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"Desembrulhando" o nosso ser

por oficinadepsicologia, em 01.09.11
Irina António

O sentir-nos fechados dentro de uma embalagem simpática e feita à medida para corresponder às expectativas dos outros, faz cada vez mais parte das nossas vivências actuais.

 

Poder ser eu mesmo, com todas as particularidades da minha expressão já é visto como um luxo. Temos muito medo de partilhar o nosso interior com os outros, e assim optamos por ficar fechados num “embrulho” que por mais perfeito que ele seja, sempre é diferente daquilo que se esconde lá dentro.

 

Há quem compare a nossa sociedade com um supermercado que oferece uma grande diversidade de artigos em pacotes, caixinhas, papeis, sacos: coloridos, com música, às bolinhas, lisos, rugosos, com cheiro. Atrás das imagens lindas, ficam escondidos os produtos de qualidade duvidosa.

 

Gastamos imensa energia para criar uma “embalagem” apetitosa, investindo muito pouco no próprio produto – nós mesmos. Esta tendência faz aumentar ainda mais a sensação de insatisfação e de infelicidade, sendo que uma “embalagem” perfeita necessita de recursos para sua manutenção, recursos que vão faltar para fortalecer e desenvolver o nosso verdadeiro ser. E se experimentarmos comparar a sociedade com um mercado de frutas e de legumes frescos, onde se vendem produtos “em bruto”, com cheiro e toque natural, e com toda a imperfeição e singularidade?

 

As pessoas partilham o medo de se abrir, de deixar “o embrulho”, receando atitudes de rejeição e de reprovação por parte dos outros. Porque a descoberta da imperfeição expressa pelas nossas fraquezas e desequilíbrios vai sinalizar que nem tudo está a correr tão bem como se esforçavam por mostrar. Mas há um pormenor importante a ter em conta: o nosso poder em influenciar a opinião dos outros é limitado devido à subjectividade da percepção humana, ou seja cada um de nós vê somente a sua predisposição em ver determinadas coisas. E quem não aceita a sua própria imperfeição, faz o mesmo com os outros.

 

O desafio de sair para fora da “embalagem” não é dos mais fáceis, mas um dia, enchendo-se de coragem, atrevam-se a dizer aos outros o que realmente sentem, pensam, imaginam. Para começar, se calhar, escolham o meio mais seguro: amigos, colegas de trabalho mais próximos, filhos. Experimentem primeiro com coisas agradáveis, e à medida que vão ganhando mais segurança com feedback dos outros, arrisquem colocar desafios mais complexos e assim, progredir no caminho de se tornar mais próximo a si mesmo e, como consequência, aos outros. Porque as palavras sinceras vindas de alguém que as sente verdadeiramente, têm um “valor nutritivo” incalculável. O outro ganha uma oportunidade em conhecer e aprender com a sua realidade única, você – uma paz interior e autopercepção mais completa, e ambos – a sensação de proximidade que todos necessitamos para o nosso equilíbrio emocional e psicológico. 

publicado às 11:18


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