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Como se fosse magia…

por oficinadepsicologia, em 04.05.13

www.oficinadepsicologia.com

 

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“Não consigo conduzir! Não suporto a ideia de ter de pegar no carro… É assustador ver os carros a virem na minha direcção. É como se viessem contra mim!!!

Ser passageiro também é para mim difícil… Aliás, é extremamente difícil… Dou por mim a evitar determinadas actividades apenas para evitar deslocar-me em meios de transporte.

Não percebo o que se passa comigo… Nunca fui assim! Sempre gostei de conduzir até ter aquele AVC…”

 

Este é o pedido que a Maria (nome fictício) fez à Psicoterapia: perder o medo da condução e voltar a conduzir.

Maria tinha um percurso de vida perfeitamente normal, até ao dia em que sofreu um AVC. A partir desse dia, algumas coisas mudaram na sua vida e a limitação que mais a perturbou foi o não conseguir conduzir.

 

Tínhamos como missão “devolver a liberdade” à Maria, dessensibilizando o seu medo à condução.

Iniciámos então a nossa “viagem” no consultório, onde criámos a relação que mais tarde nos permitiu utilizar como técnica terapêutica o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing - Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular) que se configura como uma terapia breve e focal, muito adequada ao pedido que a Maria nos fez.

 

Mas o que é isto do EMDR?

O EMDR é um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.

 

O processamento natural da informação é reposto e assim após uma sessão com EMDR, a percepção psico-sensorial já não se manifesta como antes quando o acontecimento traumático é trazido à mente. As memórias ainda são recordadas mas o efeito perturbador desaparece.

 

O EMDR recria o que acontece naturalmente durante o sonho ou o sono na fase REM (Rapid Eye Movement) e pode ser encarado como uma terapia de base fisiológica, que ajuda a pessoa a encarar e viver os traumas de uma forma nova e sem os efeitos perturbadores.

 

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publicado às 09:47

O trauma em números

por oficinadepsicologia, em 22.04.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

 

Madalena Lobo

O último relatório de Segurança Interna, referente a 2010, regista um nº assustador de 1.133 crimes por dia (47 por hora…). Destes, 23% são contra pessoas. Se adicionarmos os números de sinistralidade rodoviária, cerca de 100 por dia, e assumirmos que 30% das pessoas directamente afectadas, por uma ou outra questão, terão sequelas psico-traumáticas, ou seja, que exibirão um qualquer impacto no seu bem-estar e qualidade de vida, no decorrer da vivência de um destes incidentes, chegamos a um nº que representa 0.4% da população portuguesa a padecer de trauma anualmente…

 

 

Números tão assustadores quanto o facto de ignorarem todos os outros factores potenciais frequentes de trauma: abuso físico e sexual não reportado, trauma médico e hospitalar, luto traumático, todas as situações que “poderiam ter sido mas não foram”, despedimento, o que se estima como um elevado volume de violência doméstica não reportada, humilhação pública, interrupção de gravidez, insucesso escolar ou profissional, trauma por ter testemunhado o trauma alheio… É impossível estimar a percentagem da população que anualmente – diariamente! – fica afectada, com sérios impactos na sua qualidade de vida, por um qualquer acontecimento que o organismo registou como traumático. Talvez 5%, 10%?

 

Só com base em psico-traumatologia, para já não falar de todas as restantes perturbações da categoria da ansiedade e do humor (depressão, bipolaridade), é fácil perceber a elevada necessidade de boas infra-estruturas em saúde mental. E no entanto, são praticamente inexistentes, de uma forma articulada, acessível e de qualidade, ao nível público, o que cria um vazio em Portugal ao nível das respostas efectivas de tratamento acessíveis a toda a população.

 

 

 

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publicado às 14:13

Bloqueios emocionais

por oficinadepsicologia, em 22.08.10

E-mail recebido

 

Bom dia,

Descobri o vosso site, e achei-o muito interessante. Tenho passado
algum tempo a lê-lo, e resolvi escrever.
Há já algum tempo que procuro muitas respostas para questões que
pairam nos meus pensamentos, e vou expor a minha situação.

Tenho 27 anos, sou empregado de escritório, tenho a minha vida
profissional estabilizada. Frequento o Curso de Contabilidade no
Ensino Superior. Tenho uma família fantástica, e um grupo de amigos
formidável. Em termos materiais, não me posso queixar. Tenho um carro
descapotável que sempre quis ter, não tenho nenhum encargo, posso
comprar uma peça de roupa cara se assim o desejar, ir passar um fim de
semana a qualquer sítio sem muitas preocupações, posso dizer que faço
o que quer, porque tenho rendimentos que o permitem.
À partida tenho tudo para ser e estar feliz mas não é isso que acontece.
Sinto um vazio enorme, como se faltasse algo que me preencha.
Todos os dias paro um pouco para pensar, e no fundo sei as respostas
para o que me vai na alma, mas prefiro não acreditar.
Tudo começou quando tinha 17 anos. Vivi um grande amor, algo que nunca
mais voltei a sentir. Não vale a pena escrever muito sobre isso, basta
dizer que era um amor enorme, que dava a vida por essa pessoa. Posso
dizer apenas que durante aquele tempo sentia-me a pessoa mais feliz do
mundo. Bastava a sua companhia para esquecer qualquer problema que
tivesse. Foi certamente a pessoa em quem mais confiei até hoje, para a
qual nunca tive segredos.
No entanto as coisas não deram certo, foi-se deteriorando em parte por
influências externas, até tudo terminar de vez.
Apesar de todo o sofrimento causado, nunca lutei para recuperar o amor
dessa pessoa, porque sempre lhe tinha dito que a amava tanto, que
bastava dizer-me que não era feliz comigo, para que eu me afastasse
por completo.
E foi isso que fiz. Passaram 8 anos desde o final, e durante este
tempo vi-a apenas 2 ou 3 vezes, mas de longe, e nunca mantivemos
qualquer tipo de contacto.
Durante este tempo sinto que bati no fundo. O meu mundo desabou por
completo, tudo aquilo por que lutei, tudo aquilo em que acreditava
deixou de fazer sentido. Passei meses em que tive dificuldades em
dormir. Dormia 4 ou 5 horas por noite, passava muito tempo sentado a
ver o mar, passava dias e dias em que só falava com outras pessoas
devido ao meu trabalho, e fora isso isolava-me totalmente. Só tinha
vontade de estar sozinho, e de ir para qualquer sítio o mais longe
possível.
Toda esta situação fez com que acentuasse os meus defeitos. tornei-me
numa pessoa fria, calculista, distante, que não demonstra o que sente
nem o que lhe vai na alma. As pessoas que me conhecem desde essa
altura dizem que sou estranho, sinistro até, porque sempre olham para
mim não sabem se estou feliz ou não. Como se não tivesse sentimentos,
e como se dissesse só o que quero que saibam sobre mim. Dizem que
tenho ar de quem esconde muita coisa...
No fundo sei que é verdade. Desde o final dessa relação nunca mais
confiei em ninguém, nunca mais me abri com ninguém e só 1 ou 2 pessoas
sabem de tudo o que se passou. Durante estes anos já tive uma relação
que pensei que me iria fazer esquecer tudo, mas não. Apenas me mostrou
a enormidade do amor que vivi, e provou que dificilmente voltarei a
confiar em alguém da mesma forma que antes, que apesar de manter as
qualidades que tenho como pessoa, os defeitos acentuaram-se muito mais
do que eu pensava.
Hoje em dia, por exemplo, não faço nada com motivação. Vou para o
trabalho porque sim, vou para a faculdade porque sim, e tudo o mais
também. Só obtenho algum prazer quando estou com os amigos, mas muitas
são as vezes em que dou uma desculpa, apenas porque quero estar
sozinho.
Para cúmulo de tudo, a única pessoa que nos últimos tempos me chamou a
atenção e me cativou, é uma pessoa com quem não tenho qualquer
contacto, que vejo apenas durante a hora de almoço, e quando parei
para pensar qual a razão do meu interesse (achar uma mulher lindíssima
não é por si só razão para despertar o meu interesse), cheguei à
conclusão que tem alguns aspectos físicos que se assemelham à pessoa
por quem me apaixonei à 10 anos atrás ( cabelo, tom de pele, as maçãs
do rosto).
Não é fácil ler um artigo ou um texto sobre Depressão, e chegar à
conclusão que tenho a maioria dos sintomas, mas ao mesmo tempo penso
que não deve ser possível alguém viver 8 anos com uma depressão e
lutar contra ela sozinho e sem ter a certeza que a tem. Às vezes
prefiro pensar que sou louco, ou que apenas tenho os pensamentos
desarrumados no meu cérebro, porque sei que não é normal ser ou pensar
assim....
Apenas sei que não tenho motivação para nada, que todos os dias penso
no meu passado, mas nunca no meu futuro, e que se pudesse, fugia para
o outro lado do mundo, para onde ninguém me conhecesse, e onde ninguém
me pudesse encontrar.
Peço desculpa pela extensão do mail, mas seria importante saber a
vossa opinião sobre o que se passa comigo, Gostava de ter uma luz...

Obrigado pela vossa atenção

 

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publicado às 11:48


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