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Tem pouca diferença?

por oficinadepsicologia, em 07.02.10

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

Tem Pouca Diferença

Gal Costa

 

Que diferença da mulher o homem tem?
Espera aí que eu vou dizer, meu bem
É que o homem tem cabelo no peito
Tem o queixo cabeludo
E a mulher não tem
No paraíso um dia de manhã
Adão comeu maçã, Eva também comeu
Então ficou Adão sem nada, Eva sem nada
Se Adão deu mancada, Eva também deu
Mulher tem duas pernas, tem dois braços, duas coxas
Um nariz e uma boca e tem muita inteligência
O bicho homem também tem do mesmo jeito
Se for reparar direito tem pouquinha diferença

 

Contrariamente à canção da Gal Costa, existem diferenças no funcionamento cerebral entre homens e mulheres, e que apenas agora se começam a apurar. No que diz respeito à reacção e sensibilidade ao stress, muito particularmente, as diferenças podem estar relacionadas com os papeis distintos que homens e mulheres desempenhavam no princípio dos tempos.

 

Analisando a actividade cerebral com apoio de ressonâncias magnéticas funcionais (que permitem observar quais as zonas do cérebro mais irrigadas ou activas a cada momento), verifica-se que, quando sob stress (uma reacção primária a uma ameaça potencial), os homens tendem a activar o córtex pré-frontal direito, uma área mais cognitiva e analítica, responsável pelo início da resposta de “luta ou fuga”, enquanto que as mulheres tendem a activar o sistema límbico, uma zona mais emocional. Verificou-se, igualmente, que a reactividade cerebral era mais duradoura nas mulheres (estudo da Universidade da Pensilvânia, EUA).

 

 

Uma das teorias que visam explicar esta diferença afirma que, uma vez que primordialmente, competia aos homens a defesa do território e às mulheres a protecção e o cuidar dos filhos, quando enfrentamos uma ameaça estamos programados para reagir biologicamente de uma forma diferenciada.

 

Ainda de acordo com um outro estudo recente, da Universidade Hospital de Cracóvia (Polónia), existem, igualmente, diferenças relativas à forma como reagimos, a nível da mobilização cerebral, a situações de emocionalidade positiva e negativa. Os homens prestam mais atenção aos aspectos sensoriais dos estímulos emocionais e têm tendência a processá-los de acordo com as suas implicações para a acção que é necessária, enquanto que as mulheres prestam mais atenção aos sentimentos que esses estímulos emocionais originam. Ou seja, a mesma situação é processada de uma forma diferente pelo cérebro feminino e masculino: neste caso, motivando o sexo masculino para a acção e o sexo feminino para a emoção e o suporte social.

Reacções diferentes a situações de stress e emocionais, e de elevada complementaridade, como seria de esperar.

 

A grande questão que se coloca, em saúde mental, e que permanece sem resposta cabal, refere-se ao motivo pelo qual existe uma incidência dramaticamente superior de mulheres a sofrerem de perturbações ansiosas (cerca de 2 para 1) – até que ponto, a nossa biologia reagindo ao contexto actual de vida pode ser responsável por este resultado? Encontrando respostas à medida que os estudos científicos se sucedem, será possível desenhar soluções preventivas para diminuir a incidência de perturbações ansiosas?

Enquanto não existem respostas mais globais, podemos ir colocando em prática algumas medidas que já sabemos serem protectoras do bem-estar: dedicar algum tempo diário a actividades de relaxamento e que nos motivem, rodearmo-nos de apoios emocionais fortes (família e amigos), mantermos algum nível regular de actividade física, dedicarmo-nos a áreas que nos interessem profundamente, dormir bem e o suficiente, mantermos bons hábitos alimentares, respeitarmos os nossos ritmos e características muito particulares, e assumirmos perspectivas e atitudes realistas e moderadas perante a vida que nos rodeia. Válido para homens e mulheres. Talvez a letra da Gal Costa tenha alguma razão, afinal de contas…

publicado às 16:04



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