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Que fazer quando a preocupação é excessiva?

por oficinadepsicologia, em 08.12.11

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Isabel Policarpo

A preocupação é uma tentativa de resolver um problema, seja procurando maximizar os bons resultados ou minimizando o impacto dos efeitos negativos, o que permite aumentar a sensação de previsibilidade e de controle face ao desconhecido e/ou inesperado.

 

A preocupação é algo que todos sentimos, em particular quando nos confrontamos com situações de stress, há contudo pessoas que apresentam níveis excessivos de preocupação, isto é que pela sua intensidade e dificuldade de controlar, interferem com a qualidade de vida e com a sensação de satisfação perante a vida, ao mesmo tempo que têm um impacto negativo em múltiplas áreas da vida da pessoa, quer seja a nível profissional, familiar ou  pessoal.

 

É importante conhecermos os nossos stressores, isto é aquilo que nos pode fazer iniciar um ciclo de preocupação para mais facilmente e de acordo com as diversas circunstâncias do dia-a-dia sermos capazes de antecipar quando poderão surgir. O simples facto de sabermos que os mesmos vão ocorrer permite-nos encarar o que vem a seguir com uma maior sensação de controle, ao mesmo tempo que possibilita que nos prepararemos “para a maratona”. Tal como na fábula da formiga e da cigarra, em que a primeira se prepara para o inverno recolhendo alimentos para os momentos de escassez, também nós podemos criar “músculo e endurance” para os tempos difíceis, assumindo uma atitude preventiva.

 

O que podemos fazer antes dos problemas surgirem? Podemos começar por aprender a diminuir os nossos níveis de ansiedade, quer aprendendo a relaxar quer por intermédio da prática regular de exercício físico. Igualmente importante, é aprender a bem dormir para que possamos ter acesso a uma noite de sono reparadora – também o sono se prepara, mas em adultos esquecemos isso frequentemente, por exemplo é assim habitual continuarmos a envolvermo-nos em actividades e afazeres diversos até o momento de ir para a cama, como se o nosso cerebro de repente fosse capaz de desligar, como um qualquer interruptor. Também nas ocasiões que precedem o stress particular atenção deve ser dada “aos mimos” que podemos dar a nós mesmos, estamos a falar de coisas tão simples como tomar um banho de imersão ou sentar no sofá a ouvir aquela música que nos tranquiliza e transporta para um momento zen. Os mimos enchem a nossa vida de sensações poderosas de bem estar, capazes de funcionar como verdadeiros anti-stress naturais. 

 

 

A interrupção do ciclo da preocupação é dificil mas não é impossível. Podemos começar por procurar adiar os momentos de preocupação. Isto é, em vez de nos permitirmos preocupar sempre que somos invadidos por pensamentos ansiosos, vamos criar momentos do dia especificos para nos preocuparmos, ganhando assim uma maior sensação de controle sobre os nossos pensamentos.

 

Mas a interrupção do ciclo passa também por outras estratégias “mais de fundo”. Diversos estudos tem revelado que as pessoas mais preocupadas tem uma dificuldade acrescida em tolerar a incerteza e que é esta intolerância à incerteza que funciona como o combustível da preocupação.

 

A intolerância à incerteza  corresponde a reagir negativamente a acontecimentos incertos e ambiguos. Contudo quando olhamos à nossa volta percebemos que dificilmente há certezas, e que hoje e cada vez mais nada está garantido, o que faz com que alguém com dificuldade em tolerar a incerteza sinta a vida como sendo terrivelmente assustadora e pouco reassegurante. É aliás este um dos motivos porque as pessoas preocupadas continuam a preocupar-se numa tentativa de alcançarem mais certezas e controle.

 

Para ser mais fácil entender, imagine que a intolerância à incerteza são como uns óculos, que quando estão postos lhe permitem mais facilmente localizar problemas. Se pensarmos que um problema por definição comporta incerteza, imagine como se sentiria com esses óculos... provavelmente muito perturbada e aflita.

 

Como resolver esta situação? Ganhar mais certezas seria uma forma de minimizar a situação, mas tal não é possível, pelo que só nos resta mesmo é ganhar mais tolerância à incerteza. Os problemas são parte integrante da vida e do dia-a-dia e têm de ser aceites como tal com realismo e flexibilidade. Os problemas que se evitam, enredam-se e multiplicam-se, tornando-se mais dificeis de gerir. Inversamente um problema que é reconhecido atempadamente e encarado, pode funcionar como um desafio que permite novas aprendizagem e mudar algo na sua vida.

 

Assim em vez de continuarmos a esconder a cabeça como a avestruz somos convidados a olhar cada problema de frente, hoje diversos estudos revelaram que as pessoas preocupadas são tão eficazes como as outras a lidar com os problemas desde que para tal se predisponham.

 

Igualmente pertinente é inverter a tendência das pessoas com preocupação excessiva a estarem no futuro, quando viver o presente se afigura como a única certeza real. É no aqui e no agora que a vida se desenrola e acontece. O passado já aconteceu e o futuro ainda não existe.

 

As técnicas de mindfulness e meditação são de grande utilidade por não só permitirem aumentar a consciência face ao momento presente, mas também por promoverem a aceitação da experiência emocional do momento, por contraposição à orientação para o futuro.

 

Não é fácil nem imediato desenvolver uma atitude de tolerância ao desconforto e simultaneamente aceitar a experiência interna indesejada. Contudo quando percebemos que os pensamentos ansiosos e a preocupação são produtos da mente e não factos, torna-se mais fácil iniciar o processo de desligamento da preocupação e dessa forma começar a desenvolver algum distanciamento face à preocupação, adquirindo  uma  postura  de auto-observação.

 

Hoje também se sabe que as pessoas preocupadas em demasia têm dificuldade em compreender e regular a sua experiência emocional, isto é apresentam dificuldade em definir, descrever e aceitar as suas experiências emocionais, ao mesmo tempo que revelam menor capacidade para se auto-tranquilizarem e também a este nível as técnicas de mindfulness podem ser uma mais valia.

 

publicado às 15:26


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