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Eu sou eu, tu és tu...

por oficinadepsicologia, em 04.01.11

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

 

 

Falar sobre dependência emocional é falar sobre histórias de alguém que com surpresa para si próprio começou a emprestar dinheiro, a comprar compulsivamente, a contar coisas que ficariam melhor se estivessem preservadas, ou de alguém que está a sentir desamparado e infeliz porque não recebeu parabéns de um amigo, um telefonema do namorado, um “sim” do filho ou até porque ganhou poucos comentários na sua pÁgina do facebook.

 

 

“All you need is love” cantam os Beatles; todos necessitamos de atenção e aceitação de quem gostamos e com quem convivemos para nos sentirmos seguros e estáveis emocionalmente, dizem os psicólogos. O que acontece é que na expectativa de conquistar o amor, alguns de nós ficam reféns das fantasias acerca das expectativas dos outros e deixam de viver suas próprias vidas e realizar seus próprios sonhos. A dificuldade em conviver com o vazio interno e medo da solidão leva-os estabelecer a relação com a emoção dos outros pelo mesmo modelo que caracteriza a relação com drogas.

 

O facto de cada adulto ter guardado dentro de si uma história da “criança interior” pode ajudar a compreender o medo de ser abandonado, necessidade de carinho, de segurança, do “colo”, assim como a procura eterna de alguém quem nos diga “tu és fantástico, és o melhor”.

 

No movimento de ambivalência que marca o convívio com outras pessoas, todos tentamos procurar o equilíbrio possível: estar aberto e flexível com os outros e preservar a sua independência e originalidade.

A sensação de estabilidade interior não aparece vinda de fora, é uma experiência que só é possível ser adquirida na batalha no campo interno sobre o lema: “vive a sua própria vida”. Nesta batalha as perguntas: “como estou?”, “o que necessito?”, “o que é bom / mau para mim?”, “o que faço é para responder à minha necessidade ou para o outro gostar de mim?”, podem ajudar a definir estratégias e ajustar tácticas. Princípios e gostos pessoais, actividades e coisas que dão prazer são um sustento importante para dar força e ganhar.

 

Cada um de nós enfrenta suas próprias batalhas, sendo que:

“Eu faço as minhas coisas, tu fazes as tuas,

Não estou neste mundo para viver de acordo com tuas perspectivas

E tu não estás neste mundo para viver de acordo com as minhas

Tu és tu, eu sou eu,

Se por acaso nos encontramos, é lindo,

Se não, não há nada a fazer…” (oração do fundador da Terapia Gestalt, Fritz Perls)

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publicado às 10:03


2 comentários

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De luiza a 13.01.2011 às 16:48

Exma Sra Dra.
Olá boa tarde. Estive a ler o seu texto mas não percebi o que disse relativamente à relaçaõ com as drogas. Será que é possivel ser mais descritiva pf?..... Muito obrigada. Luiza Monteiro.
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De Anónimo a 24.01.2011 às 23:01

Cara Luiza,

quando comparo a dependência emocional com a das drogas, refiro-me ao modo como a pessoa dependente se relaciona, caracterizada por um insuficiente desenvolvimento da sua capacidade de auto-estruturação, de auto-controlo e de auto-apoio.

Um abraço
Irina António

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