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Os chefes também se educam

por oficinadepsicologia, em 21.09.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Madalena Lobo

Quando pensamos em educação, automaticamente pensamos em crianças. E, no entanto, os adultos com quem lidamos no dia-a-dia também são passíveis de serem educados – assim mesmo, sem aspas! – e, curiosamente, com um conjunto de regras muito semelhante ao utilizado para a educação infantil.

 

Se na base de qualquer acto educativo se encontra a tentativa de conformidade ao meio ambiente, seja ele social ou familiar, com vista à melhoria das interacções interpessoais, então porque é que, regra geral, nos esquecemos de educar pessoas que gostaríamos que tivessem uma melhor relação connosco – mais útil, mais respeitosa, mais proveitosa, mais agradável? Por exemplo, o nosso chefe?

 

Alguns aspectos a ter em conta na “educação” dos chefes:

  • Chefe não é adivinho, nem dotado de capacidades telepáticas. Agora que já estabelecemos este ponto importante, convém termos presentes as nossas necessidades específicas à relação profissional com os nossos superiores hierárquicos, objectivá-las e encontrar um momento em que, com toda a seriedade, lhe possamos transmitir o que, na nossa opinião, não está a correr bem e como gostaríamos que um determinado aspecto passasse a ser resolvido. Parece simples, claro… E todos sabemos a dificuldade imenso em fazê-lo – mas, o importante, é que é possível, ainda que exija treino e uma certa dose de coragem para vencer a nossa passividade e alguns fantasmas privados.
    • Concentre-se em pequenas acções e sempre em comportamentos; a ideia não é mudar a pessoa, o que nunca irá conseguir, nem deve ser esse o objectivo. O que interesse é conseguir um consenso relativamente a um comportamento ou pequeno conjunto de comportamentos, que resultaria melhor para todas as partes serem modificados
    • Nunca acuse! Não “bata”, não castigue, não humilhe, não reprove. Todos nós somos movidos pelo que pode ser chamado de princípio de intenção positiva – ou seja, não fazemos por mal, mas sim na plena convicção de que as nossas acções são as mais adequadas. Ao falar com ele(a), tenha isto em atenção e demonstre que percebe que ele(a) acha que o que está a fazer é o melhor.
    • Encontre as vantagens da alteração do comportamento para ele(a) e para a organização e explicite-as
    • Mantenha uma atitude de negociação, de tentativa conjunta de encontrar soluções com que ambos estejam dispostos a comprometer-se de demonstrando interesse em perceber o que ele(a) acha sobre a sua proposta
    • Por mais que, às vezes, pareça que chefe pertence a uma categoria à-parte, as motivações humanas de valorização, respeito, estima, reconhecimento, aceitação são as mesmas para todas as pessoas, apenas que em doses e configurações diferentes. Por isso, ao tentar obter reacções diferentes do seu chefe, lembre-se de proteger estas motivações, respeitando o ser humano e as suas necessidades, angústias e contexto de vida.
    • Se está a tentar modificar um comportamento seja firme e congruente em todas as circunstâncias em que esse comportamento está implicado
    • A modelagem é uma estratégia de aprendizagem/ensino das mais básicas que existem e refere-se à capacidade de absorção que todos temos desde bebés em aprender por observação e imitação. Se o seu problema é o seu chefe ser ríspido consigo, verifique como se relaciona com ele: tem um trato agradável quando interage com ele? Se o seu problema é a injustiça com que se entende discriminado pelo seu chefe, verifique se na sua própria avaliação da hierarquia não tem vindo a assumir pressupostos que possam não ser totalmente aderentes à realidade e, com isso, estar a pressupô-lo de menor valor pessoal e profissional do que aquilo que poderá, eventualmente, ser. Ou seja, em qualquer circunstância, antes de partir para o diálogo, tente construir com o seu chefe a relação de que gostaria de ser alvo. Pode ser que tenha a surpresa de ver alterações decorrentes de uma aprendizagem por modelagem.
    • Reforce qualquer comportamento na direcção daquilo que pretende: um sorriso, um pouco mais de atenção, uma demonstração de boa-vontade ou até mesmo um agradecimento explícito, são mais do que suficientes como forma de dizer “Eu vi que tentou e fico agradecido”.
    • E, acima de tudo, não tenha medo! Lembre-se que o “não” está sempre garantido – se pedir tranquilamente e com respeito uma alteração de um comportamento, seguindo as regras acima, dificilmente terá alguma consequência negativa. No entanto, se nada fizer por isso, nada muda na realidade à sua volta.

publicado às 10:33


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