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Mães e filhas adultas

por oficinadepsicologia, em 31.08.11

Autora: Filipa Jardim da Silva

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Filipa Jardim da Silva

A maior parte das investigações e artigos relativos às relações pais e filhos, tende a focar-se nas interacções com filhos pequenos ou adolescentes. Sabe-se contudo que estas relações são pautadas toda a vida por características particulares, sobretudo no que diz respeito a mães e filhas.

 

O relacionamento entre mãe e filha adulta é, tendencialmente, marcado pela coexistência de extremos: a cumplicidade e o conflito, a separação e a aproximação, a busca de diferenciação e a descoberta de semelhanças, encontros e desencontros.

 

É inegável a importância que a relação entre mãe e filha tem no desenvolvimento da identidade feminina de ambas, identidade essa, que por sua vez, também interfere e modula o seu relacionamento. As mulheres mantêm a identificação com a mãe ao longo da vida e é a partir daí que vão construindo o que é ser mulher; as mães, por outro lado, também se identificam com as filhas e projectam os seus sentimentos nelas, muitas vezes em busca da sua própria realização.

 

Em alguns casos, desenvolve-se uma relação gratificante e segura; noutros gera-se uma relação turbulenta com manifestas dificuldades de comunicação e aceitação mútuas. Muitas vezes estas relações causam tamanho sofrimento e interferência na vida das mulheres, mães ou filhas, que não raras vezes este acaba por ser um domínio muito trabalhado num processo psicoterapêutico.

 

Uma questão básica para as mães poderá ser: “Confia que a sua filha pode ser uma mulher independente e auto-suficiente? Consegue apoiá-la nas suas decisões próprias que poderão ser diferentes daquelas que tomaria? Acha-se capaz de diferenciar o sucesso ou insucesso da sua filha do seu próprio valor enquanto mãe?” Uma questão essencial para as filhas será: “Acha que tudo o que acontece na sua vida pode ser atribuída responsabilidade à relação que tem com a sua mãe? Consegue aceitar a sua mãe enquanto um ser perfeitamente imperfeito?”

 

Mães e filhas terão sempre de aceitar, em determinada fase, que o que passou na infância e adolescência passou, não podemos viver com a nossa atenção focada “no que poderia ou deveria ter sido”, nos “se’s” ou num depósito de mágoas e arrependimentos. Em vez disso, importa investir em boas e saudáveis relações no presente, preferencialmente pautadas por respeito mútuo, compreensão e amizade, aceitando-se como são, mãe e filha, perfeitamente imperfeitas.

 

publicado às 11:20



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