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Reduzir a impulsividade nas escolhas

por oficinadepsicologia, em 18.07.10

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

Decisões, decisões, decisões! Tantas variáveis para ter em conta em cada uma delas, tantas opções que temos de subscrever diariamente, desde as mais rotineiras (onde é mesmo que vou almoçar hoje?), às de maior impacto (aceito esta proposta de trabalho ou fico onde estou?).

 

Em todas, um dos componentes a ter em conta refere-se à antevisão das consequências de cada opção e, uma vez identificadas, à capacidade para escolher o bem maior. Em muitos casos, a escolha mais racional exige uma capacidade significativa de adiamento da gratificação. Por exemplo, tirar um curso superior, com a promessa inerente de uma vida profissional num futuro que a impaciência transforma em longínquo, exige que, nos anos que se seguem, se domine muito bem a impulsividade para mantermos as pestanas intactas e começar logo a recolher amostras de desafogo em dia certo de cada mês.

 

Enquanto que o nosso cérebro está muito bem preparado para escolher a melhor recompensa, quando se lhe junta o factor tempo e a opção de maior retorno se situa mais longe do que outras menos interessantes, surgem problemas em fazer uma boa escolha. A exemplo dos automóveis, em que quanto mais tempo vai passando, mais se vão desvalorizando, o nosso cérebro faz o mesmo processo de desvalorização às recompensas antevistas, à medida em que se situam em tempos progressivamente mais remotos. Complicado, para quem tem decisões de longo prazo para tomar – viagem de férias ou poupança para a reforma? Ups, segue a história de um PPR adiado. Que culpa tenho eu se o meu cérebro comanda um pássaro na mão em vez de dois a voar?

 

 

Um estudo recente da University Medical Center Hamburg Eppendorf, da Alemanha, dá-nos uma luz sobre a forma de reduzir impulsividades que nos possam ser prejudiciais. Neste estudo, conseguiu-se identificar o efeito moderador desta desvalorização das recompensas futuras de uma interacção entre duas estruturas cerebrais: o córtex cingulado anterior, que participa em decisões que se baseiam em recompensas estimadas (ao que parece, o grande responsável por eu ainda não ter feito um PPR…) e o hipocampo que intervém quando imaginamos o futuro. Atalhando para as conclusões: os investigadores verificaram que, quando imaginamos o futuro, visualizando-o, as escolhas impulsivas reduzem-se.

 

Assim, uma boa alternativa, quando estamos perante situações em que urge uma decisão ponderada e o valor do que está em jogo é elevado, será guardarmos algum tempo para projectarmos, na nossa imaginação, o que pretendemos no futuro, como consequência da decisão que tomarmos. Deixarmos que o nosso cérebro se passeie tranquilamente por todo o cenário que poderemos ver, ouvir e sentir dentro de 1, 5, 10 anos, após a decisão implementada, pode ser o suficiente para refrearmos escolhas que passam por uma valorização excessiva do conforto de curto prazo e nos permitem equacionar, igualmente, o conforto lá mais à frente e que talvez compense a espera e os incómodos durante o processo que nos conduz ao futuro.

 

Por isso, se não se importa, agora vou ali sentar-me um bocadinho à sombra, para me visualizar já reformada, e com capacidade financeira para me rodear de bons livros, boa música, a viajar confortavelmente por terras desconhecidas e de animação segura. Vão ver: há-de ser hoje que o meu hipocampo me convence a começar uma poupança para a reforma :=)

 

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publicado às 13:49



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