Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Motivação: a tradição já não é o que era?

por oficinadepsicologia, em 17.02.10

Autor: Francisco Soure

Psicólogo Clínico

 

Quando viu o primeiro Rocky, torceu pelo Rocky ou pelo Apollo Creed? Quando vê um daqueles típicos filmes de domingo à tarde, nos quais os “populares” de uma escola defrontam os “excluídos”, por quem torce? Quando vê o treinador de um grande clube de futebol a antever o embate com um clube de menor dimensão, concorda com a ideia que os pequenos clubes têm sempre mais motivação quando defrontam equipas maiores?

Pois um estudo recente conduzido na Ohio State University, nos EUA, veio demonstrar que a crença comum que enfrentar alguém mais “forte” que nós nos dá maior motivação é, de facto, um mito.

Num estudo conduzido com estudantes universitários, a quem se pediu que realizasse uma tarefa simples, foi dito aos participantes que estavam numa situação de competição com outra universidade. A alguns destes estudantes foi dito que estavam a competir com uma universidade cuja classificação e estatuto era superior, e a outros que os seus adversários eram de uma instituição de menor renome. De seguida, avaliou-se a percentagem de realização da tarefa para cada grupo, como forma de avaliar a motivação dos participantes. Os resultados foram, de facto, surpreendentes.

Ficou demonstrado que os estudantes que concorriam contra faculdades de menor estatuto demonstravam um aumento significativo de motivação, ao passo que os que concorriam contra faculdades de maior estatuto não o exibiam. Este aparente contra-senso significa que somos, por definição, cobardes? De acordo com os investigadores, não.

A justificação para estes resultados passa pelo facto de que quem está numa posição superior tem muito mais a perder que quem começa por baixo. Ou seja, se eu concorrer contra alguém que está classificado abaixo de mim e perder, perco estatuto; enquanto que se concorrer contra alguém acima e perder, na verdade apenas mantenho aquilo que já tinha e deixo de ganhar um extra em termos de estatuto. E perguntar-se-á o leitor, “para que serve este interessante achado, afinal?”. Acima de tudo, convida-nos a reformular a lógica que utilizamos quando procuramos motivar-nos ou às equipas a que pertencemos e/ou chefiamos (seja no clube de futsal do seu bairro, seja numa grande empresa).

Embora a tendência seja sempre para pôr os olhos em quem está acima de nós e lançar o desafio de adquirir estatuto semelhante ou superior, este estudo revela que a abordagem mais eficaz talvez possa passar por comparar-nos aos de estatuto ou sucesso menor, e lançar o desafio de não os permitirmos alcançar-nos e, de facto, procurar alargar a distância que nos separa. Fica lançado o desafio, aguardamos o feedback de quem quiser pôr em prática esta ideia inovadora! 

 

publicado às 10:26



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D