Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Não sei o que se passa comigo...

por oficinadepsicologia, em 25.09.11

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

www.oficinadepsicologia.com

 

Francisco de Soure

“Não sei o que se passa comigo. Acho que estou deprimido, não percebo o que se passa. Só sei que odeio estar assim!”

 

Era assim o discurso do Ricardo quando o conheci. Quando veio procurar ajuda, o Ricardo dizia-se deprimido. Sentia um aperto no peito, uma falta de ânimo e de energia e tinha dificuldade em dormir e em comer. Confessou-me que estava assim há duas semanas. Uma exploração de o que poderia estar a provocar este aparente estado de depressão revelou que o Ricardo tinha perdido o avô exactamente há 2 semanas. Que o Ricardo estava em baixo, não havia dúvida. O que parecia escapar-lhe era a definição de o que era este estar em baixo. O Ricardo estava triste. Pura e simplesmente triste. O que, pensando bem nisso, é o que é esperado que aconteça quando perdemos alguém de quem gostamos. Aquilo que parecia ser mais difícil para o Ricardo era reconhecer e aceitar esta emoção. O Ricardo rejeitava-a, via-a como um estado intruso, indesejado. Como se o desconforto da tristeza fosse sinónimo de que algo não estava bem. Nesta altura, o Ricardo ainda não estava deprimido. Estava profundamente triste, mas a força que investia a manter esta tristeza longe de si era surpreendente. E, ao não viver esta tristeza, ao não a deixar correr em lágrimas, estava a mantê-la presa dentro de si. O que o Ricardo não sabia era que as emoções são como a água. Se as deixarmos correr, podem limpar-nos, matar-nos a sede, levar-nos para a frente. No caso do Ricardo, chorar a tristeza dele permitir-lhe-ia procurar apoio, libertar a dor, criar espaço dentro de si para aquelas saudades boas que nos aquecem por dentro quando nos lembramos de alguém de que gostamos muito mas já não está cá. Ora, quando as emoções estagnam, apodrecem e transformam-se em algo que nos fere. A dor engaiolada dentro de nós não nos deixa libertar da sensação de perda e vazio, não nos autoriza a procurar outras pessoas. Quase como se, deixando correr a tristeza e andando em frente, fôssemos trair quem perdemos. E a energia que mantermo-nos assim nos consome deixa-nos absolutamente exaustos.

 

Felizmente, o Ricardo procurou ajuda a tempo. Deixou a tristeza correr. Chorou pelo avô e, no seu íntimo, despediu-se dele. Libertou-se da mágoa e criou espaço para se lembrar do avô com ternura, e transportar essa ternura para os filhos dele. Felizmente, o Ricardo não chegou a deprimir. Infelizmente, muitos de nós não nos damos conta do que está a acontecer, e acabamos por cair no poço da depressão. Se ao ler estas palavras se revê nesta descrição, não perca tempo. Não se permita deprimir, nem tão pouco se permita manter-se deprimido se for isso que está a sentir. Procure ajuda. O Grupo Terapêutico de Tratamento da Depressão inicia-se dia 26 de Setembro, às 19h, na Oficina de Psicologia, com uma duração de 12 sessões, com uma periodicidade semanal e um custo de apenas 25€ por sessão.

publicado às 11:26


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D