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Estar triste ou não estar: eis a questão

por oficinadepsicologia, em 10.01.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Cristiana Pereira

“Deixa lá isso… Há pessoas que estão piores que tu! Amanhã já tudo passou…” É o que ouvimos constantemente quando nos sentimos mais tristes, mais “em baixo”. É como se fosse proibido sentir a tristeza ou melhor, sentirmos que, de facto, estamos tristes. Mas porque é que não podemos sentir essa tristeza ou a melancolia? Será assim tão má a tristeza para nós? Então para o que ela serve?


Muitas vezes passamos os dias com a sensação de que estamos tristes, mas nem sabemos dizer porquê. Não conseguimos exprimir o que vai “lá dentro”. No fundo, a tristeza tem precisamente esta função, ou seja, pararmos por momentos, interiorizarmo-nos. Por outras palavras, os momentos de tristeza são muitas vezes momentos de pausa para reflectirmos sobre a nossa vida. É como se fosse um aviso para procurarmos o motivo por que alguma coisa está mal connosco. Comparando com a alegria, por exemplo, ela dá-nos energia suficiente para planearmos o nosso dia-a-dia e abarcarmos tudo o que pudermos. E talvez por termos momentos como estes, por vezes existe a vontade de correr para o sentimento de felicidade e, assim, fugirmos a este diálogo connosco mesmos, ao confronto com o nosso interior.


E do que nos vale este confronto? Ora, da mesma maneira como há emoções que parecem estar mais ligadas à resposta de sobrevivência, como a aversão, o medo e a ira, há emoções que parecem aglomeradas a uma certa paragem para aprender, tal como acontece com a tristeza, ajudando-nos a crescer. Desta forma, pode dizer-se que a tristeza não só não é negativa em si, mas como é também extremamente necessária e produtiva. Por isso, não podemos dispensar as alturas em que nos sentimos tristes, pois nesta perspectiva, podemos dizer que se trata de uma fonte de mudança, de criatividade, na forma como ultrapassamos os nossos obstáculos e de autoconsciência.


No entanto, quando estamos em determinada altura da nossa vida em que não conseguimos alternar a tristeza com estados de alegria, e a tristeza é a emoção dominante, somos impedidos de viver e de estar uns com os outros. Quando isto acontece deve ser combatido, porque se torna um bloqueio na vida que rouba as reacções e leva à apatia. Mas isso acontece com qualquer outra emoção que, quando ultrapassar doses equilibradas, acaba por nos fazer mal.

publicado às 10:23


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