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Mas o que é isto que estou a sentir?!

por oficinadepsicologia, em 30.12.12

Autora: Cláudia Almeida

 

Psicóloga Clínica

 

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Cláudia Almeida

O ataque de pânico é um episódio de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 de 13 sintomas físicos ou cognitivos. Tem início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico (geralmente em 10 minutos) acompanhado por um sentimento de perigo ou catastrofe iminente e uma vontade de fugir.

 

Os sintomas físicos são:

- Coração batendo rapidamente / palpitações,

- Tremores,

- Tontura ou vertigem com/sem sensação de desmaio,

- Sensação de falta de ar ou sensação de asfixia,

- Dores no peito,

- Sudorese (transpiração),

- Agitação

- Náuseas ou desconforto abdominal,

- Medo de perder o controlo ou enlouquecer,

- Medo de morrer,

- Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo),

- Parestesias (dormencia ou formigueiro),

- Calafrios ou ondas de calor.

 

Os pensamentos/cognições podem incluir a sensação de que se:

- Está fora de controlo físico e/ou emocional,

- Quer fugir do sitiu onde se está,

- Está a ter um ataque cardíaco,

- Está a desmaiar,

- Está a enlouquecer ou morrer.

 

Um ataque de pânico é uma intensa reação em cadeia, física e mental. Pode começar com uma simples sensação corporal ou um pensamento sobre algo ameaçador. Em poucos segundos, uma reação em cadeia é accionada, envolvendo pensamentos de medo, reações físicas e sentimentos de terror e desespero. Na maioria dos casos, um ataque de pânico pode começar com uma variedade de sintomas e atingindo um pico dentro de 10 a 15 minutos, sendo que depois vai gradualmente diminuindo.

 

É importante relembrar-se que está a sentir uma intensa ansiedade e o mais certo é ser desproporcional a qualquer perigo real que possa julgar estar presente nesse momento.

 

É importante relembrar-se que o pânico nunca é permanente, a maioria dos ataques de pânico nunca duram mais do que alguns minutos (em média, 4 a 6 minutos). Depois de atingir um pico de desconforto a tendência é para que a intensidade dos seus sintomas diminua.

 

Relaxe

O relaxamento é a chave para superar os ataques de pânico. As técnicas de relaxamento, tais como, relaxamento imagético, controlo da respiração e meditação podem ser praticados para ajudar a relaxar.

 

Um exemplo de controlo da respiração é a respiração lenta e profunda. Exemplo: respire calmamente e em silêncio, conte para si mesmo à medida que vai inspirando: 1 … 2 … 3 … 4 … 5…, e expire continuando a contar para si: 1 … 2 … 3 … 4 … 5 …, mantenha um pouco a respiração pelo periodo que considere confortável. Repita o processo durante cerca de cinco minutos para que o equilíbrio de oxigénio e dióxido de carbono possa voltar ao normal. Este é um processo muito eficaz quando utilizado aos primeiros sinais de um ataque de pânico.

 

Alguns pontos-chave que se deve ter em consideração são:

- Não evitar situações ou atividades habituais;

- Evitar a auto-medicação;

- Evitar o desenvolvimento de hábitos prejudiciais.

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publicado às 14:21

Solidão: Querer partilhar a vida e não ter com quem

por oficinadepsicologia, em 29.12.12

Autora: Tânia da Cunha

 

Psicóloga Clínica

 

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Tânia da Cunha

Um dos maiores problemas do nosso tempo é, sem dúvida, a solidão.

 

Podemos falar de dois tipos de solidão: por um lado, o isolamento emocional, correspondente à falta de uma relação profunda e emocionalmente satisfatória com alguém, por outro lado, o isolamento social ou ausência de um círculo de amigos emocionalmente suficiente.

 

Podem sentir-se sós todos aqueles que, por uma razão ou por outra, não sentem as suas raízes, sentindo-se isolados, ou até todos aqueles que de alguma forma, se sentem abandonados, traídos, rejeitados e incompreendidos.

 

Sentir-se solitário é sentir-se desligado, separado das pessoas que são importantes do ponto de vista emocional. Podemos sentir-nos sozinhos mesmo quando nos encontramos rodeados por outras pessoas.

 

Uma das maiores conquistas dos nossos tempos é precisamente a consciência de que a solidão é algo que merece a nossa atenção, na tentativa de determinar como será possível dar a volta e conviver o melhor que possa com este sentimento. Neste sentido, deixo-vos algumas reflexões a considerar:

 

- Não precisamos forçosamente de outras pessoas para sentir alegria – procure desfrutar de experiências que realiza sozinho. Claro que, também poderá sentir prazer em partilhar alguns desses momentos com outras pessoas, mas tente não considerar que essas experiências são menos válidas se forem vivenciadas sozinho.

 

- Elabore uma lista de coisas de que gosta de fazer e construa uma nova estrutura da sua vida. Se ,por exemplo, manteve um relacionamento prolongado que acabou recentemente, ou os seus filhos acabaram de sair de casa, é possível que sinta solidão ao ver a sua rotina alterada. Este vazio pode ser preenchido com novas atividades.

 

- Se não fizer pequenos esforços pode passar na realidade a achar a sua companhia bastante desagradável, valorize a sua própria companhia! Se estiver com outra pessoa é possível que queira preparar uma refeição elaborada e requintada, mas se estiver sozinho aquece apenas um prato rápido para comer diante da televisão ou computador. Deste modo, está a indicar a si mesmo que não é digno de tanto trabalho e tempo e só o tempo que despende para os outros é valorizado.

 

- E porque não inscrever-se em clubes já existentes e começar a dar alguns jantares e pequenas festas? Despois de ter decidido apreciar a sua própria companhia, faça alguma coisa em relação à sua vida social, saindo mais para conhecer novas pessoas.

 

 

 

 

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publicado às 10:52

Autora: Susanne Marie França

 

Psicóloga Clínica

 

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Susanne França

Os resultados de um estudo efectuado na Mayo Clinic nos Estados Unidos, apontam para uma associação entre a vivência de experiências traumáticas na infância e na vida adulta e o desenvolvimento da Síndrome do Cólon Irritável (SCI).

 

Na realidade, há muito que se acredita que o stresse e ansiedade estão associados aos sintomas característicos desta síndrome. E parte deste stresse e ansiedade poderá provir de experiencias traumáticas, uma vez que cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com SCI reportam terem sido vítimas de abuso sexual na infância.

 

Todavia, um dos factores cruciais neste estudo é a chamada de atenção para o facto de existirem outras formas de trauma associadas à SCI que no passado têm sido provavelmente ignoradas. Referimo-nos a experiências como a morte de um ente querido, catástrofes naturais, divórcio, acidentes, etc.

 

É importante salientar que os resultados deste estudo apontam para o facto de que pessoas com SCI reportam experiências presentes e/ou passadas de trauma quando comparadas com pessoas sem SCI. Acredita-se que situações de trauma poderão estar na origem de um desequilíbrio na relação entre a mente e o intestino, nomeadamente no controlo dos músculos e nervos intestinais.

 

Existem diversas abordagens terapêuticas que podem ajudar no processamento de experiências traumáticas e no controlo dos sintomas da SCI. A Hipnoterapia Clínica tem excelentes resultados no controlo e atenuamento da sintomatologia associada à SCI, e o EMDR é a terapia de eleição para o processamento de experiencias traumáticas.

 

Uma abordagem integrativa e focada em objectivos bem delineados e realistas pode contribuir para facultar uma melhor qualidade de vida às pessoas com SCI, cuja sintomatologia pode ser de tal modo debilitante ao ponto de condicionar o funcionamento quotidiano e o bem-estar emocional e físico.

 

 

 

Fonte: American College of Gastroenterology (2011, October 31). Psychological traumas experienced over lifetime linked to adult irritable bowel syndrome. ScienceDaily.

 

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publicado às 11:23

Meses Difíceis

por oficinadepsicologia, em 21.12.12

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

Muitas vezes, após o Verão, os clientes tendem a falar-nos de meses de “depressão”, meses difíceis. Mas serão mesmo os piores meses para quem sofre de depressão? Será mesmo a pior altura do ano para as pessoas com predisposição para a Depressão?

 

Primeiro há que clarificar o porquê das pessoas ficarem com maior apatia ou aparente tristeza nos primeiros dias de Inverno. Tudo está relacionado com o quotidiano, com o regresso às rotinas após as férias, com o inicio das aulas, com os dias mais frios e com menos horas diárias de luz, sintomas ampliados pela mudança horária, que pode implicar um menor contacto social e uma menor motivação para “sair de casa”. Chegam os dias descritos como “dias de sofá”...

 

A menor exposição com a luz solar leva a ligeiras alterações hormonais, que nos podem deixar menos activos ou com maior procrastinação, mas estes sintomas não deverão ser confundidos com depressão, pois a Depressão Major tem critérios que não se enquadram nesta astenia temporal e vão muito mais além dela.

 

Tal como a “Astenia de Outono”, se assim a podemos chamar, a Depressão envolve perca de interesse, lentificação psicomotora e perda de energia. Mas a Depressão envolve também sintomas como o choro e a irritabilidade ou, mais importante, a sensação de vazio e de tristeza.

 

As alterações de sono e do apetite são comuns, tal como as alterações de peso, a fadiga recorrente, pensamentos de desvalorização ou culpa excessiva. E podem até aparecer pensamentos recorrentes sobre a morte. Tal como todas as psicopatologias, a Depressão tem que cumprir uma linha temporal em que os sintomas são persistentes.

 

Ao contrario da normal “preguiça” no fim de semana de Inverno e da menor vontade de realizar tarefas fora das nossas rotinas habituais ou das nossas obrigações, que nem todas as pessoas sentem de igual forma, a Depressão é algo de mais profundo, mais concreto no diagnóstico e no que toca a sintomas, que não depende apenas do ambiente exterior ou dos dias mais ou menos solarengos.  Para o tratamento da Depressão existem protocolos terapêuticos específicos, diferentes dos criados para lidar com a desmotivação ou a astenia.

 

No entanto, se tem dúvida relativamente aos sintomas sentidos ou às alterações sofridas nestes meses outonais e de invernia, não há nada melhor do que contactar profissionais indicados para o diagnostico dos mesmos.

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publicado às 11:25

Será que Existem Mesmo Traços de Personalidade?

por oficinadepsicologia, em 20.12.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Identificar as características e a estrutura da personalidade humana afigurou-se, desde sempre, como um dos objectivos fundamentais da psicologia. Neste sentido, foram sendo realizados ao longo do tempo estudos com o intuito de descobrir as dimensões e/ou traços que permitiriam descrever a personalidade humana.

 

Existem várias modelos de traços de personalidade, mas um dos que é mais utilizado na psicologia dada a sua robustez para compreender a personalidade é o dos “Cinco Factores da Personalidade”, de Costa & McCrae. De acordo com este modelo os cinco traços de personalidade são - Extroversão; Neuroticismo; Abertura à Experiência; Afabilidade  e Consciência.     

 

A consistência deste modelo advém, não só do facto do mesmo ter sido descoberto e definido por diversos pesquisadores independentes, mas decorre também do facto de posteriormente ter sido demonstrada a sua universalidade.

 

Hoje assume-se que as cinco dimensões gerais do modelo contêm os traços de personalidade mais conhecidos, configurando-se ainda como a estrutura base sobre a qual assentam todas as outras características ou traços de personalidade.

 

De algum modo pode dizer-se que esses cinco traços de personalidade representam as qualidades mais importantes que moldam a nossa paisagem social.

 

A ideia de que existem traços de personalidade é fácil e acessível. Todos nós temos a noção de que existe alguma consistência na forma como cada um de nós e dos outros se comporta ao longo do tempo, sendo assim fácil dizer que, por exemplo, determinada pessoa é reservada enquanto outra é extrovertida.

 

Os traços de personalidade podem assim ser equacionados como padrões habituais de comportamento, pensamento e emoção. Afigurando-se como características que são relativamente estáveis ao longo do tempo.

 

Ter um traço de personalidade não implica que as pessoas se comportem sempre da mesma maneira, todos nós apresentamos alguma variabilidade nos nossos comportamentos não só em função da fase do ciclo de vida onde nos encontramos, mas também fruto das próprias circunstâncias, contudo isso não nos impede de perceber que cada um de nós mostra padrões de personalidade facilmente reconhecíveis ao longo do tempo.

 

Efectivamente cada um de nós tem a capacidade de se mover ao longo de cada dimensão ou traço à medida que as circunstâncias sociais ou temporais mudam. O nosso comportamento envolve e requer sempre a interacção entre os traços de personalidade e as variáveis situacionais.

 

A situação em que a pessoa se encontra, desempenha um papel relevante na forma como a pessoa reage. Cada pessoa não deve por conseguinte, ser posicionada numa das extremidades de cada um dos traços, como se de uma dicotomia fixa se trata-se, mas antes ser compreendida como movimentando-se num continuum, apresentando contudo algumas características mais frequentemente do que outras.

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publicado às 11:40

“Voltar para Casa”

por oficinadepsicologia, em 18.12.12

Autora: Ana Beirão

 

Psicóloga Clínica

 

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Ana Beirão

Voltar para casa dos pais, hoje em dia, é cada vez mais comum.

 

O movimento de sair de casa é algo natural que deve ser feito, é um passo para a independência e autonomia do(s) filho(s) e, devido à situação económica, à dificuldade em encontrar trabalho ou em permanecer naquele onde estavam, os adultos jovens optam por voltar para a casa dos pais.

 

Chamam-na “Geração Bumerangue”. O bumerangue é um objecto de arremesso usado na Austrália, que volta a quem o arremessa quando não acerta o alvo. O que acontece hoje é uma simbologia do uso desse objecto, os filhos que haviam saído de casa estão novamente a regressar. E agora, como vivem novamente pais e filhos adultos debaixo do mesmo tecto?

 

Os filhos viveram durante algum tempo sozinhos, aprenderam a gerir o seu dia-a-dia, a controlar o dinheiro que ganhavam para as suas despesas, a regular as tarefas da casa da sua própria maneira, a terem as actividades dentro e fora de casa, tais como receber amigos ou irem ao cinema ou ao teatro. Mas ficaram sem emprego ou o ordenado diminuiu e de repente já não conseguem coordenar como antes as suas vidas e pedem aos pais para regressarem durante algum tempo.

 

Começa então uma nova co-habitação entre adultos que são pais e filhos. É necessário haver uma mudança, os filhos já não são crianças mas é com os pais que se encontram novamente e estes têm a sua maneira de viver e gerir a sua casa. Existem regras, tarefas, lidas da casa para fazer, contas para pagar.

 

Antes de mais é preciso distribuir tarefas e discutir os limites, as regras da casa. Por vezes ambas as partes voltam a uma época passada e acabam por retomar os papéis que antes tinham, como por exemplo, geralmente são os pais que acabam por ficar responsáveis por todas as tarefas e deveres da casa. Começam os conflitos, a diferença de ideias e comportamentos.

 

Assim, dialogar sobre o que vai acontecer com esta reunião é o melhor caminho para que todos se sintam confortáveis e para que haja espaço para uma adaptação de papéis. Deve-se falar sobre a possível duração da estadia, a responsabilidade que ambas as partes assumem nesta nova etapa de vida. As novas rotinas são importantes e demora algum tempo até se ajustarem, por isso é importante que não se esqueça de si, seja pai/mãe ou filho(s), encontre os meios necessários para ter tempo para si e tente ter algum descanso e espaço para usufruir de alguma actividade que proporcione prazer. Só assim poderá estar mais disponível para os outros e ultrapassar os pedidos e as preocupações que advém do dia-a-dia.

 

Não se esqueça, quanto mais clara for a dinâmica que se pretende estabelecer, melhor. Viverão todos mais tranquilamente ajudando-se mutuamente.

 

Para quem gosta de passar os olhos pelas revistas, no mês de Outubro o Courrier Internacional publicou vários textos sobre o papel da família. São artigos que proporcionam uma leitura diferente e com direito a várias abordagens, sem no entanto deixarmos de ser críticos quanto ao que nos informam.

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publicado às 08:43

O Fenómeno das "Trocas"

por oficinadepsicologia, em 16.12.12

Autora: Irina António

 

Psicóloga Clínica

 

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Irina António

As relações humanas, tal como a nossa existência, têm uma natureza cíclica. Ao contrário daquilo que podemos pensar que tudo na vida tem uma lógica “linear” (do pior para o melhor, do mais simples para o mais complexo), as experiências reais confirmam que tudo se movimenta ciclicamente,  que os estados se alternam e que todas as histórias terminam num ponto final.

 

As relações humanas percorrem o mesmo caminho cíclico e o mais importante é que o contacto humano seja construído de uma forma equilibrada e adequada a cada momento do seu desenvolvimento. É importante que no início deste caminho esteja estabelecido um balanço entre segurança e interesse.

 

No início da relação temos muita curiosidade e também sentimos medo perante a pessoa que ainda é uma incógnita, apesar de todo o interesse que ela pode suscitar em nós. O mais importante não é tanto ultrapassar o medo, mas estabelecer o equilíbrio e abrir caminho para uma nova etapa – etapa de construção de relações.

 

Podemos observar o desenvolvimento das relações através do fenómeno de “troca”. Pois, quando estamos com alguém temos espectativas, queremos receber algo valioso e desejável, para poder equilibrar as nossa faltas reais ou imaginárias. Queremos trocar emoções, sentimentos, valores e atitudes pelas relações estáveis e duradouras, pela conquista do lugar especial na vida dos outros.

 

A nossa entrada no mundo de relações adultas não é inocente. Levamos connosco todo o historial de trocas que tínhamos estabelecido com os nossos progenitores. Com eles aprendemos fazer certas manipulações e na sequência delas esperamos um retorno semelhante ao que tivemos no nosso “ninho familiar”. Por exemplo, falo abertamente com o meu namorado sobre todos os assuntos da minha vida e espero que ele me responda da mesma maneira e conte todas as verdades da vida dele.

 

Abrindo um novo ciclo de relações, faria sentido dar atenção às regras que vão regular esta nova relação de “trocas”. O que estou disposto a oferecer e em troca de quê: uma cara feliz ou infeliz, um anel com brilhantes ou um prato de sopa, partilha de todo o tempo livre ou só de uma parte dele, abertura total ou vontade de manter certas coisas em segredo, proximidade ou distância física e/ou emocional. Sabemos que muitas vezes as regras de “troca” estão camufladas e nenhuma das partes sabe com clareza o que cada um dos envolvidos na troca está disposto trocar e por que preço.

 

Levamos para a relação de troca os nossos recursos, no entanto o sucesso de troca não se baseia só na qualidade e quantidade destes recursos, mas também na capacidade de ambos darmos uso adequado aos mesmos, para que a relação possa evoluir para um nível mais autêntico e favorável ao crescimento de cada uma das partes.

 

O processo de troca tem alguns segredos. Saber exactamente o que nós oferecemos para a troca, em que momento e o que esperamos receber como retorno do nosso investimento, é uma reflexão que todos podemos fazer em várias alturas das nossas vidas, abrindo e fechando os ciclos relacionais, tendo em conta que damos com alguma facilidade as respostas automáticas e baseadas no historial das relações passadas e pouco ajustadas à realidade do presente.

 

Por exemplo, se levo para a “troca” relacional uma atitude submissa, cedendo às vontades dos outros (como fazia na relação com os meus pais, ou com irmão mais velho, ou com ex-namorado) e espero receber em retorno interesse e respeito pela minha opinião, muito provavelmente este câmbio não terá o resultado mais feliz. O mesmo poderá acontecer se levo para a troca, na espectativa de iniciar uma relação séria, pouca disponibilidade de entrega emocional, total incapacidade de depender saudavelmente do outro.

 

No processo de troca o importante seria não só a capacidade de estabelecer e acordar as regras de trocas, mas também permitir experimenta-las e manter alguma continuidade, para poder perceber o que funciona e o que necessita de ser ajustado.

 

Umas trocas felizes e emocionalmente nutritivas!

 

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publicado às 14:23

O que o Flirt Diz de Nós?

por oficinadepsicologia, em 15.12.12

Autora: Cristiana Pereira

 

Psicóloga Clínica

 

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Cristiana Pereira

Em diversas conversas que acontecem no dia-a-dia surge, por vezes, o tema relações. E, com isto, é bastante comum ouvir falar-se de um ponto ou de outro que causam insatisfação.

 

Perante esta insatisfação, é também bastante comum que muitas pessoas, quase sem se darem conta, procurem outra que lhes permita viver as emoções que não vivem com o companheiro(a).

 

Mas com que intenção? Em muitos dos casos, a intenção não é a de serem infiéis mas sim, simplesmente, de se gratificarem, de voltarem a sentir-se vivas. No entanto, encontrar alguém por quem se possam apaixonar torna-se uma possibilidade, gerando um conflito ainda maior.

 

Quando o afastamento do companheiro é notado e existe a suspeita de que há outra pessoa na sua vida, a pessoa depara-se com diversos sentimentos dolorosos, que se traduzem em pensamentos, como: “há alguém melhor do que eu”; “há alguém que desperta mais simpatia, que é mais atraente e mais inteligente do que eu”.

 

É muito comum constatar que vários casais se foram afastando ao longo dos anos e, quando aparece a suspeita da existência de uma terceira pessoa, negam que estivessem atravessar uma crise na sua relação. É como se sentissem que tudo está bem e que, do dia para a noite, alguém está prestes a destruir tudo.

 

E o que se pode fazer em situações destas? Em muitos casos, é provável que não haja nada mais do que um pequeno cortejo que tem como objectivo restaurar parte da auto-estima perdida. Por um lado, o pior que se pode fazer nestes casos é chantagem emocional, ou seja, fazer o outro sentir-se culpado do que se está a passar e acusá-lo sem ter fundamentos suficientes.

 

É preciso ter em conta que o simples facto de sentir atracção por outra pessoa não é algo repreensível em si, por mais doloroso que seja para o outro, daí que culpá-lo por sentir uma atracção não faça sentido. Por outro lado, as culpas podem funcionar durante algum tempo, mas quando alguém se adapta a elas, cada censura que surge pode gerar uma profunda irritação.

 

O que fazer então?

A comunicação numa relação é um dos factores mais importantes para que ambos a sintam como satisfatória. Neste sentido, será benéfico para os dois tirar um tempo, de preferência a sós, para reflectir seriamente sobre o que está a falhar na relação. E, assim, não deitar as culpas nem para si próprio nem para o outro.

 

Não se trata de procurar as culpas, mas sim as causas, e então pensar no que se deseja: se fazer o esforço para melhorar a relação ou acabar. Se se decidiu a continuar a relação, seduza, para que seja possível recuperar as emoções perdidas.

 

Nestes momentos, recuperar os velhos interesses e pedir apoio aos amigos é bastante importante e, assim, não sentir vergonha.

E, por último, tirar da cabeça o suposto rival, não dirigir o ódio ou a amargura para o que, de momento, não é mais do que um fantasma.

 

Se a crise que o casal atravessa não é profunda, esta é uma grande oportunidade para que as coisas melhorem, caso ambos o pretendam. Será necessário falar sem rancores sobre o que está a acontecer, com sinceridade e sem censuras. E tentar entender, sobretudo, o que cada um precisa do outro e pensar, seriamente, se está realmente disposto a proporcioná-lo.

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publicado às 11:07

A crise externa e interna- O Sol continua a nascer?

por oficinadepsicologia, em 13.12.12

Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

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Inês Mota

Vivemos tempos conturbados, de realidades que se transformam e impõem de forma célere, drástica e dramática.

 

Para além das indefinições dos caminhos acerca do futuro, a verdade é que a realidade provoca impactos e redefinições profundas em diferentes gerações, no momento presente, que fazem disparar reflexões angustiadas acerca do passado.

 

De facto, a então denominada “geração rasca” pelo passar dos anos passou a “geração à rasca”, com as implicações que esta caracterização implica nesta geração, naquela que a gerou e naquela que esta geraria.

 

De forma muito célere, a crise e a necessidade de reajustes externos pressionam reajustes internos, provocando verdadeiras crises pessoais.

 

Face às condicionantes vividas, muitas pessoas sofreram quedas reais traduzidas por aquela sensação súbita de retirada inesperada do tapete e de imediata fragmentação.

 

São sonhos alimentados ao longo dos anos que se esfumam, são também caminhos solidamente construídos que de rompante se tornaram interditos.

 

Esta realidade pressiona movimentos internos muito difíceis de serem realizados num tempo tão curto, e por isso é muito natural que muitas pessoas se sintam imobilizadas, outras confusas e outras mesmo perdidas.

 

Umas estão em estado enevoado de incredulidade, perplexas face a esta opaca e translúcida realidade.

Outras sentem-se violentamente traídas, como se a vida lhes tivesse sido roubada num sopro e por isso vivem num estado de revolta incandescente.

 

Outras sentem-se anémicas, sem energia e força para continuar, antevendo um cenário profundamente trágico.

Outras ainda, tomando-se como responsáveis, foram engolidas pela culpa, encontrando-se num estado densamente escuro de decepção e desvalorização.

 

A forma como todas estas pessoas estão a viver contém um intenso sofrimento e são formas de estar a reagir a uma realidade que é de facto duríssima e que para muitos surgiu como um “tsunami”, e que para outros é o momento do desabar da tempestade que de alguma forma iam prevendo.

 

São e serão certamente caminhos muito difíceis, inegavelmente também nas crises pessoais e compreendendo e respeitando sempre os tempos e momentos de mudança de cada um, fazemos lutos mas encontramos forças que nos permitem sarar feridas e descobrimos movimentos que nos impulsionam a re-escrever histórias a re-descobrir novos personagens interessados em viver de formas diferentes sob um sol que não tem de ser menos dourado e luminoso.

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publicado às 11:06

Há Pessoas que não Sentem?

por oficinadepsicologia, em 11.12.12

Autora: Cristiana Pereira

 

Psicóloga Clínica

 

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Cristiana Pereira

Como é sabido, as mulheres costumam ter uma maior compreensão dos seus próprios sentimentos e emoções do que os homens.

 

Muitas delas sentem-se, não poucas vezes, frustradas e inseguras porque os seus companheiros são incapazes de demonstrar o que sentem. Isso leva-as a sentirem-se confusas, pois não sabem o que esperar da relação.

 

Esta situação torna-se por vezes mais difícil quando a mulher pergunta ao seu companheiro “o que sentes por mim?” e este responde com total sinceridade “Não sei” ou então “Suponho que gosto de ti porque caso contrário não estava contigo, não é?”

 

Em Psicologia, pessoas que parecem nunca sentir nada denominam-se por alexitímicos. Para estas pessoas, o que acontece não é que não disponham de sentimentos, mas não conseguem expressá-los.

 

As pessoas alexitímicas quase nunca se zangam ou choram e, quando o fazem, sentem-se muito desconcentradas, porque não entendem o que se está a passar com elas nem qual o motivo do choro.

 

Claramente, não têm a menor consciência dos seus próprios sentimentos e, assim, são incapazes de articular uma única palavra sobre o que estão a sentir. E por surgir desconforto perante situações que podem despoletar em si sentimentos, acabam por evitar as mesmas a todo o custo.

 

É provável que haja nos alexitímicos uma desconexão do sistema límbico, gestor das emoções, com o neocórtex, sobretudo com os centros verbais. De acordo com vários estudos, nestes casos, o neocórtex não pode classificar os sentimentos nem dar-lhes palavras, por isso, é como se não existissem, como se não pudessem tomar consciência deles.

 

O que deve ficar claro, em última instância, é que estas pessoas que parecem totalmente insensíveis e que não carecem de sentimentos, afinal desconhecem-nos e não conseguem expressá-los. Além disso, podem sentir as alterações corporais que acompanham as emoções, como taquicardia, suores, aceleração do ritmo respiratório. No entanto, são incapazes de associar estas reacções corporais à emoção experienciada, como o medo, a irritação ou a surpresa.

 

Então, pode dizer-se que o cérebro é como se fosse um computador eficaz que analisa logicamente os prós e os contras de cada acção possível. No entanto, sem o auxílio das emoções, tomar decisões torna-se extremamente difícil.

 

Na maior parte das vezes, não temos consciência do papel que a emoção e os sentimentos têm em cada decisão que tomamos. Mas, se sabemos que uma reacção emocional excessiva pode turvar a razão, o desconhecimento das emoções pode levar-nos a dar passos falsos ou a mergulhar-nos num mar de dúvidas.

 

Contudo, é nas escolhas importantes que a falta de sentimentos pode estimular verdadeiros insucessos. Ora, não podemos escolher a casa na qual talvez vivamos muitos anos, baseando-nos apenas nas considerações absolutamente lógicas e racionais, pois saber que é adequada não é suficiente. O mesmo se pode dizer da escolha de um curso, da pessoa com a qual vamos casar ou de uma mudança de emprego.

 

Surpreso?

 

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publicado às 15:18

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