Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Felicidade ou espelho?

por oficinadepsicologia, em 15.10.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Gustavo Pedrosa

Com muita frequência nos perguntam se os resultados das cirurgias estéticas e/ou de emagrecimento são realmente tão benéficas e com um impacto tão significativo para a qualidade de vida das pessoas que as fazem como transparecem nos meios de comunicação social. Como em muitas outras situações, invariavelmente a resposta é “depende”… Depende dos objetivos que levam à realização da cirurgia, das expectativas criadas, do meio social e familiar, entre outros.

Toda a estrutura, física e psíquica, é afetada por este tipo de cirurgias, pelo que também a preparação pré-cirurgia é um importante fator de prognóstico.

 

Analisemos então um pouco melhor as cirurgias, por exemplo, as que envolvem redução de peso, como a implementação de uma banda gástrica. Este tipo de cirurgia, cada vez mais comum, procura obter uma melhoria da qualidade de vida do individuo, da sua saúde e das suas relações. Os resultados são, geralmente, muito positivos. Há uma melhoria dos problemas de saúde crónicos, como a diabetes, as doenças cardíacas, o colesterol elevado e a apneia de sono. Também a mobilidade acrescida leva ao aumento da atividade física e consequente melhoria da saúde geral.

 

As relações interpessoais também são beneficiadas. Alguns estudos demonstram que a cirurgia de redução de peso ajuda a reduzir as reações negativas à obesidade por parte da família e amigos, reportando melhorias nas relações e na vida social do individuo, bem como na diminuição de queixas de depressões.

 

Como foi referido no início, tanto as motivações como as expectativas da cirurgia são importante.

Segundo estudos realizados, as motivações para a realização da intervenção cirúrgica passam pela diminuição dos riscos de saúde, melhorar a aparência e autoestima, possibilidade de fazerem atividade física e ultrapassar o estigma de serem obesos. Quer isto dizer, que não são apenas critérios estéticos que guiam a motivação para a intervenção cirúrgica. Pelo contrário, envolvem uma série de situações que levam a uma melhoria geral da Qualidade de Vida e da socialização do individuo.

 

O incremento da autoestima e do autoconceito, associados ao resultado deste tipo de cirurgia, leva a que alguns dos receios sociais sejam postos de lado ou relativizados, levando-os a esquecer os anteriores comportamentos sociais disfuncionais ligados ao estigma de serem obesos.

As expetativas são, na maioria das situações, também elas superadas, pois a todos os benefícios físicos inerente, juntam-se os benefícios na vida social em geral, que levam a uma melhoria percecionada de muitas componentes da qualidade de vida.

 

Com estas alterações, além da saúde, também as relações sociais e, com isso, a qualidade de vida, saem beneficiadas, levando a uma melhoria geral da vivência quotidiana a todos os níveis após a intervenção cirúrgica. Daí se compreende, que após uma vivência marcada por limitações físicas e estigmas, a expressão dos resultados após as intervenções, sejam tidos como muito positivos e indutores de grande felicidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:39

Os nossos sintomas são o nosso despertador

por oficinadepsicologia, em 12.10.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Joana Fojo Ferreira

Go to the heart of danger for there you will find safety
[Vai ao coração/âmago do perigo, lá encontrarás segurança]
Provérbio Chinês

 

A experiência de desenvolver um problema psicológico como ataques de pânico, ansiedade generalizada, depressão,… é frequentemente avassaladora. Por um lado há a sensação de perda de controlo de si, por outro lado os sintomas parecem ser desprovidos de sentido e há uma incompreensão muito grande de si próprio, e muitas vezes vem a vergonha e a culpa, vergonha da vulnerabilidade que os sintomas revelam e culpa por não ter sido capaz de evitar estas manifestações e por continuar sem as perceber.

 

Se prolongado no tempo, especialmente para problemas do foro da ansiedade, além da exacerbação dos sintomas iniciais, tendem a surgir novos, mais obsessivos e compulsivos, mais distantes da raiz do problema, e a incompreensão de si próprio é cada vez maior.

Muitas vezes não há de facto um sentido directo e claro para a sintomatologia, o que ela faz é sinalizar uma vulnerabilidade, como um despertador com alarme em crescendo, que se não é desligado ao início vai tocando com um volume cada vez mais alto até ser ouvido e atendido.

 

A mensagem dos sintomas é “go to the heart of danger, [vai ao âmago do perigo], não fujas, olha, procura, percebe; para te libertares”.

O despertador/sintoma é só um sinalizador que vai tocando mais forte à medida que a insegurança aumenta, que o medo aumenta, sempre a pedir “não fujas, olha, fica”.

 

Tomarmos consciência das nossas vulnerabilidades, dos pontos em que somos particularmente sensíveis, assusta, mexe com o nosso medo do descontrolo, da falta de poder sobre nós próprios, sem percebermos que tanto menos poder temos quanto mais ignoramos/negamos as nossas vulnerabilidades; quanto mais eu as conheço, compreendo e aceito, mais controlo tenho na realidade, porque mais sei com o que posso contar e posso mobilizar recursos para reparar ou apaziguar o problema de base, a essência.

 

Este é o trabalho que procuramos fazer em psicoterapia, traduzir sintomas (sinais, despertadores) em vulnerabilidades, em necessidades por satisfazer, em assuntos inacabados a processar e resolver, porque por doloroso que seja tomar consciência de aspectos sensíveis de nós, da nossa história, e percebermos as implicações que eles têm na nossa vida, no nosso funcionamento, é um trabalho fulcral, é o desligar o despertador e levantar da cama, é o retomar as rédeas, o controlo, é mobilizar para resolver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:25

O homem é uma criança

por oficinadepsicologia, em 08.10.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

O homem é uma criança: o seu poder é o poder de crescer

(Rabindranath Tagore)

 

Tânia da Cunha

É verdade que a infância pode condicionar e prefigurar o nosso perfil de adultos, mas não menos verdade é que cada um de nós pode melhorar-se a si mesmo se acreditar que isso é possível e se se esforçar por consegui-lo. Não se deixa condicionar pelo passado!

 

Quando alguma criança não recebe afeto razoável para se sentir amada, poderá sentir injustiça e achar-se inferior comparativamente com outros, deste modo não aprende a relacionar esforço com recompensa, nem tem um limite claro do que lhe é permitido fazer, assim, são configuradas todas as condições necessárias para permanecer na infância, porque não está a ser preparada para a vida adulta.

 

Desafio-o que analise e reflita a propósito do seu processo de desenvolvimento, o caminho da maturidade. Para facilitar esta experiência referencio em seguida alguns traços básicos do comportamento infantil que devem atenuar-se ou desaparecer na idade adulta:

  • Procura de aprovação.
  • Comportamento egocêntrico.
  • Procura constante de afeto e de proteção.
  • Dificuldade em assumir responsabilidades.
  • Facilidade em estabelecer e interromper relações.
  • Procura de modelos de identificação.

Partilhe connosco a sua reflexão: é um adulto que renuncia a crescer para satisfazer as suas necessidades de criança (necessidade de se sentir amado e admirado a toda a hora, com dificuldade em manter relações estáveis porque isso significaria agir a um nível de responsabilidade que não desenvolver); OU reconhece que isso não se consegue de forma gratuita porque, no mundo dos adultos, as coisas não se ganham sem esforço e o amor não é incondicional.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:24

Navegue pela incerteza

por oficinadepsicologia, em 07.10.12

Autora: Cristina Sousa Ferreira

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Cristina Sousa Ferreira

Vivemos num mundo de informações incompletas, surpresas garantidas e ocorrências imprevisíveis. As tempestades, quer sejam reais ou metafóricas, têm vindo a acontecer. Tentar prever a sua chegada nem sempre resulta e tentar eliminar o seu risco é pura fantasia. Mesmo com uma preparação meticulosa, pensar que estamos preparados para qualquer coisa que o futuro nos traga é irreal. As pessoas mais bem sucedidas são as capazes de “navegar pela incerteza”. Se não é possível  saber o que nos espera amanhã como nos podemos preparar?

Precisamos de nos preparar para o facto de nunca estarmos preparados para tudo.

 

Então como podemos lidar com os imprevistos, com o inesperado? Deixo-lhe aqui algumas dicas:

 

1-      PARE – se o momento exige de si uma resposta rápida, faça uma pausa breve. Se está numa reunião, faça um intervalo para ir à casa de banho, se está no escritório levante-se e caminhe um pouco.. por outras palavras, faça aquilo que muitas vezes não se dá oportunidade de fazer, PENSAR.

 

2-      Avalie as suas opções actuais- não perca tempo a pensar como gostava que as coisas fossem diferentes, ou a tentar encaixar o seu plano anterior no novo contexto. Comece com uma folha em branco.  Pense no resultado que pretende alcançar tendo em conta a nova situação, a informação disponível e os recursos disponíveis. Depois desenhe as suas opções.

 

3-      Navegue – baseado na nova avaliação, tome uma decisão e comprometa-se. Mesmo que a decisão não seja a ideal, mesmo que não lhe dê todos os resultados que estava à espera pense que foi a melhor possível perante as circunstâncias. Siga em frente e enfrente a tempestade sem hesitações.

 

O actual contexto tem-nos confrontado com “tempestades” económicas, pessoais, profissionais. Queremos estar bem preparados para qualquer eventualidade mas somos frequentemente surpreendidos  com novos e inesperados acontecimentos. Ser capar de lidar com o imprevisto,  de não paralisar e de não sofrer demasiado perante a incerteza é um enorme trunfo. Devemos planear, mas estar preparados para desistir, reformular, ou recomeçar do zero se o imprevisto o exigir. Não é fácil, mas é necessário.

 

“If you really want to do something, you will always find ways. If you don't really want to do something, you will always find excuses"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:25

Desafiaram-me a mim - vou desafiá-los a vocês!

por oficinadepsicologia, em 03.10.12

Autora: Cristina Sousa Ferreira

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Cristina Sousa Ferreira

Em equilibrio pela linha do tempo passe pelas memórias do passado, pela natureza presente e pelo futuro do seu dia a dia.


Faça uma rápida viagem no tempo.

Recorde algumas das  situações hilariantes que viveu,  no passado, com amigos. Revisite as suas memórias. Nada como as “palermices” e momentos divertidos da infância, adolescência ou juventude para nos lembrar pequenos prazeres do nosso dia a dia. Aquelas memórias podem levá-lo a aproximar-se dos que o rodeiam e a tentar criar novas memórias agradáveis.

Outro desafio...

 

Dê um passeio e observe de mais perto as árvores.

Ao longo do caminho olhe com atenção as árvores. Repare nos troncos e ramos, nas suas diferentes cores e texturas. Observe as diferentes formas das folhas, veja se há  flores a desabrochar ou frutos a nascer. Será que que existem alguns bichinhos a subir pelos ramos ou a zumbir pelas folhas?  Se está a reparar nisto tudo significa que saiu de casa, que está a caminhar  e que está, sem esforço, a cuidar da sua  saúde física e mental. As árvores para que olha todos os dias, sem ver, são uma importante parte do seu meio ambiente e enriquecem o seu passeio. Tome consciência do que a rodeia e deixe-se envolver pelo sons, pelo cheiro e pelas cores da natureza.

E mais um..

 

Escreva uma palavra que descreva como quer que seja o seu dia.

Numa folha de papel escreva uma só palavra,: “fantástico” , “sem problemas”,  “com força de vontade”... .  Pense nisto com convicção e de forma positiva. Coloque a palavra onde a possa ver ao longo do dia: ao pé da secretária, na carteira, ou ... Que tal colada num post-it no espelho da casa de banho? Decidir sobre que tipo de dia quer ter vai-lhe  dar   “força” e estímulo para criar o tipo de dia que quer. Não acredita, experimente!

Há uma linha que separa os que enfrentam desafios dos que preferem a sua zona de conforto. De que lado está? Atreva-se a mudar e aceite estes desafios.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:53

Salte! E agarre a vida com as duas mãos!

por oficinadepsicologia, em 01.10.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Filipa Jardim Silva

Quantas vezes demos por nós num enevoado de dias uns a seguir aos outros, em que se perde a noção do tempo, em que o corpo mexe-se por si mesmo, em que o paladar se fica pelos rótulos das embalagens? Muitas vezes o ritmo dos dias, a pressão dos “devos”, a intolerância dos “tenhos”, a insegurança dos “não consigo” faz-nos entrar numa espécie de piloto automático, em que nos enchemos de tudo que depressa fica em nada, quase como que se nos anestesiássemos e deambulássemos por semanas e meses entre compromissos, espaços e pessoas mas sem tempo para sentir. O tabaco é um escape, a comida é um substituto, o ansiolítico é uma pausa, o isolamento é um silêncio. Andamos com um pacote de críticas e desculpas no bolso para fácil acesso, uma tesoura numa mão a recortar o tempo em fragmentos e um lápis preto na outra a sublinhar o que não corre bem, o que está por fazer, o que foi mal feito, o que não temos.

 

E de repente, subitamente ou de forma algo prevista, paramos ou somos forçados a parar, sustemos o ar, olhamos para dentro de nós e à nossa volta e não sabemos bem onde estamos nem como aí chegámos. Predomina uma sensação de atordoamento a par de uma tentativa de encadear um conjunto de acontecimentos, à procura do sentido lógico que nos levou ali, das supostas razões tão justificativas de tudo, das perguntas encaixotadas e agora desembrulhadas, uma a seguir à outra, na expectativa de resposta. O ar brota como se tivéssemos estado a suster a respiração durante muito tempo, e agora inspirássemos pela primeira vez, profundamente.

 

E naquele instante sabemos que não será mais possível voltar a viver da mesma maneira. Sentimos a urgência de acordar o corpo e experienciar na pele tudo o que nos rodeia, encher cada palavra de sentido, escolher cada pessoa com intenção, degustar cada alimento à procura da descrição perfeita da mistura de sabores e texturas. Olhamos para o relógio e lembramo-nos do seu peso, sabemos que este tempo de lucidez pode ser curto se não nos mantivermos acordados e conscientes de que não queremos mais voltar a ser zombies nas nossas vidas. Acesso de lucidez, clarividência, insight… muitas serão as designações disponíveis para apelidarmos aquele momento em que o tempo se congela, o ruído se afasta, os outros se calam e ouvimo-nos, pura e simplesmente, ouvimo-nos.

 

Uma segunda oportunidade de quase renascermos. Depois de nos sentirmos não quereremos voltar a nos anestesiar, seja com o que for, de que forma for. Antecipamos a força da tentação do automatismo das acções, da repetição de palavras habituais e de padrões conhecidos. Mas se nos empenharmos em fomentar esta atitude de observadores de nós de forma plena e consciente, numa postura de aceitação e sem julgamento, conseguiremos nos sintonizar cada vez mais com o que realmente somos e não com o que achávamos que eramos, conseguiremos nos focar no que queremos de verdade e não no que já tínhamos decidido que era bom, conseguiremos nos permitir sentir quem é especial e não quem é indicado.

 

Agarrar a vida com as duas mãos às vezes pode implicar saltar rumo ao desconhecido, deixarmo-nos ir confiando em nós, sentindo a mudança de ventos em tempo real. No momento do embate inicial o corpo pode doer, a visão pode não devolver o que esperávamos, a mente pode acusar confusão mas o prazer de sentir o mundo com lucidez e agarrar com firmeza no leme das nossas vidas compensará. Salte!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:04

Penso, logo existo?

por oficinadepsicologia, em 30.09.12

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Fabiana Andrade

Alguma vez viu documentários sobre animais? Será que já viu nestes documentários situações como as seguintes?

- um animal chega perto de uma planta, sente que a planta é uma ameaça, “algo lhe diz” para não comer a planta. No entanto ele hesita e come a planta mesmo assim.

- um animal mesmo sem ver ou ouvir nada, “pressente” a presença de um predador. No entanto, ele hesita, e como não vê nada decide ficar ali mesmo assim.

- um animal “pressente” perigo, mas para confiar no seu instinto precisa confirmar que o perigo está mesmo lá, e enquanto não tem essa confirmação, não dá ouvidos ao seu instinto

- “algo diz” ao animal que ele deve migrar para Sul em determinada altura do ano. No entanto, como ele nunca lá foi e não sabe o que o espera, decide não ir.

 

Já viu? Não!

 

O que vemos nestes documentários, ou mesmo no dia a dia, para quem contacta diariamente com animais, não é nada disso!

Vemos que o animal, INSTINTIVAMENTE percebeu que a planta era venenosa e não a comeu. Não precisou testar, não duvidou, não hesitou.

Vemos o animal que pressente o predador e foge, sem hesitar, sem duvidar.

Vemos o animal, que nunca migrou para Sul, pois este é o seu 1º ano de vida, que sem hesitar viaja em busca de terras mais quentes.

Essas expressões, “pressente”, “algo me diz”, referem-se ao nosso instinto, à nossa intuição.

No mundo animal temos milhares de exemplos de que o instinto leva à VIDA! O instinto guia, protege.

 

E o nosso mundo é animal? Sim!

 

E não só. É animal, instintivo, e também é racional. Ou seja, não só temos uma ferramenta vital, como temos duas!

E o que fazemos com elas? Usamos uma (a razão, ou racionalidade, ou pensamento), para matar a outra! Achamos que uma é melhor do que a outra, valorizamos uma em detrimento da outra em vez de as usar como ferramentas complementares.

 

Recebo diariamente pessoas no consultório, cujos problemas vêm de uma origem: a redução da vida ao plano racional e consequente perda de uma bússola/guia fundamental: o instinto/corpo – emoção.

Assim, surgem pessoas com problemas de indecisão, estagnação, insegurança, ansiedade, falta de auto estima e auto confiança.

Pessoas que se desligaram da dimensão do corpo, dos instintos e emoções, e que tentam viver apenas com a dimensão racional. Fazem planos, criam expectativas, tentam dar ordem à tudo em prol de uma pseudo segurança.

Quando é mencionado que a segurança não está aí, e si m nelas mesmas e na utilização mais abrangente de todas as suas ferramentas, a primeira reação é de medo e desconfiança.

 

Aquelas que decidem arriscar e explorar a sua dimensão afetiva e instintiva, são aquelas que encontram uma mudança valiosa: a passagem de um modo de estar reduzido a outro modo pleno e completo. E é neste modo de estar que a vida acontece, que tudo se desbloqueia.

Ver estes saltos de fé acontecerem à minha frente me emociona.

Ver a cor a aparecer, a voz a mudar, os olhos a brilharem, os sorrisos nos rostos e uma energia renovada, é o melhor presente da minha profissão.

 

Assim, fica aqui uma recomendação para a vida: voltem a falar com os vossos animais interiores, eles são uma parte valiosa da vossa existência. Desçam das  cabeças e habitem todo o vosso corpo.

E se sentirem que precisam de ajuda neste processo, estamos cá para isso!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:36

Jogar xadrez para uma mente jovem

por oficinadepsicologia, em 22.09.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

Pedro Diniz Rodrigues

Numa era de desempenhos e competências psicológicas, em que doenças de foro neurológico ganham um elevado destaque como algo a evitar, tem vindo a surgir nas ultimas décadas toda uma cultura de práticas associadas ao treino da mente.

 

Estes denominados “mindgames” pretendem manter ou aumentar a juventude do nosso cérebro, podendo também ter a função de reabilitar algumas das competências psicológicas pouco desenvolvidas e em casos de doença neurológica, desacelerar a velocidade de perda dessas competências. 

 

Pela elevada incidência deste tipo de doenças na nossa sociedade, pode-se considerar que a juventude do nosso cérebro não aparenta ser algo privilegiado pelo estilo de vida “moderno”.

 

Estamos normalmente expostos a níveis de stress, que são mais elevados do que gostaríamos. A sua presença terá várias razões que escapam ao nosso controlo, havendo no entanto uma pela qual somos responsáveis e sobre a qual será importante refletir. Tem a ver com a forma como o nosso cérebro está habituado a funcionar.

 

Pensando nalguns exemplos do nosso dia-a-dia, estamos habituados cada vez mais regularmente a nos deslocamos nos nossos carros guiados pelo GPS, que nos poupa o trabalho de pensar o caminho, de recordar ou antecipar cenários possíveis como qual o trajeto mais rápido ou menos congestionado.

 

A necessidade de armazenar e recuperar informação do nosso cérebro, parece estar a ser substituída por uma pesquisa rápida na internet, da qual selecionamos o tópico que nos esclarece mais rapidamente, para que tenhamos de mobilizar a atenção pelo mínimo tempo possível.

 

Com as situações mencionadas, podemos concluir que o conforto acrescido dos nossos tempos, nos ajuda a libertar a mente, dando-nos disponibilidade para atividades que de outra forma não poderiam ser realizadas, pois não as poderíamos fazer em simultâneo.  

 

Como será que aproveitamos esta disponibilidade adicional?

 

Será que realmente rentabilizamos esse tempo?

 

Uma resposta possível para muitos de nós é que “talvez não”. Esta cultura de modernidade que nos traz um inquestionável acréscimo de conforto, tem também o efeito de nos tornar menos ativos mentalmente. Somos muitas vezes conduzidos, para que nos tornemos agentes passivos de quantidades excessivas de estímulos, que tornam o nosso cérebro mais preguiçoso e resistente a tudo a que o obrigue a um tipo de atividade a que não está habituado. Esta forma de interagirmos com a nossa realidade, tende a provocar o envelhecimento precoce do nosso cérebro.

 

Poderá perguntar-se sobre o que terá o jogo de xadrez mencionado no título, a ver com o que leu até agora.

 

Posso-lhe dizer que muito. Desde os primórdios da psicologia, as primeiras gerações de investigadores e criadores dos testes de inteligência, já consideravam a prática regular de xadrez, como um factor com elevado impacto para o desenvolvimento de competências psicológicas.  

 

Ao longo de décadas, têm vindo a ser feitos numerosos estudos comparativos entre jogadores regulares de xadrez e jogadores principiantes, ao nível de competências como a memória (de trabalho e a longo prazo), percepção visual, imaginação, tomada de decisão e resolução de problemas, aquisição de conhecimento e idade cerebral.

 

São várias as evidências que a investigação nos fornece. Por exemplo, dois jogadores experientes podem estar a falar de um jogo que ocorreu há muito tempo atrás, sem a presença física de tabuleiro ou peças, recordando padrões de jogo, posições de peças no tabuleiro, jogadas alternativas, que para um jogador principiante, parecem aleatórias e como tal desprovidas de significado, sendo “menos memorizáveis”, mas que para os jogadores mais experientes terão um elevado significado, permanecendo assim acessíveis na sua memória.

 

Um outro exemplo da utilização mais eficaz do reconhecimento de padrões memorizados e capacidade de os trazer à consciência de forma eficaz, pode ser constatável ao apresentar-mos durante alguns segundos a dois jogadores, um experiente e um principiante, um tabuleiro de xadrez com peças aleatoriamente colocadas. Quando solicitados para reproduzir de memória o que viram, o jogador experiente conseguirá mais rapidamente e com maior precisão, recordar a forma como elas estavam dispostas, revelando uma maior capacidade de aceder aos conteúdos que memorizou.

 

É verdade que atualmente, existe à nossa disposição uma grande variedade de instrumentos ou programas de computador que permitem trabalhar de forma específica, cada uma das competências do nosso cérebro. Outras áreas como a música, programação informática, calculo matemático ou jogos de cartas como o poker, poderão desenvolver competências semelhantes às estimuladas pela prática regular de xadrez. Ou seja, não teremos naturalmente de nos restringir ao jogo de xadrez, para desenvolvermos competências psicológicas.

 

Independentemente dos benefícios associados, quem escolhe o xadrez como uma atividade para ocupar o tempo, beneficiará em fazê-lo pelo prazer de jogar, sendo este um motivo que a investigação confirma como sendo o mais indicado para manter a motivação e preservar o bem-estar que que a atividade confere.

 

Deveremos evitar utilizar o jogo de xadrez como uma ferramenta para um fim. Dessa forma, acabamos por adoptar respostas mais afectivas durante as partidas e tendemos a assumir uma atitude mais competitiva. A motivação (nestes casos mais extrínseca), fica condicionada pelos resultados menos positivos e acabamos por não desfrutar do jogo.

 

Se vamos jogar xadrez não pensamos muito nas competências que possamos estar a desenvolver. Queremos acima de tudo passar um bom bocado. Estamo-nos a implicar na atividade pelo desafio e prazer que nos dá, ou seja, com uma motivação intrínseca. É bom estarmos conscientes dos benefícios, mas quereremos acima de tudo, jogar. Se procura uma atividade construtiva com que possa ocupar a sua mente, considere dedicar algum tempo à prática deste jogo. E já agora, permita-se desfrutar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:09

Como está o seu bem-estar?

por oficinadepsicologia, em 16.09.12

Autor: André Viegas

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

André Viegas

Inseridos num momento atual crescentemente globalizado, onde constantemente somos convidados a alcançar uma meta chamada êxito, tão “atritizada” pelo cenário de crise socioeconómica generalizada, deparamo-nos não poucas vezes nas nossas vidas com lógicas diárias desarmónicas, descontínuas e “despessoalizadas” que se repercutem constantemente em momentos de sofrimento psicológico que levam ao bloqueio do estar bem.

 

Que significará então estar bem?

O conceito de Bem-Estar é amplo, assumindo-se com diversas faces, nomeadamente bem-estar subjectivo, bem-estar psicológico e bem-estar social.

Realizando um enfocar no conceito de Bem-Estar Subjetivo, pode dizer-se que este constitui-se como uma dimensão positiva da Saúde Mental.

É consensual na comunidade científica que o conceito de bem-estar subjectivo é composto por uma dimensão cognitiva, em que há um juízo avaliativo, usualmente expresso em termos de satisfação com a vida – globalmente e especificamente – e uma dimensão emocional, positiva ou negativa – expressa globalmente em termos de felicidade, ou, em termos específicos, através das emoções, positivas ou negativas (Galinha, 2008).

 

A Satisfação com a vida é um processo de julgamento cognitivo que depende de um nível de comparação das circunstâncias do individuo com o que este considera ser um padrão adequado, sendo que quanto menor for a discrepância entre a percepção das realizações na vida e o seu padrão de referência, maior será a Satisfação com a Vida. Esta delimitação traduz-se pela existência de Satisfação Global com a Vida - grau em que o indivíduo avalia de forma positiva a qualidade da sua vida como um todo; e a Satisfação com a Vida em Domínios específicos – avaliação da Satisfação em vários domínios de vida específicos, como domínio familiar, profissional, conjugal, etc (Galinha, 2008).

 

As emoções positivas ampliam o reportório do pensamento e da acção e possibilitam construir recursos pessoais duradouros, tendo o poder de desfazer o efeito das emoções negativas e optimizando a saúde e o Bem-Estar, predispondo o sujeito a envolver-se de forma ativa com o meio e a perseguir os seus objectivos.

 

Num encontro psicoterapêutico, o objectivo não é apenas intervir no mal-estar e na perturbação do cliente mas também promover a capacidade de estabelecer, manter, monitorizar e reconstruir o seu sentimento de Bem-Estar (Vasco, 2009).

Não deixa de ser pertinente relembrar isto…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:17

A morte e o tempo

por oficinadepsicologia, em 14.09.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

Facebook

 

“Eu não tenho medo da morte, apenas não quero lá estar quando acontecer.”

 

Pedro Diniz Rodrigues

Esta conhecida frase do ator e realizador Woody Allen, mostra-nos com algum humor como a morte pode influenciar a forma como vivemos a nossa vida.

 

Conhecidos investigadores na área da psicologia da morte, desenvolveram estudos que confirmavam a ideia de que a preocupação com a morte influencia directamente o comportamento das pessoas.

 

O pensarmos sobre este tema e a frequência com que o fazemos, poderá levar-nos a sentir grandes alterações na forma como percepcionamos um outro aspecto importante, e que relacionamos com a morte: o tempo.

 

Afinal de contas, cada dia que passa é um dia mais perto do fim…

 

Alguns investigadores colocam a questão: Será que a noção que temos do tempo, está relacionada com a quantidade de vezes que pensamos sobre a morte?

 

O que os resultados dos estudos indicam é que a nossa percepcão do tempo, pode mudar em função da personalidade ou a presença de estados como o medo, a ansiedade ou a depressão.

 

Uma das teorias psicológicas associada à gestão do medo da morte, diz-nos que o estarmos demasiado conscientes dessa realidade, nos motiva, pelo nosso desejo instintivo de viver, a criar uma variedade de defesas psicológicas.

 

Encontramos simbolismos, procuramos significados e adoptamos uma visão do mundo que nos inclui como parte desse simbolismo, assegurando assim o nosso bem-estar e tranquilidade.

 

A natureza simbólica dessas defesas, baseada naquilo que cada pessoa quer acreditar, permite que a vida seja vista como mais duradora e permanente.

 

Outra defesa psicológica que também é utilizada, é o alongar da percepção do tempo, ou seja sobrestimar o tempo. Esta estratégia poderá ser uma tentativa de gerar uma maior quantidade de tempo do que, na verdade, existe e ver o tempo como particularmente abundante.

 

Fica assim a ideia de que mais tempo estende a vida e adia a morte. O que se conclui dos estudos realizados, é que parecem ser as pessoas que mais pretendem prolongar a sua vida, aquelas que pensam na morte com maior frequência.

 

Gostaria de relembrar para aqueles que de nós, se sentem preocupados com a morte ou inquietos com o tempo que ainda têm, um outro lado importante da noção de tempo, e fundamental para a forma como encaramos a vida e a morte: Este é o tempo de viver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:52


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D