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Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Ana Crespim

Todos nós temos as nossas “obsessões”, às quais muitas vezes nos referimos como “manias”. Quantos de nós não sentimos necessidade de endireitar um quadro que está torto, ou de organizar determinadas coisas de uma dada maneira? Mas será que isto faz de nós obsessivos? A questão prende-se, essencialmente, com o que está por trás do que fazemos e da existência ou não de sofrimento associado. O que é que eu quero dizer com isto? Uma coisa é sentirmos prazer em ter as coisas arrumadas ou gostarmos de que, esteticamente, as coisas à nossa volta estejam bonitas, arrumadas, direitas. Outra completamente diferente é quando, do não cumprimento de certas “tarefas”, resulta sofrimento psicológico. Por exemplo: Podemos gostar de deixar a cama feita e o quarto arrumado antes de sair de casa. No entanto, se não tivermos tempo, se acordamos um pouco mais tarde, pensamos algo do tipo: “Bem, paciência, não vou estar a perder tempo com isto agora” e saímos de casa sem pensar mais no assunto. No caso da perturbação Obsessivo-Compulsiva, o cenário seria outro, mais nesta linha: “Não, eu tenho mesmo que fazer isto, porque se não o fizer, algo de mau vai acontecer” e, atrasados ou não, comprometendo ou não o nosso horário, toca de fazer a cama e arrumar tudo.

 

A perturbação Obsessivo-Compulsiva caracteriza-se pela presença de pensamentos desagradáveis e recorrentes (chamados de obsessões), geradores de ansiedade, a qual tende a ser libertada sobre a forma de comportamentos repetitivos e ritualizados (que assumem o nome de compulsões) – no entanto, podem manifestar-se sob a forma de pensamentos, não tendo que ser, obrigatoriamente, comportamentos observáveis (por exemplo: a repetição mental de certas palavras, números, orações, etc.). Apesar de as pessoas que sofrem desta perturbação terem a consciência da que as suas obsessões e compulsões são irracionais e/ou excessivas, não conseguem ter controlo sobre elas, pará-las.

 

Obsessões mais frequentes

Preocupações relacionadas com a sujidade, presença de germes e medo de ser contaminado

Medo de ter comportamentos violentos ou agressivos

Sentir-se altamente responsável pela segurança dos outros

Pensamentos religiosos repetitivos

Pensamentos de caris erótico

 

 

O que é importante referir, é que, mesmo as pessoas que não sofrem deste tipo de perturbação, têm pensamentos deste tipo, intrusivos, ou seja, que surgem sem razão aparente e sem lógica. Isto pode ser explicado pelo facto de a nossa “caixinha das ideias” ser tão “à frente”, que gosta de imaginar (e muitas vezes até de esmiuçar) todos os cenários possíveis, mesmo sem existir um agente desencadeador que o justifique (por exemplo: algum perigo real no meio que nos rodeia). São uma espécie de “barulho de fundo” ou de “fundo de ecrã do computador”, que vai lá estando enquanto se fazem outras coisas. A diferença está na forma como interpretamos este tipo de pensamentos, isto é, se todos nós temos este tipo de pensamentos, nem todos lhes damos importância. Deste modo, quem tende a sofrer de perturbação Obsessivo-Compulsiva, tende a analisar este tipo de pensamentos como ameaçadores, e, logo, desenvolvem medo, ansiedade e perturbação. Assim, se para quem não sofre desta perturbação, este tipo de pensamentos é seguido, por exemplo, por este tipo de frase: “Que disparate! Eu nunca faria isto!”, as pessoas que padecem desta perturbação tendem a pensar, por exemplo: “Se eu estou a pensar isto é porque vai acontecer” ou “Se isto me ocorre é porque é verdade”.

 

 A boa notícia (sim, porque isto não tem de ser uma sentença) é que existe tratamento. A intervenção psicoterapêutica Cognitivo-Comportamental apresenta uma taxa de sucesso de cerca de 80%!

 

Questão: muitas vezes, a vergonha, o medo de parecer ridículo ou absurdo (afinal, se isto surge como absurdo para o próprio, é perfeitamente compreensível que tema que o mesmo se passe quando o conta a alguém), levam a que a pessoa guarde isto só para si, sofra em silêncio e deixe que a situação se arraste e tome repercussões cada vez maiores.

 

Ao contrário do que possa pensar, esta é uma perturbação bastante comum. Para além do que, o trabalho do psicoterapeuta não é julgar (até porque seria contraproducente, afinal, se sabemos do que se trata e do sofrimento associado, que tipo de pessoas seriamos nós?), mas sim trabalhar consigo no sentido da melhoria da sua qualidade de vida.

Ainda acha que vale a pena sofrer em silêncio?

Pense nisto… e seja feliz!   

 

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publicado às 10:01



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