a fazer? Estude este comportamento ao pormenor.

 

Passo 4. As frases críticas pertencem a si ou a uma outra pessoa? Quem é essa pessoa? Descreva as suas características: sexo, idade, aparência, estatuto social, assim como o tom de voz com que expressa as palavras. Feche novamente os olhos e imagine essa pessoa a falar consigo. Continuando no mundo da fantasia agora experimente trocar de papéis: agora é você quem critica e diz aos outros como devem viver e gerir as suas vidas. Repare nas características dessa pessoa que sente como atractivas (por exemplo, a assertividade, capacidade de confronto). Ela tem alguma razão no que diz? Ao longo desta experiência tome atenção às suas sensações físicas e reacções emocionais. Há algo que pode aprender com essa pessoa, algumas competências que faz sentido levar consigo? E o que não quer de todo para si, que não se ajusta à sua pessoa?

Passo 5. Agora volte novamente ao comportamento “recomendado” pela frase crítica. Feche os olhos e tome o papel de quem que está a exercitá-lo. É fácil / difícil de imaginar a fazê-lo? Está a gostar?

 

Passo 6. Caso sinta este comportamento como agradável, continue a permanecer neste papel durante algum tempo. Estude bem os pormenores: a sua expressão vogal, os movimentos, as sensações físicas, o timbre de voz. Experimente absorver ao máximo o estado físico e emocional que desperta esta experiência.

 

Passo 7. A partir deste estado experimente falar consigo mesmo: dê um conselho, uma dica, como pode transformar um comportamento não desejável em algo mais satisfatório. 

 

Passo 8. Agora experimente falar com a figura crítica. Pergunte se já chegou altura para ela desaparecer da sua vida interior ou pelo menos dar espaço a outras vozes, mais amigáveis e criativas?

 

Passo 9. Experimente fazer mais uma coisa com o comportamento não satisfatório. Tome consciência do que não gosta nele e diga isso em voz alta. Pense mais uma vez se o mesmo tem algo de útil para si? E o que ainda poderá ajudá-lo em algumas situações da sua vida?


Espero que esta experiência lhe tenha proporcionado um momento rico em autoconhecimento. Porque também acredito que “o empenhamento no crescimento pessoal e maturidade emocional promovem muito a nossa autoestima”(Nancy McWilliams).

 

Em breve irei propor a última experiência para explorar o mundo da sua autoestima.

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publicado às 12:34

Jogar xadrez para uma mente jovem

por oficinadepsicologia, em 22.09.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

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Pedro Diniz Rodrigues

Numa era de desempenhos e competências psicológicas, em que doenças de foro neurológico ganham um elevado destaque como algo a evitar, tem vindo a surgir nas ultimas décadas toda uma cultura de práticas associadas ao treino da mente.

 

Estes denominados “mindgames” pretendem manter ou aumentar a juventude do nosso cérebro, podendo também ter a função de reabilitar algumas das competências psicológicas pouco desenvolvidas e em casos de doença neurológica, desacelerar a velocidade de perda dessas competências. 

 

Pela elevada incidência deste tipo de doenças na nossa sociedade, pode-se considerar que a juventude do nosso cérebro não aparenta ser algo privilegiado pelo estilo de vida “moderno”.

 

Estamos normalmente expostos a níveis de stress, que são mais elevados do que gostaríamos. A sua presença terá várias razões que escapam ao nosso controlo, havendo no entanto uma pela qual somos responsáveis e sobre a qual será importante refletir. Tem a ver com a forma como o nosso cérebro está habituado a funcionar.

 

Pensando nalguns exemplos do nosso dia-a-dia, estamos habituados cada vez mais regularmente a nos deslocamos nos nossos carros guiados pelo GPS, que nos poupa o trabalho de pensar o caminho, de recordar ou antecipar cenários possíveis como qual o trajeto mais rápido ou menos congestionado.

 

A necessidade de armazenar e recuperar informação do nosso cérebro, parece estar a ser substituída por uma pesquisa rápida na internet, da qual selecionamos o tópico que nos esclarece mais rapidamente, para que tenhamos de mobilizar a atenção pelo mínimo tempo possível.

 

Com as situações mencionadas, podemos concluir que o conforto acrescido dos nossos tempos, nos ajuda a libertar a mente, dando-nos disponibilidade para atividades que de outra forma não poderiam ser realizadas, pois não as poderíamos fazer em simultâneo.  

 

Como será que aproveitamos esta disponibilidade adicional?

 

Será que realmente rentabilizamos esse tempo?

 

Uma resposta possível para muitos de nós é que “talvez não”. Esta cultura de modernidade que nos traz um inquestionável acréscimo de conforto, tem também o efeito de nos tornar menos ativos mentalmente. Somos muitas vezes conduzidos, para que nos tornemos agentes passivos de quantidades excessivas de estímulos, que tornam o nosso cérebro mais preguiçoso e resistente a tudo a que o obrigue a um tipo de atividade a que não está habituado. Esta forma de interagirmos com a nossa realidade, tende a provocar o envelhecimento precoce do nosso cérebro.

 

Poderá perguntar-se sobre o que terá o jogo de xadrez mencionado no título, a ver com o que leu até agora.

 

Posso-lhe dizer que muito. Desde os primórdios da psicologia, as primeiras gerações de investigadores e criadores dos testes de inteligência, já consideravam a prática regular de xadrez, como um factor com elevado impacto para o desenvolvimento de competências psicológicas.  

 

Ao longo de décadas, têm vindo a ser feitos numerosos estudos comparativos entre jogadores regulares de xadrez e jogadores principiantes, ao nível de competências como a memória (de trabalho e a longo prazo), percepção visual, imaginação, tomada de decisão e resolução de problemas, aquisição de conhecimento e idade cerebral.

 

São várias as evidências que a investigação nos fornece. Por exemplo, dois jogadores experientes podem estar a falar de um jogo que ocorreu há muito tempo atrás, sem a presença física de tabuleiro ou peças, recordando padrões de jogo, posições de peças no tabuleiro, jogadas alternativas, que para um jogador principiante, parecem aleatórias e como tal desprovidas de significado, sendo “menos memorizáveis”, mas que para os jogadores mais experientes terão um elevado significado, permanecendo assim acessíveis na sua memória.

 

Um outro exemplo da utilização mais eficaz do reconhecimento de padrões memorizados e capacidade de os trazer à consciência de forma eficaz, pode ser constatável ao apresentar-mos durante alguns segundos a dois jogadores, um experiente e um principiante, um tabuleiro de xadrez com peças aleatoriamente colocadas. Quando solicitados para reproduzir de memória o que viram, o jogador experiente conseguirá mais rapidamente e com maior precisão, recordar a forma como elas estavam dispostas, revelando uma maior capacidade de aceder aos conteúdos que memorizou.

 

É verdade que atualmente, existe à nossa disposição uma grande variedade de instrumentos ou programas de computador que permitem trabalhar de forma específica, cada uma das competências do nosso cérebro. Outras áreas como a música, programação informática, calculo matemático ou jogos de cartas como o poker, poderão desenvolver competências semelhantes às estimuladas pela prática regular de xadrez. Ou seja, não teremos naturalmente de nos restringir ao jogo de xadrez, para desenvolvermos competências psicológicas.

 

Independentemente dos benefícios associados, quem escolhe o xadrez como uma atividade para ocupar o tempo, beneficiará em fazê-lo pelo prazer de jogar, sendo este um motivo que a investigação confirma como sendo o mais indicado para manter a motivação e preservar o bem-estar que que a atividade confere.

 

Deveremos evitar utilizar o jogo de xadrez como uma ferramenta para um fim. Dessa forma, acabamos por adoptar respostas mais afectivas durante as partidas e tendemos a assumir uma atitude mais competitiva. A motivação (nestes casos mais extrínseca), fica condicionada pelos resultados menos positivos e acabamos por não desfrutar do jogo.

 

Se vamos jogar xadrez não pensamos muito nas competências que possamos estar a desenvolver. Queremos acima de tudo passar um bom bocado. Estamo-nos a implicar na atividade pelo desafio e prazer que nos dá, ou seja, com uma motivação intrínseca. É bom estarmos conscientes dos benefícios, mas quereremos acima de tudo, jogar. Se procura uma atividade construtiva com que possa ocupar a sua mente, considere dedicar algum tempo à prática deste jogo. E já agora, permita-se desfrutar...

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publicado às 14:09

Saudades

por oficinadepsicologia, em 21.09.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

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Sente falta de algo ou alguém que um dia teve e já não tem

Ambiciona voltar a encontrar-se dentro do labirinto que há em si

Um suspiro acorda-o todas as manhãs

Dúvidas habitam-no sistematicamente

Angustia olhar para o calendário aparentemente vazio

Dias uns a seguir aos outros

Encarrilhados em tonalidades cinzentas

Somam um amontoado de horas de desprazer pela vida.

 

Talvez possa estar a sofrer de um mal chamado Saudades. Do que foi e já não é, do que nunca foi e sempre esperou que fosse, do que lhe prometeram que iria ser e não chegou. De quem partiu demasiado cedo, de quem se ausentou sem aviso prévio, de quem fugiu injustamente, de quem nunca chegou e estava anunciado.

As saudades são um sentimento que habitam em muitos de nós e que nos obrigam a um baloiçar persistente: para trás guardando o que há para guardar, para a frente ganhando impulso para o momento presente e futuro. Desgastamo-nos no balançar mas reciclamos energia neste movimento, até que ele se extingue, sinal de que o baloiço parou e as saudades acalmaram. Por vezes precisamos entrar no parque infantil que existe em todos nós. Escorregamos por dificuldades, driblamos obstáculos, escondemo-nos dos dias difíceis, baloiçamos pela vida.

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publicado às 20:16

A dor da perda: lidar com pessoas em luto

por oficinadepsicologia, em 18.09.12

Autor: André Viegas

Psicólogo Clínico

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André Viegas

A intervenção no luto tem ganho territórios teóricos e práticos inquestionáveis nos últimos anos, contribuindo inegavelmente para a prestação de socorros psicológicos continuados àqueles cujas perdas parecem acarretar consequências superiores às que seriam de esperar num luto dito normativo.

Muitos que lidam de perto com pessoas que passam por perdas dolorosas, várias vezes referem sentir dificuldades de posicionamento perante tamanho sofrimento. De fato, é impossível enunciar receitas anti-dor porque, realmente, não existem. Dói quando caímos no chão, dói quando nos queimamos sem querer, dói quando torcemos um pé ou entalamos um dedo. E como um ou um dedo passam por uma espécie de "luto físico", até voltarem ao estado de equilíbrio fisiológico anterior, também a ferida da perda de alguém necessita de tempo, de espaço para ser amenizada. Convém, por isso, que estejamos atentos às mensagens de patologização do sofrimento porque, de facto, vivemos num tecido social anti-dor que nem sempre nos dá esse tempo e espaço natural para reorganizar todo um puzzle interno de memórias e sentimentos relativos à pessoa perdida. Quanto maior for o espaço ocupado pelo outro no nosso ser, maior será a dor da despovoação física deste mesmo outro. Para aqueles que são próximos de pessoas que passaram por algum tipo de perda, existem formas simples de ajudar.

 

Exemplos:

1. No início, a pessoa que vivencia a perda pode precisar de ajuda nas decisões mais simples. Pode apreciar a ajuda prática (ajuda em burocracias, preparação de refeições...).

2. Ser sensível às diferenças culturais e religiosas e procurar informação sobre costumes, rituais e práticas de modo a apoiar a pessoa (legitimar o que a pessoa está a sentir).

3. Dar a conhecer à pessoa que se está preparado para aceitar aquilo que a pessoa quiser partilhar connosco: as suas lágrimas, memórias, a sua raiva. Não brincar com a pessoa. Um ouvinte apoiante é o que elas precisam.

4. Ajudar a pessoa a perceber as formas de coping (de lidar) com a perda de modo a que elas possam entender aquilo que se passa com elas.

Fases de coping no luto


Fase 1: Encarar a perda como algo real

As pessoas tendem a oscilar entre a negação e a aceitação. A aceitação pode ser mais difícil em situações como o divórcio em que existe a possibilidade da pessoa regressar. É um período frequentemente descrito como "irreal" e em que a pessoa que vivencia a perda se sente desligada de tudo e esmagada pelo sofrimento.

 

Fase 2: Vivenciar a dor do desconsolo/sofrimento

Esta tarefa está associada com um tempo de sentimentos extremos misturados. Para a maioria das pessoas, os sentimentos regressam rapidamente após a perda e podem sentir dor física intensa, frequentemente descrita como estando no cerne do estômago ou à volta do coração. Isto é frequentemente acompanhado por uma saudade intensa e procura da pessoa. Visitar locais associados a essa pessoa, chamar o seu nome e chorar fazem parte da saudade. A pessoa pode também sentir que está a “enlouquecer” com a intensidade da emoção. Com a aceitação da perda pode vir a raiva - pela pessoa que morreu, raiva consigo próprio, podendo ainda sentir-se tensa e irritável, ou vivenciar sentimentos de ansiedade e culpa.


Fase 3: Ajustar-se à vida sem a pessoa

Antes da pessoa que vivencia a perda ser capaz de começar a adaptar-se, entra num período alternado com a segunda fase, em que tudo parece vazio e supérfluo. Tem falta de interesse por tudo e por vezes deseja morrer. Eventualmente, a pessoa começa a descobrir novos modos de coping, novos padrões e objectivos de vida. Isto é visível em comportamentos que mostram que estão preparadas para prosseguir em frente, como tirar férias, redecorar o apartamento, alterar a aparência física, ter um novo passatempo.


Fase 4: Aceitar a perda

Quando a pessoa aceita a perda, está mais disponível para fazer novas relações, aceitar novos desafios. O passado e os entes queridos são ainda lembrados e estimados pela pessoa mas estes sentimentos já não a impedem de apreciar a vida quando os sente.

 

Relativamente ao acompanhamento psicológico, em alguns casos ele pode justificar-se, sobretudo quando uma fase de luto está comprometida. O objetivo geral é pois identificar e facilitar o superar de obstáculos que impedem o completar das fases normais de luto. Especificamente, e paralelamente às várias fases de adaptação psicológica envolvidas num processo de luto, os objectivos passam por aumentar a realidade da perda, quando esta é negada, ajudar a pessoa a lidar com afetos latentes e expressos, ajudar a pessoa a superar vários impedimentos ao reajustamento após a perda e promover gradualmente novos investimentos.

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publicado às 09:57

Como está o seu bem-estar?

por oficinadepsicologia, em 16.09.12

Autor: André Viegas

Psicólogo Clínico

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André Viegas

Inseridos num momento atual crescentemente globalizado, onde constantemente somos convidados a alcançar uma meta chamada êxito, tão “atritizada” pelo cenário de crise socioeconómica generalizada, deparamo-nos não poucas vezes nas nossas vidas com lógicas diárias desarmónicas, descontínuas e “despessoalizadas” que se repercutem constantemente em momentos de sofrimento psicológico que levam ao bloqueio do estar bem.

 

Que significará então estar bem?

O conceito de Bem-Estar é amplo, assumindo-se com diversas faces, nomeadamente bem-estar subjectivo, bem-estar psicológico e bem-estar social.

Realizando um enfocar no conceito de Bem-Estar Subjetivo, pode dizer-se que este constitui-se como uma dimensão positiva da Saúde Mental.

É consensual na comunidade científica que o conceito de bem-estar subjectivo é composto por uma dimensão cognitiva, em que há um juízo avaliativo, usualmente expresso em termos de satisfação com a vida – globalmente e especificamente – e uma dimensão emocional, positiva ou negativa – expressa globalmente em termos de felicidade, ou, em termos específicos, através das emoções, positivas ou negativas (Galinha, 2008).

 

A Satisfação com a vida é um processo de julgamento cognitivo que depende de um nível de comparação das circunstâncias do individuo com o que este considera ser um padrão adequado, sendo que quanto menor for a discrepância entre a percepção das realizações na vida e o seu padrão de referência, maior será a Satisfação com a Vida. Esta delimitação traduz-se pela existência de Satisfação Global com a Vida - grau em que o indivíduo avalia de forma positiva a qualidade da sua vida como um todo; e a Satisfação com a Vida em Domínios específicos – avaliação da Satisfação em vários domínios de vida específicos, como domínio familiar, profissional, conjugal, etc (Galinha, 2008).

 

As emoções positivas ampliam o reportório do pensamento e da acção e possibilitam construir recursos pessoais duradouros, tendo o poder de desfazer o efeito das emoções negativas e optimizando a saúde e o Bem-Estar, predispondo o sujeito a envolver-se de forma ativa com o meio e a perseguir os seus objectivos.

 

Num encontro psicoterapêutico, o objectivo não é apenas intervir no mal-estar e na perturbação do cliente mas também promover a capacidade de estabelecer, manter, monitorizar e reconstruir o seu sentimento de Bem-Estar (Vasco, 2009).

Não deixa de ser pertinente relembrar isto…

 

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publicado às 15:17

Azares que se repetem

por oficinadepsicologia, em 15.09.12

Autora: Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

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Catarina Mexia

Por mais vezes que repitam as promessas de que da próxima vez será diferente, estas pessoas vivem paixões intensas, mas acabam invariavelmente a chorar as mágoas de uma relação que deixa para trás recordações e destruição.

 

Recebi recentemente em consulta uma mulher que recuperava de uma tentativa de suicídio, subsequente a mais uma ruptura na sua vida. O namoro decorreu aparentemente sem problemas e até os amigos comentavam que ela parecia muito mais feliz desta vez, capaz de falar sobre a relação, mas parecia, uma vez mais, estar a "dar tudo de uma vez". Não sendo propriamente uma relação entre jovens adultos - ambos vinham de relações anteriores das quais existiam filhos - começaram a fazer planos para viverem juntos. Subitamente o namorado recuou e cortou todo e qualquer contacto.

 

No decorrer da terapia foi possível apurar que esta foi apenas mais uma das relações que seguiu o mesmo padrão. E o sentimento de desilusão e desespero desta mulher foi tal que o suicídio pareceu a única saída.

 

O envolvimento em relações potencialmente complicadas não é um privilégio do homem nem da mulher e pode acontecer em qualquer idade. Na verdade, quem vive este padrão de relacionamento vai- se habituando, com o tempo, a suportar os embates mais terríveis à sua autoestima, acabando por fortalecer a sua capacidade de tolerar desilusões. E assim vai perpetuando o papel de vítima, continuando a lamentar a sua falta de sorte e incapacidade para mudar o destino.

 

Esta incapacidade, no entanto, não resulta de uma partida do destino, mas da inexistência de uma pausa que permita avaliar o que aconteceu para trás antes de apostar num novo relacionamento ou seja, não foram pensados os papéis, o nosso ou o do outro. Nestes casos é comum existir um processo de autocomiseração que facilmente mobiliza os outros no sentido de nos confortarem. É como ir ao posto de abastecimento da autoestima. Recuperamos alguma, voltamos ao campo de batalha das relações. Mas um depósito cheio não nos permite perceber o que funciona mal no motor. É como se nós, mecânicos do nosso bem-estar, apenas nos preocupássemos em fazer andar o carro, sem cuidar de o lubrificar, ouvir o seu funcionamento, detectar as peças que precisam ser substituídas.

 

Aqueles que não possuem uma boa autoimagem, que não se sentem suficientemente merecedores de dar e receber amor, atraem frequentemente parceiros que apenas vêm confirmar essas profecias. E quando conseguem alguém que os acarinha e estima, muitas vezes dizem para si mesmos que não estão habituados e como tal não sabem lidar com essas atenções! Está assim criada a condição para que a sua relação não vingue.

 

Trata-se de amores que começam com um relacionamento sexual e paixão muito intensas, mas um envolvimento emocional superficial. Rapidamente o abandono, a traição, falta de consideração e, no extremo oposto, a agressão física vem substituir a ilusão do início. E o amor em que estas pessoas tanto apostaram inicialmente é rapidamente substituído por sofrimento e desilusão.

 

A autoimagem faz parte integrante da nossa personalidade e começa a delinear-se na infância. Um relacionamento com um adulto significativo e importante para nós (o pai, a mãe, um professor, um avô, etc.) mas que não é capaz de valorizar, respeitar e amar o nosso ser leva-nos a acreditar que não temos valor suficiente para merecer o seu amor. Se durante o nosso crescimento este padrão de relacionamento não se alterar, muito provavelmente viremos a ser adultos possuidores de uma baixa autoestima e autoimagem. Assim, quando procuramos um parceiro, muito provavelmente iremos encontrar alguém com quem iremos repetir a situação infantil. Para ultrapassar este padrão de relacionamento precisamos de compreender quem somos, fazer alguma introspeção, recuperando e reconstruindo a nossa autoestima.

 

Vivemos uma época em que o autoconhecimento é uma ferramenta essencial. As pessoas que se envolvem neste tipo de relacionamentos caracterizam-se por uma enorme dificuldade em verbalizar — muitas vezes até em saber — o que as faz felizes, quais os seus objectivos, o que querem da vida. Geralmente, o desejo de agradarem leva-as a centrarem-se de tal maneira nas necessidades e anseios do outro, que é como se a sua própria existência apenas se justificasse em função dele.

 

Muitas vezes, o outro desfruta de um carinho e atenção que vai para além daquilo que esperou da relação. E os conflitos surgem quando se iniciam as cobranças. Aquele que se sentiu alvo daquilo que julgava ser um amor intenso e desinteressado vê-se confrontado com "fiz tudo por ti e tu nada me deste em troca".

 

Compreendermo-nos, é o melhor caminho para a mudança.

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publicado às 09:44

A morte e o tempo

por oficinadepsicologia, em 14.09.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

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“Eu não tenho medo da morte, apenas não quero lá estar quando acontecer.”

 

Pedro Diniz Rodrigues

Esta conhecida frase do ator e realizador Woody Allen, mostra-nos com algum humor como a morte pode influenciar a forma como vivemos a nossa vida.

 

Conhecidos investigadores na área da psicologia da morte, desenvolveram estudos que confirmavam a ideia de que a preocupação com a morte influencia directamente o comportamento das pessoas.

 

O pensarmos sobre este tema e a frequência com que o fazemos, poderá levar-nos a sentir grandes alterações na forma como percepcionamos um outro aspecto importante, e que relacionamos com a morte: o tempo.

 

Afinal de contas, cada dia que passa é um dia mais perto do fim…

 

Alguns investigadores colocam a questão: Será que a noção que temos do tempo, está relacionada com a quantidade de vezes que pensamos sobre a morte?

 

O que os resultados dos estudos indicam é que a nossa percepcão do tempo, pode mudar em função da personalidade ou a presença de estados como o medo, a ansiedade ou a depressão.

 

Uma das teorias psicológicas associada à gestão do medo da morte, diz-nos que o estarmos demasiado conscientes dessa realidade, nos motiva, pelo nosso desejo instintivo de viver, a criar uma variedade de defesas psicológicas.

 

Encontramos simbolismos, procuramos significados e adoptamos uma visão do mundo que nos inclui como parte desse simbolismo, assegurando assim o nosso bem-estar e tranquilidade.

 

A natureza simbólica dessas defesas, baseada naquilo que cada pessoa quer acreditar, permite que a vida seja vista como mais duradora e permanente.

 

Outra defesa psicológica que também é utilizada, é o alongar da percepção do tempo, ou seja sobrestimar o tempo. Esta estratégia poderá ser uma tentativa de gerar uma maior quantidade de tempo do que, na verdade, existe e ver o tempo como particularmente abundante.

 

Fica assim a ideia de que mais tempo estende a vida e adia a morte. O que se conclui dos estudos realizados, é que parecem ser as pessoas que mais pretendem prolongar a sua vida, aquelas que pensam na morte com maior frequência.

 

Gostaria de relembrar para aqueles que de nós, se sentem preocupados com a morte ou inquietos com o tempo que ainda têm, um outro lado importante da noção de tempo, e fundamental para a forma como encaramos a vida e a morte: Este é o tempo de viver.

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publicado às 10:52

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