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Os pais e os filhos – Os seus afastamentos e reencontros

por oficinadepsicologia, em 07.11.12

Autor: António Norton

 

Psicólogo Clínico

 

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António Norton

 

Quando era adolescente ouvi um célebre raciocínio que desde então, de alguma forma, me acompanha e que contém uma sabedoria inquestionável. Esta frase sintetiza de uma forma engenhosa, divertida e sábia como é que os filhos percepcionam os pais à medida que vão crescendo. Vou procurar sintetizar este raciocínio.

        

Entre os 0 e a entrada na pré-adolescência (11-12 anos) os pais são vistos como pessoas que sabem tudo. São as fontes de conhecimento máximas.

 

Entre os 12 e os 15 anos - da pré-adolescência até meados da adolescência – Os pais afinal não sabem tudo!

O seu conhecimento é posto em causa. O adolescente entra na fase de se questionar sobre o seu próprio questionar, entra na fase existencial de pôr tudo em causa, sente um grande distanciamento e uma contra-dentificação com a mundivisão e o estilo de vida dos seus pais.

        

Entre os 15 e os 25 anos – Os pais afinal não sabem nada de nada!

Os pais são vistos como uns caretas, desadequados e descontextualizados, completamente ultrapassados, são apelidados de “cotas” ou de “os meus velhos”. As suas opiniões são pouco tidas em consideração.

        

Entre os 25 e os 35 anos- Os pais afinal até sabem umas coisas!

Para muitos, esta fase corresponde à  emancipação, corresponde à vida fora da casa onde sempre viveram, ao assumir responsabilidades, pagar a renda da casa, a água, a luz, é preciso fazer compras, cozinhar e então a opinião e os conhecimentos dos pais são tidos em maior consideração. Também, esta fase corresponde ao assumir da paternidade ou maternidade. Os pais, os seus conselhos e a sua experiência ganham nova importância e pertinência.

        

Entre os 35 e os 45- Os pais afinal até sabem bastante!

Esta é a fase em que, muitas vezes, os jovens pais se deparam com problemas de comportamento por parte dos seus filhos e em que se apercebem de quão difícil é educar... O paralelismo e a empatia pela experiência dos seus pais ganha outra dimensão.

        

Dos 45 em diante – Os pais afinal sabiam tudo!

Fase em que muitas vezes os pais já faleceram e em que os adultos, finalmente, se apercebem da enorme sabedoria que os seus pais encerravam.

 

E que tal pensar sobre a Psicologia que encerra este texto?

 

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publicado às 09:18

Quando mais, é menos

por oficinadepsicologia, em 05.11.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

É natural que nos preocupemos com os nossos filhos mesmo quando eles já são jovens adultos, quer ainda vivam connosco ou se preparem para sair de casa.

 

Para nós pais, eles serão sempre os nossos filhos e durante muitos anos, enquanto eles ainda eram pequenos, sentimos que éramos responsáveis por eles e por muito do que lhes sucedia nas suas vidas.

 

Todos nós nos lembramos de um sem número de pequenas situações, que nos fizeram estar vigilantes e/ou que provocaram o acelerar do nosso coração, como quando, por exemplo, antecipávamos que algo poderia não ter o desfecho desejado e temíamos pelo seu eventual impacto nos “nossos miúdos”.

 

Provavelmente todos nós, em maior ou menor grau fomo-nos preocupando com uma enorme variedade de coisas e situações, pelo que nem sempre é fácil parar e mudar de registo à medida que os filhos  vão crescendo.

 

A preocupação dos pais com os filhos mais velhos, surge assim na continuidade de um conjunto de padrões que foram sendo desenvolvidos desde o início da relação pais-filhos, quando estes eram totalmente indefesos e incapazes de lidar com o mundo que os rodeava.

Acresce que ninguém tem dúvida que se alguém se preocupa connosco, isso pode ser visto como um sinal de amor e como uma expressão de proteção e cuidado. Todos nós nos sentimos reconhecidos e agradados em relações em que a outra pessoa manifesta alguma preocupação connosco e procura ajustar-se às nossas necessidades. Nesta acepção, a preocupação parece reflectir o investimento que uma pessoa faz numa determinada relação.

 

Contudo, é importante não esquecer que a preocupação em excesso em qualquer relação - e a relação pais-filhos não foge à regra - pode constituir-se como um elemento de afastamento, ao invés de contribuir para consolidar a relação. Imagine por exemplo, que sempre que o seu filho sai de carro lhe telefona de 5 em 5 minutos para verificar se ele já chegou, este tipo de preocupação é intrusiva e pode minar uma relação que à partida é positiva e saudável.

 

Sendo a preocupação social e emocionalmente aceite, é fundamental ter em atenção não só a frequência com que manifestamos as nossas preocupações, mas também o modo como o fazemos.

 

Tenha cuidado para que a quantidade de preocupação que manifesta, não represente um fardo para os seus filhos. Lembre-se também que quando manifesta uma preocupação isso causa sempre algum desconforto no outro, pelo que a forma como a expressa é realmente relevante. É importante que o seu filho(a) não sinta que você o olha como sendo incapaz de gerir os seus próprios assuntos e/ou como alguém que lhe está a passar um atestado de incompetência.

 

A manutenção da autonomia e da confiança são duas pedras angulares de qualquer relação saudável e que se pretende que perdure no tempo.

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publicado às 13:10

Pais para sempre: no divórcio, a co-parentalidade

por oficinadepsicologia, em 05.08.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

O divórcio é invariavelmente um momento de crise para todos os envolvidos até pelas mudanças que necessariamente impõe enquanto fase de transição.

 

Uma separação ou divórcio subscreve o fim de uma relação conjugal e paradoxalmente após a separação impõe-se a necessidade de nutrição de uma relação de cooperação entre os pais: a relação co-parental.

 

A relação co-parental é muitas vezes difícil de alimentar pois com frequência após uma separação a relação emocional entre os cônjuges está ainda rodeada de mágoas e ressentimentos que dificultam a clara diferenciação da ex-relação conjugal, da relação parental.

De uma forma mais clara, a separação põe fim à relação conjugal mas não à função parental, o que pressupõe que neste momento de encruzilhada se consiga distinguir no outro de quem nos separámos o ex-cônjuge do pai/mãe atual, pois não é válido o pedido ou desejo de que passe também ser ex-pai/mãe. 

 

É importante que se perceba que a co-parentalidade é um fenómeno relativo, na medida em que pode variar consideravelmente a quantidade e a qualidade de envolvimento de cada um dos pais, ou seja, não se pode falar de forma universal e estandardizada de uma divisão igualitária em todos os momentos das responsabilidades parentais.

 

O que algumas vezes acontece é que batalhas são mantidas, alicerçadas em contantes acusações relativas a diferenças no tipo de envolvimento, tipo e forma de contribuição, ficando muitas vezes relegado para segundo plano o bem-estar dos filhos e inclusivamente o próprio bem-estar de cada um dos pais. A verdade é que cada um os pais pode contribuir de formas distintas quer a nível material, afetivo e/ou social.

No entanto, seria também utópico pensar que um casal que não ultrapassou as suas diferenças na vida em conjunto o possa fazer de forma perfeita ou mesma livre de qualquer conflito, no momento da divisão. De fato, a separação harmoniosa sem qualquer discussão, tem mais a ver com a utopia do que com a realidade humana e é importante saber que os conflitos geralmente fazem parte do processo de separação parental e que inclusive podem ser uteis para o encontro de negociações saudáveis, no entanto é fundamental balizar o nível de conflito para que este não ultrapasse limites aceitáveis.

 

É sensato pensarmos que mesmo ex- conjugues em conflito desejam que os filhos de ambos sejam felizes e bem sucedidos e que desejem igualmente a felicidade para si próprios.

 

Pais para sempre é o desafio já assumido pelos pais e na fase da separação proposto numa nova variante, em co-parentalidade, o que pressupõe então que cada um dos pais se assuma como ex-cônjuge, e que vista e invista no seu papel de pai/mãe no sentido de planificar um futuro relacional com os filhos e que contribua igualmente para uma relação o mais harmoniosa a cada momento, de cooperação parental.

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publicado às 11:46

O ninho vazio: quando os filhos saem de casa

por oficinadepsicologia, em 25.07.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

A síndrome do “ninho vazio” refere-se a sentimentos de depressão, tristeza e dor que os pais experienciam quando os filhos deixam as suas casas de família.

 

As mulheres são geralmente as mais afectadas, contudo isso não quer dizer que os homens sejam completamente imunes à síndrome do “ninho vazio”. De facto, os homens também podem vivenciar os mesmos sentimentos de perda com a partida dos filhos e também passam por um período de adaptação, mas as suas reacções podem ser diferentes e não têm forçosamente de espelhar as da mulher.

Mas independentemente das razões dos filhos para cortarem o “cordão umbilical” com os pais – a ida para a faculdade, talvez casar ou simplesmente mudar de cidade para começar a trabalhar, a situação provoca em nós um carrossel de emoções. E que conjunto de emoções!

Para além dos inevitáveis sentimentos de perda, todos nós enfrentamos esta transição com ansiedade, stress e alegria. Não sabemos se havemos de celebrar a nossa nova liberdade ou se chorar pela temida solidão. Podemos sentirmo-nos alegres e tristes, confiantes e medrosos, optimistas e cheios de preocupações e tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo e num só dia, o que é perfeitamente normal.

 

Mas a saída de casa dos filhos não tem de ser sinónimo de crise, na prática trata-se de um estádio natural do nosso ciclo de vida, de uma mudança que a maioria de nós desejou para si próprio e que espera que os filhos mais tarde ou mais cedo também alcancem.

 

Já pensou que quando um filho está pronto para sair de casa, isso geralmente significa que nós como pais, fomos bem sucedidos a educá-lo de modo a ele ser auto-suficiente e independente – uma das tarefas seguramente mais importantes que temos como educadores? Já pensou que com a partida dos filhos também você merece um voto de parabéns? Sim, parabéns por ter criado o seu filho/filha de modo a que ele/ela seja capaz de ser dono de si e da sua própria vida.

 

Apesar de tudo isso, não conseguimos deixar de ser invadidos pela ansiedade, pelo stress e por alguma tristeza. Sempre que isso sucede, talvez ajude pensar noutros momentos em que deixou o seu filho ir por si e no quanto essas situações ensinaram a ambos lições importantes. Talvez a primeira vez que deixou o seu filho sozinho foi quando ele ficou a dormir em casa dos avós, para poder ir fazer aquele programa que há muito não fazia, ou quando o convite da festa de aniversário de um amiguinho excluía os adultos ou simplesmente quando o deixou pela primeira vez no infantário. Depois disso, houve muitos outros momentos em que o deixou aventurar-se por si próprio, munido com as ferramentas e valores que lhe passou para ser bem sucedido. Provavelmente nem sempre foi fácil nem tranquilo, mas o facto de o ter deixado ir significou que confiava que nele, que acreditava que ele tinha aprendido com as experiências anteriores e/ou sabia lidar com as circunstâncias do presente e sair delas com uma sensação de conforto e satisfação.

 

Acresce que quando os filhos saem de casa também o nosso papel como pais muda. Deixamos de estar fisicamente presentes, para passarmos a ter uma presença mais remota e distante. Provavelmente deixamos de saber como foi o seu dia-a-dia, assim como deixamos de saber se hoje estava alegre ou triste. Mas isso não significa que o nosso papel de pais desapareça, de facto ele mantém-se, mas de um modo distinto, o que requer um ajustamento da nossa parte, um ajustamento que é absolutamente necessário e no interesse do jovem.

 

Como sobreviver a este tempo de mudança?

O stress e a ansiedade podem tornar-nos irritadas, deprimidas e auto-centradas, o que pode conduzir a zangas com o companheiro. É importante ter a noção que ambos estão a passar por uma fase de adaptação que é difícil. A melhor coisa que podem fazer um pelo outro é ouvir, dar o ombro para o outro se encostar e ser tolerante e apoiante. Para aqueles que são pais “solteiros”, é importante que possam contar com amigos e familiares para ajudar. Também encontrar outras pessoas que estejam a passar pela mesma fase de vida com quem falar, pode ser uma boa alternativa.

 

Não se esqueça de ouvir o seu filho e procure perceber em que é que ele precisa e em que é que ele não precisa de si. Tente compreender qual é a ideia dele acerca da nova relação convosco. É importante dar apoio e encorajá-lo. Faça-lhe saber que apesar de ser uma nova fase da vida dele, que acredita que vai ser bem sucedido. É importante que tentar relacionar-se com ele de um modo adulto.

 

E não se esqueça que agora chegou o momento para tomar conta de si, para se nutrir de todas as formas que lhe fazem sentir-se bem. Pode-lhe apetecer ir ao ginásio, aprender a pintar ou uma nova língua, relacionar-se com amigos antigos ou fazer novos amigos, voltar à escola, arranjar um trabalho ou ser voluntário. Há tantas coisas que pode fazer por si, basta sentar-se e pensar nisso. Pode igualmente envolver-se em projectos que teve de deixar de lado – projectos como ter a casa organizada, ir de viagem ou arrumar álbuns de fotografias.

 

A saída de casa de um filho marca o inicio de uma nova fase, não só para ele, mas também para si. Procure olhar a vida noutra perspectiva e explore coisas novas ou tão somente as antigas que ficaram em stand-by, mas acima de tudo dê a si mesma um intervalo, permita sentir-se triste, alegre, optimista, receosa ou qualquer que seja a emoção. E lembre-se que não está sozinha.

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publicado às 14:31

Desafios de uma mãe e mulher

por oficinadepsicologia, em 12.07.12

E-mail recebido

 

 

Boa tarde ,

Tenho um filho de 4 anos que nunca se alimentou bem, mas a situação tem vindo a piorar e já acorda a dizer que não quer comer nada. Vários médicos me têm dito para relativizar a situação, que é normal, que ele está bem...mas a verdade é que eu, mãe, não sinto nada disso. A sensação que tenho é que o meu filho vive tristonho e tem um qq bloqueio emocional, forte, que o tem vindo a prejudicar.

 

Ele não está no infantário, vai este ano para a pré-escola (setembro), pelo que passa o dia inteiro nos meus pais. Qd saio do trabalho, eu ou o meu companheiro vamos buscá-lo. No entanto a sua vontade de ficar conosco lá em casa a dormir é nula. pede os avós. Ontem p.e., “obriguei-o “ a ficar em casa...foi um desvario total, uma gritaria ....mas decidi que teria de ficar e ficou. No entanto sinto que durante a noite não tem um sono tranquilo...parece que o corpinho dele está sempre eléctrico e que em contacto com o meu estremece, como se tivessemos energias opostas, que se repelem.

 

Amo o meu filho mais do que tudo e do que todos. Sei que a situação do pai dele nos deixar, o meu filho tinha 15 dias, não me deixou grande coisa a nível emocional, mas tentei ultrapassar... No inicio costumava dizer que se não tivesse o meu filho “seria uma rainha”, como se o menino me tivesse tirado espaço, autonomia e me obrigasse a uma vida de responsabilidades. Esta dualidade é terrível, passo-lhe toda esta ansiedade e vivemos a cada dia num clima de Paz/Guerra, Amor /Ódio!

 

Preciso de ajuda com urgência, pq preciso de ajudar o meu filho...já andei em psiquiatria, psicologia  mas nada resolve esta angústia, esta mágoa. Quem me conhece sabe que sou uma bem disposta mas acho que cada vez mais é uma alegria superficial, pq estou sempre triste e preocupada com o meu filhote. Por favor ajudem-me ou informem de quem possa ajudar.. Não tenho grandes possibilidades financeiras.

 

Certa da vossa ajuda

OBG!

M.

 

 

 

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publicado às 19:45

Casais sem filhos... Por opção

por oficinadepsicologia, em 16.06.12

Autora: Catarina Mexia

Terapeuta conjugal e familiar

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Catarina Mexia

Numa época em que cada vez mais ouvimos falar no aumento da infertilidade feminina e masculina, nos avanços tecnológicos que permitem à medicina ter cada vez mais respostas para este problema, pode parecer estranho falar de casais que optam por não ter filhos.

Contudo, a decisão de não ter fi­lhos não é um fenómeno recente nem uma questão pacífica no seio de uma relação. Muito se tem fa­lado na Europa acerca do envelhe­cimento populacional, que parece ser um dos factores que nos tem le­vado a questionar fortemente as políticas dos diversos países no que se refere às formas tradicio­nais de apoio na velhice e na doen­ça. Os argumentos utilizados por ambas as partes, casais com e sem filhos por opção, parecem conter uma lógica inabalável, que nos le­va a dizer que ambos têm razão. Talvez a resposta esteja na com­preensão destes argumentos e no respeito pelas escolhas conscien­ciosas de cada um.

 

As razões. "Não se trata de fa­zer a apologia da não materni­dade, mas seria um erro deixar de considerar a possibilidade de nos ser difícil suportar a ideia de que quando o nosso filho deu os primeiros passos não foi para os nossos braços, ou nos momentos mais importantes não estivemos, lá." Este é um dos argumentos fre­quentemente encontrados para justificar a opção de alguns casais para não serem pais. Poucas pesso­as compreendem porque alguém escolheria não ter filhos. Trata- se, contudo, de uma opção cada vez mais comum e, como é natu­ral, não reflete nada de anormal nessas pessoas.

 

Numa sociedade marcada pela educação judaico-cristã, o pro­pósito da união dos seres seria o da procriação. Casava-se para ter filhos e quando tal não aconte­cia algo de muito errado se passa­va, geralmente relacionado com infertilidade imputada às mulheres. Muitas ca­beças rolaram, impérios caíram, a própria Europa foi vezes sem conta redesenhada por casamentos estéreis ou sem varão. A Ingla­terra optou mesmo por uma no­va religião que permitisse ao seu rei casar pela igreja, até aí a última instância capaz de sancionar um casamento. Assim se percebe que predomine a crença de que um ca­sal sem filhos não seja um casal completo.

 

Por opção. A realidade impõe-se e as antigas crenças são desafiadas, nomeadamente pelo crescente nú­mero de casais que escolheram vi­ver sem filhos. Nos EUA, já em 1975, um em cada dez casais não tinha filhos. Atualmente, pensa-se que cerca de um em cada cinco não te­nham filhos por opção. Mas se as dúvidas relativamente a estas op­ções já são antigas, a nova realida­de também nos obriga a aceitar novas respostas. Se estes casais ainda sentem alguma agressividade ou incompreensão pela sua escolha, tal deve-se ao facto de que a sociedade muda mais lentamen­te do que os indivíduos, e aqueles que voluntariamente optaram por não ter filhos são muitas vezes visto como anormais, culpados, ego­ístas e deixados de fora de muitas atividades.

Escolher não ter filhos, no entan­to, pode ser uma decisão saudável. Geralmente é uma escolha longa­mente ponderada e discutida no seio do casal e reflete um verda­deiro desejo, não existindo nada de errado para quem escolhe es­te estilo de vida. Com frequência, se os elementos do casal não con­seguem estar de acordo sobre este assunto, geralmente ocorre uma separação. São opções de fundo e que mudam a vida de uma pessoa para sempre. Passado o tempo de procriação de uma mulher, o ca­sal poderá sempre experimentar ser pai através da adopção, mas dificilmente serão os pais natu­rais de uma criança.

 

Estilo de vida. Muitas são as ra­zões que levam os casais a não te­rem filhos, o que pode abranger desde opções religiosas ou ide­ológicas até a um estilo de vida. Por um lado existe uma realidade sociológica que leva a poder esco­lher. Escolher, porque a medicina nos permite controlar a natalida­de e porque a sociedade promove valores que acentuam a liberdade individual na escolha de estilos de vida. Por outro lado, a consciência que o investimento numa carreira é muitas vezes incompatível com a noção de pais que estes casais gos­tariam de ser leva-os a optar pela satisfação profissional.

Ainda, e talvez o mais importante, é o sentimento que estes casais ex­pressam de não precisarem de um filho para se sentirem completos ou encontrarem o seu objectivo na vida. Muitos, pura e simplesmente não desejam ser pais. Todos temos esse instinto? Talvez, mas a nossa condição de seres pensantes per­mite-nos ir para além dele e fazer opções distintas.

 

Partilhar o tempo. Outros ca­sais sentem uma vontade enor­me de continuar a razão que os levou a juntarem-se: partilhar o tempo. Sem as responsabilida­des inerentes aos filhos, estes ca­sais têm mais energia e tempo pa­ra se dedicarem a uma variedade de coisas que gostam de fazer em comum. Viajar costuma ser opção mais vulgar.

A lista não tem fim, mas pode in­cluir a carreira profissional, a me­lhoria da educação própria, o de­senvolvimento e manutenção de amizades, o envolvimento to­tal em atividades para além das profissionais, a procura de um maior desenvolvimento pessoal, maior liberdade e segurança financeiras.

 

A decisão de não ter filhos, por parte de um casal, vai ser segura­mente questionada. Primeiro pe­la família, que esperava um neto, um herdeiro, um continuador do nome de família, depois por ami­gos e colegas. E nos momentos em que a culpa os assalta, devem lem­brar-se que esta decisão se baseou no desafio de manter vivo, ao longo dos anos, o interesse mútuo em cada um e em atividades conjuntas, mas também num bom equilíbrio entre a partilha e a individualida­de de cada um, de tal forma que ambos sejam um casal sem que um se funda no outro. Também a atitude perante a velhice é nor­malmente equacionada de forma diferente, na medida em que, pa­ra além dos amigos, se não existi­rem outros familiares, os dois ele­mentos do casal apenas contam um com o outro, o que em geral os leva a adoptar estilos de vida mais saudáveis, em que mesmo o stress profissional é compensado com outras atividades.

 

Para pensar. Ainda assim, e sempre que as dúvidas nos assal­tarem, devemos colocar-nos ques­tões como: O que procuramos ob­ter da experiência de sermos pais? O que é para nós uma vida com sig­nificado? Como é que uma criança cabe nessa concepção?

Optar por não ter filhos é um as­sunto polémico e geralmente dis­cutido com emoção. São vários os sitios da Internet que debatem es­tes assuntos. Em 1997, Korasick, uma mulher de 32 anos casada com um homem de 30 anos criou o Child Free Website para se ligar a outros como ela: casais que não querem ser pais. Ao fim de alguns dias, Korasik foi inundada com e­mails de agradecimento por ou­tros casais na mesma situação, que encontraram eco e um espa­ço para partilharem as suas ex­periências. Atualmente existem muitos sites dedicados a casais sem filhos por opção, que, inclu­sive, organizam atividades para confraternização.

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publicado às 09:56

Nascimento de um filho - mudanças conjugais

por oficinadepsicologia, em 26.05.12

Autora: Joana Florindo

Psicóloga Clínica

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Joana Florindo

O nascimento de um filho é um marco relevante na vida de um casal, que envolve profundas transformações conjugais e individuais. A centralidade que a vida conjugal conservava até esse momento, passa a ter de ser partilhada com a vida parental, e os papéis de “marido” e de “mulher”, especialmente numa primeira fase, poderão facilmente ser absorvidos pelos papéis de “pai” e de “mãe”. Nesta condição, grande parte da atenção e recursos parentais encontram-se direccionados para as necessidades do bebé, limitando a disponibilidade do casal para um investimento na sua relação conjugal. 

 

A fadiga física e a privação de sono, especialmente experienciadas pela mãe numa fase inicial, sendo ela quem está mais implicada nos cuidados do bebé, poderão também contribuir para a diminuição da disponibilidade do casal no investimento da sua vivência a dois.

 

Outra condição que tende a ocorrer com alguma frequência e que pode contribuir para um distanciamento da intimidade conjugal após o nascimento de um filho, é a diminuição do desejo sexual por parte da mulher. Esta diminuição do desejo sexual encontra-se estreitamente relacionada com as alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez e período de pós-parto, constituindo-se na maioria dos casos, como uma fase natural e passageira. Mas poderá também estar relacionada com o cansaço e fadiga física que referenciei anteriormente, pela absorção de toda a  energia da mãe para as necessidades do bebé, ou com questões de imagem corporal, devido às transformações físicas que o seu corpo sofreu durante a gravidez e que a inibem de se expor ao marido. Outra situação que poderá estar ainda relacionada com a diminuição do desejo na mulher, é o medo de poder sentir alguma dor no envolvimento sexual, potenciado a sua ansiedade e o evitamento de qualquer contacto mais íntimo.

 

Alguns homens poderão também experienciar uma diminuição do desejo sexual, na fase inicial deste período de vida, quer devido ao medo de poderem provocar alguma dor à sua parceira, cujo corpo passou por transformações internas recentes, quer devido à mudança de papel que ela experienciou, de “sua mulher” para “mãe dos seus filhos”.

 

                A diminuição da satisfação conjugal, comum nesta fase do pós-parto, parece estar mais relacionada com a  diminuição do investimento na relação conjugal do que relacionada com as tarefas parentais. Assim, é fundamental que o comprometimento com o papel de “pai” e de “mãe” não substitua o comprometimento anterior com o papel de “marido” e de “mulher”, devendo ambos ser coabitados e ajustados à vivência diária do sistema familiar.

 

A título sugestivo, aqui ficam algumas ideias que poderão orientar estes casais na promoção da sua intimidade conjugal: 

 

- Saiam da rotina e encontrem algo para fazer a dois. Por exemplo, determinem um dia por semana para poderem sair sozinhos, durante duas ou três horas, e ir ao cinema ou jantar fora;

-  Partilhem emoções e expressem afectos um pelo outro. Utilizando não só a linguagem verbal como a não verbal, e neste caso específico podem fazê-lo através da troca de carícias ou de beijos. Um abraço sentido pode ser uma óptima fonte de conforto, intimidade e bem-estar;

- Comuniquem um com o outro. Uma comunicação verbal clara e aberta é fundamental para uma boa vivência relacional. Partilhem livremente e de forma tranquila aquilo que pensam e sentem, expressem os vossos medos e expectativas face a esta fase de vida, reencontrando um equilíbrio na relação e aumentando a confiança mútua e a intimidade; 

- Surpreendam-se mutuamente. Apoiem-se na vossa imaginação, no que sabem que o outro gosta, e preparem surpresas um ao outro. Um banho de espuma relaxante ao final do dia pode ser uma boa saída escolha;

-  Brinquem e riam em conjunto. Para além do sentido de humor, que deve ser cuidado na relação, chamo aqui à atenção para o vosso lado mais infantil e activo e sejam criativos;

- Mantenham viva a sensualidade que há em vós. Através de carícias ou de uma troca de massagens, por exemplo. E comuniquem as vossas necessidades e receios no que respeita à intimidade sexual, ajustando as expectativas e reduzindo frustrações futuras;

- Celebrem sempre a vossa relação. Não o façam exclusivamente nos dias de aniversário. Sejam criativos, utilizem a imaginação e o mistério e divirtam-se a explorar e experienciar satisfatoriamente a vossa vivência conjugal.

 

Embora possa não ser fácil despertar romance entre fraldas e biberões, é importante que o casal não abandone o seu papel de “marido” e “mulher” e dedique tempo a sua vivência intima, contribuindo não só para uma maior satisfação conjugal, como consequentemente, para uma maior satisfação familiar.

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publicado às 19:20

O bébé nasceu

por oficinadepsicologia, em 03.10.11

Autora: Filipa Jardim da Silva

Psicóloga Clínica

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Filipa Jardim da Silva

A maior parte das pessoas descreve a sua vida A.B. e D.B., ou seja, antes do bebé e depois do bebé. O nascimento de um filho é um marco de mudança, descrito por muitos com um misto de nostalgia pelos tempos anteriores de maior disponibilidade, aceitação das novas rotinas, realização pela concretização do papel parental, satisfação pela nova etapa familiar.

 

Independentemente das especificidades de cada relação conjugal, a chegada do primeiro filho é provavelmente a maior mudança da vida de um casal. Tudo muda em relativamente pouco tempo e em alguns casos as bases da relação são afectadas pelas alterações que se impõem. O maior desafio prende-se, em muitas situações, em lidar com as mudanças emocionais que resultam deste acontecimento, que nem sempre são equivalentes no homem e na mulher nem passíveis de serem previsíveis. Para além das alterações hormonais na mulher que ocorrem ao longo da gravidez e depois do parto, responsáveis por alguma labilidade emocional com a qual nem sempre é fácil lidar, há mudanças que surgem aquando da adopção do papel parental. O amor que um pai e uma mãe experienciam imediatamente após o nascimento do seu primeiro filho é de tal modo intenso e avassalador que origina frequentemente interrogações que até à data nunca haviam surgido.

 

É normal que os membros do casal atravessem uma fase que oscila entre o embevecimento com o seu bebé e a sensação de anulação, o que reforça a importância que cada um faça um esforço para que a ligação não se perca. A mudança requer adaptação, e consequentemente tempo e tolerância. A comparação com outros casais revela-se inútil e desgastante pelo que é importante aceitar que não há famílias perfeitas, nem super-homens ou mulheres. Cada caso é único e as necessidades de cada membro de cada casal devem ser claramente partilhadas para que a comunicação seja eficaz e o projecto de construção de uma família feliz posso continuar.

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publicado às 10:13

Pai como personagem principal

por oficinadepsicologia, em 18.09.11

Autora: Helena Gomes

Psicóloga Clínica

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Helena Gomes

Ao se comprometerem como pais, o homem e a mulher estão solidários a uma tarefa conjunta, cujos papéis são fundamentais para o desenvolvimento psico-afectivo do filho. A mãe tem, para muitos, um papel incontestável, mas o pai tende a ser visto como personagem secundária, principalmente nos primeiros anos de vida da criança. Sabemos agora que o pai está a redefinir o seu papel colocando-se como personagem principal ao lado da mãe. O documentário da BBC “Biology of Dads” ( http://www.youtube.com/watch?v=o800Whxw1fk) vem confirmar essa tendência com base em estudos realizados em todo o Reino Unido por psicólogos.

 

Ao contrário do que se poderia pensar, o laço entre pai e filho é anterior ao nascimento, sendo a voz do pai reconhecida pelo recém-nascido. Mas também o será ainda no útero? Sim, para além de reconhecer a voz do pai, o recém-nascido reage com um aumento do batimento cardíaco superior ao que demonstra quando ouve a voz da mãe. Outro dado fascinante revela que, após o nascimento do filho, existe uma alteração nas hormonas masculinas, acreditando-se que tal sucede para ajudar o pai a cumprir o seu papel na criação do filho. O vínculo com o filho transforma o pai biologicamente, algo de extraordinário acontece no momento do nascimento e regista-se uma diminuição da testosterona. Os níveis normais vão sendo restituídos ao longo do crescimento do filho, mas os instintos paternos continuam a ser cuidar e proteger o filho.

 

 

 

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publicado às 09:48

Perguntas difíceis: sexualidade

por oficinadepsicologia, em 17.09.11

Autora: Joana Florindo

Psicóloga Clínica

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Joana Florindo

Falar sobre sexualidade talvez não seja uma tarefa fácil para a maioria das pessoas. Falar abertamente sobre sexualidade com os filhos, então, não será certamente mais simples.

 Arrisco dizer, que a maioria dos pais, quando confrontados com as primeiras questões sobre tal temática, especialmente quando colocadas de forma directa e espontânea, sentem-se assustados e constrangidos, sem saberem ao certo o que responder aos seus filhos. Nessas situações, tendencialmente, ou tentam desviar o assunto ou tentam adiar uma resposta, na esperança de que tal questão não volte a surgir. Mas, na maioria dos casos, acabam por ver as suas estratégias defensivas sabotadas porque a dúvida persiste e a questão volta a emergir.

É fundamental dar-se uma resposta à criança, mesmo que não seja no momento em que ele coloca a pergunta, revelando disponibilidade e abertura ao diálogo perante todos os temas da sexualidade. E embora não exista uma receita específica, que possa ser aplicada a todos os casos, os pais devem encarar todas as questões com a maior naturalidade e tranquilamente responder aos seus filhos.

 

 

 

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publicado às 11:09


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