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Intervenção psicológica e tratamentos dentários

por oficinadepsicologia, em 23.11.11
Catarina de Castro

Catarina de Castro

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Pode parecer estranho a associação destas duas disciplinas. Na realidade em Portugal não costuma existir esta articulação, o que pode ser explicado pela falta de conhecimento tanto por parte dos médicos e profissionais de saúde oral como por parte da população geral. O estudo de McGoldrick et al (2001) demonstra que existe desconhecimento de como a psicologia pode ajudar pessoas que têm medo de ir ao dentista.

Numa amostra de 115 pessoas que apresentavam medo e ansiedade relativamente a tratamentos dentários, a 113 foram prescritas pelos médicos dentistas susbtancias farmacologicas e a 2 deles foi aconselhado terapia psicológica (com resultados positivos). Verificou-se que numa segunda fase do tratamento dentário e após conhecimento do sucesso na terapia destas duas pessoas, 29% dos 113 optaram por intervenção psicológica.

 

Dentistas desconhecem terapias psicológicas

Este estudo demonstra ainda que a maioria dos dentistas não estão informados que esta fobia ou ansiedade pode ser eliminada em poucas sessões com recurso à psicologia, e que desta forma as pessoas poderão evitar todos os efeitos secundários dos medicamentos, sedação e anestesia geral. Os médicos dentistas recorrem a maioria das vezes a fármacos porque desconhecem que a psicologia tem várias terapias disponiveis.

 

O tratamento psicológico baseia-se na dessensibilização sistemática, relaxamento e técnicas de distracção, hipnose, imaginação dos estimulos fóbicos, restruturação cognitiva e EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing). A Terapia Cognitivo-comportamental é a mais estudada e usada neste tipo de fobias através da exposição in vivo  (exposição presencial e prolongada aos estimulos fóbicos). No entanto, o EMDR tem sido indicado nos últimos anos para estas fobias. Muitos casos têm demonstrado a sua eficácia em apenas duas ou três sessões no tratamento de fobias especificas com componente traumática. A vantagem desta técnica sobre a clássica Terapia Cognitivo-Comportamental é a rapidez da sua acção e menor número de sessões envolvidas. O método EMDR é baseado na imaginação do estímulo fóbico ou exposição a este mesmo estimulo, acompanhado de movimentos oculars ou outros estimulos bilaterais, tendo uma forte componente cognitiva. É importante que os dentistas e outros técnicos de saúde estejam atentos à ansiedade e medo dos pacientes relativamente aos tratamentos dentários e o quanto isso afecta o seu funcionamento normal e saúde oral. Assim, devem encaminhar estes casos para um profissional especializado em tratar estas fobias.

 

“Mas eu não sou maluco!”

O problema talvez não seja apenas falta de conhecimento ou informação mas também a dificuldade de as pessoas reconhecerem que têm um problema que está a interferir na sua vida e neste caso em particular, na sua saúde. Recorrer às intervenções psicológicas ainda é tabu para muitas pessoas. Acham que é coisa para “malucos” ou para personalidades fracas. Contudo, é a decisão mais sensata a tomar quando se enfrenta alguma dificuldade. O medo de ir ao dentista faz com que as pessoas descurem a sua saúde oral e evitem fazer os tratamentos, devido ao medo que têm.

Se é o seu caso, saiba que existe forma de combater este medo!


Fonte: McGoldrick, P.; Levitt J.; deJongh A.; Mason A. & Evans D. (2001). Referrals to a secondary care dental clinic for anxious adult patients: implications for treatment. British Dental Journal, 191, pp:686-688.

 

publicado às 11:24


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