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Controlo, para que te quero?

por oficinadepsicologia, em 24.03.10

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

 

É maravilhoso quando temos tudo arrumadinho e organizado, não é? Pena que nem sempre seja possível… Então e quando já andamos armados em polvo, com uma série de coisas e tarefas diferentes entre mãos, e de repente nos surge algo de que não estávamos à espera? Pois, parece que aí é que o caldo fica todo entornado…

 

Aqui a literatura tem algo a dizer. Pesquisas realizadas sobre este tema, revelam que, ao contrário do que se possa pensar, pessoas com um elevado nível de controlo, são mais susceptíveis a sofrer de burnout quando comparativamente com os mais “descontraídos”. Burnout é o termo que se refere ao stress num dado domínio da nossa vida, por exemplo, no domínio profissional, pessoal, familiar, etc., em que já deitamos tudo o que diga respeito àquele campo pelos olhos! Refere-se a uma situação de exaustão e stress intenso, que se pode revelar como prejudicial para a nossa saúde e para o nosso funcionamento.

 

 

Isto pode ser facilmente compreendido se pensarmos que, as pessoas que tendem a possuir um alto nível de controlo sobre as tarefas que têm em mão, tendem também a investir muito de si em cada uma delas. Assim sendo, basta pensarmos no seguinte: se estivermos muito absorvidos numa tarefa, com um elevado grau de investimento pessoal, o que por si já nos desgasta, e aparecer de repente e sem aviso uma outra tarefa, que não estava planeada, mas que “grita” pela nossa atenção, é normal que nos dê uma coisinha má!

É verdade que dispomos de uma série de recursos. Mas também é verdade que todas as fontes são esgotáveis (basta ver o que está a acontecer à Natureza). Como se isto não fosse suficiente, a literatura também nos mostra que as pessoas que se definem como possuindo um auto-controlo elevado, são as mesmas que possuem uma menor capacidade para gerir os seus recursos internos, em situações que percepcionam como importantes.

 

Imagine que investe toda a sua energia em algo. Acha que conseguiria “dar conta” de outra tarefa que lhe surgisse pela frente? Hummm… ainda não está convencido? Continua a achar que nada como tentar ter tudinho sobre controlo e investir o máximo de si no que tem de ser feito? Então e se eu lhe disser que também existem dados que revelam uma maior impulsividade por parte dos que se dizem mais controladinhos? Surpreendido? O ser humano tem que resvalar para qualquer lado e este caso não é excepção. Um estudo verificou que os indivíduos que se definem como auto-controlados, tendem a ser mais impulsivos quando se encontram a fazer as suas compras no supermercado, comparativamente aos que se definem como possuindo um baixo auto-controlo. Pior ainda, não olham ao preço! É um bocado paradoxal, não? Mas é verídico.

 

Depois disto, será que tentar ter tudo sobre controlo é de facto uma coisa positiva ou uma potencial fonte de problemas? O controlo é algo aparente. É impossível determos controlo sobre tudo. Aliás, a quem nunca lhe aconteceu estar muito focado a tentar controlar alguma situação, e perder o controlo sobre outras? Uma coisa é ser organizado, outra é tentar controlar tudo como se pudéssemos “ter mão” sobre uma imensidão de factores internos e externos.

 

Não se desgaste. Tente organizar o seu tempo e a sua agenda, mas com os pés assentes na terra! Seja realista! Lembre-se de que também precisa de tempos de descanso e descontracção e que, já agora, ninguém vive sem dormir.

Relaxe! E… Seja Feliz!

 

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publicado às 09:42


2 comentários

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De Inês X. Reis a 03.04.2010 às 22:25

Este texto pareceu-me interessante, principalmente porque o leio num momento da minha vida em que tenho uma data de projectos e quero iniciar outros (embora não me ache uma pessoa muito controlada). O texto só me suscitou uma questão, talvez porque não estão referidos todos os parâmetros do tal estudo sobre controlo. As pessoas que se dizem controladas, são mais impulsivas no supermercado e não olham para os preços. Não será porque têm mais dinheiro (provavelmente exercem uma actividade com uma boa compensação financeira) e não necessitam de estar tão preocupas com o que gastam? Se pudesse indicar-me o título do paper ou os seus autores, agradecia =)

Obrigada! Beijinhos ***
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De Ana Crespim a 12.04.2010 às 19:18

Saudações cara Inês,
Antes de mais, muito obrigada pelo seu comentário. A sua questão faz, de facto, todo o sentido. De facto, a capacidade económica de cada um é também uma variável a considerar. E, se pensarmos que as pessoas em questão desenvolvem mais actividades, é de esperar que tenham um vencimento correspondente ao volume de trabalho. No entanto, infelizmente para alguns, por vezes não vemos reflectido no vencimento as horas e horas de trabalho que executamos. Mesmo nessas pessoas, continua a verificar-se este estranho fenómeno: não reparar no preço do que compram. Uma possível explicação para este facto, reside na pressa constante com que se dirigem ao supermercado. Penso que a Inês, perante o que me descreveu, estando envolvida em diversos projectos e actividades, consegue facilmente se identificar com este aspecto. Quantos estamos muito envoltos em trabalho, e tentamos controlar tudo o que ele implica, muitas vezes acabamos por descambar noutras áreas. E ao fim de um dia árduo de trabalho, quando muitas vezes (para não dizer sempre) ainda temos inúmeras tarefas pela nossa frente quando chegarmos a casa, o que vier à nossa mão no supermercado, é muitas vezes o que vai para dentro do carrinho  Isto não significa, contudo, que todos funcionamos desta forma. Existem pessoas que podem não possuir este “sintoma”, mas outro. As diferenças individuais e o meio em que cada um está inserido têm muito a dizer neste como em muitos outros aspectos.
Quanto ao estudo que referi, é da revista “Science News” e o título é: “Controlling multi-taskers burn-out fast when confronted with unexpected challenges – Science Daily” – 4 de Março de 2010.
Espero ter ajudado. Qualquer coisa, não hesite em perguntar.
Beijinho
Ana Crespim
Oficina de Psicologia

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