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Anti-depressivos e efeitos secundários

por oficinadepsicologia, em 05.05.10

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

 

Quando falamos em anti-depressivos falamos em um dos fármacos mais frequentemente prescritos no nosso país. O seu uso tem-se tornado recorrente e cada vez mais abundante. Seria, sem dúvida, interessante verificar em quantos lares portugueses se pode encontrar, por exemplo, uma embalagem de fluoxetina. Provavelmente, numa larga percentagem.

 

Uma das temáticas em torno dos anti-depressivos que mais polémica tem gerado ao longo dos anos prende-se com os seus efeitos secundários. Qual a sua taxa de presença entre os utentes de cuidados de saúde mental? Qual a real intensidade? Quais os riscos associados a eles? Todas estas questões estão certamente presentes na mente dos médicos ao prescrever, assim como certamente na lista de preocupações dos utentes a quem lhes são receitados estes medicamentos.

 

 

Um estudo recente do Hospital de Rhode Island, nos EUA, veio trazer revelações surpreendentes. Neste estudo, o grupo de investigadores pediu a 300 pacientes diagnosticados com depressão e medicados com anti-depressivos que preenchessem um questionário relativo aos efeitos secundários que manifestavam. De seguida, compararam estes resultados com um levantamento dos efeitos secundários que constavam das fichas elaboradas pelos médicos que acompanhavam estes pacientes. Os resultados foram  desconcertantes: o número médio de efeitos secundários reportado pelos pacientes era 20 vezes superior ao reportado pelos médicos, sendo que nas escalas que apenas admitiam pequenas variações os resultados chegaram a ser 2 a 3 vezes superiores. Num contexto em que a adesão á terapêutica farmacológica é, frequentemente, uma dificuldade, estes valores podem ajudar a explicar a razão pela qual tantas pessoas deixam de tomar a medicação. Esta situação é particularmente para pessoas sem qualquer outro tipo de tratamento, como a psicoterapia. A descontinuação repentina da medicação conduz frequentemente a uma recaída súbita.

 

Este resultado levou a uma reflexão séria sobre o que poderia estar na base desta diferença de valores. A suspeita dos investigadores é que, frequentemente, se dê uma importância exagerada aos efeitos secundários associados à sexualidade e, à luz desses, outros importantes fiquem descurados. Claramente, falamos de uma questão de comunicação entre médico e paciente.

 

Se está a tomar medicação anti-depressiva, estas ideias podem ser-lhe úteis. Procure informar-se junto do seu médico acerca dos efeitos secundários da sua medicação. Seja aberto detalhado na descrição daquilo que sente serem as alterações no seu organismo, humor e comportamento provocadas pela medicação anti-depressiva. Ao ajudar o seu médico a recolher esta informação, está a ajudá-lo a ajustar o seu tratamento da forma que mais facilite a sua melhoria de qualidade de vida.

 

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publicado às 18:42



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