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Sou apenas mais uma

por oficinadepsicologia, em 05.02.10

Email recebido

 

boa noite!

sou apenas mais uma.
Uma mulher carente,deprimida e frustrada e ignorante.
Estou a utilizar este espaço como forma de desabafo,com esperança de um qualquer feedback de carinho e compreenção.
Estou falida.Falhei .
Nada de nada foi concretizado na minha vida.
Fui um desastre como filha,depois como esposa,a seguir como Mãe e como Ser Humano tornei-me um ser mesquinho,idiota e com a mania do sabe tudo(ou melhor ...nao sabe é nada)
Odeio-me !
tanto que tenho lido,tentando aprender a controlar a minha ansiedade e impulsividade e nada.
Tudo o que faço ,vai terminar num problema, e parece que nada faço para que isso aconteça.
Penso ás vezes no Suicidio.depois penso que isso é ser egoista com a minha filha.que isso é um acto por um lado de coragem por outro de covardia.
Agarro.me a Deus e penso ajude-me Meu deus a sair deste sufoco.

E seja o que Deus quiser ,se morrer...acabou-se o sofrimento. chega.

 

 

 

Resposta

 

Cara C.

É apenas mais uma… Uma das muitas pessoas que, ao longo da sua vida, pelo menos por um momento fugaz, pensam que a vida lhes é insuportável e que falharam nos seus propósitos fundamentais. De facto, existem muitos factores que nos colocam em risco de desgaste e vontade de desistência – pois se a vida é complexa e tende a complicar-se!

Mas não é apenas mais uma – é única… No seu sofrimento, agora, porque é a única que o pode sentir, porque tem uma história que apenas a si lhe pertence e uma interpretação dessa mesma história que apenas os seus olhos podem ver e à qual apenas a sua razão dá sentido.

 

E, no entanto, partilhar o que sente e pensa pode permitir-lhe encontrar novas perspectivas, ângulos a que não tinha acesso, recantos da memória que, uma vez encontrados, lhe podem lançar toda uma nova luz transformadora da sua experiência pessoal sobre a sua vivência deste momento. Talvez por isso, seja tão importante contar com alguém com quem partilhar o que lhe vai na alma, e o espaço seguro e tranquilo de uma relação terapêutica, como a que poderá encontrar num acompanhamento psicológico, configura-se, muitas vezes, como esse espaço, onde podemos validar as nossas experiências, trocar impressões e reconstruirmo-nos.

Todos nós temos esse potencial: o de crescermos, refazendo-nos a cada instante, acrescentando novas formas de ver, dobrarmos os nossos cabos das tormentas, transformarmos a crise pessoal numa oportunidade de mudança e de alcançarmos um patamar superior de paz e bem-estar – o que, por sua vez, não seria possível se não fôssemos, de tempos a tempos, compelidos a isso pela insatisfação, pelo desgosto e pela inquietude. Por isso mesmo, esta fase da vida pela qual está a passar, em que tudo parece negro, pode ser a sua oportunidade para se encontrar consigo própria, refeita como uma nova pessoa, com novos olhares, novos objectivos, um novo sentido e direcção e, sobretudo, com uma nova alegria de vida. Pelo menos, é esta a nossa experiência, enquanto psicólogos clínicos, o que observamos diariamente, com os nossos clientes, mesmo em situações aparentemente de desespero inicial.

 

Sugerimos-lhe que comece por olhar em frente; o espelho retrovisor (o olhar para o nosso passado) é utilizado apenas de tempos a tempos, para apurarmos pontos de referência, colocarmos uma perspectiva de continuidade, verificarmos dúvidas. Mas é em frente que olhamos, ao conduzir a nossa vida! Para onde gostaria de caminhar? O que é importante para si? Que pequenos e grandes objectivos traçaria a partir de agora? Como os poderá atingir? Com quem conta neste momento e quem pode pedir ajuda? O que quer modificar na sua vida, aqui e agora? No futuro? Como é que o seu dia de hoje pode ser um pouco melhor? E o de amanhã? O que pode experimentar fazer agora, neste preciso momento, que aumente um pouco os graus de bem-estar? Será que essa voz interna que lhe murmura palavras de pessimismo e desesperança é de confiar? Ou pode encontrar na sua experiência de vida exemplos que lhe permitam encontrar segurança nas suas capacidades para seguir em frente e para ultrapassar as dificuldades? Quais são os recursos pessoais com que conta neste momento? Que outros poderá mobilizar para se sentir mais suportada?...

 

São muitas as questões que nos podemos colocar para nos obrigar a sair de um raciocínio feito de certezas negativistas e, acredite, normalmente muito pouco realistas. Regra geral, é difícil fazê-lo sozinhos, quando nos encontramos, por um qualquer motivo, presos numa espiral negativa, por isso não hesite em pedir ajuda: à família, aos amigos, a um psicólogo, a um psiquiatra, a um médico… Peça ajuda para desbloquear este momento e retomar o bem-estar a que tem direito – pedir ajuda quando é preciso é uma medida de coragem e força.

 

Entretanto, ficamos aqui, nós também, uma equipa grande de psicólogos, prontos para a apoiar no que precisar e a fazer votos de que um sorriso a ilumine muito em breve.

 

Um abraço solidário,

Madalena Lobo

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publicado às 13:07



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