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Depressão pós-parto

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

 

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

 

O que é a depressão pós-parto?

Como o próprio nome indica trata-se de uma depressão, que ocorre dois ou três meses após o nascimento do bebé. Estudos realizados revelam que entre 10 a 15% das mulheres sofrem de depressão pós-parto.

Distingue-se de uma depressão “comum”, não só pela sua estreita ligação com o parto e por na sua origem estarem dificuldades de adaptação ao papel da maternidade, mas também pelo relevo que assumem determinados sintomas, como por exemplo um imenso sentimento de culpa aliado a uma quebra acentuada da auto-estima da mãe, que decorrem  de uma sensação de inaptidão no que toca à relação com o bebé e aos cuidados a prestar-lhe.

Importa ainda distinguir a depressão pós-parto dos blues, uma situação frequente que surge durante o primeiro mês após o parto e que está intimamente associada às inúmeras alterações hormonais que a mulher sofre com o término da gravidez. Ambiguidade de sentimentos, alternância entre períodos de tristeza e alegria, vontade de chorar sem motivo aparente, irritabilidade, falta de apetite e dificuldades em dormir, afiguram-se como os sintomas mais comuns dos blues.

A depressão pós-parto surge tendencialmente em mulheres sem história psiquiátrica prévia, o que aumenta a dificuldade de os sintomas serem identificados pela própria mulher ou pelos seus familiares.

A duração média dos períodos de depressão pós-parto, oscilam normalmente entre 3 a 4 meses, mas em alguns casos pode estender-se até aos 2 anos do bebé.

 

Sintomas

A depressão pós-parto está relacionada com o desempenho do papel de mãe e com a presença do bebé. Quando a mãe assume o seu novo papel e sente que não está preparada para ele, gera-se um contexto que propicia o aparecimento de alguns sintomas como:

  • Fadiga
  • Baixa auto-estima
  • Perda de apetite
  • Níveis elevados de ansiedade e preocupação
  • Sentimentos de culpa, de incapacidade e de inutilidade

 

  •  Sensação de vazio e de tristeza constante.
  • Pessimismo
  • Insónia
  • Irritabilidade, crises de choro constantes
  • Desinteresse pelo bebé

    

Factores coadjuvantes

As mudanças registadas nas últimas décadas, com particular destaque para a presença de núcleos familiares cada vez mais restritos e distantes das famílias de origem, aliado a um agravamento das condições de vida e a um contexto laboral competitivo e à exigência de desempenho de múltiplos papéis por parte da mulher, têm contribuído para a debilidade das redes de suporte tradicionais – pais, avós e vizinhos entre outros, bem como para uma desvalorização do estatuto da mulher-mãe,  que promovem a precipitação da depressão.

De facto, verifica-se que a depressão pós-parto tende a desenvolver-se preferencialmente junto de  mulheres que não beneficiam de relacionamentos positivos com o seu cônjuge, e/ ou não dispõem de uma rede consistente de apoio por parte dos familiares e amigos e/ou ainda têm bebés com dificuldades temperamentais.

 

Na ausência de suporte social, afectivo e emocional e perante uma eventual exaustão física e psíquica  da mulher, a espiral de desencantamento é inevitável e com ela cede a auto-estima e as dificuldades acrescidas no estabelecimento da relação com o bebé.

Pouca atenção tem sido dada às implicações adversas da depressão pós-parto, que não se limitam tão somente à mulher, mas que compreendem igualmente o cônjuge e o desenvolvimento saudável do bebé, comprometendo assim a saúde e o bem-estar mental da unidade familiar.

 

Intervenção

A medicação é uma das soluções mais utilizadas, no entanto existem outras opções mais naturais e ajustadas à saúde e bem-estar das mães e dos seus bebés, possíveis de ser encontradas no acompanhamento psicoterapêutico.

 

Na intervenção na depressão pós-parto, a dimensão psicossocial assume um papel de destaque ao promover, entre outros, a auto-estima e a aceitação da mulher. Ampliar o sentido de eficácia nos cuidados a prestar ao bebé, hierarquizar necessidades e recursos, implementar medidas que devolvam um carácter de normalidade às novas rotinas e que permitam a uma melhor organização e gestão do tempo e inventariar as necessidades do casal face ao aparecimento do bebé, procurando tanto quanto possível antecipar as situações de ruptura, afiguram-se, entre outras, como medidas importantes para propiciar a mudança e (re)estabelecer o equilíbrio.

 

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publicado às 08:23



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