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O que faço hoje vai estar comigo amanhã

por oficinadepsicologia, em 16.09.10

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

 

Cada vez mais ouvimos falar de stress. Tanto, que acabamos por banalizar o termo e retirar-lhe importância, não a que ele merece, mas sim a que implica. Stress não é só e apenas estar um bocado mais agitado ou cansado, ansioso, nervoso, por uma série de exigências do meio, nem tão pouco se apresenta apenas através dos sintomas enunciados e outros semelhantes. Ele pode mesmo matar. Como? Quando as pessoas descuidam aqueles primeiros sintomas de alerta, deixam que eles se instalem, se habituam a eles ao ponto de já nem terem consciência da sua presença, podem estar no caminho que conduz ao stress crónico. Pode estar a pensar: “Sim, e depois?” e depois que as pessoas que sofrem de stress crónico tendem a fumar, beber e/ou a usar drogas. Este tipo de comportamentos são sinais de alerta para uma cascata biológica que pode conduzir à depressão, bem como a outras perturbações psíquicas e físicas, que podem contribuir para uma morte precoce.

 

Mais grave ainda, é que quanto “mais crescidinhos” somos, maiores proporções ganham os nossos maus hábitos. Para além do referido, o efeito do consumo de tabaco, álcool e/ou drogas tende a ser mascarado pela vitalidade característica da juventude. Com a continuação dos consumos e com o normal envelhecimento do organismo, os efeitos dos erros cometidos tendem a sobressair.

 

 

A dependência de substâncias (como a nicotina, a cafeína, o álcool, etc.) tem sido alvo de várias interpretações. Porque é que algumas pessoas consomem substâncias sem apresentar dependência enquanto outras não? Este é um tema que tem gerado alguma controvérsia e em relação ao qual podemos encontrar diferentes explicações na literatura. Uma perspectiva curiosa é aquela que defende que os sujeitos iniciam este tipo de comportamentos, não por possuírem uma personalidade fraca ou por serem ignorantes, mas por motivos funcionais. Isto significa que, algumas pessoas, perante situações de vida adversas ou pressões externas, tendem a adoptar estratégias de “coping” que os ajudem a lidar com as mesmas. O problema é que a escolha dessas estratégias nem sempre é a mais adequada, e acabamos por nos prejudicar ainda mais, embora tão não pareça a princípio – se eu estou stressada e me sinto mais descontraída quando fumo um cigarro (e outro, e outro…) é natural que associe este gesto a uma sensação de bem-estar, sem me ocorrer, de cada vez que acendo um cigarro, os efeitos nefastos que estou a provocar no meu organismo ao tentar mascarar os sintomas de stress.

 

Talvez fosse uma ideia pensar noutras alternativas, aprender outras técnicas que o ajudem e que não o venham a prejudicar futuramente.

Quer o seu problema seja stress, depressão, ansiedade ou qualquer outro, se sente que não está a conseguir lidar com a situação do modo mais adequado, talvez esteja na hora de pedir ajuda. Lembre-se, tal como o consumo de substâncias pode ser visto como uma estratégia para lidar com situações adversas, e não como um sinal de fraqueza, a psicoterapia também.

Pense nisto… e seja feliz!

 

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publicado às 09:18



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