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Relações e jogos de ténis...

por oficinadepsicologia, em 11.07.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

 

Fabiana Andrade

Afirmar que as relações são semelhantes a um jogo de ténis parece no mínimo pateta! A verdade é que essa metáfora tem ajudado muitas pessoas que nos visitam a entenderem melhor o que pode estar a acontecer nas suas relações, bem como a sua própria forma de estar com uma outra pessoa.

Então, como explicar a comparação?

 

Todas as relações se desenvolvem num contexto, este contexto é o “campo de ténis”, onde cada uma das pessoas circula num dos lados do campo.

Cada lado do campo corresponde ao espaço individual de cada um. Este espaço é interno e externo, assim, lá estão:  

 - todo o passado desta pessoa, todas as suas memórias, fantasias, formas de se ver a si e ao mundo, seu conjunto de crenças e valores. Também estão lá todos os amigos, a carreira profissional, os objectivos e tudo o que faça parte da sua vida.

 

O que representa a rede do campo de ténis?  A rede será o que divide o campo individual de cada um e também o local onde as duas individualidades se encontram sem se misturarem.

 

 

Quando estamos numa relação com outra pessoa (família, amigos, marido ou mulher, namorado ou namorada, chefes, colegas etc.), esta pessoa está do outro lado da rede, com tudo aquilo que diz respeito ao seu campo individual. Uma relação entre duas pessoas é o encontro de dois campos (mundos) diferentes.

 

Estes encontros acontecem na rede. Esta é o espaço onde o encontro pode acontecer, de livre e espontânea vontade das duas partes. Na rede dá-se a sintonia, o momento em que as duas pessoas querem estar juntas. É também a rede que não permite que cada pessoa passe para o campo da outra, invadindo o seu espaço, é o nosso limite. Quando esta invasão acontece, estamos perante um desequilíbrio da relação, onde podem surgir questões de dependência, cobranças, manipulações, chantagens, coerção e abusos.

Estar em relação de forma saudável, exige que cada um seja capaz de manter o seu espaço individual (podendo circular no seu próprio mundo sem se perder no mundo do outro) e respeitar ao mesmo tempo o espaço do outro.

 

Também exige que sejamos capazes de gerir os movimentos inerentes à relação. Tal como um jogo de ténis, uma relação é dinâmica, está sempre em movimento. Isto significa que por vezes as pessoas encontram-se ao mesmo tempo junto à rede, estes são os momentos lindos de sintonia, em que os objectivos e vontades se cruzam. Noutros momentos, um pode estar junto à rede e o outro não, ou cada um pode estar em espaços próprios dentro dos seus campos e não se encontrarem de todo. Isso não quer dizer que não venham a encontrar-se mais tarde.

Em muitas situações, as pessoas surgem no consultório com queixas de rejeição, de abandono, e acabamos por entender que estas queixas estão relacionadas com uma incapacidade de ter o seu próprio campo e uma intolerância às ausências do outro. Estas pessoas sentem dificuldade em suportar o espaço em que o outro não está junto à rede, e tentam trazê-lo para o seu lado do campo invadindo o campo do parceiro. Neste caso, as pessoas acabam por entrar num esgotamento emocional da relação, e surgem muitas vezes as palavras “sufoco”, “dependência”, “falta de espaço”, “rejeição”, “abandono” entre outras.

 

Para estarmos bem do nosso lado e estarmos fortes para respeitar o espaço e o timing do outro jogador, é importante ter em conta algumas informações:

. é fundamental conhecer-me bem a mim e ao meu campo – saber quem somos, o que queremos através de reflexão, psicoterapia, meditação entre outros recursos, ajuda-nos a preencher o nosso próprio campo de uma forma satisfatória e não esperar que outras pessoas venham satisfazer necessidades que são nossas

. o nosso campo deve ser preenchido e satisfatório – ao conhecer-me, estou apta e responsável por cuidar do meu campo e torná-lo pleno e satisfatório. Desta forma gosto de estar do meu lado e não sinto necessidade de invadir o lado do outro “jogador”

. as “raquetes” representam as ferramentas para conhecer alguém (comunicação, interesse, curiosidade, abertura), mesmo que essa pessoa faça parte da nossa vida há muito tempo. Nunca devemos partir do princípio que só porque conhecemos há muito tempo uma pessoa, sabemos como ela se sente e vê o mundo. Não estamos dentro dela! Quantas vezes pedimos a pessoas que conhecemos bem para nos contarmos a história da sua vida? As respostas podem ser surpreendentes!

. a relação acontece em movimento e nada permanece da mesma forma, nem os campos individuais nem o campo conjunto. Assim, sabemos que se existe um momento em que há um desencontro e não estamos na rede ao mesmo tempo que o nosso parceiro de jogo, isso não quer dizer que de seguida não exista um (re)encontro. Respeitar estes movimentos com flexibilidade permite-nos viver de uma forma livre e não em função do outro

. as bolas de ténis que passamos de um lado para o outro da rede, são as trocas de informação, as mensagens que passamos e que deixamos do outro lado, as aprendizagens e partilhas. O movimento delas deve também ser frequente para que o jogo se mantenha

 

Bom jogo! Joguem sempre juntos e não um contra o outro, pois aqui, neste jogo, o objectivo é ganharem os dois!

 

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publicado às 14:38



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