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Este consultório da Oficina de Psicologia tem por objectivo apoiá-lo(a) nas suas questões sobre saúde mental, da forma mais directa possível. Coloque-nos as suas dúvidas e questões sobre aquilo que se passa consigo.
Autor: Luís Gonçalves
Psicólogo Clínico
Passaram alguns dias desde a épica vitória da seleção portuguesa de futebol e que foi um grande momento de orgulho nacional. Foi incrível testemunhar ao vivo um momento assim e onde senti o bom que é ser português. É um pouco disso que lhe trago hoje.
Goste-se ou não de futebol, era impossível ficar-se indiferente à atmosfera que lá se viveu. Famílias inteiras de várias idades e culturas diferentes vestidas com as cores nacionais a sofrer pela seleção, como poucas vezes vi num estádio. As alegrias, as dúvidas e as tristezas vividas com grande intensidade por todos, sem distinção. Arrepiante foi mesmo o inspirador Hino de Portugal ser cantado três vezes desde que entrei até que saí do recinto. Desconhecidos, amigos, companheiros, pais, filhos e avós a uma só voz a celebrar o Grande povo Português. Transcendente!
Numa altura tão cinzenta como a que vivemos, assistir e participar nesta explosão patriótica foi, para mim, o momento alto da semana. O português ganha um novo alento nos momentos de dificuldade, une-se, renasce, dá as mãos e vai em frente. E se pensarmos que temos sido alvo de medidas duríssimas de austeridade, que temos uma taxa de desemprego enorme, que vivemos numa sociedade em perigo de rutura social e por aí adiante…é incrível o modo como estamos a lidar com tudo isto. Se olharmos para outros países, vemos que a contestação social estrangeira tem tido momentos de grande agressividade, instalando-se até o caos e a confusão. E perdoem-me aqueles que acham o povo português um povo de brandos costumes. A nossa história explica porque temos tão baixa auto-estima nacional mas uma coisa é certa: somos resistentes, persistimos e acreditamos que depois da tempestade vem a bonança.
É que me revolta ver muitas das notícias do dia e reparar que (ainda) existem tantos Velhos do Restelo em Portugal. Mentes que parecem apenas ver o lado negativo de tudo, rejeitando o que de bom fazemos e proliferando um clima de medo, angústia e desespero. Todas estas mensagens fazem parte do problema, nunca da solução. Há que ter consciência do momento difícil mas, acima de tudo, focar a atenção em formas de melhorar a nossa condição de vida. É que não é por acaso que uma das primeiras palavras que as crianças portuguesas aprendem a dizer é o “não”…
Acreditar que a nossa vida vai melhorar exige um grande esforço. Há dias em que, simplesmente, não conseguimos mais. Se num deles sentir que está a perder a esperança, lembre-se que não está só... e procure mais portugueses valentes como você: é que a união faz mesmo a força!