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Terapia não é dar conselhos...

por oficinadepsicologia, em 02.03.12

Autor: Susanne Marie França

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Susanne Marie França

"A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros; pois nunca têm utilidade para nós próprios"
Oscar Wilde 

 

Fiquei intrigada quando no outro dia uma paciente me perguntou se devia terminar uma relação afectiva com um rapaz com quem namora há dois anos. Andava baralhada e insegura, e o último terapeuta tinha-lhe dito que aquela relação era doentia, e que provavelmente seria terminar a relação….pois estava a agravar a depressão!

 

Por vezes confunde-se psicoterapia com dar conselhos. Muitos pacientes fazem-nos perguntas acerca da nossa opinião de como devem agir ou pensar...E muitos psicoterapeutas, caem na tentação de expressar essa opinião…e lá sai um conselho! Ninguém está a dizer que o terapeuta não é bem-intencionado, e que a opinião até nem é a acertada, mas terapia não é dar conselhos! Os pacientes e terapeutas têm uma relação forte, mas é uma relação terapêutica, que com o tempo e solidificação permite que o paciente seja o seu próprio “conselheiro”.

 

Se os pacientes necessitassem de conselhos não recorreriam a um terapeuta. Por vezes, já estão fartos de opiniões que os irritam e baralham… É o vizinho do lado que não se inibe de dizer o que pensa…é o pai…a mãe….o amigo…o tio….

 

A vulnerabilidade de um paciente que procura ajuda, pode torná-lo altamente sugestionável e sedento de aconselhamento, na tentativa de conseguir aliviar o desconforto e inquietação emocional. O papel do terapeuta será certamente ajudar ao paciente a lidar com esse desconforto, mas dar conselhos será, no meu ponto de vista, satisfazer mais uma necessidade do terapeuta do que do paciente, e adiar um processo terapêutico, que por sua vez pode ter repercussões bastante serias e nefastas para o paciente e sua vida pessoal.

 

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publicado às 11:08


3 comentários

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De Carol Gomes a 10.04.2013 às 23:04

Boa noite, Susanne! Estou escrevendo um artigo sobre o uso de regras, conselhos, mandos e instruções em psicoterapia de diferentes abordagens. Gostaria de saber se vc possui algum tipo de material, ou me recomenda autores que tratem sobre isso. É tão dificil encontrar material. :)

Att,

Carol Gomes.
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De oficinadepsicologia a 21.04.2013 às 16:07

Ola Carol.
Em primeiro lugar obrigada pelo seu contacto.
Deixamos lhe o email da nossa colega Susanne para que possa obter as referências e informação que pretende: susanne.franca@oficinadepsicologia.com .

Um abraço
Filipa Jardim da Silva
Psicóloga Clínica
Oficina de Psicologia
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De Alberto a 12.06.2014 às 00:38

Infelizmente uma psicologa da minha ex-namorada deu conselhos assim... que eramos mt diferentes... e esses conselhos quando eram dados a seguir a uma discussão ajudaram imenso à relação acabar. Passado 1 ano e meio, eu é que estou com uma depressão e ainda amo e sinto falta dessa pessoa que pensava que ia ter para o resto da minha vida. Todas as discussoes com minha ex vieram de eu nao compreender a doença dela (depressao/bipolaridade) e dela ser destrutiva e de consumir haxixe/maconha durante o dia todo se necessario e me esconder pois eu não achava normal e me preocupava imenso.
Podia dizer imenso, mas o que eu posso dizer é que a psicologa de minha ex namorada seguiu o caminho facil... ou seja.. você não vai mudar, logo deixe o rapaz mesmo que ele tenha boas intenções. Nem vale a pena tentar compreende-lo. É assim que muita gente cura as pessoas. Falo Sobre isso porque passado 1 ano e pouco fui consultar essa psicologa sem ela saber quem eu era... quando contei minha historia sem ela saber quem era a minha ex, era uma coisa... quando soube querm era.. mudou logo de opiniao e era outra e começou a julgar-me imenso e a fazer-me sentir mal. Chegou ao ponto de dizer: AINDA BEM QUE ACABOU. Que nós eramos muitos diferentes... infelizmente é assim. Faz-se tudo para não se ter peso na consciencia e acreditar que tiveram sucesso num caso. Pois, o sucesso enganador num caso foi o caso da doença de outra pessoa. Peço desculpa o desabafo, mas só eu sei o que ainda sofro e o que a minha mente ainda procura de respostas e justificaçoes que nao teve. Eu nao vivo, apenas sobrevivo. A doutora sabe isso e pouco se importa. Nunca vai admitir que errou.

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