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Luto: como ajudar quem o vive?

por oficinadepsicologia, em 05.07.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

 

Fabiana Andrade

O luto faz parte da nossa jornada pela vida e qualquer um de nós passa por esta experiência em determinada altura.

Pessoas que vivem esta situação, não “superam” ou “esquecem” a sua perda e sim, aprendem a aceitar que ela aconteceu e aprendem a viver com isso. Tornam-se capazes de visitar as memórias da pessoa querida, do que partilharam juntos e podem encontrar um significado para esta viagem conjunta. Quanto mais positivo for este significado, mais saudável será o processo de luto.

Enquanto as memórias da pessoa querida permanecem, vão sendo gradualmente equilibradas com as memórias da vida da própria pessoa.

Existem diferentes teorias sobre as fases do luto. Esta definição não nos diz que todas as pessoas passam por todas as fases, nem pela mesma ordem, mas ajudam-nos a entender o que a pessoa poderá estar a sentir:

 

1. Negação e o Isolamento: defesas temporárias contra a dor psíquica diante da perda. Há uma sensação de entorpecimento, de descrença. Podem surgir verbalizações como “estou bem”, e a pessoa pode continuar a agir como se nada tivesse acontecido, mantendo-se muitas vezes em movimento constante.

A intensidade e duração dessas defesas dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.

 

 

2. Raiva: surge devido à impossibilidade do indivíduo manter a Negação e o Isolamento e perante a irreversibilidade da situação. Os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, injustiça e ressentimento.

 

3. Desorganização e desespero: reconhecimento de que a perda é imutável. Pode ocorrer desmotivação, apatia, depressão e isolamento social.

Trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, agredir e se revoltar também não. Surge então um sentimento de grande perda.

 

5. Aceitação: nesse estágio a pessoa já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de maior serenidade.

Quando a tristeza ou a dor se mesclam com sentimentos mais positivos. Há uma maior tolerância e adaptação às mudanças, com possibilidade de reinvestir as energias em outras situações ou pessoas. Ocorre uma redefinição de si mesmo, novos papéis, novos comportamentos. Começa a viver novamente e não apenas a existir.

 

O que pode experienciar quem está de luto?

 

Quanto aos sentimentos: choque, tristeza, culpa, raiva ou hostilidade, solidão, agitação, ansiedade, desamparo, alívio…

 

Quanto às sensações físicas: vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho, sensação de despersonalização, falta de ar, fraqueza muscular, falta de energia, boca seca, queixas somáticas e susceptibilidade a doenças.

 

Quanto aos comportamentos: distúrbios do sono, perda ou aumento de apetite, aumento no consumo de psicotrópicos, álcool e fumo, comportamento aéreo, isolamento social, evitar coisas que lembrem a pessoa que morreu ou a situação perdida, procurar e chamar pela pessoa ou situação perdida, procurar e chamar pela pessoa ou situação perdida, sonhos, hiperactividade e inquietação.

 

Quanto às cognições: descrença, confusão, deficit de memória e concentração, pensamentos obsessivos e alucinações.

 

Como ajudar então, alguém que passa por um luto?

 

Ajudar quem está de luto normalmente é também uma experiência dolorosa. Aproxima-nos dos nossos próprios medos e fantasmas. No entanto, esta ajuda pode afectar significativamente o processo que a pessoa está a passar.

Perder alguém querido, não só perturba a vida da pessoa no momento presente, como muda o seu mundo para sempre. Toda a visão do mundo e experiência de si transforma-se após este tipo de situação.

 

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publicado às 18:14


3 comentários

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De Filipe a 25.02.2012 às 01:12

Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, a médica Drª Ana Paula Vidal. Ela conduzia o seu Audi A6 quando se despistou numa perigosa curva da serra da Arrábida, em Azeitão. Era a única ocupante do veículo e teve morte imediata. Ao Dr. Helder Fráguas, as mais sentidas condolências.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/despiste-brutal-mata-medica
http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=51&id=18122&idSeccao=479&Action=noticia
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De celisa a 08.07.2014 às 11:49

Amanhã,irá fazer 1ano do falecimento da mãe. Neste momento,passa um filme na minha cabeça,momentos dolorosos,se misturam a pensamentos que ela está bem. Estou confusa,li às etapas e me encontrei no meio de todas elas. Estou tentando
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De Kátia lopez a 05.11.2014 às 07:18

Ótimo artigo. Esta me ajudando a ajudar.

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