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Quando a timidez é demais

por oficinadepsicologia, em 01.05.13

Autora: Vera Lisa Barroso

 

Psicóloga Clínica

 

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Vera Lisa Barroso

A timidez só por si não representa um  problema grave, uma vez que quase todos nós podemos ter algum traço inibitório (rubor, vergonha, insegurança) em determinadas circunstâncias, sobretudo as de exposição social.

 

Mas há um grau realmente perturbador nestas manifestações... quando existe um sofrimento tão acentuado que provoca limitações, chegando à chamada fobia social - esta sim tem características patológicas e é conveniente procurar a ajuda de um profissional. Aquilo que acontece muitas vezes é que os tímidos procuram ajuda só em limite extremo, quando estão já em sofrimento muito elevado. Por isso, enquanto pai, aprenda a distinguir os sinais.

 


Sinais de alerta: pessoas tímidas são retráidas, têm medo de se êxpor em situações sociais, apresentam comportamento inibido, são muito sensíveis a críticas, acham que serão alvo de avaliação negativa e não é raro que abusem de bebidas e outras drogas, geralmente com o objectivo de ganhar coragem para as situações temidas! Assim, quando antes dos 5 anos a criança já mostra sinais muito fortes de que é tímida, os pais devem ficar atentos.

 


A timidez excessiva tem consequências: fisicas (boca seca, taquicardia, rubor nas faces, dor de cabeça, dor de barriga e suor excessivo); comportamentais (a pessoa fala pouco, tem gestos pouco expressivos, desvia o olhar facilmente, apresenta hesitação em falar e pode muitas vezes acompanhar o discurso com movimentos corporais involuntários); psicológicas (pensamentos recorrentes de que estão a ser avaliados, de que ninguém tem interesse por aquilo que dizem, de que todos os outros fariam melhor que ele) e emocional (sentimentos de insegurança, vergonha, medo, comparação e inferioridade - a timidez pode estar muito relacionada com a baixa auto-estima).

 


Em termos sociais, isto não significa que a criança tímida seja pouco sociável. Muitas delas têm grande vontade de estar com outras crianças, mas evitam porque têm receio de errar e estragar as suas amizades.

 


Existem muitas situações que podem contribuir para as crianças se tornarem mais tímidas: mudanças frequentes de escola, separação dos pais, pais rígidos ou perfeccionistas e um ambiente familiar que não favoreça o contacto social.

 


A fobia social tem variações: pode ocorrer em situações específicas ou em situações generalizadas. Para entender melhor a fobia social é importante associa-la à timidez e compreender que se trata de um problema de ansiedade e a ansiedade pode tornar-se patológica quando começa a afectar o funcionamento do nosso corpo. Não espere demais...

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publicado às 10:03

Ansiedade e Morte

por oficinadepsicologia, em 21.11.12

Autor: André Viegas

 

Psicólogo Clínico

 

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André Viegas

A morte faz parte da nossa vida, é universal e experienciada por todos, podendo acarretar consequências psicológicas, nomeadamente ansiedade face à morte, que poderão ter repercussões no bem-estar global do indivíduo.

 

Nos dias atuais, a morte não é encarada unicamente como um fenómeno instantâneo. Trata-se de um verdadeiro processo biológico e psicossocial, em que um grande número de atos vitais se extinguem numa sequência tão gradual e saliente que escapa geralmente à simples observação, suscitando na maioria das pessoas intensas emoções (Castedo & Santos, 2008).

 

Sabendo que o medo da morte coexiste com o ser humano desde muito cedo, também a ciência psicológica se tem interessado nas últimas décadas sobre o tema, na medida em que há um influenciar de todas as dimensões humanas. A título de exemplo, pode referir-se que fenómenos como o suicídio, o aborto, a eutanásia/distanásia, o luto, a solidão, determinadas doenças (e.g. HIV/SIDA, cancro, depressão, entre outras), encontram, não poucas vezes, alguma configuração que sublinha um posicionamento perante a morte e o morrer, uma vez que lhes subjaz, de alguma forma, uma experiência de perda.

 

Sendo a ansiedade um estado emocional que provém de um medo que é real ou imaginado, é conveniente o devolver da naturalidade do sentir medo e ansiedade face à morte, tendo em conta que o ser humano tem a capacidade cognitiva de se aperceber da inevitabilidade da mesma e de recear o que poderá vir após a morte.

 

Na maioria dos casos, essa capacidade cognitiva evoca imagens negativas e perturbadoras que evocam sentimentos de medo e ansiedade (Rebelo, 2004 cit in Campelos, 2006), ultrapassando por vezes a barreira do razoável para quem os sente. Defina-se ansiedade face à morte como uma reacção emocional resultante da percepção de sinais de perigos ou ameaça (reais ou imaginárias) à própria existência, que podem desencadear-se perante estímulos ambientais (e.g. doença grave ou ver um cadáver), estímulos situacionais que por associação com os anteriores ficam condicionados e são capazes de provocar uma resposta emocional condicionada; assim como pensamentos ou imagens relacionadas com a própria morte ou a morte alheia (Limonero, 1997).

 

Segundo Wong (1995; 1998; 2000), os motivos que podem despoletar este tipo de ansiedade são: a finalidade da própria morte; a incerteza de não saber o que acontece depois da morte; medo de deixar de existir; medo da dor envolvida no morrer; medo da solidão e medo da não finalização dos projectos de vida traçados. Assim, elevados níveis de ansiedade face à morte podem chegar a incapacitar a pessoa para o desenvolvimento de uma vida normal (Limonero, 1997), de forma semelhante ao que acontece quando uma pessoa sofre de níveis elevados de ansiedade geral (Miguel-Tobal & Casado, 1999).

 

Quando elevados níveis de ansiedade face à morte comprometem o quotidiano do indivíduo, o encontro psicoterapêutico é fundamental na medida em que facilita a compreensão destes fenómenos internos e mune o cliente de estratégias para lidar com os eventuais estímulos externos desencadeantes.

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publicado às 13:59

Ansiosos Anónimos

por oficinadepsicologia, em 14.11.12

Autora: Fabiana Andrade

 

Psicóloga Clínica

 

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Fabiana Andrade

Já sentiu que a sua cabeça não pára de pensar mesmo quando não lhe apetece pensar em nada?

Já reparou que seus pensamentos andam constantemente pelo passado e pelo futuro? Reparou que esses pensamentos muitas vezes começam com “e se…” e nunca têm resposta, ou têm 1000 respostas?

Sente dificuldades em tomar decisões? Em concentrar-se? Sente a cabeça constantemente cheia ou então uma “névoa”? Sente dificuldades em lembrar-se de coisas?

 

Então, bem-vindo ao clube dos Ansiosos Anónimos!

 

Muitas vezes associamos a ansiedade a sintomas como palpitações, transpiração, tremores, aperto no peito entre outros, mas a ansiedade não é apenas composta por sintomas. Muitas pessoas “aprenderam” a funcionar dentro de uma estrutura ansiosa, que caracteriza-se por uma insegurança básica, dificuldade em estar no presente e falta de poder sobre a sua própria vida.

 

Aqui fica então o relato de uma ansiosa anónima, que está “limpa” de ansiedade há três anos.

 

“ O meu nome é Maria e deixei de ser ansiosa há três anos. Não sabia que era ansiosa, simplesmente sentia dificuldades em concentrar-me, sentia que a minha vida estava estagnada, tinha muitas dificuldades em tomar decisões, principalmente aquelas que implicavam ter de me arriscar. Só conseguia decidir quando tinha certeza absoluta de estar certa ou da situação dar certo, o que era raro, obviamente.

Dei por mim a passar mais tempo na minha cabeça, a fantasiar com a vida que queria ter. Sentia como um ruído constante que não conseguia parar, dentro da minha cabeça, e por vezes era mesmo eu que não queria que ele parasse.

 

Nunca tive ataques de pânico, mas por vezes sentia sintomas de ansiedade como apertos no peito.

 

Sentia bastante medo de algumas coisas, como morrer, não ter um namorado, não casar ou ter filhos e não ser bem-sucedida no trabalho. Quando pensava nisso era horrível e nestes momentos apetecia-me fantasiar. Fantasiava comigo de braço dado ao meu marido, com um filho no colo, numa ótima casa etc.

 

Dei por mim a ter menos rendimento no trabalho, pois cada vez era mais difícil concentrar-me. Não gostava do que fazia, era comercial numa empresa telefónica, e isso não facilitava nada a concentração. No entanto, sabia que era difícil arranjar trabalho na minha área, recursos humanos, e por isso também não arriscava sair do meu trabalho.

 

O ambiente no escritório cada vez estava pior e eu sentia-me cada vez mais sem energia, ao mesmo tempo sem coragem de sair.

O meu pensamento passou a correr como um TGV! E se eu sair o que me acontece? E se eu não conseguir arranjar trabalho? E se o próximo trabalho for pior? Eu não devia estar a queixar-me, com tanta gente desempregada, sou mesmo uma ingrata!

 

Todos os dias era um custo sair da cama, e já nada me apetecia fazer. Sentia-me constantemente cansada e apática, sem forças. E foi aqui que uma amiga indicou-me a psicoterapia.

 

Inicialmente não sabia o que lá ia fazer, mas consegui relatar à terapeuta o que sentia. Comecei a perceber como funciona então a estrutura ansiosa:

- Em primeiro lugar começa sobre uma base de grande insegurança. Nunca confiei em mim, nunca me senti válida ou capaz de transformar a minha vida naquilo que eu queria. No meu caso tive pais super- protetores,  tiveram-me já mais velhos e estavam constantemente com medo de tudo. Interiorizei que era frágil e que precisava dos outros para me protegerem.

A terapeuta explicou-me que nem sempre é assim, por vezes a estrutura familiar é diferente, mas no fim, o que a criança sempre aprende é que de alguma forma não é forte ou capaz.

 

Essa base de insegurança faz com que eu tenha crenças negativas sobre mim, por exemplo, não sou capaz de arranjar um emprego que goste, não sou capaz de fazer com que as coisas tenham resultado, não mereço que um homem bom goste de mim, etc.

Comecei a escrever um diário com as observações que fazia no meu corpo, na minha emoção e no meu pensamento. Cada vez que observasse o pensamento a criticar-me ou a começar com “e se”, interrompia e respirava.

 

Tomar consciência disso foi muito duro, mas foi a melhor coisa que me aconteceu. Vi que eu mesma boicotava uma série de situações pois não acreditava em mim. Eu enviava um currículo na minha área, mas nem sequer ligava para saber se o haviam recebido pois o meu pensamento dizia algo como “nem vale a pena, senão te ligaram é porque não gostaram do teu cv”. Nunca investi em passar uma imagem motivada, confiante, para as empresas que contactava pois não acreditava que iriam ter interesse em mim.

 

No que toca a relações nem se fala! Só gostava de pessoas que mostravam estar indisponíveis desde o início. Davam todas as indicações disso mas eu investia na mesma. Depois ficava de rastos a pensar, “és mesmo desinteressante, não vale a pena”.

 

Fiz com a terapeuta um exercício chamado de cadeira vazia. Em que eu falava com a voz crítica dentro de mim. Muito estranho mas muito forte! No início senti-me embaraçada, mas sem que eu desse conta, estava numa cadeira a falar com essa voz, que estava noutra cadeira. E foi claríssimo o quanto eu me criticava e deitava abaixo. Nesse exercício fui capaz de tomar clara consciência dessa voz dentro de mim e também de me zangar com ela, de exigir que ela desaparecesse pois só me atrapalhava.

 

A partir desse dia, cada vez que percebia que me estava a criticar ou boicotar, parava e respirava, outra coisa que aprendi nas sessões. Observava o que estava a acontecer no presente. Esse exercício ajudou-me a começar a calar o ruído constante na minha cabeça.

Depois de perceber que funcionava assim, entendi que meu pensamento sempre andava para trás e para a frente, tentando antecipar situações que eu pudesse controlar. Isso tudo pois estava sempre insegura!

 

Percebi que não adiantava nada tentar controlar nada e que a energia que eu gastava era para o lixo. Comecei então a estar cada vez mais no presente, fiz desporto, meditação, relaxamento, li vários livros sobre esse tema e cada vez me sentia mais forte.

Comecei a ouvir o corpo, e não só o pensamento, na hora de tomar decisões. Comecei a reparar quando estava com medo e a não confiar em mim, e quando estava simplesmente a viver o presente e a sentir amor por mim.

 

Tudo começou a ser mais fácil na minha vida e eu passei a sentir-me mais leve e positiva.

 

Iniciei uma procura feroz de emprego na minha área, com o pensamento de base: sou capaz e mereço! Sentia-me mais criativa para preparar apresentações diferentes sobre mim para cada empresa. Como me sentia focada em procurar o que gostasse de fazer, o dia-a-dia no escritório tornou-se mais leve, pois sabia que estava lá temporariamente. Passei a olhar para este trabalho como um instrumento e como uma experiência, da qual eu queria tirar o melhor proveito. Aprendi o que conseguia nesta fase, fiz o melhor que podia para sair dali de cabeça erguida e orgulho de mim, com a sensação de ter tido uma experiência válida na minha vida. Foi isso mesmo que aconteceu, até hoje ainda os visito para um café de vez em quando.

 

Passado um ano do início da minha busca, consegui um trabalho numa empresa conceituada. Comecei como estagiária e agora já estou há um ano como efetiva. Todos os dias quando acordo, olho para o meu momento presente, agradeço por tudo e comprometo-me comigo mesma a fazer o melhor para transformar o meu presente no melhor para mim.

Essa espécie de meditação diária dá-me forças e foco constante. Passei a ter espaço mental, a ter mais concentração e memória, a sentir-me mais produtiva e feliz.

 

Tudo isso dá trabalho mas é um investimento seguro em mim mesma!

 

Ainda estou solteira mas pela primeira vez na minha vida isso não me perturba ou me preocupa. Sinto-me merecedora de amor, e por isso  trato-me com amor todos os dias e todos à minha volta também. Saio, divirto-me e tenho relações afetivas importantes.

 

Olhar para a minha voz critica, conhece-la e eliminá-la, viver no presente, manter uma consciência constante do meu corpo, da minha emoção e do meu pensamento, comprometer-me comigo e responsabilizar-me pela minha vida, foram as lições que aprendi na minha terapia e foram as ferramentas para eliminar a minha ansiedade.

 

Partilho hoje com todos os ansiosos anónimos a minha experiência de sucesso, para que se quiserem, possam tirar daqui a força necessária para o vosso próprio percurso!

Boa sorte a todos,

Maria”

 

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publicado às 15:18

Fluoxetina na ansiedade

por oficinadepsicologia, em 28.08.12

 

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Bom dia equipa!

Ao realizar uma busca sobre sites fidedignos que me pudessem ajudar com algumas questões, encontrei o vosso.
Tenho 31 anos e aos 16 sofri de Distúrbio de Pânico associado a Depressão. Desde essa altura que tenho regularmente crises de ansiedade agudas e que entro e saio de quadros depressivos. Na altura não fui acompanhada por um psicólogo tendo apenas tomado um ampla gama de fármacos que pararam os sintomas mais graves mas não preveniram a sua reaparição. Desde alguns anos a esta parte, também influenciada pela minha própria formação em psicologia, tenho tido acompanhamento e tentado de todas as formas que conheço "ficar boa". Digo assim, "ficar boa" porque para mim é como se tivesse uma espécie de entidade maligna dentro do meu peito. Que me engana, me impede de ver, de sentir, de viver "normalmente". Enfim, todos aqueles sintomas típicos mas que experimentados são tão mais aterradores e assassinos do que quando os lemos num livro da especialidade.
A minha questao prende-se essencialmente com o uso da Fluoxetina. Comecei a usar este farmaco há uma semana por primeira vez.  Não sei se todas as pessoas que sofrem ansiedade ou depressão passam pela rejeição aos fármacos mas eu passei. Preconceito, medo etc. Agora "rendo-me" e estou a iniciar a conselho da minha psiquiatra a fluoxetina. Gostaria de saber a vossa opinião sobre o seu uso em quadros de ansiedade e depressão com uma duração de muitos anos, Também referir que desde que comecei a tomar aumentou bastante a minha ansiedade, tenho rigidez muscular principalmente nos ombros e braço direito e tenho insónias. Vejo pelo folheto que é normal mas como poderei baixar a ansiedade até que comece a fazer efeito? Coloco estas questões porque as consultas de psiquiatria e psicologia  aso espaçadas no tempo e apenas voltarei no fim do mês, vivo fora de Portugal. Não sei se este tipo de questões são as que se colocam no vosso site, de qualquer forma muito obrigada!
R.M.


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publicado às 21:14

Resolver problemas e tomar decisões

por oficinadepsicologia, em 25.08.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

 

Pergunto-me como seria a vida sem ter necessidade de resolver problemas ou tomar decisões. São realidades que não podemos camuflar, ou será que podemos? Deparamo-nos todos os dias com escolhas que temos de fazer. As pessoas que não têm escolhas, ou que acham que não têm, são as mais propensas aos efeitos do stress. Deixo-vos algumas sugestões que podem facilitar o processo de tomada de decisões e suavizar o problema.

  • Mude a utilização da palavra “problema” para “desafio” e da expressão “resolver problemas” para “tomar decisões”.
  • A vida está cheia de “ses”, “es” e “mas”, que complicam a tomada de decisões. A parte mais difícil é muitas vezes o processo efetivo de chegar a uma decisão. Assim que chegar a esse ponto, normalmente ele vai parecer-lhe bastante fácil. Quando tomar uma determinada decisão, não desperdice energia preocupando-se com o que poderia ter acontecido se tivesse escolhido seguir por outro caminho.
  • Habitue-se a detetar e mudar as ideias que podem ser limitadoras. Pensamentos como “Não sou bom nisto” ou “Não entendo isto” podem ser prejudiciais. Eles vão limitar o seu potencial e o seu prazer.
  • Uma das principais razões por que as decisões podem ser difíceis de tomar é por causa daquela vizinha tagarela dentro da cabeça que diz: “E se alguma coisa corre mal?” ou “E se eu fizer a escolha errada?”. Em vez disso pode questionar-se: “Qual é a pior coisa que pode acontecer se alguma coisa correr mal?” – 99% das vezes irá verificar que não vai acontecer nada de tão mau assim.
  • Experimente escrever os prós e os contras de uma determinada situação. Se os mantiver apenas na memória, tenderão a rodopiar dentro da sua cabeça de forma desfocada, porém se os passar para o papel, muitas vezes surgirá uma solução clara.
  • Se a sua decisão vier a revelar-se algo imperfeita, não se sinta frustrado mas aprenda com a experiência.
  • Mantenha a concentração e a calma ao longo de todo o processo. O nervosismo ou a ansiedade não ajudam em nada a resolver essa disputa, servirá apenas para criar mais pressão.

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publicado às 09:34

A dupla face da ansiedade

por oficinadepsicologia, em 14.08.12

Autora: Marta Gonçalves Porto

Psicóloga Clínica

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Marta Gonçalves Porto

A ansiedade pode ser definida como um estado emocional em que a pessoa se sente de forma desagradável, alarmada e tensa, na expectativa de que qualquer coisa desagradável e indefinida lhe vai acontecer. O indivíduo sente-se inseguro e indefeso perante uma ameaça que não consegue identificar. Por outras palavras, é um estado de alarme e medo relativamente a algo que é percepcionado como perigoso.

Assim, a ansiedade resulta de uma antecipação do futuro, impedindo o sujeito de experienciar o presente.

 

A inquietação psíquica característica dos estados ansiosos é acompanhada por uma inquietação motora (tiques ansiosos) e sintomas físicos (taquicardia, palpitações, dificuldade respiratória, tremores, sudação, náuseas e vómitos, entre outros).

 

Quando estamos a abordar a temática da ansiedade, podemos verificar a existência de duas formas deste estado emocional: ansiedade normal e ansiedade patológica. A primeira, que é uma resposta natural à percepção de ameaça, encontra-se associada a acontecimentos e é explicável em função do estímulo que a desencadeia. Outra das características da ansiedade normal prende-se com o seu carácter reactivo e esporádico, não acarretando repercussões na eficiência cognitiva e no funcionamento corporal. Possui uma função mobilizadora e adaptativa que permite criar estratégias de resposta perante os problemas. Neste sentido, podemos dizer que a ansiedade normal não requer tratamento, dada a sua natureza lógica e cronológica.

 

Já no que se refere à ansiedade patológica deparamo-nos com uma desproporção intensa entre o estado emocional do sujeito e a importância do acontecimento, ou, então, com uma resposta sem relação com estímulos externos, sendo persistente e repetitiva. A ansiedade patológica, contrariamente à ansiedade normal, afecta a eficiência cognitiva (diminuição no rendimento da memória, atenção e pensamento), faz reviver situações passadas também vividas como ameaçadores na altura e acarreta repercussões corporais significativas.

 

Tendo em consideração as diversas repercussões desorganizadores do mundo interno e relacional do sujeito, a ansiedade patológica requer tratamento psicoterapêutico, sendo que quanto mais precoce for a intervenção, menos consequências negativas provocará na vida do indivíduo.

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publicado às 16:41

Lidar com a timidez

por oficinadepsicologia, em 30.07.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

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Cristiana Pereira

Consegue lembrar-se de como era fazer um discurso na escola em frente à turma inteira ou quando entra numa sala cheia de pessoas que lhe são desconhecidas e tem a sensação que todos estão a observá-lo? Provavelmente a sua boca ficou seca, sentiu-se agitado e com uma sensação de borboletas no estômago, enquanto o seu coração foi batendo cada vez mais rápido.

 

Quer sejamos introvertidos ou extrovertidos, todos nós podemos experienciar este sentimento de timidez em algum momento das nossas vidas. Socialmente ou culturalmente, construiu-se a ideia de que só os introvertidos vivem a experiência da timidez, mas não é verdade.

 

A timidez está relacionada com o à vontade consigo mesmo, especialmente quando se depara com situações sociais. Talvez hesite em fazer um telefonema ou abordar alguém para pedir uma orientação. Por vezes, estas hesitações podem prejudicar mais do que ajudá-lo. Começa-se a evitar algumas situações, evitam-se lugares, evitam-se constrangimentos, pode até evitar defender a sua opinião por receio do confronto e da exposição.

 

O que é a timidez?

A timidez está enraizada no medo, num medo irracional de falar e ser humilhado ou ignorado. Porque é que muitos de nós têm tanto medo de falar ou de se expor? Existem alguns factores que podem estar na base deste medo, como a hipersensibilidade, a insegurança, a ausência de habilidades sociais ou o perfeccionismo.

 

Todos nós sentimos timidez de formas diferentes e em graus variados. No entanto, existem algumas razões que podem estar na origem da timidez que nos prejudica:

 

Fraca auto-imagem: quando existiram certas experiências negativas de afronta ou diminuição de si mesmo no passado, pode levar à criação de uma crença negativa de que as qualidades pessoais não eram interessantes ou dignas de admiração. Provavelmente esforçou-se por ser como as outras pessoas (crianças/jovens), resultando num sentimento pejorativo acerca de si mesmo afectando-lhe a auto-estima e a auto-confiança.

 

Preocupação consigo mesmo: algumas pessoas quando se encontram rodeadas por outras tornam-se extremamente sensíveis ao que estão a fazer, como se estivessem no centro do palco. É uma situação que cria bastante ansiedade e surge um comportamento de vigilância a tudo o que fazem, ou seja, fica-se com a atenção auto-centrada: “o que estou a fazer de errado?”. Este comportamento pode causar uma espiral de negativismo.

 

Rotulagem: Quando nos rotulamos como uma pessoa tímida, psicologicamente sentimo-nos inclinados a viver de acordo com essas expectativas. Podemos dizer a nós mesmos: “eu sou uma pessoa tímida. É como eu sou, e este é o modo como as coisas são.” Quando rotulamos algo, existe a tendência a viver de acordo com as expectativas desta rotulagem.

 

E como lidar com a timidez?

Compreendê-la. Procure compreender como é que a sua timidez se manifesta na sua vida. Com que frequência? Compreender os acontecimentos e estímulos que provocam essa sensação. E em que grau lhe causa incómodo ou prejudica o seu dia-adia?

 

Transforme a autoconsciência em autoconhecimento. Reconheça e perceba que as outras pessoas não estão necessariamente a olhar para si. Ao invés de olhar para si pelos olhos dos outros, transporte essa consciência para dentro de si. Tome consciência daquilo que faz e alimenta a sua timidez. Procure dentro de si que tipo de pensamentos, atitudes e crenças tem que possam estar a funcionar como combustível para essa sensação de acanhamento social.

 

A psicoterapia é, sem dúvida, uma aliada nesta caminhada do autoconhecimento. Assim como o autoconhecimento, o desenvolvimento da autoconsciência é também um factor determinante para qualquer mudança ou melhoria na qualidade de vida.

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publicado às 16:53

Mastigação Nocturna

por oficinadepsicologia, em 22.07.12

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Caros Srs.

De há algum tempo para cá tenho sido alertada pelo meu parceiro para o facto de, durante o sono, parecer mastigar pastilha elástica. Segundo ele passo todo o sono a "mastigar". E também a atirá-lo cama fora. Ao que parece reclamo a cama para mim. Mas de manhã não me recordo de nada.
Em média sempre durmi umas 5/6h por noite no máximo. Não consigo dormir mais.
Que eu me lembre nunca tive este tipo de comportamento durante o sono, pelo menos que alguém me tivesse alertado.

Com os melhores cumprimentos
C.

 


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publicado às 12:53

Preocupação e ansiedade (II)

por oficinadepsicologia, em 01.05.12

Autora: Cristiana Pereira

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Cristiana Pereira

A preocupação, tão presente no nosso dia-a-dia, é a forma que a nossa mente utiliza para ensaiar diferentes vias de solução perante possíveis perigos.

 

É claro que a preocupação é-nos útil, enquanto conservar uma relação lógica com as situações que vivemos. No entanto, se ela se torna em algo persistente e permanente, que aparece em situações que não apresentam qualquer perigo real, acarreta sérios problemas. Isto porque nos mantém num estado de ansiedade permanente. É uma sensação de inquietação constante, na qual está presente a ansiedade como resposta fisiológica, ou seja, é como se nos apercebêssemos de um grande risco mesmo quando não há nada no exterior que nos indique a sua existência.

Alguns de nós convive permanentemente com a angústia, o que nos impede de aproveitar até os acontecimentos mais elementares da vida, já que estamos sempre preocupados e limitados nas nossas actuações. Como é lógico, este estado não nos deixa viver outras emoções agradáveis, reconfortantes e positivas.

 

Quando a preocupação é excessiva utilizamos uma grande parte das nossas energias mentais, pois estamos constantemente a ensaiar, uma e outra vez, diferentes soluções para resolver o que nos inquieta. Assim, diante desta agitação é quase impossível concentrarmo-nos noutras coisas. Este desgaste físico e mental pode conduzir a patologias mais graves como as fobias, as compulsões ou os ataques de pânico.

 

O ciclo da preocupação

Penso que todos nós já experienciámos de alguma forma o ciclo da preocupação: começa com uma conversa interna que salta de uma ideia para outra aumentando com cada uma delas o grau de ansiedade.

 

Muitas vezes, depois de sofrer um percalço, dizemos “Agora só me faltava mais esta…” Esta frase é um exemplo do início do ciclo da preocupação. Com ela começamos a imaginar futuros e hipotéticos perigos que, muitas vezes, nada têm a ver com a situação desagradável ou perigosa que enfrentamos.

 

Sabemos à partida que o ciclo da preocupação não nos ajuda a solucionar qualquer tipo de problemas. Contudo, quando acontece entregarmo-nos a ele, sentimos que por nos preocuparmos conseguimos evitar as dificuldades. É como se o hábito funcionasse como uma espécie de talismã que nos livra de futuras desgraças.

 

No entanto, uma das vantagens que a preocupação nos pode proporcionar é o facto de notarmos com a menor intensidade a ansiedade. Uma pessoa preocupada está tão focada e centrada em solucionar os problemas, que muitas vezes não repara nos sintomas da ansiedade: taquicardia, suores, tremores, etc.

 

O primeiro alarme toca perante uma dificuldade gerada, normalmente, por um pequeno contratempo. Às vezes nem sequer percebemos o que nos causou o estado de alerta. Com este alarme, existe um moderado ataque de ansiedade que provoca mudanças fisiológicas no nosso organismo. Pode sentir-se um leve desassossego, uma inquietação. Este estado emocional, no qual há uma quantidade de hormonas a circular pela corrente sanguínea, gera um estado de tensão que, por sua vez, despoleta novas preocupações.

 

Finalmente, a nossa atenção fica totalmente centrada nas preocupações que vão sucedendo. O objectivo deste encadeamento de preocupações é diluir o alarme inicial, o qual julgamos não poder enfrentar, em vez de nos empenharmos na resolução do problema que iniciou o ciclo. E como compensação, a ansiedade diminui.

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publicado às 10:07

Preocupação e ansiedade

por oficinadepsicologia, em 25.03.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

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Cristiana Pereira

A preocupação, tão presente no nosso dia-a-dia, é a forma que a nossa mente utiliza para ensaiar diferentes vias de solução perante possíveis perigos.

 

É claro que a preocupação é-nos útil, enquanto conservar uma relação lógica com as situações que vivemos. No entanto, se ela se torna em algo persistente e permanente, que aparece em situações que não apresentam qualquer perigo real, acarreta sérios problemas. Isto porque nos mantém num estado de ansiedade permanente. É uma sensação de inquietação constante, na qual está presente a ansiedade como resposta fisiológica, ou seja, é como se nos apercebêssemos de um grande risco mesmo quando não há nada no exterior que nos indique a sua existência.

Alguns de nós convive permanentemente com a angústia, o que nos impede de aproveitar até os acontecimentos mais elementares da vida, já que estamos sempre preocupados e limitados nas nossas actuações. Como é lógico, este estado não nos deixa viver outras emoções agradáveis, reconfortantes e positivas.

 

Quando a preocupação é excessiva utilizamos uma grande parte das nossas energias mentais, pois estamos constantemente a ensaiar, uma e outra vez, diferentes soluções para resolver o que nos inquieta. Assim, diante desta agitação é quase impossível concentrarmo-nos noutras coisas. Este desgaste físico e mental pode conduzir a patologias mais graves como as fobias, as compulsões ou os ataques de pânico.

 

O ciclo da preocupação

Penso que todos nós já experienciámos de alguma forma o ciclo da preocupação: começa com uma conversa interna que salta de uma ideia para outra aumentando com cada uma delas o grau de ansiedade.

 

Muitas vezes, depois de sofrer um percalço, dizemos “Agora só me faltava mais esta…” Esta frase é um exemplo do início do ciclo da preocupação. Com ela começamos a imaginar futuros e hipotéticos perigos que, muitas vezes, nada têm a ver com a situação desagradável ou perigosa que enfrentamos.

 

Sabemos à partida que o ciclo da preocupação não nos ajuda a solucionar qualquer tipo de problemas. Contudo, quando acontece entregarmo-nos a ele, sentimos que por nos preocuparmos conseguimos evitar as dificuldades. É como se o hábito funcionasse como uma espécie de talismã que nos livra de futuras desgraças.

 

No entanto, uma das vantagens que a preocupação nos pode proporcionar é o facto de notarmos com a menor intensidade a ansiedade. Uma pessoa preocupada está tão focada e centrada em solucionar os problemas, que muitas vezes não repara nos sintomas da ansiedade: taquicardia, suores, tremores, etc.

 

O primeiro alarme toca perante uma dificuldade gerada, normalmente, por um pequeno contratempo. Às vezes nem sequer percebemos o que nos causou o estado de alerta. Com este alarme, existe um moderado ataque de ansiedade que provoca mudanças fisiológicas no nosso organismo. Pode sentir-se um leve desassossego, uma inquietação. Este estado emocional, no qual há uma quantidade de hormonas a circular pela corrente sanguínea, gera um estado de tensão que, por sua vez, despoleta novas preocupações.

 

Finalmente, a nossa atenção fica totalmente centrada nas preocupações que vão sucedendo. O objectivo deste encadeamento de preocupações é diluir o alarme inicial, o qual julgamos não poder enfrentar, em vez de nos empenharmos na resolução do problema que iniciou o ciclo. E como compensação, a ansiedade diminui.

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publicado às 10:53


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