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Estamos a tornar-nos um país de "drogados"?

por oficinadepsicologia, em 11.02.11

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

 

 

De acordo com o relatório para a evolução dos Indicadores Nacionais do Plano nacional de Saúde, desde 2004 o consumo de medicamentos ansiolíticos, antidepressivos e sedativos aumentou mais de 25%. Este é, de resto, um dos indicadores nos quais o nosso Plano Nacional de Saúde continua claramente deficitário, revela também a Organização Mundial de Saúde. Este enquadramento parece indicar que somos um povo que, cada vez mais, depende de psicofármacos para conseguir funcionar no dia-a-dia e conseguir sobreviver com algum bem-estar. Em ano de agravamento das medidas de austeridade, de revisão do código contributivo e de flexibilização das leis de despedimento, 2011 promete ser um ano ainda mais dado a este tipo de consumos.

 

De acordo com a Oficina de Psicologia, esta tendência tem reflexo nas patologias apresentadas por quem procura ajuda psicológica. Ao longo de 2010 os pedidos de ajuda reflectiram um aumento exponencial de diagnósticos de depressão e de perturbações da ansiedade. Esta tendência, de resto, vem-se verificando desde 2008, ano que assinala o início da “crise” que vivemos actualmente. A explicação para este aumento passa, grandemente, pelo impacto que estes acontecimentos têm na nossa percepção do mundo.

 

 

Quando as nossas circunstâncias de vida, incluindo no plano financeiro, se alteram para significativamente pior, estas alterações tornam-se preocupações recorrentes. Com alguma facilidade, damos por nós a preocupar-nos, mesmo contra a nossa vontade, com as consequências que das mudanças podem advir. Somos bombardeados com questões acerca da nossa capacidade para fazer face às nossas obrigações financeiras, da nossa capacidade de sustentar as nossas famílias, do risco que corremos de ficar sem trabalho ou não o encontrar. Ao mesmo tempo, sobra cada vez menos espaço para disfrutar das coisas da vida que nos trazem prazer e a sensação agradável de sermos competentes. Ficamos “sem cabeça” para saborear os momentos em família e com os amigos, para nos dedicarmos aos nossos passatempos, para nos projectarmos num futuro feliz.

 

Quando isto acontece, entramos na “via rápida” para a depressão e ansiedade. Com alguma facilidade começamos a formar ideias muito negativas acerca de nós próprios, das nossas circunstâncias de vida, do nosso futuro. A austeridade é transportada das nossas vidas financeiras para as nossas vidas emocionais. Começamos a ficar ora tristes, ora preocupados e ansiosos. Torna-se cada vez mais difícil retirar prazer seja do que for, e a alegria torna-se um bem escasso. O leitor poderá reconhecer-se na descrição de pessoas que se retraem do contacto social, que começam a sentir dificuldade em dormir e comer, que começam a sentir-se atormentadas por ideias fixas fortemente negativas, e um humor cada vez mais triste. É este, habitualmente, o cenário que nos conduz ao nosso médico, e a um pedido de tratamento com psicofármacos. Para muitos, estes são um veículo que permite recuperar algum grau de funcionamento. A investigação demonstra que, por si só, é pouco frequente que os psicofármacos por si tenham um efeito superior ao alívio dos sintomas que sentem. Para assegurar que estes estados não se mantêm com o tempo, é importante trabalhar a forma como pensamos e somos afectados por estas circunstâncias de vida. A psicoterapia é a alternativa que muitos encontram para a resolução destas situações. Esta abordagem vem sendo cada vez mais confirmada pela investigação como sendo a mais eficaz, complementando ou mesmo substituíndo a acção dos psicofármacos. Para mais informações, consultar: http://www.oficinadepsicologia.com/terapia_grupo.htm

 

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publicado às 10:54



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